Racismo, racismo, racismo – Folha

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Escritor e roteirista, autor de “Nu, de Botas”.
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A Albânia tem 3 milhões de habitantes e 2 prêmios Nobel. A Suécia, com 10 milhões, tem 31. Argentina: 45 milhões, 4. Irlanda, 5 milhões, 8.
O Brasil tem 213 milhões de habitantes e nenhum prêmio Nobel. Coincidentemente (será?), somos um dos países mais desiguais do mundo e coincidentemente (será?), um dos últimos a acabar com a escravidão. A escravidão (e sua herança inacabável) não foi só uma atrocidade contra os negros: aleijou também a branquitude. Tá tudo em “Raízes do Brasil”, do pai do Chico.
A desvalorização do trabalho produz uma branquitude animicamente obesa. A ausência total da meritocracia dá num mercado capenga, deficitário. Por favor, “liberais” do Brasil, leiam “As Ideias Fora de Lugar”, do Roberto Schwarz.
O “capitalismo” brasileiro tem bem mais de Luís 14 do que de Adam Smith. A quantidade de cretino em cargo de chefia, na iniciativa privada, é bizarra. Qualquer branco xarope que sair do Santa ou do Vera Cruz, em São Paulo, tem seu futuro garantido, porque não precisa concorrer com a metade da população negra ou demais brancos de escola pública, postos fora do jogo pela má educação. (São as nossas cotas para brancos.)
O desprezo à carpintaria, à marcenaria e à hidráulica, entre outros saberes técnicos que não demandam “gênios”, mas profissionais, torna nossos roteiros frouxos, nosso cinema capenga, nossas séries sofríveis.
A Coreia faz cinema melhor do que a gente. O Uruguai, cuja população é menor do que o número de passageiros do metrô de São Paulo, num dia, também. (Assistam a “Whisky”.)

Eu sei que já é um clichê citar a frase a seguir, principalmente porque a maioria das pessoas, como eu, a conheceu antes pela música do Caetano do que pelos escritos do Joaquim Nabuco: “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.”
Mas já que abri a porta pro lugar comum, defendo-me com outro: a frase é repetida vez após outra por ser verdadeira. Tristemente verdadeira. Em 2022 ainda somos uma sociedade dominada por meia dúzia de sinhozinhos brancos que não sabem lavar um prato, com 54% de negros e pardos vivendo na merda. Não costumo usar palavrão nos meus textos. Mas escrever bem (ao contrário do que prega o beletrismo ridículo da nossa pobre literatura dos sinhozinhos) significa usar as palavras certas.

Meu amigo Mário é preto, tem mestrado na Alemanha, um cargo executivo numa ONG mundialmente reconhecida e a cada duas semanas, chegando em sua casa, em Perdizes, é colocado contra um muro e revistado pela polícia, com uma arma na cabeça.
Como ele tem mestrado na Alemanha, mora em Perdizes e tem cargo executivo numa ONG mundialmente conhecida, é liberado vivo, depois do susto. Se fosse como a maioria dos homens negros, podia terminar morto com um tiro na nuca. É um país de merda. Não tem outra palavra. (Outro dia ele foi colocado contra o muro diante da filha de quatro anos.)
A questão dos prêmios Nobel foi levantada pelo economista Hélio Santos, no lançamento da campanha “Quilombo nos Parlamentos”.
Trata-se de um movimento suprapartidário para eleger uma bancada negra e antirracista. Enquanto um país majoritariamente negro e pardo for legislado pela minoria branca, as coisas não vão mudar. A Albânia tem 3 milhões de habitantes e 2 prêmios Nobel. A Suécia, com 10 milhões, tem 31.
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