Jessé Souza: ‘Bolsonaro é o produto perfeito do racismo, do machismo e da perversidade brasileira& … – CartaCapital

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Em entrevista a ‘CartaCapital’, o sociólogo e ex-presidente do Ipea faz um panorama do bicentenário do País
Os 200 anos de independência do Brasil não resultaram em conhecimento sobre a escravidão e a soberania dos povos. A avaliação é do sociólogo e ex-presidente do Ipea Jessé Souza, 
“O Brasil nunca teve um processo de aprendizado de redefinir o que é o Brasil e o que ele deve ser para as pessoas”, explica ele em entrevista ao canal de CartaCapital no Youtube nesta sexta-feira 9. “Se não há um processo explícito para que mude isso, o passado continua”.

Na entrevista, concedida ao repórter André Barrocal no programa Poder em Pauta, Souza destacou que esse processo de não aprendizado da escravização se reflete na eleição de Bolsonaro e concepção de seus valores morais e cristãos. Além do retrocesso no índice de desenvolvimento humano (IDH) em comparação com os demais países do mundo. 
“Você produz pessoas que não vão ser respeitadas como gente. Você cria uma classe de pessoas para serem odiadas e todas as outras poderem se sentir superiores a ela”, a partir disso, sublinha, o comportamento dos negros e dos pobres passa a ser considerado crime. “O crime não é o que o Paulo Guedes faz roubando o dinheiro tirando do povo brasileiro e entregando para meia dúzia, crime é o que o negro faz em sua religião, em seu lazer”. 
Souza cita como exemplo o caso dos jovens negros do Rio de Janeiro que foram revistados por PMs após protesto contra a motociata de Bolsonaro. Souza também abordou na entrevista o enriquecimento de empresários, como Luciano Hang, durante o governo Bolsonaro e o uso do desprezo e humilhação para preservar hierarquias sociais. 
Confira a íntegra: 
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Colunista repercute demissão de jornalista canadense que teria sofrido discriminação – Jornal da USP

Lisa LaFlamme teria sido demitida por deixar de pintar os cabelos e, com isso, tornar-se menos atraente para o público

Causou muita repercussão no Canadá a demissão recente da âncora do telejornal de maior audiência daquele país. A demissão de Lisa LaFlamme levantou a discussão sobre uma possível discriminação contra a mulher no mercado de trabalho, já que há uma suspeita de que a profissional teria sido dispensada pelo fato de ter deixado de pintar os cabelos durante a pandemia. De acordo com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, esse tipo de situação está longe de ser uma novidade – nos últimos anos, nos EUA, houve pelo menos 12 situações de mulheres – que trabalhavam em empresas de mídia – terem processado os seus patrões sob alegação, segundo elas, de suas demissões terem a ver com o fato de serem idosas e pouco atraentes para o público.
No caso de Lisa, a CTV, maior rede de televisão privada do Canadá, divulgou, num primeiro momento, que a decisão de demitir a jornalista, que era muito popular no país, devia-se à mudança de hábito da audiência, e, posteriormente, recusou-se a falar sobre o assunto. De todo modo, restou a suspeita, reforçada pelo fato de o mesmo não ter acontecido com dois âncoras homens, mais velhos do que Lisa. Diz o colunista: “A repercussão do caso mostrou que a situação realmente não é fácil para jornalistas mulheres, isso especialmente nos meios audiovisuais”. Seja como for, a CTV anunciou o substituto da jornalista demitida. Num esforço para tentar talvez amenizar as críticas, a emissora escolheu um homem, que é muçulmano, para estar à frente de seu telejornal.
Horizontes do Jornalismo
A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar toda segunda-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção  do Jornal da USP e TV USP.
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Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.

Por Jean Pierre Chauvin, professor de Cultura e Literatura Brasileira da ECA-USP
Por Edson Cocchieri Botelho, pró-reitor de Pesquisa da Unesp; João Marcos T. Romano, pró-reitor de Pesquisa da Unicamp; e Paulo Alberto Nussenzveig, pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP
Por Marilene Hohmuth Lopes, professora do Instituto de Biociências da USP

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RACISMO: Jovens Negros que vaiaram Bolsonaro no ônibus são perseguidos e humilhados – Tribuna da Imprensa

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Fotografados protestando contra o presidente no ato de 7 de setembro no Rio, oito jovens negros foram retirados de ônibus pelos policiais logo depois
Vídeo: jovens que vaiaram motociata de Bolsonaro são revistados pela PM
Reprodução/Youtube
Oito jovens que foram fotografados vaiando e protestando, de dentro de um ônibus, contra a motociata de Jair Bolsonaro no Rio no 7 de Setembro, ontem, foram abordados pela Polícia Militar logo depois.
Segundo o site Metrópoles, os oito jovens negros foram retirados do ônibus e revistados por três policiais do Batalhão de Choque. O procedimento foi filmado por uma testemunha próxima.
No vídeo, é possível ver os PMS revirando as mochilas dos rapazes, verificando seus bolsos, tênis e celulares.
“Dentro das mochilas, é possível ver alimentos como biscoitos e arroz. Um dos homens chega a mostrar a carteira de trabalho. Nenhum outro passageiro do transporte aparece sendo revistado”, escreve o site.
Clique abaixo para assistir ao vídeo.
Vídeo: jovens que vaiaram motociata de Bolsonaro são revistados pela PM
 
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Diretor regional da OMS no Pacífico afastado após acusações de racismo – RTP

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O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a região do Pacífico Ocidental, Takeshi Kasai, foi afastado do cargo, segundo a Associated Press (AP), que noticiou em janeiro queixas de racismo contra o responsável da agência da ONU.
A AP cita "correspondência interna" da OMS que dá conta do afastamento de Takeshi Kasai. 
O afastamento ocorre meses depois de terem sido noticiados os resultados de uma investigação jornalística da AP que indicava que dezenas de funcionários do organismo na Ásia tinham sido alvo de alegados comportamentos racistas e de comportamentos considerados "pouco éticos" por parte de Kasai.
Segundo as acusações, os alegados comportamentos de Takeshi Kasai afetaram os esforços da OMS no continente asiático durante os piores momentos da pandemia de covid-19. 
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus disse hoje aos funcionários do organismo na região do Pacífico Ocidental que Kasai "se encontra de baixa", sem ter fornecido mais detalhes. 
Tedros disse que a vice-diretor-geral da OMS, Zsuzsanna Jakab, é esperado hoje na sede regional do organismo, em Manila, para garantir que "as coisas continuam a funcionar".  
Dois altos funcionários da OMS, que pediram anonimato, disseram à AP que Kasai se encontra na situação de "licença administrativa de longa duração", após investigações internas provocadas pelas notícias que davam conta das acusações de "má conduta".
Em comunicado, a OMS disse que não sabe quanto tempo Kasai vai estar afastado de funções e que as investigações vão continuar.
Kasai não comenta o afastamento, apesar de já ter negado anteriormente o uso de linguagem racista ou de ser responsável por comportamentos pouco profissionais.  
Em janeiro, a AP noticiou que mais de 30 membros da OMS, não identificados, na região do Pacífico Ocidental tinham enviado queixas queixas aos principais responsáveis pelo organismo alegando que Kasai era responsável pelo "ambiente tóxico" nos gabinetes regionais. 
Na altura, documentos e gravações mostravam os comportamentos racistas de Kasai contra os funcionários, afirmando que o aumento do número de infeções de covid-19 em alguns países do Pacífico ficava a dever-se "à cultura inferior, raça e aos baixos níveis sócio-económicos".
Alguns membros da OMS que trabalhavam com Kasai disseram ainda que o responsável enviou para o Japão de forma "imprópria" informações sobre a vacina contra o SARS-Cov-2.
Kasai, médico de formação, é natural do Japão e trabalha na OMS há 15 anos.   
Poucos dias depois das primeiras notícias terem sido difundidas, o diretor-geral da OMS anunciava uma investigação interna sobre Kasai mas durante os últimos meses vários funcionários queixaram-se que o diretor regional manipulava o processo. 
 
PSP // PDF
Lusa/Fim

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Violência e xenofobia racializadas: há um holocausto negro no Brasil? – Correio Braziliense

Por Júlio Camisolão — Membro do Movimento Negro Unificado (MNU)
Estamos sendo continuamente impedidos de viver nossa humanidade. É a partir desse ângulo que enxergo todas as formas de violência e silenciamento físico e mental impostas aos descendentes de africanos no Brasil. Lembro de uma citação no livro de M. H. P. T. Machado (“Crime e Escravidão: Trabalho, Luta e Resistência nas Lavouras Paulistas”), em que um homem escravizado que respondia a um processo criminal por ter assassinado seu senhor, dizia o seguinte: “Matei lobisomem, não matei homem.”

O que essa afirmação traduz é a certeza de que não há humanidade no agressor, portanto é lobisomem e esse ser inumano quer nos impor uma condição desumana, através da limitação do direito de ir e vir, da abordagem violenta, da invasão de domicílios sem autorização judicial, da execução como forma de substituição a um eventual processo judicial, precedido de um inquérito neutro e que não tenha vícios.

Não precisamos contar as vítimas e os inúmeros corpos espalhados pelos becos, vielas e ruas das grandes cidades, pois agora o extermínio ocorre em supermercados, lojas, camburões (viaturas) que funcionam como espaços de tortura e câmaras de gás itinerantes, à luz do dia, pra quem quiser ver. No entanto é possível listar a violência e a xenofobia racializadas em atos e de forma cronológica.

No Rio de Janeiro por exemplo foram: Chacina de Acari (1990), Chacina da Candelária (1993), Chacina do Vigário Geral (1993), Chacina do Maracanã (1998), Chacina do Borel (2003), Chacina da Via Show (2003), Chacina da Baixada Fluminense (2005), Chacina do Panamericano (2007), Chacina do Morro Fallet-Fogueteiro (2019), Chacina do Jacarezinho (2021), Chacina da Vila Cruzeiro (2022).

Em Goiás teve o caso dos 10 adolescentes queimados vivos em 2018, em um Centro de Internação Provisória, localizado no 7º Batalhão da Polícia Militar, quase todos negros. Por falar em queimado, há o caso recente em Santa Catarina do atentado racista contra um jovem negro na avenida Beira Mar em Florianópolis.

Dados recentes da Rede de Observatório de Segurança apontam que a PM baiana é uma das mais letais do país e que em apenas dois anos foram 74 chacinas. O caso mais emblemático foi a Chacina do Cabula. Não pretendo aqui fazer um registro geral, apenas mostrar alguns exemplos. Trazemos aqui os casos de Gustavo Henrique Soares Gomes de 17 anos, em Samambaia Norte (DF), sem passagem pela polícia, alvejado com um disparo no tórax porque estava de carona em uma motocicleta, o congolês Moïse Kabagambe foi outra vítima dessa violência e Durval Teófilo Filho, assassinado no Rio de Janeiro pelo Sargento da Marinha que deduziu tratar-se de um elemento nocivo, no entanto era seu vizinho de condomínio.

No Rio Grande do Sul, tivemos os casos de Júlio César de Mello Pinto (homem errado), de João Alberto Silveira Freitas no Carrefour, além da tentativa de execução do angolano Gilberto Almeida. No Maranhão, em Açailândia tivemos o caso jovem negro Gabriel da Silva Nascimento. Os afrobrasileiros que escapam a esse genocídio e xenofobia racializada, são também vítimas do sistema judiciário composto predominantemente de pessoas brancas, a presidirem inquéritos viciados e decisões permeadas pelo que hoje se chama de racismo estrutural e encerram tais processos determinando que essa população alvo seja depositada no desumano sistema prisional brasileiro. Reflitamos sobre essa perspectiva de exterminar a humanidade que existe em nós (os/as negros/as) estabelecendo essas formas de violência e brutalidade. Como disse Marimba Ani ao cunhar o termo suaíle “maafa” (grande desastre), não há dúvidas da existência de um projeto genocida contra nossa humanidade negra.

No Brasil esse projeto deve ser classificado como um processo contínuo, ininterrupto, ou seja, há efetivamente um holocausto negro para o qual o sistema de segurança pública e aqui incluo também as guardas municipais, está montado e regulamentado para ser o executor. É a máquina de guerra financiada e treinada para matar em nome do Estado, ou seja, não há despreparo na formação dos agentes de segurança, eles são formados e treinados para cumprir esse papel.

O sistema judiciário é parte dessa engrenagem que dá sustentabilidade ao holocausto negro no Brasil, pois condena e encarcera com base no racismo estrutural. Quanto aos policiais, devem ser investigados e responsabilizados com rigor. Precisamos acabar com esse consenso criminoso de basta ser uma pessoa negra para ser “julgada” culpada ou no mínimo suspeita.

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Estudante denuncia que foi vítima de injúria racial por parte da professora dentro de escola em Alagoas – Cada Minuto

Mais um caso de injúria racial é registrado em Alagoas. O episódio aconteceu em uma escola pública no final de agosto. Esta semana, a Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) recebeu a vítima e está acompanhando o caso.
A denúncia envolve um estudante do ensino médio e uma professora. A vítima relata ter sido chamada de “preto e analfabeto” pela professora da disciplina de Artes, após se recusar a ler um texto em voz alta. 
Segundo a vítima,  a turma teria prestado apoio e ela e a professora, que é argentina, teria acusado os demais alunos de xenofobia.
O estudante informou que o episódio foi comunicado à diretoria, porém que nenhuma medida foi adotada. De acordo com a vítima, esse tipo de situação seria recorrente na escola, que há meses recebe diversas denúncias de homofobia, racismo e atitudes hostis por parte da professora. Em relação aos diversos casos, o estudante relata que a posição da escola diante das ocorrências é de sempre tentar solucionar o caso com conversas entre os envolvidos e seus responsáveis.
A vítima relata que, mesmo com a mobilização em torno da diretoria, que está ciente de todos os casos, não houve nenhum pedido de retratação por parte da instituição. A escola teria marcado uma reunião entre a professora, a diretoria e os pais do aluno, porém a professora não compareceu.
Um boletim de ocorrência foi formalizado na Central de Flagrantes relatando toda a situação. Já a Comissão de Igualdade Racial da OAB/AL oficiou a Secretaria de Estado da Educação sobre a ocorrência para que as medidas necessárias sejam tomadas. Na oportunidade, a Comissão reforçou sobre a importância de inserir a temática racial nas escolas. Que deve estar presente  nos currículos pedagógicos com base no que determina a lei 10.639/0.
Ana Clara Alves, presidente da Comissão de Igualdade Racial destaca que esse não é um caso isolado, e que a Comissão segue acompanhando diversas denúncias relacionadas a discriminação nas escolas “É inadmissível que tais condutas ainda ocorram, principalmente em ambiente escolar e por quem tem o dever funcional de ensinar, acolher e proteger os alunos em uma sala de aula. A escola possui papel primordial no enfrentamento ao racismo, não cabendo qualquer tipo de discriminação. A Comissão de Promoção da Igualdade Racial vem recebendo reiteradas denúncias de supostos crimes de racismo e injúria racial dentro das instituições de ensino. Nesse sentido, levamos o debate racial para as escolas interessadas por meio de rodas de conversa, acolhemos as vítimas e prestamos o acompanhamento jurídico necessário ao caso”,  afirmou ela.
 
*Com Assessoria

 
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Brasil – Mudam as ″raças″ não muda o racismo – Diário de Notícias

Levantamento por entrevista realizada nos passados dias 8 e 9 pela Datafolha sobre repartição racial das intenções de voto, revela que 42% do eleitorado se declara “pardo”, 34% branco e 15% preto. A estatística oficial brasileira chama “pardos” aos mestiços – sejam de origem branco-negro, povos originais-branco, povos originais-negro – e chama as pessoas de origem oriental de “amarelos”. Num país em que a determinação de “raça” é feita por auto-declaração, as palavras “pardos” e “amarelos” há muito deviam ter desaparecido desse vocabulário estatístico.
A auto-declaração é uma importante precaução do legislador contra classificações raciais feitas pelo Estado, como ocorria na África do Sul do apartheid e como, aliás, ocorre ainda em alguns outros países. Porém, ela tem sido aproveitada para várias mudanças nas declarações, muitas vezes por motivos oportunistas. Por exemplo, brancos ou brancas que se declararam “pardos” para entrarem nas universidades através das políticas de cotas raciais, fraude contra uma medida que visa precisamente corrigir as desigualdades nesse acesso.
Nem sempre as mudanças na declaração têm tais características. Muitas pessoas, simplesmente constataram que – elas próprias ou seus pais – faziam declaração errada em virtude das “configurações de embraquecimento”, muito marcantes no Brasil, pelo menos até há pouco. A política de embraquecimento foi política oficial brasileira nos últimos anos do Império e décadas da República com promoção de fortes movimentos migratórios europeus.
A discriminação racial prosseguiu até hoje, sem oposição eficaz, verificável nos indicadores sociais e na quase total composição branca dos grandes centros de decisão, sobretudo federais, mas também dominante nos escalões estaduais e municipais, seja nas instituições políticas, grandes empresas e universidades.
Já tive ocasião de definir o racismo como principal problema do Brasil num trabalho sobre imposturas identitárias, em virtude de constituir elemento decisivo em dois planos centrais: por um lado, a formatação do poder e por outro, a diminuição das oportunidades da maior parte da população. As “configurações do embraquecimento” são hoje condenadas por qualquer discurso, mesmo dos mais conservadores, mas na prática a herança histórica está quase inalterada.
Por exemplo, todas as candidaturas presidenciais de partidos com assento parlamentar são compostas por pessoas brancas, sem exceção. Não só os candidatos ou candidatas mas até seus estados-maiores.
Nas candidaturas a Governadores ou Senadores notam-se algumas exceções, em parte de pessoas que mudaram a sua auto-declaração racial. A nível de Deputados federais e estaduais o número de candidatos “pretos” ou “pardos” aumentou mas, ainda assim, órgãos de media publicam com frequência mudanças de pessoas anteriormente “brancas” que passaram sobretudo a “pardas”, numa movimentação eleitoral com forte cheiro oportunista. Uma muito notada lista recente assinalava (com fotografias) 42 casos de personalidades com relevo nos seus Estados.
A pesquisa da Datafolha reflete outra alteração de impacto. As auto-declarações dos entrevistados não corresponde aos mesmos percentuais do Censo populacional. Comparando, há uma grande diminuição do número de “brancos”, ligeira baixa no de “pardos” e subida no de “pretos”. Na estatística oficial, os “negros” correspondem à soma de “pardos e “pretos”, portanto, 55% da população (46% declarados pardos e 9% declarados pretos, aproximadamente), enquanto este levantamento da Datafolha tem mais 2%. Já os declarados brancos desceriam de 42% no Censo para os 34% mencionados.
A pesquisa não refere intenções de voto dos classificados como “amarelos e indígenas”, em virtude de assinalar fraca a sua presença na base de dados. Nos Censos populacionais constituem um pouco acima de 1%. A soma dos entrevistados pela Datafolha dá um total de 91%, número que, adicionando esse 1%, deixaria uma “ausência” de 8%.
Assim, de forma preliminar constatamos, se os dados da Datafolha forem realmente representativos, dois fenómenos simultâneos: aumento importante da classificação de “pretos”, que pode ser resultante das passagens de “brancos” a “pardos” e destes a “pretos”; aumento das pessoas que não se racializam, fator que nas nossas observações está efetivamente em alta no Brasil.
Assim, temos um quadro onde progride o confronto entre o conceito norte-americano de dicotomia racial (com “genocídio estatístico” dos mestiços) e o conceito de não-racial, sobretudo usado na luta contra o apartheid para definir o regime após a queda deste e recentemente usado de novo em projeções para o próximo processo eleitoral sul-africano.
Entretanto, por aqui, ganhe quem ganhar, a composição racializada dominante será a mesma.
Pesquisador no NEA/INEST/UFF ( Rio de Janeiro) e no CEI/ ISCTE/IUL. ( Lisboa).

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Domínio de evangélicos na política piora racismo religioso, diz babalorixá – UOL Notícias

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro ‘Paraíso Armado’, sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.
Colunista do UOL
05/09/2022 00h24
Diz a Constituição que o Brasil é um Estado laico — mas não parece. Em troca de apoio político, o presidente Jair Bolsonaro é cada vez mais influenciado pelas demandas de líderes evangélicos, setores do governo são dominados por pastores neopentecostais e tanto o chefe do Executivo quanto a primeira-dama adotam a retórica dessa corrente religiosa. Na sexta-feira, em uma feira agropecuária, no Rio Grande do Sul, Bolsonaro disse que quer manter a supremacia cristã no país.
Babalorixá do tradicional terreiro de candomblé Ilê Omijuarô, localizado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Adailton Moreira Costa, 57 anos, diz que essa hegemonia fere o Estado Democrático de Direito. “Quando essas religiões aparelham o Estado e a sua máquina a gente sabe bem onde vai desembocar”, disse ele à coluna. O babalorixá se refere a ataques à liberdade religiosa e ao racismo religioso.

Além de babalorixá, Costa é mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele reclama da falta de políticas públicas para os adeptos das religiões afrobrasileiras e a punição para os ataques feitos contra terreiros, por homens que se dizem evangélicos.
Entre outras críticas, ele rebate as falas da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que volta e meia associa candomblé e umbanda a rituais demoníacos. “O demônio não é um problema nosso, o demônio é uma grande mola que impulsiona o discurso e a narrativa deles, no que se refere a justificar as suas práticas”, explica Adailton.
UOL – O presidente Jair Bolsonaro disse em uma feira agropecuária no Rio Grande do Sul que o Brasil é um país formado majoritariamente por cristãos e que não admitirá “retrocesso” nessa área, porque “temos o povo e Deus ao nosso lado”. O que acha disso?
Babalorixá Adailton Moreira Costa – Para nós, é muito complicado quando religião e governo estão de mãos dadas para manter a supremacia de algum segmento, aparelhando o Estado. Isso fere o conceito de Estado Democrático de Direito.
Quando essas religiões aparelham o Estado e a sua máquina a gente sabe bem onde vai desembocar: violações da Constituição Federal, que garante a liberdade religiosa. O conceito de Estado laico é importante para que não haja esse aparelhamento.
Isso não quer dizer que o Estado não deve estar atento às questões sociais de pessoas pertencentes a segmentos religiosos.
Esse grau de fundamentalismo e de proselitismo evangélico neopentecostal nos afeta imensamente por conta do racismo religioso.
De que forma os adeptos das religiões de matriz africana sentem as consequências do racismo religioso?
A gente vai percebendo os estereótipos, a invisibilização, a falta de políticas públicas efetivas para as religiões de matriz africanas. Nós somos uma religião de acolhimento, sem olhar a orientação sexual, a raça, a classe social das pessoas. Por isso somos estigmatizados, já que acolhemos o que as tradições racistas e preconceituosas não querem ver na sociedade com direitos reconhecidos.
Não somos religião salvífica. Não dizemos que para encontrar o mundo dos céus, o mundo dos deuses, você tem que fazer parte dessa visão neoliberal capitalista e mercadológica. Nós não temos essa relação com o mercado da fé.
Ao comentar um vídeo em que Lula aparece em um ritual de terreiro, a primeira-dama diz que ele entregou a alma para vencer a eleição. Disse também que o Palácio do Planalto já foi ocupado por demônios. O que acha dessas declarações?
Para nós, ela foi extremamente clara no que se refere a essa posição racista e preconceituosa. Toda hora eu digo que o demônio não é um problema nosso, o demônio é uma grande mola que impulsiona o discurso e a narrativa deles, no que se refere a justificar as suas práticas. O demônio não pertence a nós, não é uma questão nossa.
Eu acredito que o racismo religioso contra religião de matriz africana é motivado por ser uma tradição negra. Tudo que for inferiorizante eles jogam em cima de nós. “Seu cabelo é ruim, sua tradição é rui, sua cultura é ruim”.
Eles só nos veem como pessoas que dançam em círculos e que sacrificam animais, o que não é verdade. Nós temos nossa cosmologia, nossa cosmogonia, nossa filosofia, nossas ciências, nossas tecnologias. A história e o desenvolvimento civilizacional deste país passam pelos povos negros ou oriundos de matriz africana. Negar isso é um grande retrocesso, é fundamentalismo, obscurantismo que as religiões neopentecostais vêm trazendo. Não entendo essa teologia que eles utilizam.
A parceria com o governo parece ter deixado integrantes de algumas correntes religiosas ainda mais à vontade para atacar o povo de terreiro.
Esse aparelhamento do Estado por parte deles cria um sentimento de impunidade, de que as leis não serão mais respeitadas. A Constituição Federal já está sendo jogada no lixo. Eles se sentem acima do bem e do mal. Isso é muito preocupante para nós.
Cada vez mais os casos de violência e de violação a terreiros e adeptos vêm crescendo, principalmente nesse desgoverno. Além disso, o machismo aumentou, o racismo aumentou, o feminicídio aumentou, o genocídio da população negra aumentou. Então, você tem diversas estruturas que vão engrossando esse caldo de violência e de violações que ficam impunes pela omissão do Estado brasileiro, que ele está aparelhando.
Tudo o que se refere a avanços políticos e democráticos das populações vulnerabilizadas está sendo atacado.
O número de ataques a terreiros por parte de pessoas que se dizem evangélicas aumentou bastante. Esses casos têm sido devidamente punidos?
Quando as pessoas vítimas de ataques aos terreiros vão fazer os boletins de ocorrência, policiais tentam associar a briga de vizinho, dizem que é assim mesmo. As religiões de matriz africana e seus adeptos nunca foram agredir ou depredar nenhum templo. Não há nenhuma reclamação nesse sentido.
Por que então essa impunidade? Nada é feito. A população negra de terreiro começa a não acreditar nas instituições, naqueles que deveriam dar segurança à população.
Esse gestor (Jair Bolsonaro) foi colocado lá para governar um país e a sua sociedade, mas sem abraçar somente os seus, somente aqueles de sua orientação religiosa.
O que temos feito é incentivar as denúncias, inclusive a organismos internacionais. Muitos tratados não são cumpridos pelo Estado brasileiro, mas o governo continua dizendo que sim. Isso é uma falácia. Em fake news eles são bons.
Como a eleição presidencial vai influir na situação dos adeptos das religiões afrobrasileiras?
Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer. A tradição de matriz africana sempre teve essa marca da superação. Não precisaria ser na dor, como nós sempre estamos acostumados.
Estaremos aí lutando pelos nossos direitos. Independente de qual resultado da eleição, eu acredito que nós precisamos fazer um trabalho, não de conscientização política, porque nós já somos conscientes e por isso estamos resistindo até os dias de hoje. Mas é preciso um trabalho para saber de fato quem nos representa, de trabalhar a cultura da política.
Nós estamos preparando os nossos para isso. Pode não ser hoje, pode não ser amanhã, mas vai acontecer. Nós teremos os nossos representantes também, mas de uma forma que não seja baseado na ótica e na lógica que a gente percebe e sente hoje. Vai ser sob outra lógica no que se refere ao Estado Democrático de Direito, para que a gente possa viver a nossa liberdade plenamente.
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Chico Alves e Stella Borges
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Internacional hoje: Mano Menezes até 2023, novidades racismo e mais – Torcedores.com

Torcedores – Notícias Esportivas
Colorado renova contrato com o técnico até o ano que vem e receberá o Cuiabá neste sábado (10), no Beira-Rio
Por Marco Maciel Marco Maciel
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Crédito: Ricardo Duarte/Inter
O Internacional entrará em campo neste sábado (10) no Beira-Rio, às 16h30 (horário de Brasília) contra o Cuiabá, pela abertura da 26ª rodada do Brasileirão Série A. Dessa forma, o Colorado poderá dormir na vice-liderança da competição. Leia agora as principais notícias do dia da equipe gaúcha.
Agora é oficial! Mano Menezes fica até o fim do ano que vem. O novo vínculo do técnico com o Internacional agora vai até dezembro de 2023. Inicialmente, o contrato do treinador se encerraria no fim de 2022. “Mano está no Colorado desde abril e logo no início emendou uma sequência invicta de 14 jogos. Em mais de 30 partidas sob seu comando, o Inter tem apenas quatro derrotas e está na disputa pelas primeiras posições no Campeonato Brasileiro, com um dos melhores ataques”, diz a nota oficial colorada, publicada na tarde desta sexta-feira (09).
Novo contrato do treinador vai até dezembro de 2023.

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Duas novidades apareceram na lista dos concentrados do Colorado para o confronto com o Cuiabá neste sábado (10). O volante Matheus Dias e o centroavante Mikael estão aptos para a partida. O meio-campista é da base e um dos destaques da equipe sub-20. Já o atacante volta a ficar à disposição depois de estrear contra o Melgar pela Copa Sul-Americana, quando se mostrou ainda fora do peso ideal.
Mano Menezes deve escalar a seguinte equipe do Internacional diante do Cuiabá. Daniel, Bustos, Vitão, Mercado e Renê; Gabriel, Johnny, Alan Patrick, Mauricio e Wanderson; Alemão. O desfalque é Carlos De Pena, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Maguielson Lima Barbosa (DF) será o árbitro, auxiliado por Alessandro Alvaro Rocha de Matos (BA-FIFA) e Leila Naiara Moreira da Cruz (DF-FIFA). Rodrigo D Alonso Ferreira (SC) é o encarregado do VAR.
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O Internacional publicou uma nota informando a desistência do atacante Felipe Pires, do Juventude, de entrar com qualquer representação. O atleta acusou um torcedor de lhe proferir ofensas raciais no Beira-Rio, durante a goleada por 4 a 0 sobre o Juventude no último dia 29 de agosto.
“O episódio foi resolvido entre as partes diretamente envolvidas, ficando esclarecido o incidente, possivelmente causado pela distância entre os mesmos e o ruído de fundo, existente no estádio. Reafirmamos a nossa posição de pleno combate e repúdio a qualquer espécie de discriminação. Ficamos satisfeitos que tudo foi devidamente esclarecido e solucionado”, diz o texto presente no site oficial do Colorado.
Após depuração de caso envolvendo um torcedor e um atleta do Juventude, o Inter informa que tomou conhecimento acerca da desistência de qualquer representação por parte do atleta. O episódio foi resolvido entre as partes envolvidas.

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O Colorado anunciou nesta sexta (09) a venda da meio-campista Mai para o Sporting Lisboa. Dessa forma, a atleta deixa o Internacional imediatamente. Conforme informações do GZH, o time gaúcho arrecadou 30 mil euros (R$ 155.364 mil) com a negociação, uma das maiores já realizadas pela equipe feminina colorada. Mai jogou 33 partidas e marcou três gols com a camisa da equipe gaúcha.
Sonho mais do que realizado, @MaiNiehues. Estaremos sempre na torcida por ti. VOA!! 🚀🥹🇦🇹❤️ https://t.co/toDQyAdkXg
“Quem vem da roça, como eu vim, aprende que nunca desistimos dos nossos sonhos. Já realizei muitos deles na minha carreira e parto para um novo desafio. Hoje, me despeço do clube que sempre amei e pude defender: o Inter. Obrigada por tudo, Gurias Coloradas. Sigo na torcida para sempre”, postou Mai, ao se despedir do Colorado.
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