Apontar racismo em 'Moby Dick' é ignorar caráter crítico do livro – Folha

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Doutora em letras pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)
[RESUMO] Livro de Herman Melville publicado em 1851 virou assunto nas redes sociais depois que o youtuber Felipe Neto se manifestou sobre passagens do romance que lhe pareceram racistas. Pesquisadora argumenta que buscar apenas a confirmação ou não dessa impressão pode levar o leitor a perder de vista o principal aspecto do livro: o perigo de se deixar levar pela obsessão, que de resto deturpa nossa compreensão da realidade da mesma forma que o preconceito.
Quem nunca se sentiu obcecado por algo em algum momento da vida que atire a primeira pedra. Um amor não correspondido, um objeto de consumo, um artista, um time de futebol, uma figura política: há sempre um quê por trás das coisas e das pessoas que nos fascina e que não pode ser justificado sob um ponto de vista plenamente racional.
O famoso Capitão Ahab, personagem central do romance “Moby Dick”, publicado por Herman Melville em 1851, é uma figura que ilustra nossa condição humana. O desejo de se vingar da baleia que lhe arrancou a perna é um ensaio do que acontece em nossa mente quando nosso pensamento se fixa em uma ideia: a certeza absoluta nos assalta, de modo que nos tornamos movidos antes pelo afeto do que por um olhar imparcial diante da realidade.
Ahab convence toda a tripulação do seu navio a caçar um cachalote monstruoso, e então todos se veem fadados ao mesmo destino. Diante de Moby Dick, pretos e brancos, sem distinção, precisam lidar com seus afetos -igualmente perturbadores e por vezes obsessivos.
Acontece que -e peço perdão pelo spoiler para os que não leram o romance- Ahab é tão obcecado pela baleia branca que não enxerga, ou não se importa com esse fato, que está cavando a sua própria cova. Ahab afunda nas profundezas do Pacífico e leva com ele toda a tripulação do navio. Herman Melville não nos deixa um “happy end” para confortar nossas almas tão inquietas em um mundo que insiste em girar à revelia do nosso controle.
Por outro lado, diferentemente do que acontece em peças de ficção apocalípticas, a história da baleia branca não se propõe a ser um ultimátum para o nosso terrível fado. Sim, vamos todos morrer um dia, mas essa constatação não precisa tomar ares catastróficos.

Ishmael, o narrador meio onisciente, meio parcial do romance, é o único que sobrevive à tragédia do naufrágio do navio Pequod e, com isso, nos entrega essa história tão fascinante.

Não, não somos imortais, mas aqui, agora, enquanto eu escrevo e você lê, estamos vivos, a despeito do fato de que, segundo as estatísticas, a cada segundo duas pessoas morrem no mundo.

A imagem de Ishmael, no final da história, boiando em um caixão no meio do Pacífico enquanto o navio afunda, lembra-nos justamente isso: a cada dia que vivemos, estamos também sobrevivendo.
Se “Moby Dick” possui um tema central, eu diria que é este: precisamos encontrar formas para lidar com as nossas obsessões, entendendo que o mundo não é nem um mar de rosas, nem um grande tsunami contra o qual nada podemos fazer, a não ser sentar e chorar.
O romance é um convite para sentarmos ao lado de Ishmael e vermos como ele tece os fios da história da sua vida, que ferramentas utiliza para isso, como consegue viver e sobreviver em um navio que caminha, inexoravelmente, em direção à destruição e à morte.
Nesse sentido, o Pequod se mostra como um espaço propício para que possamos enxergar a nossa própria condição humana, sem distinção de cor. Pretos, brancos, índios, selvagens: somos todos Isolatoes, “federated along one keel”.
O romance, entretanto, não assume exatamente uma agenda política, como era comum na época e ainda é na ficção de hoje. A inquietação de um influenciador no século 21 –Felipe Neto se viu perturbado por passagens que lhe parecem racistas– nos lembra que críticos e biógrafos não chegaram a um consenso sobre qual teria sido a posição do escritor em relação à escravidão e ao racismo, tópicos que circulavam diariamente em jornais e periódicos literários de sua época.
O que me parece claro, entretanto, é que tentar afirmar se há ou não racismo em “Moby Dick” desvia o nosso olhar do fato de que o romance nos coloca em um processo de constante autocrítica, e isso precede qualquer mudança efetiva em um âmbito macropolítico: as verdadeiras transformações sociais são consequências de mudanças culturais, iniciadas na mentalidade de cada indivíduo.

Entretanto, antes de sermos membros de uma coletividade, somos indivíduos cujos desejos e obsessões nem sempre acompanham as regras impostas pelas instituições sociais de controle. Se ainda existe racismo nos EUA é porque ainda existem inúmeros indivíduos que resistem à autocrítica e preferem apegar-se a sua baleia branca.
Em sua base, o preconceito atua em nossa mente como qualquer ideia fixa, uma ideia que se apoia mais no afeto do que na racionalidade. A experiência de Ahab mostra o perigo de nos deixarmos levar por nossas obsessões, sem nos darmos conta de que a realidade é muito maior do que sonha a nossa vã filosofia individual.
Devemos aceitar que os consensos que se formam no domínio público não são e nunca serão reflexos de uma mentalidade individual; são antes consequência do encontro entre diversas perspectivas individuais, e isso é tanto mais válido quando vivemos sob um regime democrático.
Quando um indivíduo é responsável por tudo o que se passa em uma sociedade, podemos, por sorte, viver no paraíso de Mahatma Gandhi ou, por azar, no inferno de Adolf Hitler.

Como entusiasta do potencial da democracia a despeito de seus riscos, Herman Melville parece nos dizer, com sua obra-prima, que precisamos ser um pouco Ishmael para conter a força avassaladora do Ahab que habita dentro de todos nós.
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Estatuto prevê prisão para quem oferece serviço de segurança clandestino – Política Livre

5 setembro 2022

Multa de até R$ 90 mil para infrações cometida por vigilantes envolvendo discriminação como de origem, sexo ou cor. Detenção de 1 a 3 anos de quem explorar serviço de segurança armada irregular. Punição para pessoa física ou jurídica que contratar empresas clandestinas.
Essas são algumas das mudanças previstas no projeto de lei que cria o Estatuto da Segurança Privada e da Segurança das Instituições Financeiras que, após tramitar por cerca de cinco anos no Senado, poderá ser posto em votação com o fim de divergências entre representantes do setor.
Esse novo marco legal é apontado por especialistas como o principal instrumento para se combater a clandestinidade na área, que avança país afora, ao dar instrumento à PF (Polícia Federal) para punir empresas clandestinas com multa e indiciamento de pessoas envolvidas em exploração irregular de serviços.
A legislação atual, publicada há quase 40 anos, não concede tais ferramentas de controle.
Conforme reportagem da Folha, o mercado de segurança clandestina no país tem, atualmente, um exército estimado em mais de 600 mil pessoas, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ou mais de 1 milhão, segundo estimativa de representantes das empresas (Fenavist) e dos empregados (CNTV).
Além de garantir ferramentas de controle à PF, o novo estatuto é considerado importante por regulamentar oito atividades de segurança privada. Entre elas, as guardas de muralhas em estabelecimentos prisionais e, ainda, empresas especializadas em monitoramento eletrônico.
A nova lei abre, ainda, a possibilidade de os vigilantes usarem armas mais modernas, como pistolas e fuzis.
O acordo entre todos os principais representantes do setor foi selado, segundo o presidente da ABTV (Associação Brasileira de Transporte de Valores), Ruben Schechter, com uma carta enviada ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), no final de junho deste ano. Nela, há um pedido conjunto para a “aprovação imediata de um regime de urgência para votação deste parecer em plenário”.
Em seu corpo, a carta menciona uma nota técnica, aprovada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em março deste ano, fruto de um grupo de estudo, na qual cobra uma maior celeridade do Congresso na aprovação dessa lei, por ser de interesse também da PF.
“A celeridade na apreciação do mencionado projeto de lei representa medida oportuna e de extrema relevância para o adequado controle e fiscalização do segmento da segurança privada, armada ou desarmada, regular ou irregular, e, por conseguinte, para a eliminação de todas as formas de discriminação, com a promoção do respeito aos direitos humanos no exercício da atividade”, diz voto do conselheiro Mário Guerreiro, aprovado por maioria no conselho.
O presidente da ABTV diz que tem expectativa de uma possível votação ainda neste ano.
“Chegamos a um acordo formalizado entre as partes nesse sentido. Então, agora, estamos aguardando o Congresso. Qual é a nossa expectativa? Que passadas as eleições, que é um período mais delicado no Congresso, a gente converse com o presidente Rodrigo Pacheco para ver se ele consegue, eventualmente, avocar esse processo, por meio de um acordo de lideranças, para ser votado em plenário”, diz Schechter.
Uma divergência entre as empresas de transporte de valores e os bancos era apontada, por especialistas ouvidos pela Folha, como o único entrave para que esse projeto não fosse posto em votação. Ele foi aprovado pela Câmara no final de 2016 e, deste então, tramita no Senado.
O impasse, segundo a ABTV, era porque as empresas de transporte não queriam que os bancos fossem controladores de empresas de segurança, principalmente de transporte de valores, porque essa participação seria prejudicial a uma saudável concorrência.
Os bancos teriam, ainda segundo ele, aceitado esse pedido e, assim, colocou-se fim à celeuma.
“As instituições entenderam que não tinha sentido continuar dessa forma”, diz Schechter.
Atualmente, ainda segundo o presidente da ABTV, os bancos são acionistas de uma firma de transporte. “O problema não é a existência da empresa, mas o dono dela. Não queremos acabar com a empresa. Queremos acabar com o oligopsônio que as instituições financeiras exercem nesse mercado, regulando ele por intermédio de uma empresa. A empresa pode continuar existindo, mas com novos donos, novos sócios”, diz.
Procurada, a Febraban afirma que o projeto de lei, em sua versão atual, expressa o entendimento de todos os segmentos afetados diretamente pela nova proposta de lei. “Ao mudar o marco legal da segurança privada, o texto terá impacto na segurança da estrutura física das agências bancárias, na logística de guarda e transporte do numerário e na integridade dos clientes”, diz nota.
Sobre o acordo feito com os representantes das empresas de transporte de valores, a Febraban afirma que “apesar de ter reservas em relação a alguns pontos, a exemplo da restrição aos acionistas das empresas de transporte de valores”, o texto “traz mais avanços do que inconvenientes, sobretudo na modernização da segurança física das agências e na adoção de novas tecnologias”.
Para o professor Cleber Lopes, coordenador do LEGS (Laboratório de Estudos sobre Governança da Segurança), da Universidade Estadual de Londrina, o atual texto do projeto de lei da segurança privada traz mudanças importantes nessa área, mas deixa de lado um tema relevante.
“Lamento que essa versão final não traga nenhum mecanismo para aumentar a punição quando o prestador de serviço irregular é policial. Isso foi retirado das versões iniciais. Sabemos que os policiais estão amplamente nesse mercado e seria uma maneira de tentar inibir a presença deles. Como uma punição maior, a empresa pensaria melhor sobre isso. Seria um avanço”, afirma o pesquisador.
Para o vice-presidente jurídico da Fenavist (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores), Jacymar Daffini Dalcamini, o impasse entre esses dois setores, único entrave para a votação do projeto, causava um desconforto por tratar-se de uma questão importante para ambos os lados, mas que prejudicava toda a categoria com 600 mil trabalhadores e de 2.500 empresas.
O advogado afirma estar otimista com a possibilidade votação, mas não tanto quanto Schechter.
“Eu tenho uma expectativa muito grande de que possamos votá-lo ainda no primeiro semestre de 2023. Eu, diria, que não vai mais do que três meses após a instalação da nova Mesa e vamos ter esse projeto no plenário do Senado para ser votado. Porque tem o apelo de muita gente.”
O presidente da CNTV (Confederação Nacional dos Vigilantes e Prestadores de Serviço), José Boaventura Santos, diz que a aprovação da lei é importante para reduzir clandestinidade, na qual há uma exploração muito grande dos trabalhadores.
“Esse é um projeto que nós, as empresas, a Polícia Federal, todo mundo defende a aprovação. Nós estamos dependendo da aprovação desse projeto, que é consensual. A única coisa que não é consensual é a questão do transporte de valores”, afirma ele.
Por meio de sua assessoria, o presidente do Senado não antecipa se atenderá o pedido feito do setor de segurança privada. Afirma que vai definir a pauta apenas após as eleições.
“Vamos identificar as prioridades das bancadas, em reunião de líderes que deve ocorrer logo após a realização das eleições, para definirmos a pauta com os projetos que serão apreciados”, diz nota.

ESTATUTO DA SEGURANÇA PRIVADA
O que é?
Projeto de lei que, se aprovado, altera o marco legal da segurança privada no país e traz uma série de novidades.
De quando é legislação atual?
A principal legislação que regulamenta o setor é a 7.102, de 1983.
Publicada há quase 40 anos, ela é tida como frágil para combater segurança clandestina porque, entre outros motivos, não prevê mecanismos efetivos para a PF controlar as empresas clandestinas.
Há muitas empresas clandestinas?
Atualmente, estima-se que mais de 600 mil pessoas trabalhem irregularmente como seguranças no país. O número de empresas clandestina gira em torno de 5.000, segundo sindicatos.
Quais as principais mudanças previstas na nova lei?
Crime
– Torna crime, passível de detenção de 1 a 3 anos (e multa), proprietário ou sócio de empresa que, sem autorização de funcionamento, “organizar, prestar ou oferecer serviços de segurança privada, com a utilização de armas de fogo”.
Como é hoje: não é crime a exploração de segurança clandestina, armada ou não.
Multa
– Torna passíveis de multa empresas que “oferecerem ou contratarem” serviço de segurança privada clandestina, sem arma.
Como é hoje: a PF não tem instrumento para multar empresas irregulares.
IMPORTANTE: Pessoas físicas ou jurídicas que contratarem serviços de segurança privada clandestina poderão sofrer as mesmas penas previstas contra a empresa de segurança infratora.
Racismo
– Triplica as multas aplicadas contra empresas “se a conduta do infrator [vigilante] envolver preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Valores podem ir de R$ 30 mil a R$ 90 mil
Como é hoje: não há essa previsão legal
Novas categorias
– A nova lei prevê a regulamentação de oito novos serviços de segurança privada, como guarda de muralha e empresas de monitoramento eletrônico.
Como é hoje: alguns serviços funcionam sem regulamentação, outros não existem.
Novas armas
– A nova lei prevê a autorização para compra de armas mais modernas, como o uso de fuzis para proteção de bases de valores. Atualmente, só há autorização para armas como revólver .38 e espingarda calibre 12
Fonte: Especialistas, representantes do setor e texto do projeto de substitutivo da Câmara nº 6, de 2016, ao projeto de lei do senado nº 135, de 2010
Karla Borges
Por que a Emenda Constitucional (EC) 116/22 não tem efeito prático em Salvador?
Lucas Faillace Castelo Branco
O Judiciário nas eleições
Luiz Eduardo Romano
As contas da Prefeitura Municipal do Salvador/BA – Exercício Financeiro de 2017, a ausência de dolo do gestor e a possibilidade de ACM Neto poder disputar com total regularidade as Eleições 2022
Neomar Filho
VIII Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral: democracia em ação
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Guimarães organiza ação de formação para melhor integração de refugiados – Braga TV

A Câmara Municipal de Guimarães, enquanto parceira do projeto internacional EMBRACE, em colaboração com a Fundação Maria Rosa – ComParte, está a desenvolver ações de formação e capacitação para a melhor integração de cidadãos refugiados na comunidade. A formação proposta tem como principal objetivo capacitar os refugiados na sua participação cívica na comunidade, dando-lhes mais conhecimentos e competências que sejam relevantes na defesa dos seus direitos e na integração, autonomia e bem-estar social.
As ações de formação para os cidadãos refugiados iniciaram-se no passado sábado, 3 de setembro, e prolongam-se nos dias 10, 17, 24 de setembro.
A partir do dia 20 de setembro, estão previstas ainda quatro sessões, no Laboratório da Paisagem, destinadas à capacitação de técnicos, das várias respostas sociais existentes, tendo como objetivo principal a implementação da metodologia EMBRACE, bem como, o conhecimento e a partilha de boas práticas que promovam um melhor e maior conhecimento das pessoas que chegam ao nosso território.
Atualmente, vivem em Guimarães centenas de pessoas oriundas de diversos países de África, América Latina e Europa, nomeadamente da Ucrânia. Para a autarquia, “a congregação de esforços entre as várias entidades e instituições tem possibilitado que estas pessoas, vítimas de conflitos ou discriminação, possam retomar as suas vidas e voltar a ter esperança num futuro melhor”.
[email protected]
960 459 329
Braga TV 2022 © Todos os Direitos Reservados.

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Oficial do GOP diz às faculdades do Tennessee para dizerem que o Título IX não protege as pessoas LGBTQ + – Portal G7

As universidades do Tennessee estão sob pressão de um legislador estadual republicano que quer que retirem materiais que descrevem pessoas LGBTQ+ como um grupo protegido pela lei federal.
Em agosto, o deputado John Ragan, presidente do Comitê de Operações do Governo do estado, cartas enviadas para escolas do Tennessee, incluindo a University of Tennessee e a East Tennessee State University, exigindo que eles “imediatamente” a linguagem inclusiva do LGTBQ para cumprir a lei estadual.
“As universidades não têm a liberdade de ignorar a lei estadual, independentemente de seu credenciamento”, disse Ragan. disse à WREG-TV. “Estas não são entidades governamentais e, como tais, as universidades devem seguir a lei estadual além do que essas organizações lhes dizem.”
Ele argumentou que as escolas devem remover o idioma para cumprir uma decisão do tribunal federal de julho bloqueando o Departamento de Educação federal de fazer cumprir os regulamentos propostos que tratariam gênero e identidade sexual como identidades protegidas sob o Título IX, uma lei federal de 1972 que proíbe a discriminação sexual em instituições educacionais que recebem financiamento federal.
O esforço de redação de cartas de Ragan foi recebido com respostas mistas.
A ETSU emitiu uma declaração em seu site que dizia: “indivíduos de todos os gêneros e orientações sexuais e se aplica a estudantes, professores, funcionários … e outros participantes de programas e atividades educacionais da Universidade”. Canal de notícias 11 reportado.
Kate Craig, uma candidata ao Senado estadual LGTBQ+ que participou da ETSU, disse à WJHL que a pressão sobre as universidades era “incrivelmente triste, trágica e perigosa para os alunos da ETSU, porque as proteções que a ETSU ofereceu aos estudantes se enquadram no Título IX”.
Enquanto isso, a Universidade do Tennessee disse esta semana sentiu que suas políticas de diversidade e inclusão estavam totalmente em conformidade com as leis de direitos civis aplicáveis, escrevendo em resposta ao deputado Ragan que “não modificou suas publicações, políticas ou sites relacionados ao Título IX em resposta à carta de 23 de junho de 2021 do Departamento de Educação dos EUA ou a liminar emitida em 15 de julho de 2022, pelo tribunal distrital federal.”
O deputado Ragan pressionou por várias políticas para diminuir a representação de LGTBQ em ambientes educacionais, incluindo uma controversa lei do Tennessee que proíbe educadores de ensino fundamental e médio de ensinar certas ideias sobre raça e gênero na sala de aula.
A lei contém 14 “conceitos proibidos” e vem com duras penalidades financeiras para os infratores.
“Se você não gosta da lei, pode apresentar outro projeto de lei para alterá-la.” disse o senhor Ragan disse aos colegas no início deste ano.

Em julho, em um processo de 20 procuradores-gerais republicanos liderados pelo Tennessee, um juiz federal nomeado por Trump descobriu que os regulamentos federais propostos que aplicam o Título IX a pessoas LGTBQ + “interferem diretamente e ameaçam a capacidade dos Estados demandantes de continuar aplicando suas leis estaduais”.
“Como está atualmente, os demandantes devem escolher entre a ameaça de consequências legais – ação de execução, penalidades civis e a retenção de financiamento federal – ou alterar suas leis estaduais para garantir o cumprimento das orientações e evitar tais ações adversas”, o juiz Charles Atchley escreveu em sua decisão.
Os estados republicanos argumentaram no processo que as novas regras do DOE os forçariam a ir contra suas leis estaduais que proíbem pessoas trans de usar banheiros e jogar em equipes esportivas que correspondam à sua identidade de gênero.
Tanto as autoridades federais quanto as decisões judiciais recentes dizem que as pessoas LGTBQ+ são protegidas pela lei federal.
De acordo com a Secretaria de Educaçãoo Título IX exige que as universidades operem “de maneira não discriminatória, livre de discriminação com base no sexo, incluindo orientação sexual e identidade de gênero” em áreas-chave como admissões, recrutamento, esportes, ajuda financeira e denúncia e disciplina de assédio sexual.
O departamento explicou que os regulamentos propostos suspensos na recente decisão judicial “refletem o compromisso contínuo do Departamento de garantir que os programas e atividades educacionais financiados pelo governo federal sejam livres de todas as formas de discriminação sexual, incluindo discriminação com base em estereótipos sexuais, características sexuais, gravidez ou condições relacionadas, orientação sexual e identidade de gênero”.
Em 2020, a Suprema Corte dos EUA decidiu em Bostock x Condado de Clayton governou a discriminação com base na orientação sexual viola a Lei dos Direitos Civis, depois que um funcionário do governo da Geórgia foi demitido por participar depois que foi descoberto que ele jogava em uma liga de softball recreativa gay.

Um homem da Califórnia que ficou gravemente ferido em um acidente de mountain bike no início deste ano creditou ao…
O ex-presidente Donald Trump começou seu feriado do Dia do Trabalho na segunda-feira ao expor uma série de queixas e…
O portal G7 é focado em notícias do mundo, trazendo muitos conteúdos úteis para todos os leitores do website g7.news.
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Alexandre da Silva – Candidatos à presidência: é preciso parar com as discriminações – VivaBem

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Lei em Campo – Por que clubes são contra proposta da CBF de perda de pontos por racismo – UOL Esporte

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Shirlei Moura, candidata a deputada estadual de SP: “Combate à LGBTfobia, racismo e feminicídio” – GAY BLOG BR

Shirlei Moura (PSB), de 55 anos, é candidata a deputada estadual de São Paulo. Lésbica, atriz e escritora, ela conversou com o Gay Blog BR para o especial “Eleições 2022”
Shirlei Moura (PSB), de 55 anos, é candidata a deputada estadual de São Paulo. Lésbica, moradora da capital paulista, ela é atriz, escritora e há 18 anos trabalha na área da educação.
Em 2020, Shirlei disputou o cargo de vereadora pelo PSB em São Paulo. Entre suas pautas, ela atua no combate a LGBTfobia, racismo e feminicídio e esses foram os fatores que a levaram a entrar para a política.
Entre suas propostas, Shirlei diz que irá combater a LGBTfobia através de campanhas no rádio e TV nos horários nobres e pautar o cumprimento de leis existentes que beneficiam a população. A candidata falou com o Gay Blog BR para o especial “Eleições 2022“.
GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?
Shirlei Moura: Ensino médio; superior incompleto; me formei em 2012 no Teatro Escola Macunaima de Teatro. Sou escritora, já lancei três livros, sendo só com a temática LGBTQIA+.
GB: O que motivou a se candidatar?
Shirlei: Pela luta dos pequenos grupos de teatro da qual faço parte – não temos  patrocínio. Mulher negra, combate ao racismo e o feminicídio e o combate a LGBTFOBIA – muitas leis existentes, mas na pratica, a execução delas praticamente são inexistentes.
GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBTQ+?
Shirlei: Com certeza falta de apoio. A LGBTfobia é muito forte neste ambiente machista branco que é a nossa politica partidária. Os partidos políticos são muito fechados ainda  mesmo que de forma sutil.
GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?
Shirlei: Primeiro de tudo, o combate a LGBTfobia através de campanhas no rádio e TV nos horários nobres. Segundo, o cumprimento de verdade das leis existentes, que muitos de nós LGBTs desconhecemos. Terceiro, a contratação por meio de cotas para nós LGBTs.
GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?
Shirlei: Campanhas publicitárias, incentivo dos governos estadual e municipal a projetos culturais LGBTs; apoiar ONGs que desenvolvem trabalhos com LGBTs em situação de vulnerabilidade; criação de uma lei mais rígida.
GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?
Shirlei: Penso que seja bom, pois tudo que vem para ajudar/cuidar do outro, ao meu ver, é bem-vinda. Mas não posso deixar de pensar na questão do esclarecimento, na explicação. Pois não é só tomar o remédio, mas também cuidar de si mesmo. Orientação e divulgação juntas é o melhor trabalho ao meu ver.
GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?
Shirlei: Não gostaria nem de opinar sobre. Mas ao meu ver  representa tudo de ruim que existe na politica partidária Brasileira.
Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores

Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais eventos e paradas LGBTQIA+ na aba “Explorar” do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.
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Qatar para lá do futebol – Observador

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Quando, a partir de 20 de novembro, as ruas de Doha se encherem de adeptos  permanecerá um legado de inobservância dos direitos fundamentais dos trabalhadores que permitiram a edificação deste mundial
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Recuemos 12 anos, até dezembro de 2010. O então presidente da FIFA, Joseph Blatter, anuncia ao mundo que a candidatura do Qatar havia sido a eleita para a organização do mundial de futebol em novembro de 2022. Uma decisão esdrúxula, para dizer o mínimo, que impôs a interrupção e a redefinição dos calendários competitivos das diversas ligas profissionais e que, ainda hoje, suscita muitas dúvidas e incompreensões.
Nestes últimos doze anos, o Qatar encetou um ambicioso programa de obras públicas para acolher o torneio. O projeto global de transformação que incluiu a construção de estádios – alguns dos quais ainda por inaugurar -, um novo aeroporto, uma nova rede viária, o desenvolvimento de um sistema de transportes públicos, novos hotéis, entre outras infraestruturas de grande envergadura. No que toca ao betão, o Qatar empenhou-se em não desperdiçar a oportunidade concedida com a organização de uma competição internacional para se apresentar ao mundo como um estado moderno, desenvolvido e projetado para o futuro.
Acontece que o projeto de desenvolvimento alavancado no futebol e assente numa dinâmica de construção desenfreada não é mais do que uma projeção artificial de prosperidade e desenvolvimento. Nas entrelinhas deste aparente vigor empreendedor, vislumbra-se um rasto de desrespeito pela vida humana, de desumanidade e de violação de direitos fundamentais nunca antes visto num projeto desta magnitude.
De acordo com uma investigação liderada pelo jornal britânico The Guardian, mais de 6.500 trabalhadores oriundos essencialmente da Índia, do Bangladesh, do Nepal, do Sri Lanka e do Paquistão morreram desde que o país se lançou na aventura de organizar o campeonato do mundo. Estima-se que, durante os últimos 12 anos, uma média de 12 trabalhadores migrantes tenham perdido a vida a cada semana.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
A mesma investigação sublinha que o número total de mortes será provavelmente superior, uma vez que os dados atuais não incluem o registo de vítimas mortais de outros países que disponibilizaram um número muito significativo de trabalhadores, como são os casos das Filipinas e do Quénia, não estando igualmente contabilizadas as mortes ocorridas nos últimos meses de 2020. Ao todo, estima-se que cerca de 8.000 pessoas tenham perdido a vida durante o período em que decorreram os preparativos para a competição.
A estes números somam-se relatos verdadeiramente chocantes de dias consecutivos de 12 horas de trabalho ininterrupto e o impedimento de deixar o posto de trabalho para ir à casa de banho ou fazer uma pausa. Acresce a absoluta ausência de salubridade nos alojamentos destinados aos trabalhadores, o racionamento da alimentação disponibilizada e a perpetuação do sistema Kafala, um regime que estabelece que os trabalhadores não podem mudar de emprego ou ausentar-se do país sem a autorização prévia dos empregadores.
A organização internacional Human Rights Watch vem reforçar a ideia de pouco acompanhamento por parte do organismo que tutela a organização da competição quando, num relatório publicado em 2021, denuncia a circunstância de os trabalhadores estrangeiros serem submetidos a deduções salariais punitivas e ilegais, atrasos no pagamento de salários e a sujeição a períodos de trabalho excessivamente longos e fisicamente extenuantes.
Um cenário pernicioso que porventura deveria suscitar a reflexão de todos os que, com o seu voto e consequente apoio, contribuíram para a organização catari da competição.
Ao longo dos últimos anos, a FIFA arvorou-se defensora das causas mais justas, habituando-nos a campanhas bem-sucedidas contra o racismo, a xenofobia e a promoção da igualdade no desporto. O aparente alheamento e desinteresse pelos acontecimentos destes últimos 12 anos não podem, por isso, deixar de suscitar estranheza, considerando os princípios de lisura e rigor que são exigíveis à instituição que regula o futebol à escala mundial.
Quando, a partir de 20 de novembro, as ruas de Doha se encherem de adeptos a celebrar efusivamente as vitórias das respetivas equipas nacionais, permanecerá para sempre um legado de inobservância dos direitos fundamentais dos trabalhadores que, com a sua vida e em prejuízo da sua saúde, permitiram a edificação deste mundial.
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Professor se irrita com Racionais MCs na Unicamp e é acusado de racismo – Revista Fórum

O Núcleo de Consciência Negra da Unicamp (NCN) divulgou uma denúncia em suas redes sociais sobre um suposto ato de racismo de um professor da instituição cometido na última quarta-feira (31) dentro da universidade. Na ocasião, o professor Carlos Henrique Daros, da Faculdade de Engenharia, teria se irritado com uma aula que fazia uma escuta de música dos Racionais MCs e tentado coagir a docente da disciplina de forma agressiva a encerrar a escuta.
De acordo com relato do NCN, o professor invadiu a sala de aula CB 18, onde era ministrada a disciplina Tópicos Especiais em Antropologia IV: Racionais Mc’s no Pensamento Social Brasileiro pela professora Jaqueline Lima Santos. Ele teria desrespeitado tanto a professora, que é negra, quanto os demais alunos presentes.
Em sua ação racista, o professor da FEM gritou com a professora Jaqueline e a silenciou, enquanto ela tentava explicar que as musicas reproduzidas tratavam-se de parte da bibliografia da disciplina. Como justificativa da sua ação racista, o professor alegou que a musica dos Racionais Mc’s estava atrapalhando sua aula, fato, que, segundo os alunos no CB, próximos a sua sala, mostrava-se uma inverdade. Ainda, o professor Carlos Henrique deixou implícito que a música se tratava de barulho, deslegitimando a importância do Racionais Mc’s, inclusive, como um material de estudo, assim como as aulas ministradas por ele”, declarou o núcleo em nota.
Ainda na nota, o NCN declara que alguns dos seus integrantes estavam presentes no momento da agressão e presenciaram tanto a ação desrespeitosa do professor como a rápida mobilização dos alunos para repreendê-lo. O grupo ainda pediu que o professor Daros peça desculpas à professora Jaqueline Santos e a reconheça publicamente como uma colega de profissão.
Não encontramos as versões do professor Carlos Henrique Daros e nem a posição oficial da Unicamp sobre o caso. Atualizaremos a nota quando houver novas informações.
 

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Não debato com extremistas, diz Carlos Tufversson, ativista da luta pela diversidade – Extra

Festejado estilista, Carlos Tufvesson parou de se dedicar ao mundo da moda para abraçar uma causa. Coordenador de diversidade sexual da Prefeitura do Rio, ele luta contra o preconceito e para minimizar os efeitos do ódio sobre as vítimas da violência cotidiana. Neste Papo Reto, ele celebra vitórias, mostra indignação se diz otimista em entregar um país melhor para as próximas gerações.

As ações afirmativas contra o preconceito foram, são e sempre serão fundamentais. Mas gostaria que você falasse especificamente deste momento de trevas, da necessidade ainda maior delas.
Tenho uma atuação de 30 anos na luta contra o preconceito. Mas sempre acho que é importante que essa mensagem chegue a todas e todos, esse é um dever de nós, cidadãs e cidadãos: combater o preconceito, o machismo, o racismo, a LGBTI+fobia, a xenofobia. Nós não podemos ser cúmplices. Essa é uma linha divisória de civilização, de ética, de decoro. Temos de aprender a cada dia, com o reconhecimento dos nossos privilégios, a defender toda e qualquer situação onde existam vítimas de discriminação. Na Coordenadoria Executiva da Diversidade Sexual (CEDS-RIO), órgão que comando na Prefeitura do Rio, temos um lema: “Eu não preciso ser negro para lutar contra o racismo, ser mulher para lutar contra o machismo e ninguém precisa ser LGBTI+ para lutar contra a LGBTI+fobia”. É dever de uma pessoa branca, combater situações racistas. Ser antirracista. O homem tem de ser contra o machismo. E quem não é LGBTI+, também deve lutar contra a LGBTI+fobia. É uma obrigação nossa a busca por um mundo melhor, para que possamos entregar para as próximas gerações um país melhor.

Você é otimista em relação ao futuro próximo?
Tenho de ser otimista. Sinceramente, não acho que as pessoas extremistas, nazistas, esses seres obscuros, sejam maioria. É uma minoria ruidosa. No Brasil, temos leis. O que o cidadão precisa fazer? Denunciar! Para cobrar e permitir que o Poder Público não deixe esses crimes contra minorias perpetuarem. São crimes hediondos, contra a dignidade humana e que não podem fazer parte do nosso cotidiano. Não podemos normalizar esse tipo de atitude.

Sua visibilidade deve te fazer alvo de muito ódio. Quais os piores ataques que recebe?
Quando você escolhe uma estrada já sabe quais são os prós e os contras. Não debato com extremistas. Já discuti, sim. Mas hoje, bloqueio. Tive discussões necessárias, mas sempre com respeito a quem pensa diferente de mim, ao contraditório, sem deixar de manter meu posicionamento. E, no final, por muitas vezes, terminava o papo abraçado com o meu interlocutor. Nesse sentido, demos passos à frente. E é possível até sentir uma emoção. Na maioria das vezes, podemos não pensar igual em tudo, mas temos, sim, de nos respeitar.
Qual sua maior motivação para abraçar a causa da diversidade?
A motivação está ao enxugar uma lágrima, ao colocar um sorriso no rosto de uma pessoa que tenha sofrido algum preconceito a vida inteira. Poucos sabem o que é ser vítima de discriminação, de bullying na escola… Ter de largar seus estudos por esses motivos. Hoje, algumas dessas pessoas se encontram em situação de vulnerabilidade porque foram evadidas. Elas não “cansaram” de estudar. Pesquisa do Projeto Garupa, realizado pela CEDS-Rio, mostra que 69,7% de pessoas trans foram evadidas das escolas em função da sua identidade de gênero e 12,7%, por conta da sua orientação sexual. A ausência de escolaridade afeta diretamente na empregabilidade. Cabe ao Poder Público – e na CEDS-RIO, através do Projeto DAM+, que nesta edição será voltado para o complemento do Ensino Fundamental e ministrado por profissionais da Secretaria municipal de Educação. Somado a isso, vão ter módulos com outras secretarias do município parceiras, para informações sobre direitos, saúde, cultura e o que a gestão municipal faz por elas. Porque a impossibilidade de gerar renda, de trabalhar, afeta a saúde e interfere na vida como um todo. A ideia é trazer essas pessoas para complementar a lacuna causada pelo preconceito que a sociedade causou à elas na vida. Essa é a minha força. Esse é o meu norte, a minha dedicação na vida.
Quais iniciativas foram mais gratificantes durante suas gestões?
A criação do programa “Rio Sem Preconceito” na primeira gestão do (prefeito) Eduardo Paes, foi um marco nacional. Tivemos várias ações premiadas. Destaco entre nossos feitos, entre 2012 e 2013, um que considero fundamental: a inclusão no relatório SINAN (Sistema de Informações de Agravos de Notificação) dos crimes motivados por LGBTI+fobia. Foi através de um decreto nosso, do município do Rio de Janeiro, na primeira gestão. Entreguei ao então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um ofício solicitando que incluísse o termo LGBTI+fobia no SINAN, pois tínhamos de usar a lacuna “outros” e especificar LGBTfobia e sem dados não podemos fazer política publica. Em outro ofício, solicitei que tornasse esta norma nacional por portaria, já que é prerrogativa do Executivo. É uma política interessante, pois não precisamos nem capacitar o servidor para preencher mais um formulário. Hoje, temos dados oficiais para basear políticas públicas através das informações do SINAN. Inclusive, o jornal “O Globo” fez uma matéria recentemente, toda baseada nesses dados. Quando vemos isso, entendemos que estar no Poder Público, com boas intenções, traz resultados positivos para a população.
Você já deve ter tomado ciência de muitos horrores ao longo destes anos. Qual foi o pior dos casos?
Minha lembrança mais forte, mais emotiva, foi o assassinato de um rapaz em Madureira. Quando a vítima chega ao hospital, ela não quer saber se o comando dali é Federal, Estadual ou municipal. Ela quer ser bem atendida. Ponto. Também acho que a Segurança Pública, de certa maneira, tem de agir de forma preventiva, mesmo não sendo do campo municipal. Me afetam demais os crimes de ódio no país que crescem pela impunidade. Não podemos ser um país que atente contra as minorias. Quem comete tais atos são criminosos e precisam ser presos. Nós, que lutamos por um lugar onde a diversidade seja bem aceita em todos os seus aspectos, não temos de conviver com essas pessoas. Elas oferecem riscos à vida de toda uma população. É muito perigoso notarmos que o aumento de 33% de crimes de ódio contra a comunidade LGBTI+, não causa a indignação devida! E assusta mais ainda, saber que o uso de armas de fogo ocupa o segundo lugar, quando se tratam destes assassinatos. Vemos uma distribuição desenfreada de armamentos no Brasil. Não sabemos qual será o fim disso. Armas que antes eram apenas destinadas ao Exército, hoje estão ao alcance de qualquer cidadão. Uma leve discussão, que por vezes pode ocasionar uma briga, – o que acho pavoroso – pode terminar com alguém sem vida. Acredito que na mesma hora, quem atira, pode se arrepender. Mas não adianta. A morte já está ali. O crime. O que me preocupa no Brasil é a certeza da impunidade. Nós temos de mostrar que existe punição, sim. E nós, a sociedade, execraremos essas pessoas.
E a vida de estilista? Ainda sobra tempo para se dedicar um pouco ao ofício? Sente muita falta?
Sonho unir esses dois lados da minha vida. A moda tem um viés social muito forte, que poucos percebem. É o setor que, por exemplo, mais emprega mulheres. Mais emprega mulheres pretas. A moda muda esse sistema dentro de casa, do machismo predominante. Ela ajuda a diminuir a violência doméstica. É importante para mudar o caminho do filho de uma costureira, por exemplo, gerando emprego e sendo um trabalho que se pode fazer de casa. Dispensa a creche e permite que a mãe esteja ao lado de seu filho. Vejo grande vocação do Rio de Janeiro para a economia criativa. Temos de entender melhor esse mercado. Especialmente a área da confecção, que vem ser a terceira maior geradora de empregos do Estado. E não recebe a atenção devida do Poder Público. Antigamente, quando existia o Ministério da Cultura, a moda tinha uma cadeira no Conselho de Cultura. Só que somos primariamente indústria e comércio. Pagamos impostos. Infelizmente, o BNDES é voltado para grandes empresas, que têm capacidade de captar dinheiro no exterior. Nosso setor é de pequenas e médias empresas. Se tivéssemos um programa de fomento para PME, mediante às vendas – que seus pedidos fossem consideradas como um contrato, firmado entre as partes para efeito de aval de financiamento de capital de giro – nós teríamos uma evolução gigantesca na empregabilidade do setor no estado do Rio de Janeiro. Então, esse sim é o meu sonho: juntar essas duas partes da minha vida. Por isso, quando ganhei o prêmio “Faz a Diferença”, do jornal “O Globo”, fiquei muito emocionado. Ele veio como um reconhecimento da união desses meus dois lados. Que na verdade, não são dois lados, é um só. É o que me impulsiona!
QUER QUEIMAR SUA ROSKA? VÁ TORRAR CALADO SEM QUERER ESPRAIAR QUE OS DEMAIS FAÇAM O MESMO !!!! SOU A FAVOR DA REGULAMENTAÇÃO DA MÍDIA PRIVADA:COM PROIBIÇÕES E UMA DELAS É PUBLICAR SOBRE ISSO!
Cabe ressaltar que o casamento homoafetivo foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal – por unanimidade dos 11 ministros – a partir de ação movida por Carlos Tufvesson e André Piva.

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