Órgão de discriminação racial da ONU pede que EUA façam mais sobre acesso ao aborto – SWI swissinfo.ch em português

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Diretor regional da OMS no Pacífico afastado após acusações de racismo – Correio da Manhã

Diretor regional da OMS no Pacífico afastado após acusações de racismo  Correio da Manhã
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VÍDEO: FELIPE BECARI, namorado de CARLA DIAZ, revolta web ao minimizar racismo sofrido pelos negros; en… – Social 1

Ele concedeu entrevista e um trecho do vídeo viralizou nas redes sociais
Um vídeo de Felipe Becari, atual namorado de Carla Diaz, viralizou nas redes sociais na última terça-feira (30) e gerou uma onda de revolta.
Na gravação, que parece ser de um podcast, ele minimiza o preconceito que pessoas negras e pobres sofrem no Brasil.
“É pra falar tudo sem papas na língua: ‘ah preconceito só quem sofre é preto e pobre’. É mentira“, inicia. Felipe diz que valoriza muito a luta antirracista, mas que também sofreu quando entrou na Polícia.

“Você entrar na Polícia loirinho de olho verde, branquinho e quando entrei tinha menos barba ainda. Cara eu sofri preconceito demais”, conta.
O namorado de Carla Diaz afirma que jogou futebol alguns anos e que também era ouvia termos preconceituosos dos homens negros.
Nas redes sociais, os internautas ficaram revoltados com a situação, sobretudo por ele ter tentado comparar o que um negro sofre com uma pessoa branca.
Felipe Becari dizendo que às pessoas falam que só pobre e preto sofrem preconceito e isso é mentira, que um branquinho novinho dos olhos verdes sofre preconceito do caralh0 também

EU NÃO TÔ ACREDITANDO pic.twitter.com/4hWbQiXQE0

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Produção de alimentos conta com uso da ciência e tecnologia – Folha de Uberaba

O Instituto Fórum do Futuro convida o professor Alfredo Homma, da Embrapa Oriental, para debater e alertar sobre as questões do extrativismo, bem como colocar soluções com base em ciência e tecnologia para produção de alimentos. A entrevista é mais um episódio da série “10 Minutos no Futuro”.
Abrindo a entrevista, o diretor de comunicação estratégica do Fórum do Futuro, Fernando Barros, coloca em debate como alguns produtos, que teve como porta de entrada a Amazônia, não fazem sucesso por lá. Ou seja, os produtos originários de lá ganham escala industrial quando são produzidos fora. “Professor, 71% da seiva de seringa produzida pelo Brasil vem da Bahia e de São Paulo, e 80% da pupunha vem de Santa Catarina. E o cacau – que entrou no Brasil pela Amazônia – hoje sai principalmente da Bahia. Como explica isso?”, questiona Barros.
O representante da Embrapa enfatiza que, atualmente, o mundo passa pelo fenômeno da domesticação. “Eu costumo dizer que a primeira maçã que Adão e Eva provaram no paraíso foi uma maçã extrativa, colhida na natureza. Porém, hoje, ninguém está chupando laranja e uva extrativa, nem caçando porco e galinha, porque todas foram domesticadas nesses últimos dez mil anos”, responde o professor.
De acordo com Homma, a partir de 1910 a borracha plantada passou a superar a borracha extrativa no mundo – evento que aconteceu também no Brasil. Atualmente, o Estado de São Paulo produz metade da borracha plantada no país. Só em São Paulo nós temos nove municípios que produzem muito mais borracha do que toda a região norte. Apesar da ênfase dos movimentos sociais em relação à borracha extrativa coletada da floresta, esta não representa nem 0,5% do total de borracha vegetal produzida aqui no país.
Conforme explica o professor, hoje em dia, 90% da madeira produzida no país provêm de plantios, mas apenas 10% está vindo de coleta extrativa. “Então existe hoje um certo mito ainda com relação a essa nova bioeconomia que está sendo proposta baseado na coleta de produtos das florestas. Eu acho que a bioeconomia tem um grande potencial, mas desde que nós plantemos essas espécies que tem um grande mercado como a castanha, como o palmito de pupunha, como o bacuri, assim como outras frutas”, propõe Homma.
Ainda de acordo com o convidado, existem 30 milhões de amazônidas necessitando de renda e emprego para conseguirem atuar favoravelmente na agenda de sustentabilidade, alertando que “precisamos acabar com essa xenofobia botânica”. Ademais, o extrativismo não consegue atender a demanda alimentar global, muito menos o uso sustentável da terra disponível.
Barros coloca que o professor chega com propostas inclinadas em ciência e tecnologia, em um processo de inovação que chegue à sociedade. “A Amazônia pode se transformar num grande celeiro global em produtos naturais”, exalta o diretor do Fórum do Futuro.
Concordando com a afirmação de Barros, o entrevistado acredita ser possível transformar a Amazônia num grande celeiro global. “Acho que essa utopia é plausível, sim. Nós fazemos uma nova agricultura aqui na Amazônia baseada em sua biodiversidade, por exemplo, plantar castanhas, plantar bacurizeiros… Em vez de plantar soja – não tenho nada contra a soja -, mas não podemos ter uma xenofobia botânica como prevalece na Amazônia. A questão depende do nível tecnológico com que essas atividades estão sendo desenvolvidas”.
Já nas considerações finais, Homma revela que “nós já desmatamos 82 milhões de hectares na Amazônia. Dos quais o Estado do Pará, desde 2006, desmatou quase metade dessa quantia. Então, para reduzir os desmatamentos da Amazônia, precisamos intensificar a pecuária, e não ir contra o setor”. É um setor que se caracteriza ainda com baixa produtividade. Acho que é possível reduzirmos a área de pasto pela metade, ao dizer que mediante a melhoria das pastagens e da melhoria do rebanho, dentre um processo que pode levar dez, quinze anos aí. Não vamos acabar com o desmatamento amanhã, ainda vai continuar por um bom tempo. Até que consigamos criar alternativas tecnológicas, econômicas tanto para pequenos, médios, grandes produtores aqui da Amazônia”, conclui
Texto completo do professor no link:
https://www.forumdofuturo.org/post/o-di%C3%A1logo-com-a-floresta
Entrevista na íntegra:
https://youtu.be/ihWbV8lzCYk

A EWZ Capital, assessoria de investimentos filiada ao BTG Pactual, atingiu o marco de R$ 1 bilhão em patrimônio investido
Atendendo a públicos específicos, com periodicidade regular, as revistas – que surgiram a partir de uma publicação na Alemanha, em
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I=I, a fórmula sobre VIH que muitos ainda desconhecem – Expresso

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Horizonte 2030
1 setembro 2022 9:02
Jornalista
Ilustrador
carlos monteiro
1 setembro 2022 9:02
Jornalista
Ilustrador
Viver com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) não precisa de ser um fardo, mas, para que assim não seja, é importante aprofundar o conhecimento sobre a infeção, a forma como acontece e, acima de tudo, como a prevenir. Apesar do longo caminho percorrido desde a descoberta dos primeiros casos, o estigma e a discriminação continuam a fazer parte do dia-a-dia dos portadores de VIH.
Para combater a desinformação, o projeto Horizonte 2030, criado pelo Expresso com apoio da ViiV Healthcare, dedica esta semana à desconstrução de cinco dos principais mitos em torno da infeção.
Mito 4
A resposta é curta e direta, explica ao Expresso a responsável pelas consultas de VIH/SIDA do Hospital de São João, Rosário Serrão. “É um mito”, assegura. É, portanto, seguro manter relações sexuais protegidas com uma pessoa infetada com VIH, desde que esta esteja “em tratamento antiretrovírico” e o vírus esteja “controlado”. Isto é hoje possível graças aos avanços da ciência e à evolução da medicação para a infeção VIH, que permite a um indivíduo que cumpra escrupulosamente o tratamento atingir um patamar em que “a carga vírica é indetetável”. O tempo até chegar a esse resultado depende da resposta do sistema imunitário de cada um e apenas depois do vírus ser indetetável pode dizer-se que não existe transmissão.
Apesar de comprovado pela ciência, o médico de saúde pública Gonçalo Figueiredo Augusto diz, sobre esta questão, que o estigma “continua a existir mesmo por parte dos médicos”. No entanto, Rosário Serrão lembra que a fórmula I=I significa apenas e só que o portador do vírus não infeta o/a parceiro/a com VIH. “As outras infeções sexualmente transmissíveis (IST) podem ser adquiridas não usando o preservativo”, aponta. Entre as mais comuns, estão, por exemplo, a sífilis, clamídia ou gonorreia e qualquer pessoa sexualmente ativa pode contraí-las.
“Ninguém diria que teria uma relação sexual desprotegida com uma pessoa com VIH. No entanto, isso é muitas vezes mais seguro do que ter uma relação sexual desprotegida com alguém cujo status de VIH não conhecemos”, exemplifica Gonçalo Figueiredo Augusto. O médico alerta, no entanto, que o sexo desprotegido deve ser sempre evitado e reforça que a infeção por VIH é “evitável”, pelo que a utilização de meios contracetivos não deve ser descurada.
Além das formas tradicionais de proteção durante a prática sexual, os especialistas que integram o Conselho Consultivo do projeto Horizonte 2030 defendem, de uma forma geral, que o acesso ao autoteste para VIH deve ser aumentado. “Saiba o status, faça o teste”, afirma o perito. À semelhança do que acontece com o autoteste para a covid-19, o do VIH também pode ser encontrado nas farmácias, com um custo a rondar os €20. É ainda possível fazer o teste de forma gratuita através do seu médico de família ou, de forma anónima, em qualquer organização de base comunitária – o Grupo de Ativistas por Tratamentos (GAT), a Ser+, a Abraço ou o Centro de Aconselhamento e Deteção do VIH/SIDA (CAD) são algumas das opções disponíveis.
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Mulheres negras afirmam o bem viver como superação do racismo – Le Monde Diplomatique Brasil

Edição Agosto 2022
Edição Agosto 2022
Desde a primeira edição, a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver afirma como horizonte transformador a superação do sistema de subordinação racial e de gênero que estrutura as relações sociais no Brasil
No dia 31 de julho, aconteceu a VIII Marcha das Mulheres Negras, no Posto 3, em Copacabana. O evento contou com a participação de milhares de mulheres negras, que vieram de todas as regiões do estado do Rio de Janeiro.
A marcha anual faz alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. A data surgiu em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Negras, na República Dominicana. No Brasil, a data celebra também o Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder quilombola que resistiu à escravidão. Em 2022, após dois anos sendo realizada de modo virtual por conta da pandemia, a marcha voltou a ser presencial.
Mesmo com inúmeros desafios, voltamos a marchar por direito à vida plena, dignidade e direitos sociais. “Mais uma vez estamos em marcha, desta vez duas questões se sobrepõem a tantos outros pontos de nossas reivindicações. De forma alguma nos esquecemos que nós, mulheres negras, somos as principais vítimas do feminicídio, da violência doméstica, da mortalidade materna, do desemprego. Que seja nas áreas urbanas ou rurais, disputamos a vida nas cidades sob inúmeras injustiças, no entanto, definimos como algo que devemos evidenciar nesta marcha é que a nossa luta por direitos tem a ver com ocuparmos os espaços de poder e decisão na política representativa (partidária). Também retomamos o quanto continuamos a viver, em vários setores das nossas vidas, os impactos da pandemia do Coronavírus, que ainda não acabou, mas que não vemos aquelas questões que foram salientadas por deixar a comunidade negra em maior vulnerabilidade. Falamos sobre falta de comida, falta de acesso a água e outras urbanidades, falta de política habitacional, falta de acesso à internet, falta de política educacional com foco nas nossas crianças adolescentes e jovens adequadas a realidade vivida neste momento”, diz o manifesto oficial do evento.
A conjuntura do acesso à saúde pública no Brasil já estava em um processo difícil; a pandemia da Covid-19 agravou esse quadro. Por outro lado, coletivos liderados por mulheres negras construíram saídas e formas de enfrentamento a partir de apoio comunitário mútuo, devido às muitas consequências que atingiram a população negra.
Contudo, houveram muitas perdas e retrocessos, especialmente, no que tange aos direitos sexuais e reprodutivos. Sendo assim, a partir do conceito justiça reprodutiva, buscamos reconhecer a singularidade das mulheres, as especificidades e contextos que elas estão inseridas, além dos atravessamentos de raça, classe, gênero e opressões correlatas. Para contribuir com esse esforço político, temos como base a carta manifesto construída para a primeira marcha nacional das mulheres negras. “Racismo e sexismo são eixos extremos de diferenciação negativa. Portanto, a confluência desses dois elementos deve estar no cerne da ação política, exigindo enfrentamento simultâneo dessas variáveis por parte dos governos mundiais. Onde medir as desigualdades e discriminações? Em todos os campos por onde a vida se materializa: saúde, direitos sexuais e reprodutivos (as mulheres rurais possuem menos meios de conseguir certos tipos de assistência do que as que habitam a cidade, devido às distâncias dos equipamentos e serviços de saúde de suas residências; mulheres lésbicas e transexuais e transgênero, muitas vezes, têm que lidar com o preconceito acerca de sua orientação sexual e sexualidade e também com o despreparo do corpo médico com relação às suas especificidades; as mulheres negras enfrentam ainda violência institucional nos serviços médicos, principalmente no que diz respeito ao racismo e ao sexismo…).”
Assim, é necessário compreender que a justiça reprodutiva precisa promover um ambiente político comprometido e que englobe todas as questões relacionadas à justiça social e aos direitos humanos. No Brasil, foi por meio do movimento de mulheres, sobretudo do movimento de mulheres negras, que se reivindicou a liberdade reprodutiva, exigindo do Estado a garantia dos direitos reprodutivos, defendendo condições básicas para a manutenção da vida, imprescindíveis para que as mulheres negras pudessem exercer a sua sexualidade e seus direitos reprodutivos, controlando sua própria fecundidade e decidindo se desejam gerar ou não. Desse modo, defendiam também o quanto o Estado deveria garantir informações e o acesso a serviços de saúde para promover o direito à gravidez, ao parto e ao aborto legal seguros.
Apesar dessas reivindicações, as mulheres ainda são vítimas de morte materna, sobretudo as mulheres negras. Morrem ao parir na procura pelos serviços de saúde e morrem dentro da maternidade. E morrem ao abortar. Isso significa dizer que a morte materna é a face mais escancarada do racismo e de suas diversas manifestações.
A primeira marcha nacional organizada pelas mulheres negras ocorreu em 2015, em Brasília, quando 50 mil mulheres de todo o país ocuparam o espaço público anunciando novos valores à existência, à dinâmica da vida e da ação política, traduzidas, naquele momento, na concepção do bem viver: “Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver”.
Nós, mulheres negras, entendemos que a superação do racismo na sociedade atual exige um debate acerca dos padrões de relações sociais e de reprodução da vida. A luta antirracista liderada pelas mulheres negras conquista um lugar singular, no qual as lutas sociais representam o processo de construção em que uma nova forma de existir no mundo passa, principalmente, pela experiência de ser mulher negra. E tudo o que isso representa em uma sociedade racista, patriarcal e cisheteronormativa.
Desde a primeira edição, a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver afirma como horizonte transformador a superação do sistema de subordinação racial e de gênero, que estrutura as relações sociais no Brasil. Em seu primeiro manifesto, as ativistas apresentam uma proposta de transformação social que estão dispostas a construir. “Nós, mulheres negras do Brasil, irmanadas com as mulheres do mundo afetadas pelo racismo, sexismo, lesbofobia, transfobia e outras formas de discriminação, estamos em marcha. Inspiradas em nossa ancestralidade somos portadoras de um legado que afirma um novo pacto civilizatório. Somos meninas, adolescentes, jovens, adultas, idosas, heterossexuais, lésbicas, transexuais, transgêneros, quilombolas, rurais, mulheres negras das florestas e das águas, moradoras das favelas, dos bairros periféricos, das palafitas, sem teto, em situação de rua. Somos trabalhadoras domésticas, prostitutas/profissionais do sexo, artistas, profissionais liberais, trabalhadoras rurais, extrativistas do campo e da floresta, marisqueiras, pescadoras, ribeirinhas, empreendedoras, culinaristas, intelectuais, artesãs, catadoras de materiais recicláveis, yalorixás, pastoras, agentes de pastorais, estudantes, comunicadoras, ativistas, parlamentares, professoras, gestoras e muitas mais. A sabedoria milenar que herdamos de nossas ancestrais se traduz na concepção do Bem Viver, que funda e constitui as novas concepções de gestão do coletivo e do individual; da natureza, política e da cultura, que estabelecem sentido e valor à nossa existência, calcados na utopia de viver e construir o mundo de todas(os) e para todas(os)”.
A subordinação imposta às mulheres negras e a humanização incompleta proveniente dos lugares de dominação das opressões que as atravessam demanda compreender como raça, classe e outras opressões correlatas reconfiguram o modo como as mulheres negras vivenciam o gênero. Em nossa sociedade, o racismo estrutural se perpetua enquanto sistema de opressão, e ler as desigualdades sociais produzidas pelo racismo patriarcal cisheteronormativo é contestar o feminino universal, que tem como referência as vivências das mulheres brancas. É diante dessa grande questão que o conceito pontência de justiça reprodutiva é tão necessário e urgente, como uma lente para compreender o acesso e a garantia aos direitos sociais e saúde sexual e reprodutiva para todas as mulheres negras.
A tarefa das mulheres negras em marcha se coloca para além do reconhecimento das desigualdades e do racismo patriarcal cisheteronormativo enquanto elemento estrutural da sociedade. Nós compreendemos que construir soluções possíveis só poderá ocorrer de forma coletiva; é uma tarefa de toda a sociedade brasileira, contudo, só faremos juntes assumindo e reconhecendo a contribuição e a radicalidade histórica do movimento de mulheres negras.
Por fim, reafirmamos que “(…) Na condição de protagonistas da proposição de outra forma de ver e intervir no mundo, sintetizada nos fundamentos do bem viver, oferecemos ao Estado brasileiro nossas experiências historicamente acumuladas como forma de construirmos coletivamente uma outra dinâmica política. Pelo que se viu, essa outra dinâmica é impossível sem a superação do racismo, do sexismo e de todas as formas de discriminação, responsáveis por subtrair a humanidade de mulheres e homens negros. Postulamos que a construção desse processo deve ser iniciada aqui e agora. Desse modo, assinalamos alguns pontos inegociáveis (…)”.
E destacamos, assim, um dos pontos inegociáveis o “direito à seguridade social (saúde, assistência social e previdência social). Assegurar às mulheres negras as políticas de seguridade social, por meio do acesso a serviços essenciais de saúde, assistência e previdência social; Erradicar o racismo institucional nas organizações públicas e privadas e em suas diferentes políticas, planos e programas de ação; Implantar a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no Sistema Único de Saúde; Ampliar a Política Nacional de Atenção Integral à pessoa com Doença Falciforme para todo o território nacional, a partir de um conjunto de medidas, como o fomento a pesquisas e técnicas de atenção e assistência; Descriminalizar o aborto e garantir o atendimento ao aborto legal na rede pública, bem como os procedimentos de profilaxia às mulheres em situação de violência, incluindo também o acesso à pílula do dia seguinte; Assegurar a estruturação e o aparelhamento dos equipamentos de saúde da rede pública, especialmente daqueles voltados para o atendimento à saúde da mulher, incluindo recursos humanos especializados e outros insumos necessários; Erradicar a mortalidade materna de mulheres negras, aprimorando as políticas em curso e incluindo o quesito cor na avaliação de risco; Implantar políticas de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos nas áreas da educação, da saúde e da segurança, garantindo o respeito à livre orientação sexual, as identidades de gênero, a autonomia do corpo da mulher ao direito ao aborto, bem como promover ações voltadas para a saúde sexual e saúde reprodutiva”.
 
Marina Ribeiro faz parte do Coletiva Popular de Mulheres Zona Oeste/Teia de Solidariedade Zona Oeste do Rio de Janeiro. Larissa França integra o Coletivo Piracema/Teia de Solidariedade Zona Oeste. Ambas compõem a equipe do projeto Radar Saúde Favela (Fiocruz), juntamente com Fábio Araújo, Fábio Mallart, Raimundo Carrapa, Emerson Baré, Mariane Martins, Luciene Silva e Paulo Roberto Ribeiro.
 
Texto publicado em parceria com o Radar Saúde Favela – Fiocruz.
 
 
 


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MPF e MP/AL recomendam que SSP capacite agentes sobre população LGBTQIA+ – Tribuna Hoje

Estado tem 15 dias para demonstrar como pretende atender os itens recomendados
O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) expediram Recomendação Conjunta à Secretaria de Estado de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) para que promova treinamentos e capacitações regulares dos agentes de segurança pública, a fim de promover o pleno exercício dos direitos fundamentais do público LGBTQIA+ em Alagoas.

A recomendação foi elaborada pela procuradora Regional dos Direitos do Cidadão, Julia Wanderley Vale Cadete, e de Antônio Jorge Sodré Valentim de Souza, da 61ª Promotoria de Justiça da Capital, com atribuições de defesa da cidadania, dos direitos humanos, da igualdade de gêneros e racial, da liberdade religiosa, do direito à livre orientação sexual, da concretização da assistência social. O documento tem como fundamento a condição de vulnerabilidade das pessoas LGBTQIA+, que demandam políticas públicas específicas por parte do estado para o exercício de seus direitos fundamentais.
Além de toda a justificativa legal e dos tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário e se obriga a cumprir, o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), previsto no Decreto nº 7.037/09, prevê o fomento e a criação de redes de proteção dos direitos humanos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
A Recomendação Conjunta nº 2/2022 prevê ainda que a capacitação dos agentes de segurança seja realizada por instrutores e instrutoras capacitados, e contemple, no mínimo, a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros Militar e a Polícia Penal do Estado de Alagoas.
MPF e MP também recomendam que a SSP elabore e apresente, no prazo de 60 dias, um plano de realização desses treinamentos, que deverá incluir os eventos que serão realizados, as ementas e cronograma de execução.
Apuração
No âmbito do procedimento que tramita no MPF, a Secretaria de Estado de Segurança Pública não demonstrou a existência de programação sistematizada ou de planejamento futuro, para a realização de treinamentos com os órgãos de segurança pública do estado de Alagoas, relacionados à proteção dos direitos da população LGBTQIA+.
No documento, as instituições consideram que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo para a população LGBTQIA+, pois, nos termos do relatório de mortes Violentas da População LGBT no Brasil, do Grupo Gay da Bahia, só em 2020, foram registradas 237 mortes violentas, por homicídio ou suicídio, decorrentes da discriminação contra essa população. O que demonstra se tratar de um grupo em situação de extrema vulnerabilidade, que encontra entrave para o exercício de seus direitos fundamentais.
E mais, a falta de apoio estatal no que diz respeito ao levantamento de dados sobre a discriminação da população LGBTQIA+, o que pode levar à subnotificação da violência praticada contra essas pessoas. Ainda segundo o relatório do Grupo Gay da Bahia, essa subnotificação pode resultar, em parte, de despreparo e inexperiência dos órgãos de segurança pública, especialmente em relação ao treinamento e capacitação de seus agentes no atendimento a pessoas LGBTQIA+, que, por vezes, lidam com constrangimento e inibição na ocasião do registro de ocorrências.
À SSP/AL foi dado o prazo de 15 dias para informar formalmente aos ministérios públicos se acolherá a presente recomendação, bem como as providências que estão sendo adotadas para o seu atendimento, juntando documentos que comprovem tais medidas.
Avenida Menino Marcelo, 9350, Serraria, CEP. 57031-530, Maceió – Alagoas
[email protected]
[email protected]

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Diretor de teatro diz que foi impedido de embarcar em voo da Lufthansa por ser cadeirante – Folha

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O diretor de teatro Mauricio Paroni diz que sofreu discriminação e foi impedido de embarcar em um voo da companhia aérea Lufthansa, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, por ser cadeirante.
O episódio ocorreu na última terça-feira (23). Paroni viajaria a trabalho para Milão, na Itália, num voo com escala em Frankfurt. A passagem, de classe executiva, foi comprada meses antes, em maio. O ator, que tem esclerose múltipla, diz que também informou à companhia aérea com antecedência sobre sua condição de saúde.
Ele registrou boletim de ocorrência online, um dia após o ocorrido. Segundo o relato de Paroni, ele passou pelo portão de embarque e foi impedido de entrar quando já estava na porta da aeronave.
O diretor diz à Folha que foi questionado pelos comissários de bordo, repetidas vezes, se ele conseguia se levantar da cadeira de rodas e se locomover por conta própria. A conversa, segundo ele, durou cerca de 30 minutos.
“Tudo isso acontecia com os outros passageiros embarcando, que me olhavam e comentavam [a situação]”, segue. Ele afirma ainda que os comissários conversavam em alemão entre si, na sua frente.
Paroni conta que, por fim, a chefe de cabine informou que, sob ordens do piloto, ele não poderia embarcar por condições de segurança já que o voo estaria com quantidade mínima de funcionários. Assim, não haveria comissários disponíveis para atendê-lo ou ajudá-lo a se locomover pela aeronave.
“Fui retirado, junto com a minha bagagem, da entrada [do avião], ‘empacotado de volta’ e posto para fora. Aquilo foi um ato de discriminação e exclusão”, afirma Paroni.
O diretor de teatro diz que ficou tão indignado com a situação que passou mal e foi atendido por funcionários do aeroporto. Ele afirma que também conversou com o delegado da polícia após o episódio.
Paroni diz que a Lufthansa ofereceu um outro voo, pela Latam, para este domingo (28). “[A oferta da passagem] é uma evidente admissão de culpa”, diz.
A reportagem procurou a Lufthansa no sábado (27) e voltou a procurá-la nesta segunda (29), mas a companhia não respondeu até a publicação desta reportagem.
A GRU Airport, responsável pela concessão do aeroporto, disse que uma equipe médica foi acionada, mas que Paroni recusou o atendimento.
Dois dias antes do ocorrido, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), vice na chapa de Simone Tebet (MDB), compartilhou nas redes sociais um relato de discriminação que teria sofrido pela mesma companhia aérea na Europa.
Ela embarcou um voo de Genebra para Zurique, na Suíça. Em um post no Twitter, a parlamentar relatou que os funcionários da empresa não encontravam a sua cadeira de rodas ao pousar no destino e ainda assim pediram que ela saísse da aeronave para “não atrapalhar”os outros passageiros.
Ela afirmou que, após aguardar por mais de uma hora e meia dentro do avião, os funcionários encontraram a cadeira, mas o objeto estava danificado. “A cadeira de rodas é uma extensão do nosso corpo. Sem ela não me locomovo. E com ela quebrada, meu corpo também fica”, escreveu.
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Sentença de caráter simbólico também afirmou que houve grave violação de direitos humanos por parte do governo brasileiro durante a pandemia

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Processo disciplinar por alegado caso de racismo – A Bola

O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) instaurou um processo disciplinar ao Boavista devido a um possível caso de racismo para com Allano, jogador brasileiro do Santa Clara, durante o jogo relativo à 2.ª jornada da Liga.
Recorde-se que no final da partida, que os axadrezados venceram por 2-1, Mário Silva, técnico do conjunto açoriano, abordou a questão: «Não sei o que se passou, porque estava no balneário. Pelo que percebi, estavam a ofendê-lo de forma imprópria. Segundo me parece, foi da bancada. Sempre que o Allano tocava na bola na segunda parte, era apupado. São coisas normais. Enquanto pessoas do futebol, temos de estar preparados. Vamos ter apoio, crítica e um adversário que nos vai tentar desestabilizar. Isto funciona assim. O futebol é assim mesmo. Mas não posso dizer com exatidão. Não ouvi, não vi e nem sequer falei com o Allano. A minha preocupação ao intervalo foi apenas preparar a equipa em termos estratégicos para a segunda parte. Racismo? O Allano queixou-se, mas não consigo confirmar ou desmentir isso. Como é lógico, não queremos que aconteça, mas são questões que irão ser apuradas.»
O mundo está a ser dominado por idiotas,não pela qualidade mas pela quantidade.Vi o jogo ao vivo e ninguém ouviu cânticos nem insultos a ninguém.A única coisa que se viu foi este queixinhas a falar com o árbitro sem se saber o .porquê
O BFC é o clube da 1a.liga com mais estrangeiros e jogadores de cor branca, preta e amarela…por isso tenham juizinho e deixem-se de tretas. Não prejudiquem BFC!
O mundo está a ser dominado pelos idiotas,não pela qualidade mas pela quantidade.Ninguem ouviu cânticos nem insultos a este queixinhas…ninguém.A única preocupação deste ‘artista’ foi provocar a assistência.
“Alegado caso de racismo”? Só porque sempre que tocava na bola era apupado? Era apupado porque passou o jogo todo a fazer “queixinhas” ao arbitro, no fim da 1ª parte ficou 5min a “falar” com o arbitro. Não estava a fazer pressão? Então também foi pressionado pelos adeptos. Agora racismo?
Triste realidade deste futebol, existem variados tipos de adeptos…os fanáticos são um tipo, e dentro dele existem os que pertencem à acapo (associação), o Rochinha não sendo de cor também sofreu com eles.

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