A Crimeia e a Ucrânia – CNN Portugal

A Crimeia faz parte da Ucrânia. Assim o diz, de forma inequívoca, o Direito Internacional. Em 1991, quando ficaram definidas as fronteiras dos 15 países que constituíam a antiga União Soviética, nenhuma dúvida parece ter subsistido, mesmo para Moscovo, de que a Crimeia integrava a soberania da nova Ucrânia. Prova indireta desse reconhecimento é o facto de a cidade de Sebastopol, onde está sedeada a frota russa no Mar Negro, bem como a sua região adjacente, terem sido “alugadas” pela Ucrânia à Rússia, que, até 2014, pagava uma “renda” por essa presença. Só se é “inquilino” de uma propriedade alheia.
Em 2014, na imediata sequência dos conflitos internos ocorridos na Ucrânia, com a secessão de zonas russófonas do Donbass e dos novos equilíbrios que resultaram no governo central em Kiev – onde um indiscutível golpe de Estado, muito estimulado pelo ocidente, afastou um presidente pró-russo que antes havia sido legitimamente eleito – a Rússia avançou para a ocupação da Crimeia. Imagino que alguns possam argumentar com algumas “technicalities”, para contestar a factualidade do que acabo de afirmar, mas esta é a realidade política incontroversa para a generalidade da comunidade internacional.
Convém notar que nada de particular se tinha passado naquele território que justificasse essa ocupação. Contrariamente às acusações de discriminação das populações russófilas no Donbass, não havia nota de idêntico procedimento, por parte de Kiev, na Crimeia. Tratou-se, manifestamente, de um gesto oportunista, de aproveitamento da fragilização do novo governo de Kiev, por virtude da secessão de territórios do Donbass, também ela um movimento estimulado por Moscovo, como hoje está bem claro. 
De imediato, a Rússia organizou na Crimeia um referendo, com contornos de legitimidade mais do que duvidosa, na sequência do qual o território declarou a sua independência face à Ucrânia. Em seguida, a “independente” Ucrânia pediu a adesão à Federação Russa, que aceitou esse “pedido”, passando a integrá-la. Mais “fácil” não podia ser.
A operação foi tão escandalosa que raríssimos foram os países que reconheceram o “golpe de mão” russo sobre a Crimeia. Basta lembrar, e isso não deixa de ser significativo, que Estados como a China ou a Turquia nunca aceitaram essa anexação. 
A maioria do ocidente reagiu fortemente à anexação russa da Crimeia. Moscovo foi, por esse motivo, objeto de sanções unilaterais – dos EUA, da União Europeia e de alguns Estados “like-minded”. Essas sanções permanecem em vigor até hoje. A Rússia, também por esse motivo, foi afastada do G8. 
As sanções ocidentais foram a resposta ao “golpe de mão” russo na Crimeia. Nenhuma ação ou apoio militar à Ucrânia foi previsto no quadro dessa reação ocidental. Já se perceberá por que sublinho isto.
Passaram, entretanto, oito anos. Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia invadiu militarmente Ucrânia, claramente com o objetivo de derrubar o governo em Kiev e, como “second best” face à constatação do seu fracasso em conseguir esse objetivo, decidiu ocupar partes do seu território, ao que tudo indica para sua futura integração na Federação Russa, baseado em “referendos” como mesmo grau de legitimidade como aquele que, em 2014, organizou na Crimeia. 
Os EUA, a UE e outros “like-minded” decidiram reagir, impondo um forte pacote de sanções à Rússia e, desta vez, apoiando, financeira e militarmente, a resposta do governo de Kiev a esta flagrante agressão à sua soberania. Mas gostava de sublinhar: esses países condenaram a agressão militar russa face ao território que a Ucrânia possuía nessa data, isto é, aquele que derivava das fronteiras de 1991, já sem a Crimeia nem as regiões do Donbass que se haviam cindido em 2014.
Os países ocidentais – é preciso dizer isto com clareza – não se mobilizaram (nenhuma sua declaração o diz) para apoiar militarmente a Ucrânia numa ação de recuperação dos territórios que o país tinha perdido em 2014, mas apenas para assegurar a sua soberania sobre o “statu quo ante”, o que Kiev detinha sob controlo no dia 24 de fevereiro de 2022. Relembro que a reação desses países no tocante à tomada da Crimeia pela Rússia, já se tinha objetivado no pacote de sanções de 2014/2015. E tinha-se ficado por aí.
Há, assim, agora, uma constatação e uma pergunta legítimas.
A constatação é a de que a ajuda militar dada pelo ocidente à Ucrânia, nos últimos seis meses, e a que aí vier no futuro, pode e deve ser utilizada por Kiev para a defesa das suas fronteiras “de facto” em 25 de fevereiro de 2022, bem como para a recuperação dos territórios que a Federação Russa, contra o Direito Internacional, tiver ocupado a partir dessa data. 
A pergunta é se essa ajuda pode ser utilizada por Kiev para a recuperação de territórios já perdidos em 2014 para a Rússia, como a Crimeia, ou para estruturas institucionais na sua dependência político-militar (como manifestamente o são as “repúblicas” de Donetsk e Lugansk, que praticamente só a Federação Russa reconhece). É que, para essa ocupação ilegítima de territórios, a resposta já haviam sido as sanções de 2014/2015. 
Do mesmo modo, coloca-se a questão sobre se Kiev pode utilizar esse material militar para atingir posições em território russo. Lembremo-nos que esse foi já um debate havido no seio da administração americana – sobre se se davam à Ucrânia meios defensivos ou também ofensivos.
Terá esta questão importância, numa guerra onde as zonas cinzentas são imensas? Acho que tem. O empenhamento dos países amigos do governo de Kiev, em termos de cedência de material militar, não pode fazer-se sem que esses países tenham clara consciência dos contextos operacionais em que esses meios irão ser usados.
Termino repetindo o que disse no início deste texto: a Crimeia, e da mesma forma todo o Donbass, continua a ser, indiscutivelmente, à luz do Direito Internacional, parte integrante da soberania da Ucrânia.

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Pedido da Tesla é rejeitado em processo por preconceito racial – Época NEGÓCIOS

Tesla (Foto: Pexels)
Uma agência da Califórnia recusou um pedido da Tesla referente a um processo que o órgão de defesa dos direitos civis move contra a empresa por preconceito racial.
O Escritório de Direito Administrativo da Califórnia (OAL), negou o requerimento da Tesla, que alega que o Departamento de Direitos Civis (DCR) adotou critérios que não cumprem requisitos obrigatórios antes de processar a empresa.
Um representante da Tesla, que negou irregularidades no caso de preconceito racial, não fez comentários imediatos.
Um porta-voz do DCR não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O pedido da Tesla é uma tentativa de questiona a autoridade do departamento para processar casos de discriminação, forçando-o a tomar medidas adicionais antes de processar, como fornecer às empresas explicações detalhadas de supostas violações legais e fazer esforços para resolver fora do tribunal.
Um juiz do estado da Califórnia deve realizar uma audiência na quarta-feira sobre a moção de Tesla para encerrar o caso.
O processo é um dos vários na Califórnia que acusam a Tesla de tolerar discriminação e assédio sexual em suas fábricas.

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[VÍDEO] 'Ação contra Rogério é para evitar discriminação, evitar que verbas sejam só para amigos do rei', diz Erick Pereira – Portal 98 FM Natal – Rádio 98 FM Natal

O advogado Erick Pereira, que atua na defesa do candidato ao Senado Carlos Eduardo Alves (PDT), explicou nesta quarta-feira (17) qual o objetivo da ação que foi protocolada na Justiça Eleitoral contra o adversário Rogério Marinho (PL).
De acordo com Erick, a ação tem o objetivo de investigar se Rogério atuou como ministro do Desenvolvimento Regional para destinar recursos em troca de apoio político para a eleição do Senado. Segundo o advogado, há indícios de que apenas os “amigos do rei” foram beneficiados.
“O objetivo dessa ação de investigação eleitoral é evitar discriminação, evitar que verbas federais apenas sejam direcionadas para amigos do rei. Só vai para quem apoia o atual Governo Federal. Nós queremos, com essa investigação, que se levante por que não está sendo distribuído de forma igual. Todos os municípios devem receber de forma proporcional, igual, e não fazer como vem sendo feito, direcionada e escolhida pelo candidato do Governo Federal”, afirma o advogado.
Ele complementa: “Essa discriminação tem que ser combatida. Ela quebra o princípio da igualdade, quebra o equilíbrio da eleição. Os indícios são que existem direcionamentos dentro dessa distribuição, privilegiando uns em detrimento de outros. Precisamos combater essa forma de discriminar os municípios que não estão apoiando o atual Governo Federal. Por que os amigos do rei têm direito a essa verba, e não todos que fazem parte do Rio Grande do Norte?”.
O advogado Erick Pereira, que atua na defesa do candidato ao Senado Carlos Eduardo Alves (PDT), explicou nesta quarta-feira (17) qual o objetivo da ação que foi protocolada na Justiça Eleitoral contra o adversário Rogério Marinho (PL). Veja: pic.twitter.com/eR3h4FhcbG

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Mensagem no Dia Internacional de Homenagem às Vítimas dos Atos de Violência Baseada na Religião ou Crença – ONU Portugal

A-Z índice do site
O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM NO DIA INTERNACIONAL DE HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DOS ATOS DE VIOLÊNCIA BASEADA NA RELIGIÃO OU CRENÇA
22 de agosto de 2022
Neste dia, homenageamos aqueles que perderam a vida ou que sofreram por simplesmente porcurarem exercer os seus direitos fundamentais à liberdade de pensamento, de consciência e de religião ou de crença. Reitero a minha firme solidariedade com essas vítimas.
Apesar da preocupação da Assembleia Geral das Nações Unidas, que instituiu esta data em 2019, há pessoas e comunidades em todo o mundo que continuam a enfrentar intolerância e violência com base na religião ou credo.
O discurso de ódio, online ou offline, continua a alimentar a violência contra membros vulneráveis ​​da sociedade, incluindo minorias étnicas e religiosas. Devemos fazer mais para apoiar as vítimas e examinar as condições que impulsionam a intolerância e o ódio. Iniciativas como o meu Apelo à Ação pelos Direitos Humanos e a Estratégia e Plano de Ação da ONU contra o Discurso de Ódio são ferramentas que podem ser usadas para abordar essas questões complexas e urgentes.
Os Estados têm a responsabilidade de prevenir e de enfrentar a discriminação e a violência infligidas em nome da religião ou da crença através de políticas abrangentes que promovam a inclusão, a diversidade, a tolerância e o diálogo inter-religioso e intercultural. As violações de direitos humanos perpetradas em nome de religião ou crença devem ser investigadas e punidas, e as vítimas devem ser compensadas, em conformidade com o direito internacional dos direitos humanos.
É essencial que todos os Estados, líderes religiosos e outros atores influentes condenem todo incitamento ao ódio e à violência com base na religião ou crença. Somente um esforço coletivo, inclusivo e de toda a sociedade pode resultar em uma coexistência segura para todos e acabar com essa praga nas nossas sociedades.
 

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República Dominicana avança em construção de muro na fronteira com o Haiti – Yahoo Noticias

A República Dominicana informou neste domingo (21) que avança na construção de um muro de 164 quilômetros que ergue na fronteira com o Haiti e convocou sete empresas a apresentarem propostas para continuar com a segunda fase do projeto, que visa a “controlar” a migração ilegal.
A primeira etapa do muro, na qual devem ser construídos cerca de 54 quilômetros, “já está avançada” e a previsão é de que termine em fevereiro de 2023, informou, em nota, o Ministério da Defesa (MIDE), encarregado da obra.
Agora, abriu-se a convocação para sete empresas “nacionais e internacionais” para construir a segunda etapa, de 110 km.
“Para a seleção, foi levada em conta a experiência e a capacidade, de acordo com as regulamentações e os procedimentos de contratação com exceção em casos de projetos de segurança nacional. As propostas serão recebidas na segunda-feira, 5 de setembro”, detalhou a entidade.
Junto do muro serão construídas duas vias terrestres, torres com câmeras de vigilância e “portas em locais específicos”. Será construída “uma infraestrutura adequada para regular as movimentações de pessoas, veículos e comércio, e as complexas situações sociais suscitadas em torno dos 391,6 quilômetros” que separam os dois países.
Os trabalhos desta segunda etapa “compreendem uma estrutura em muro de cimento armado, malha ciclônica e quadriculada em perfis de aço com concertina na parte superior”, acrescentou o ministério.
O polêmico projeto terá um investimento aproximado de 31 milhões de dólares e é promovido pelo presidente dominicano, Luis Abinader, para “controlar” a migração ilegal e as máfias que operam na fronteira com o Haiti.
Por ali cruza um grande número de haitianos, que trabalham ilegalmente em solo dominicano, especialmente na construção e no comércio ambulante.
Organizações defensoras dos migrantes criticam a iniciativa do muro por considerar que provocará “xenofobia e racismo”.
A República Dominicana tem 10,5 milhões de habitantes, dos quais 500.000 são haitianos, segundo a Pesquisa Nacional de Imigrantes.
ba/ll/mvv
Ucrânia nega envolvimento na explosão que vitimou mortalmente a filha de Alexander Dugin. Rússia confirma que está a investigar o caso.
DAKAR (Reuters) – Autoridades sanitárias da República Democrática do Congo estão investigando um caso suspeito de ebola no leste do país, afirmou a Organização Mundial de Saúde neste sábado. Uma mulher de 46 anos morreu na segunda-feira na cidade de Beni, um dos centros do surto de ebola entre 2018 e 2020 que matou quase 2.
Filha do Teólogo Alexander Dugin foi morta este sábado, depois do carro onde seguia ter explodido
A semana que começa hoje (21) é marcada pelo início de um período de conscientização pela inclusão de pessoas com deficiência e luta contra o capacitismo. A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla é comemorada desde 1964. Este ano, o tema da campanha é Superar barreiras para garantir inclusão. Esta reportagem de 2019 do Repórter Brasil explicou o que é a deficiência intelectual e múltipla, e reforçou a importância do apoio familiar para o desenvolvimento das pessoas com
(Reuters) – Os líderes dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Alemanha discutiram esforços para reviver o acordo nuclear de 2015 com o Irã, disse a Casa Branca neste domingo em um comunicado amplamente focado na Ucrânia. "Além disso, eles discutiram as negociações em andamento sobre o programa nuclear do Irã, a necessidade de fortalecer o apoio aos parceiros na região do Oriente Médio e esforços conjuntos para deter e restringir as atividades regionais desestabilizadoras do Irã", disse a Cas
Governador de São Paulo participou de celebração do padre Marcelo Rossi no Santuário Mãe de Deus, ao lado do prefeito Ricardo Nunes, e disse estar 'convicto da necessidade de caminharmos unidos'
A Bolívia se juntou em solidariedade internacional à Cuba neste domingo (21) devido ao incêndio em uma usina de armazenamento de petróleo em Matanzas, com uma doação de 62 toneladas de alimentos, remédios e equipamentos.
O trio uniu Lasai e The Slow Bakery para servir sanduíche com preparo de 24 horas
Embalado pelo brasileiro, time merengue vence o Celta de Vigo por 4 a 1, no Estádio de Balaídos
Animação japonesa arrecadou US$ 21 milhões, superando outro estreante, 'A fera'
Presidente do BRB deu informações a canal de youtuber
Destaque do time na partida, jogador lamenta resultado mas destaca entrega do time. Lateral também foi muito elogiado pelo treinador Dorival Júnior
Ingredientes do dia a dia ganham novos sabores com o uso de técnicas culinárias
A previsão do tempo para esta segunda-feira é de céu parcialmente nublado a claro, segundo o Centro…
Um tribunal de justiça peruano remarcou neste domingo (21) para a próxima terça-feira a audiência na qual deve-se decidir sobre o envio da cunhada do presidente Pedro Castillo, Yenefer Pardes, à prisão preventiva, como quer o Ministério Público por sua suposta participação em uma rede de corrupção.
As equipas de salvamento continuam no terreno a tentar resgatar sobreviventes.
Instrumento foi usado no videoclipe da música 'Monkey Wrench'
Além de confirmar qual gênero musical seguirá, Simone revelou que toda a banda da dupla vai acompanhá-la em carreira…
BERLIM (Reuters) – Cerca de dois terços dos alemães estão insatisfeitos com o trabalho do chanceler Olaf Scholz e sua coalizão, que enfrenta crise após crise desde que ele assumiu o cargo em dezembro, de acordo com uma pesquisa publicada no domingo. Apenas 25% dos alemães acreditam que o social-democrata está fazendo bem seu trabalho, abaixo dos 46% de março, segundo a pesquisa do Insa para o jornal "Bild am Sonntag".
Inundações e deslizamentos de terra causados por fortes chuvas de monção mataram pelo menos 50 pessoas no norte e leste da Índia nos últimos três dias, disseram autoridades neste domingo. As chuvas destruíram centenas de vilarejos, arrastando casas e deixando os moradores presos enquanto as equipes de resgate lutam para retirar os sobreviventes.

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Telma Monteiro e outros olímpicos acusam presidente da FP Judo de discriminação – Revista Sábado

Telma Monteiro e outros olímpicos acusam presidente da FP Judo de discriminação  Revista Sábado
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Racismo: Morador imita macaco para ofender porteiro no DF – Catraca Livre

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Na noite da última sexta-feira, 19, o porteiro Gláucio João da Silva, de 48 anos, foi vítima de injúria racial no prédio em que trabalha, localizado em área nobre de Brasília. Ele chamou a atenção de dois jovens que circulavam perigosamente em bicicletas no condomínio, o que é proibido pelo regimento interno.
Um dos adolescentes passou insistentemente com a bicicleta em frente ao local onde fica o porteiro, e teria imitado e reproduzido os sons um macaco para debochar da repreensão do profissional.
João da Silva registrou boletim de ocorrência na 3ª Delegacia de Polícia.
Por se tratar de um menor de 18 anos, segundo o site brasiliense “Metrópoles”, o caso será encaminhado à Delegacia da Criança e do Adolescente.
Racismo é crime previsto pela Lei 7.716/89 e deve sempre ser denunciado, mas muitas vezes não sabemos o que fazer diante de uma situação como essa, nem como denunciar, e o caso acaba passando batido.
Para começar, é preciso entender que a legislação define como crime a discriminação pela raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, prevendo punição de 1 a 5 anos de prisão e multa aos infratores.
A denúncia pode ser feita tanto pela internet, quanto em delegacias comuns e nas que prestam serviços direcionados a crimes raciais, como as Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que funcionam em São Paulo e no Rio de Janeiro.
No Brasil, há uma diferença quando o racismo é direcionado a uma pessoa e quando é contra um grupo.
Assim como definido pela legislação de 1989, racismo é a conduta discriminatória, em razão da raça, dirigida a um grupo sem intenção de atacar alguém em específico. Seu objetivo é discriminar a coletividade, sem individualizar as vítimas.
Esse crime ocorre de diversas formas, como a não contratação de pessoas negras, a proibição de frequentar espaços públicos ou privados e outras atividades que visam bloquear o acesso de pessoas negras. Nesses caso, o crime é inafiançável e imprescritível.
Quando o crime é direcionado a uma pessoa, ele é considerado uma injúria racial, uma uma vez que a vítima é escolhida precisamente para ser alvo da discriminação.
Essa conduta está prevista no Código Penal Brasileiro, artigo 140, parágrafo 3, como um crime contra a honra, sendo o fator racial uma qualificadora do crime.
É importante ressaltar que em casos de racismo, além da própria vítima, uma testemunha pode denunciar o crime. O mesmo não vale para o crime de injúria racial, pois somente a vítima pode se manifestar sobre o ataque na justiça. Conheça outros canais para denunciar casos de racismo.

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Etarismo: como vencer o preconceito no mercado de trabalho – O POVO Mais

 
 
Com o aumento da expectativa de vida nas últimas décadas, veio junto uma questão nova para a sociedade: a empregabilidade acima dos 40, 50, 60 e 70 anos. Associado a esse cenário, surge o etarismo, que é a discriminação e o preconceito contra pessoas com idade avançada, também conhecido como ageísmo ou idadismo.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no País, cerca de 13% da população tem mais de 60 anos. E a previsão é que, a partir de 2031, serão mais brasileiros idosos do que crianças e adolescentes. E, em 2042, essa população chegará à marca de 57 milhões de brasileiros.
 
 
A expectativa de vida do brasileiro também aumentou. Em 1940 era chegar apenas aos 45 anos. Em 2020, quando o IBGE divulgou o último levantamento, saltou para 76,8 anos.
Além das condições físicas e mentais terem evoluído positivamente nos últimos anos para as pessoas com mais idade, as mudanças na aposentadoria e no formato de trabalho fazem com que essa população se mantenha economicamente ativa para o seu próprio sustento ou da família.
 
 
A presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH)-Brasil, Eliane Ramos, comenta que existem diversos estudos que mostram que a idade mais produtiva é entre 60 e 70 anos.
“É quando a pessoa está no topo do emocional e mental. Além disso, nota-se que os CEOs das 100 maiores empresas têm 63 anos. Do mesmo modo, observamos que a idade média dos vencedores do prêmio Nobel é entre 60 e 65 anos”, reforça.
Para a sociedade como um todo, na visão do especialista em Gestão de Pessoas e humanizador de empresas, Luiz França, o melhor é unificar as duas gerações com as suas pecularidades, uma mais voltada para a modernidade e o futuro e a outra com a sabedoria.

Desenhista do time Mauricio de Sousa Produções(Foto: Jal_Divulgação MSP)
Foto: Jal_Divulgação MSP Desenhista do time Mauricio de Sousa Produções

“Qual o grande desafio para todos nós? É unir essas duas gerações. Tanto os mais jovens quanto aqueles que já estão no mercado de trabalho há mais tempo para que possam ambos aprender um com o outro. Isso vai fazer com que a sociedade ganhe muito em termos de diversidade”, analisa.
A influência da economia e da própria evolução tecnológica também está contribuindo com as alterações constantes nesse perfil e na dinâmica da força de trabalho.
“Toda essa evolução acaba afetando a estrutura etária e evidencia a dinâmica que envolve pessoas nas idades mais avançadas no mercado laboral”, pontua a consultora de RH e Desenvolvimento Humano, Bernadete Pupo.
 
 
A discriminação reflete nos números do mercado. No período de quatro meses deste ano, 12.660 colaboradores com mais de 65 anos amargaram um desligamento, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
“É comum me deparar com a discriminação etária. Mesmo com o trabalho de conscientização massiva em relação à diversidade, seja lá qual for a natureza, muitas empresas ainda deixam de considerar esse segmento”, exemplifica.
 
 
O fato é que a maturidade traz diferenciação, avalia Pupo. “Por mais que os novatos esbanjem garra, disposição e muita energia para a execução das tarefas, eles não têm a mesma maturidade e a desenvoltura que os seniores dispõem para enfrentar os episódios de forte tensão e impacto no competitivo mundo dos negócios”, avalia.

Mesmo a legislação brasileira tento feito avanços em relação às políticas públicas de proteção ao idoso com o Estatuto do Idoso é preciso garantir os seus direitos.
No capítulo 6, por exemplo, cita que o exercício da atividade profissional proíbe a discriminação e a fixação de limite máximo de idade, exceto quando for por exigência do cargo, podendo todos, independentemente da faixa etária, concorrer as vagas laborais.
“Por esse e outros motivos que a inclusão etária, deve ser um compromisso que as empresas devem seguir”, afirma a especialista.

 
 
Atualmente, a participação de indivíduos com mais de 40 anos na Mauricio de Sousa Produções (MSP) supera 47% dos colaboradores nas mais diversas áreas, com destaque para o Estúdio de Arte e as áreas administrativo-financeiras.

A participação de indivíduos com mais de 40 anos supera 47% dos colaboradores na Mauricio de Sousa Produções(Foto: Jal_Fivulgação MSP)
Foto: Jal_Fivulgação MSP A participação de indivíduos com mais de 40 anos supera 47% dos colaboradores na Mauricio de Sousa Produções

A MSP estimula e acolhe a presença de pessoas diversas em seus núcleos de criação e desenvolvimento de conteúdo, com representantes das diferentes gerações, diz a gerente de RH da empresa Andréa Ruth Gimenes.
“A rotatividade é baixa entre os profissionais que atuam na empresa, sobretudo, dentre os artistas, o que corrobora para a participação expressiva de pessoas com mais de 40 anos. Confiamos na construção de um mundo com mais representatividade e livre de preconceitos. No nosso dia a dia é encontrado um ambiente colaborativo, diverso e inclusivo!”, destaca.
 
 
A partir das ações voltadas ao aprendizado interno sobre diversidade e inclusão, temas tão presentes nas histórias contadas, a empresa estimula que cada vez mais as relações entre as pessoas sejam harmoniosas, visando laços fortes de amizade, traços comuns na filosofia do próprio Mauricio.
Gimenes conta que, recentemente, criaram o Comitê de Diversidade, que tem entre seus principais pilares a questão geracional.
“Dentro desse comitê, integrado por representantes de diversas áreas, estão em discussão atividades de conscientização e desenvolvimento. Nosso Código de Ética veta qualquer tipo de discriminação e temos um canal para denúncias caso ocorra qualquer questão nesse sentido”, enfatiza a gerente.
 
 
 
 
Na fábrica da Mallory, no Ceará, Sheila Diniz, coordenadora de gente, trata a questão da empregabilidade para essa faixa de forma muito tranquila, pois entende que a energia de uma pessoa não está relacionada à sua idade, mas sim, como ela pensa e age. “Profissionais mais maduros possuem a sabedoria de viver”, diz.

Colaboradores com mais de 50 anos fazem parte do quadro de funcionários da Mallory no Ceará(Foto: Divulgação Mallory)
Foto: Divulgação Mallory Colaboradores com mais de 50 anos fazem parte do quadro de funcionários da Mallory no Ceará

Do total de 509 colaboradores, 80 possuem a partir de 45 anos, locados nas áreas administrativa e operacional, representando um percentual de 16% do total.
Se considerar pessoas a partir de 40 anos, a representatividade muda para 33%.
“O cuidado com o próximo é um dos nossos valores e o respeito aos colaboradores mais maduros é muito claro aqui na Mallory. Além de reconhecermos os funcionários a cada cinco anos de anos de casa, temos alguns programas e projetos que incentivam a inclusão digital dos colaboradores”, informa.
 
 
A TIM também está atenta ao cenário atual e trabalha para incluir e desenvolver profissionais sêniores, estimula ainda mais a troca de experiências e o aprendizado entre diferentes gerações.
Recentemente, em parceria com o HubMulher e Deloitte, criou “Glossário da Longevidade: um guia para o mercado, a mídia, sociedade e profissionais em geral” com 103 verbetes relacionados ao universo sênior.
“O lançamento do glossário é um importante passo da companhia em direção à inclusão geracional no mercado. Além desse material, lançamos o programa de contratação TIM 50+, que disponibilizou vagas para pessoas com 50 anos ou mais em lojas da operadora de cinco Estados”, explica Alan Kido, responsável pela área de Educação, Ecossistemas e Inclusão da TIM Brasil.
O projeto foi construído a partir de reflexões do grupo de afinidade Gerações+, formado por quase 100 colaboradores da companhia, que sugerem e avaliam ações focadas em recrutamento e seleção, comunicação e educação para inclusão das diferentes gerações.
O conteúdo está diponível para baixar aqui.

A companhia mantém ainda um programa de indicação interna, em que profissionais da própria TIM podem indicar pessoas de 45 anos ou mais para vagas na empresa. 
 
 
Já o Grupo Boticário lançou há pouco tempo um programa gratuito de empreendedorismo, que segue com inscrições abertas até 30 de setembro, para mulheres a partir de 45 anos. Clique aqui para acessar.

A ação que comemora a mesma idade da empresa é uma parceria com a Maturi, startup que conecta pessoas acima de 50 anos a oportunidades de trabalho.
De acordo com a diretora de Marketing do Grupo, Renata Gomide, cerca de 78% das pessoas com mais de 45 anos já perdeu alguma oportunidade por causa da idade.
“Por isso, oferecemos essa capacitação para aquelas que desejam se redescobrir profissionalmente e abrir seu próprio negócio.”

 
 
 
 
A pandemia evidenciou ainda mais as barreiras do etarismo existentes no Brasil: falava-se que o vírus da Covid-19 atingia apenas os idosos, público que passou a ser estigmatizado como frágil, um “fardo” para a sociedade ou era tratado como descartável.
O País, no que diz respeito ao preconceito etário, vive um paradoxo: enquanto pessoas idosas são vistas com discriminação porque não estão no mercado de trabalho, gerando renda, pessoas com mais de 40 anos já enfrentam problemas para conseguir oportunidades de emprego devido à idade.
E se a reforma da previdência exige que homens trabalhem até os 65 anos e as mulheres até os 60, por outro lado, empresas costumam desligar os profissionais com mais de 50 anos, que geralmente são substituídos por funcionários mais jovens.
Essa cultura acaba não só por excluir, mas também por trazer menos diversidade ao ambiente de trabalho.
A solução é o convívio entre gerações para atenuar o preconceito: colaboradores mais maduros agregam conhecimento e experiência à equipe — um aprendizado de mão dupla. Essa é a avaliação de Valéria Mota, gerente executiva da MRH Gestão.
“Hoje o tema diversidade está em alta, e com isso percebemos uma tendência nas empresas de formar times múltiplos, com perfis, faixas etárias, gêneros, raças diferentes. Diferentes gerações agregadas podem trazer resultados diferenciados e entregas mais completas.” Valéria Mota, gerente executiva da MRH Gestão
Valéria acrescenta que “o conceito de ESG implica em políticas de meio-ambiente, responsabilidade social e governança, daí a possibilidade de um incremento da diversidade etária nas organizações ser uma tendência.”
“As áreas que absorvem perfis mais sénior dependem da capacitação/perfil das pessoas, e podem ir desde vagas operacionais e comerciais até gerenciais, acadêmicas e membros de conselhos das grandes organizações”, pontua. (Karyne Lane)

 
 
Substituir o etarismo pela inclusão já é uma realidade para muitas organizações, que buscam uma valorização e permanência maiores de profissionais maduros no mercado. O líder de produção na fábrica da empresa Mallory, José Clerton da Silva, de 45 anos, é um exemplo disso.
“Contribuo passando a minha experiência de vida e de anos de profissão para os que trabalham comigo, principalmente aqueles que estão iniciando sua vida profissional. Sempre estou buscando conhecimento e fazendo cursos, para que eu tenha um bom entendimento a repassar para meu time de colaboradores”, conta.
“Minha vivência faz diferença na resolução de problemas e para buscar novas possibilidades. Acabar com o etarismo é muito importante, e todos nós devemos valorizar aqueles que, com sua experiência de vida e de profissão, têm muito a ensinar e a somar nas empresas”, salienta.
 

Para Nelson de Oliveira, de 57 anos, colaborador na área de suporte à vendas da Tim, também é preciso evoluir “junto com o que vem com a juventude”. Funcionário da empresa há 23 anos, ele acompanha as mudanças das telecomunicações nas últimas décadas e acredita que “o principal fator é a competência, independente da idade”.
“Minha área especificamente é bem diversa, com pessoas muito jovens e pessoas mais maduras, inclusive minha gestora é mais nova. É legal ver que independente de idade as gerações estão juntas, se complementam e se incentivam, aprendem junto todo dia”, declara.
“É preciso estar sempre ligado, sempre antenado, mostrar que a gente pode contribuir com nossa experiência. E é importante haver esse elo entre a empresa, o gestor e nós que somos dessa faixa etária e que antes estava esquecida, mas que continua contribuindo com o crescimento das empresas”, assegura. (Karyne Lane)

 


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Restaurante onde filhos de atores brasileiros foram alvo de um ato racista repudia o sucedido – CNN Portugal

O vídeo com o episódio de racismo já é viral nas redes sociais e tem provocado muita revolta. Quem frequenta o restaurante e a praia da Costa da Caparica ficou surpreendido por tudo ter acontecido na zona que geralmente é bastante calma

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