Trappers italianos são presos por roubo e discriminação racial – UOL Notícias

16/08/2022 07h47

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Moçambique: Adolescentes são a faixa etária mais infetada pelo HIV-SIDA – DW África

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Falta de prevenção, violência sexual, abandono do tratamento e suposta vulnerabilidade dos jovens são apontadas como as principais causas do elevado número de infeções por HIV-SIDA nesta faixa etária, em Moçambique.

Dados disponibilizados pelas autoridades de saúde em Tete, centro de Moçambique, relativos ao primeiro semestre do ano em curso, revelam mais de 8 mil novos casos de HIV no país.As autoridades indicam que a faixa etária entre os catorze e os vinte e quatro anos é a mais afetada pelo vírus.
O crescente número de infetados tem preocupado o Governo moçambicano e a sociedade civil, que estão empenhados em reduzir as novas infeções. 
Felizarda Malene, ativista social e diretora executiva da organização juvenil Associação Galamukani, que atua na área da saúde, aponta falhas na luta contra a doença.
″É sinal de que alguma coisa deve estar a falhar, talvez na forma como transmitimos a mensagem, talvez na falta de acesso a serviços de qualidade, uma enfermeira ou enfermeiro que pudesse atender os adolescentes e jovens sem estigma, nem discriminação″, diz.
Ivan Banet, ligado ao projeto “Viva Mais” do Fundo de Desenvolvimento comunitário, indica quea falta de prevenção é um fator de risco.
″As causas principais estão relacionadas com a falta de prevenção, a violência sexual e o abandono do tratamento. São essas as causas que conseguimos ver logo de imediato”, afirma.
Por outro lado, Marcelino Miguel, secretário executivo do conselho provincial de combate ao HIV, acredita que a taxa de incidência juvenil é alta por ser a camada mais vulnerável da população: ″É uma camada sexualmente ativa, é uma camada que sai da adolescência para uma outra fase da vida e é uma fase de inventar, uma fase de indecisão, de insegurança e de moda″, explica.
A mudança de estratégias e a implementação de medidas mais arrojadas na consciencialização de adolescentes e jovens são as recomendações deixadas pela ativista social Felizarda Malene.
″Vamos procurar trazer mensagens de forma mais clara, especifica e simples para que os adolescentes que são o grupo alvo [do vírus HIV] possam perceber a essência do que é que pretendemos trazer″, diz.
Já Marcelino Miguel defende que a consciencialização deve ser essencialmente feita nas escolas, por serem locais de aglomeração desta faixa etária. 
″Nós temos os cantinhos da escola, onde os jovens podem falar da sua vida sexual, onde os jovens podem testar a sua saúde, onde os jovens podem colocar qualquer dúvida sobre sexualidade″, conta.
No Dia Mundial da Luta contra a SIDA, a Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA está preocupada com a falta de medicamentos e a “altíssima” taxa de abandono do tratamento do HIV em Viana.  
O Secretariado Nacional de Luta contra a Sida diz que há um aumento exponencial de infeções por HIV/SIDA no país. Há falta de meios técnicos, tecnológicos e financeiros para mapear o real número de pacientes infetados.  
As autoridades de Cabo Delgado estão preocupadas com o número cada vez maior de doentes por HIV/SIDA que abandonam o tratamento antirretroviral. Maior número de desistências é composto por homens que temem discriminação.  
Autoridades governamentais de Cabo Delgado lançaram, em Pemba, o Plano Estratégico de Combate à corrupção na província. O instrumento apresenta medidas a serem implementadas na administração pública.
RENAMO e MDM saúdam a prorrogação da missão da força militar da SADC de combate ao terrorismo no norte de Moçambique, mas questionam: “Até quando vamos ter as nossas forças incapazes de conter essas incursões?”
O Ministério Público moçambicano deduziu uma acusação contra o presidente do Instituto de Aviação Civil de Moçambique, João de Abreu, por alegada “gestão danosa” na instituição.
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VALORANT: Redes da FURIA são inundadas com comentários racistas – The Enemy

Foto: Foca e Pedro Pavanato/Riot Games
“Já cobri partida contra time de todo canto do planeta e muito que às vezes vejo um comentário lixo assim. Só contra os vizinhos daqui (LATAM) que chega nesse nível”, disse o social media da organização
As redes sociais da FURIA foram inundadas com comentários racistas, mais uma vez, após o time jogar contra uma equipe LATAM no VALORANT. A denúncia foi feita pelo próprio social media da organização, que reuniu alguns dos comentários recebidos, para ilustrar a situação.
Leia mais:
Na imagem, com os comentários reunidos pelo profissional de mídia, é possível ver que a maioria dos xingamentos são relacionados a “macaco”. Segundo ele, a FURIA enfrenta time de todo o lugar do planeta e ele está sempre nessas coberturas. Acontece de um comentário ou outro ultrapassar limites, mas quando é contra um adversário do LATAM, esses tipos de respostas acontecem em massa.
gostaria de compartilhar com vocês como é lidar com rede social em dia de jogo contra equipe Latam.

já cobri partida contra time de todo canto do planeta, literalmente, e muito que às vezes vejo um comentário lixo assim, só contra os vizinhos daqui que chega nesse nível: pic.twitter.com/zAuMjuyXMJ
Desta vez, o caso aconteceu quando o time enfrentava a KRU, no VALORANT LCQ, em pleno Ginásio Ibirapuera, em São Paulo. A história inteira, no entanto, é anterior a isso e vem desde que Keznit, da própria KRU, chamou Dgzin, da FURIA, que é negro, de “CJ do VALORANT” em alusão ao jogo GTA.
O emblemático caso teve vários episódios e terminou com Keznit sendo suspenso de um jogo do VCT. Na ocasião, brasileiros acharam a penalidade extremamente branda, enquanto a KRU afirmou pelo Twitter que estava sofrendo uma injustiça.
Vale lembrar que no passo o próprio Keznit foi acusado de racismo em outros momentos, quando era profissional de outras modalidades.
A fala de Samuel, social media da FURIA, no entanto, não cita a KRU especificamente. A menção é para a comunidade LATAM, pois há um histórico nisso. Um exemplo disso foi no momento em que a FURIA venceu a 9z no Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO). Mais uma vez, os comentários com o xingamento de “macaco” foram maioria.
Nesta mesma ocasião, bit, brasileiro que jogava pela 9z, pediu para que a torcida parasse com os ataques e principalmente racismo: “Atirar no corpo/chão faz parte do jogo e muitas vezes nós mesmos fazemos. Não sejam burros e muito menos racistas de enviar mensagens para os jogadores da FURIA. Chega, estamos em 2022, amigos“, disse.
Apesar de campanhas para conscientização, de influenciadores e jogadores negros ganharem notoriedade e até das leis que países tem contra discriminação, casos como este, envolvendo racismo, ainda não se tornaram raros nos esportes eletrônicos. Pelo contrário. O que muitos se perguntam é quando coisas como essa ficarão apenas no passado.
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Mãe denuncia caso de racismo contra o filho em Criciúma – Engeplus

Um aluno de uma escola da região central de Criciúma foi alvo de injúria racial. De acordo com Andreia Melo, mãe do jovem, dois colegas de turma chamaram o estudante de macaco em um grupo de WhatsApp. O caso aconteceu no dia 22 de junho, mas ela teve conhecimento em 4 de agosto e na última semana registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia.
Em prints encaminhados à reportagem por Andreia, aparece no grupo a publicação de um vídeo com a legenda “Uga uga eu sou um macaco”. Abaixo, o mesmo rapaz publicou imagem de um macaco e na sequência outro aluno chama uma menina de “macaca feia”. 
“Meu filho estava na sala do diretor e eles fizeram um vídeo e nesse vídeo colocaram “uga uga eu sou macaco” se referindo ao meu filho. E colocaram a foto de um macaco. Teve outras conversas, uma menina foi chamada de pretinha. Minha intenção é que outros alunos vejam que isso não passou em branco. Não há necessidade disso, todos são iguais. Com tanta informação que temos, com os jovens conectados, se prestar a este tipo de atitude é muito triste”, lamenta a mãe da vítima.
A mãe afirma que gostaria de uma retratação dos pais dos alunos envolvidos e da própria escola, porém até o momento isso não aconteceu. “Não se retrataram, nem a escola, nem os alunos, nem os pais deles. Teve apenas uma mãe que mandou uma mensagem para meu marido. É o mínimo que deveriam fazer. Não deveriam ter cometido injúria racial, porém deveria se retratar com minha família e principalmente com meu filho”, explica.
Andreia conta ainda que o filho mudou de turma e está abalado com a situação. Também relata que a escola suspendeu os dois alunos por três dias. “Ano passado soube que aconteceu um caso parecido, mas não me inteirei do assunto. Os pais não fizeram nada. Se lá atrás os pais tivessem tomado a mesma posição que tomei, não teria acontecido novamente. Um grupo de colégio, meninos bem instruídos, fazer uma coisa dessas sabendo que é um crime, é triste. Estamos muito tristes”, afirma.
O Portal Engeplus também entrou em contato com a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami), porém não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
© 1996 – 2022 Engeplus Empresas

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MPE denuncia Célio Alves por discriminação contra Camila Toscano – R7

RECORD TV
JORNALISMO
VARIEDADES
Portal Correio | por Portal Correio
O Ministério Público Eleitoral (MPE) ofereceu, nessa terça-feira (16), denúncia contra o ex-secretário executivo do Orçamento Democrático do Estado, Célio Alves. Em entrevista a uma rádio no interior da Paraíba, Célio Alves diz existir “uma deputada da região que parece uma youtuber, uma digital influencer”. “Ela acha que ser deputada é tá mostrando a cor do cabelo, o tom da maquiagem…
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Carregando…
Cidades

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'Volta para tua terra': xenofobia contra brasileiros em Portugal sobe 505% em 5 anos – Jornal Correio

“Você não é gente como nós. Brasileiro de merd…. Aqui não é seu lugar”. É difícil encontrar um brasileiro vivendo em Portugal que nunca tenha ouvido ao menos alguma dessas frases. No final, todas acabam sendo variações daquele que talvez seja o insulto que parte dos portugueses mais frequentemente direcionam aos brasileiros: “volta para tua terra”. 
Esse tipo de recepção não é necessariamente novidade, mas os indícios mais recentes são de que a xenofobia tem feito uma escalada dramática no país – e, assim, os brasileiros, que representam o maior número de imigrantes por lá, acabam indo parar no centro do problema. 
No último dia 6, em um dos episódios recentes mais graves, o baiano Douglas Rosa, 36, que mora no país há três anos, foi espancado em uma boate na cidade do Faro. “Eu gosto muito de Portugal, amo muito, mas não sei agora se é um lugar tão seguro”, diz a esposa de Douglas, a auxiliar de cozinha Gislaine Rosa, 33.
Para Douglas, porém, o seu caso trata-se de um caso isolado.
“Minha vida no país não muda muito. Infelizmente, a noite em Portugal se torna um pouco violenta, mas no dia a dia, onde eu vivo com minha família, não chega nem perto daquilo que aconteceu”, conta, em vídeo enviado ao CORREIO na última sexta-feira (19). 
Ele diz esperar que as providências sejam tomadas. “Fora esse acontecimento, que foi devido a uma atitude covarde e isolada de seguranças que não justificam o nome que carregam, é trabalhar para buscar e alcançar o que viemos buscar aqui”, acrescenta. 
No último relatório da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial, divulgado este mês e referente a 2021, a entidade, que é ligada ao governo português, traçou um perfil das vítimas de 408 denúncias de discriminação racial recebidas ao ano passado. A maioria era de “pessoas de nacionalidade brasileira”, que respondiam por 109 queixas – 26,7% do total.
Em 2017, a nacionalidade brasileira era apontada como motivo de 18 queixas – 10,1% do total, ocupando a terceira posição. Ao todo, em cinco anos, as denúncias de xenofobia contra brasileiros aumentaram 505%. 

Incentivo
Ao mesmo tempo, o número de brasileiros em Portugal bateu recorde este ano. Só nos primeiros seis meses de 2022, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) contabilizou 250 mil brasileiros vivendo legalmente no país. Esse número não inclui brasileiros com cidadania portuguesa ou de outro país da União Europeia, nem brasileiros sem documentação. 
Em julho, o parlamento português aprovou novos vistos que devem facilitar ainda mais a permanência de brasileiros no país – inclusive uma modalidade que permite permanecer em Portugal por até seis meses procurando trabalho. 
Somando também os turistas, a estimativa é de que a população brasileira em Portugal pode chegar até a 500 mil pessoas, como explica a professora Mariana Selister Gomes, doutora em Sociologia pelo Instituto Universitário de Lisboa e professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 
“Sempre a população brasileira foi a mais preponderante  em Portugal, principalmente por causa da língua, dessa proximidade cultural histórica. Mas especificamente esse aumento está relacionado à crise econômica, política e social que a gente vem enfrentando desde 2016. É uma crise em vários níveis, ao mesmo tempo que Portugal se reergue de uma crise”, explica. 
Dificuldades
Muitos imigrantes têm dificuldade justamente com a língua, o que pode frustrar as expectativas. A população, de forma geral, não considera que os brasileiros falam a mesma língua que os portugueses. Nas universidades, são frequentes os relatos de estudantes que não podem escrever com o português brasileiro. Segundo Mariana, é algo que vai além de diferenças de sotaque. 
“Eles dizem que a gente fala ‘brasileiro’, que não é a mesma língua, que não é a língua de Camões. Inclusive, dizem que a gente estragou a língua, que não entendem o que a gente fala. Muitas vezes, fazem questão de não entender”, pontua. Após a pandemia da covid-19, porém, a imprensa portuguesa noticiou que muitos pais estavam preocupados com a influência de youtubers brasileiros na fala de seus filhos. 
Há, ainda, outro tipo de problema. Não é incomum que proprietários se recusem a alugar imóveis para brasileiros. Outros cobram muitos meses de antecedência para ‘garantir’ o pagamento, como explica a pesquisadora Cynthia Luderer, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, que fica em Braga. 
“Se liga para ter informações e expressa o sotaque do Brasil, é grande a chance de receber muito mais ‘não’. Trabalho, a depender da área, também é complicado.  Mas na restauração já ouvi muitos elogios em relação aos brasileiros, assim como na construção. Mas em algumas áreas,  devido à questão da língua,  as barreiras são bem complicadas”, admite ela, que tem estudos sobre consumo alimentar, hospitalidade e lufosonia.
Para Cynthia, há um certo de ‘cheiro’ de nacionalismo no ar, que poderia contribuir também para o aumento da xenofobia. No período de maiores restrições da covid-19, por exemplo, havia campanhas em favor de uma ‘portugalidade’ e os objetos ganharam selos com as cores da bandeira portuguesa mais recentemente. Até em mercados, há um estímulo a um ‘consumo local’. 
“Ainda que seja uma bandeira sustentável, podemos vincular esses discursos a um apelo  que já se percebe no campo político com o avanço do partido de extrema direita, que se sobressaiu na última eleição”, diz. 
História 
Para as mulheres, a xenofobia muitas vezes se apresenta como assédio sexual. Na sociologia, isso se explica pela chamada colonialidade de gênero, de acordo com a professora Mariana Gomes, da UFSM. No período colonial, as mulheres eram vistas como corpos disponíveis. As negras e indígenas seriam disponíveis para o trabalho e para atividade sexual. As brancas eram corpos disponíveis sexualmente, mas também reprodutores. 
Já os homens negros eram os corpos disponíveis para o trabalho. “Então, nós temos aí uma intersecção dessas dimensões raciais e de gênero. Há uma estrutura de dominação simbólica, cultural e psicológica de exploração física sobre as mulheres e principalmente, as mulheres negras e  indígenas”, afirma. 
Essa opressão se reproduz ao longo dos anos de modo que, hoje, em Portugal, todas as mulheres brasileiras são vistas  como corpos coloniais disponíveis. Segundo ela, que desenvolve o conceito em sua tese de doutorado, é por isso que brasileiras são comumente vítimas de assédio em Portugal, independente de suas características, idade ou realidade. 
“Isso se reflete até hoje nessa colonialidade, que é essa visão que o português tem de superioridade sobre os brasileiros. Quando isso é atravessado por gênero, como a gente já tem uma sociedade patriarcal, onde os homens em geral veem as mulheres como sua propriedade,  a gente tem isso duplamente afetando as mulheres brasileiras”, acrescenta. 
De acordo com a pesquisadora Juliana Iorio, doutora em Geografia Humana – Migrações, a imigração brasileira para Portugal teve ondas. Entre os anos 1980 e 1990, por exemplo, o país teve a chegada de brasileiros bem qualificados, incluindo profissionais como publicitários e dentistas. Já alguns anos depois, foi a vez de uma nova leva de imigrantes brasileiros, no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, que foram para trabalhar em setores como a construção civil e o comércio. 
Com a recessão que Portugal enfrentou a partir de 2008, as taxas de desemprego subiram, enquanto o Brasil ainda vivia expansão econômica. Assim, muitos brasileiros que lá moravam retornaram, segundo a investigadora científica do Instituto de Ciências Sociais e do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, ambos na Universidade de Lisboa. 
“Mas foi também a partir de 2008 que a comunidade de estudantes brasileiros no ensino superior passou a ser a maior comunidade de estudantes estrangeiros em Portugal. Por um lado, houve incentivos do governo brasileiro para se estudar no exterior e, por outro lado, houve políticas de internacionalização das universidades portuguesas, já que estas precisavam dos estudantes internacionais para se manterem”, explica. .
Penalidade
Pela lei portuguesa, é crime cometer atos de discriminação de origem racial, religiosa ou sexual. De acordo com o advogado Dartagan Luedy, especialista em advocacia de imigração, dentro desse espectro, é possível reconhecer o crime de xenofobia, com penas que variam de seis meses a oito anos. Já o assédio sexual seria considerado crime de importunação sexual. 
“A lei não prevê especificamente uma pena para o assédio sexual derivado da xenofobia, mas não há impedimento de que estes dois tipos penais sejam reconhecidos em um ato contínuo, podendo o acusado ser tornar-se arguido pela justiça para responder pelas duas práticas”, afirma ele, que é natural de Vitória da Conquista e vive em Portugal desde 2018. A pena pode ser de até um ano de prisão. 
O advogado explica que o primeiro passo, ao ser vítima de uma situação de xenofobia, é denunciar às autoridades policiais e solicitar o registro da ocorrência. A denúncia deve ser compartilhada com a Cicdr, que vai garantir o acompanhamento da aplicação da lei. Para ele, a investigação das denúncias desses crimes ocorre em várias etapas e depende também da mobilização das vítimas. Se isso não acontecer, é possível que sejam arquivadas. 
“O desfecho da investigação, para além de depender do acompanhamento do processo pela vítima, é significativamente alterado de acordo com a percepção pública sobre o caso. Este pormenor se mostra evidente quando personalidades artísticas estrangeiras sofrem com xenofobia em Portugal. Nestes casos, a relevância da vítima junto aos meios de comunicação social, oportuniza que a prática criminosa esteja presente nos noticiários, e por sua vez, receba uma atenção maior das autoridades responsáveis”, completa.
Confira os depoimentos de cinco brasileiros que vivem em Portugal
“Todo estrangeiro aqui sofre um pouco. São casos de senhorio que não querem arrendar apartamento porque você é brasilero. As portuguesas de mais idade têm ciúmes de brasileiras porque, na antiguidade, diziam que brasileiras vinham para cá tomar marido. Então, eu já esperava sentir isso. 
Mas eu não esperava esse nível de agressão, de tentativa de homicídio, que foi o que ocorreu. Esperava ouvir ‘volta para o teu Brasil’, mas não de tentar matar meu esposo. 
Para mim, o que faz piorar é a falta de punição. Ele foi agredido por seguranças de uma discoteca. Apesar de eu chamar a polícia na hora, de ter um agressor, de ter testemunhas ao redor que viram chutando o rosto do meu esposo, continuaram lá.
Gislaine e Douglas moram em Portugal há três anos; ele é natural de Ilhéus, ela de Santo Antônio de Jesus
(Foto: Acervo pessoal)
Os vistos facilitaram para brasileiros, mas muitos vieram e já voltaram, porque, quando chegam aqui, levam um susto. A gente trabalha nove, dez horas por dia. A gente aqui tem vida melhor, mas trabalha mais. 
No Brasil, a gente tinha uma vida já. Ele tinha oito anos nas Lojas Americanas, trabalhava como supervisor, meus filhos estudavam, mas a área que a gente morava era um pouco perigosa, em Ilhéus. Morava em um lugar complicado, de o pessoal andar com arma na mão e meus filhos terem que ver aquilo. A gente abriu de tudo pela segurança, para ter uma educação melhor. Não me arrependo de ter vindo, mas tem que ter mais justiça para esse tipo de crime que,  infelizmente, existe muito. 
Fui ver os comentários do caso dele e vi muitas situações iguais. Outras pessoas falando que já passaram por situações assim. 
Olha que eu gosto muito de Portugal, amo muito, mas não sei agora se é um lugar tão seguro. Portugal, nas pesquisas, sempre aparece como terceiro ou quarto país mais seguro no mundo, mas você assiste os jornais e vê que tem muito caso de morte, de violência doméstica. 
Agora eu não sei se a gente migra para outro país ou se a gente tenta pelo menos esquecer essa fase e ver como os meninos vão se comportar, porque acho que para eles é pior que para a gente. Meu filho mais novo teve um surto emocional quando meu esposo chegou em casa com o rosto muito inchado. Ele desmaiou, teve vômito. Temos que ver como eles vão reagir daqui em diante”.
Gislaine Rosa, 33 anos, auxiliar de cozinha e esposa de Douglas Rosa. Vive em Portugal há três anos com a família
“Cheguei a Portugal no final de 2016 com o objetivo de estudar. Entrei no país por Lisboa, para fazer um curso de Proteção Civil na cidade de Tomar. Fiz o curso por um ano, quando surgiu uma oportunidade de trabalho em Lisboa. Em meados de 2017, me mudei para a capital, onde comecei a trabalhar na empresa que estou até hoje. 
Já cheguei aqui sabendo que o povo português é bastante frio – pelo menos as pessoas do Sul do país, no caso, de Lisboa. Com o passar do tempo, a gente se acostuma ainda mais com essa frieza, amargura e drama dos portugueses de Lisboa e a alegria do povo do Norte, no caso, Porto, Braga, Guimarães, etc.. Talvez isso seja explicado por conta do alto número de idosos da parte Sul, e da quantidade de jovens da parte Norte.
Esperava situações de xenofobia, mas não imaginava que, nesses quase seis anos, pudesse acompanhar de perto um crescimento descomunal da xenofobia, principalmente contra brasileiros, povo que é considerado ‘irmão’.
Trabalho numa empresa de telecomunicações, a NOS, que é como a Oi, a TiM ou a Vivo no Brasil. Trabalho com relacionamento ao cliente e é uma atividade um tanto complicada, porque a gente tem que lidar com situações de avarias, satisfações, é um relacionamento ao cliente mesmo. Eu já peguei muitos clientes que não gostam, de fato, de serem atendidos por brasileiros porque acham que nós, pela cultura, vamos fazer algum tipo de trambique ou enganá-los de alguma forma. E não é nada disso. 
Fora isso, as humilhações, xingamentos, ‘volte para o seu país’, ‘brasileiro de merd…’, ‘aqui não é o seu lugar’. Já aconteceu de eu pedir para a minha coordenação a gravação da chamada para poder agir, para levar o cliente ao tribunal por declarações xenófobas, mas não tem uma lei específica para isso. Dá liberdade para que as pessoas façam dessa forma, veja o que aconteceu com os filhos de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Já aconteceu comigo, com outras pessoas que chegam aqui para a gente. Comigo foi basicamente uma situação de xingamentos e você fica impotente. Não é só contra brasileiros, indianos, pessoas da África, outras nacionalidades também. 
Bruno já passou por situações de xenofobia no trabalho
(Foto: Acervo pessoal)
Todas as situações marcam, pois acabam por mexer com sentimentos. As que mais doem são quando dizem para ‘voltarmos para o nosso país de m…., onde só existem favelas e favelados’. Dizem que só estamos aqui para passar tempo e acabar com o país deles.
São vários fatores para a xenofobia. Mas creio que, no caso dos brasileiros, isso se explica pelo alto número de pessoas que migraram para cá nos anos 70 e 80. Dizem, no caso das mulheres, que eram prostitutas, que vieram para fazer vida e ‘roubar’ o marido das portuguesas; no caso dos homens, falam da questão dos golpes aplicados na praça. De acordo com alguns amigos portugueses, muitos brasileiros que vieram pra cá nessa época e que ainda vivem por aqui enriqueceram de forma ilícita, através desses golpes, principalmente em idosos. 
O número de brasileiros aumentou bastante. A crise econômica do Brasil e a pandemia ajudaram muito no aumento da imigração. Mas, se algum dia decidir me mudar daqui, não vai ser por conta de xenofobia, até porque na Europa inteira existem casos. Se um dia vier deixar Portugal será para adquirir novas experiências e conhecer outras culturas”.
Bruno Amaral, 37 anos, jornalista e supervisor empresarial da operadora NOS
“Estava morando na Argentina há mais de um ano e decidi vir para cá fazer um mestrado, em 2017. Os primeiros anos foram bastante difíceis. Há um abismo cultural muito forte que tendemos a relativizar por falarmos a mesma língua, mas os portugueses são absolutamente diferentes de nós. Tive muitas questões com portugueses que conduziam seu tratamento a partir de um estereótipo de mulher brasileira.
Manuella se mudou para fazer um mestrado
(Foto: Acervo pessoal)
Achei que por estar em um ambiente acadêmico, estaria blindada, mas isto é uma grande ilusão pois a academia em Portugal é excessivamente conservadora. Fui convidada mais de uma vez no ponto do ônibus da universidade para uma casa de prostituição e isso ocorreu após me ouvirem falar e constatarem que eu era brasileira. Também fui abordada por um senhor na padaria na rua da minha casa que me disse que sabia que eu era brasileira e se convidando pra subir no meu apartamento para um programa.
A xenofobia existe para todo cidadão estrangeiro, entretanto é muito potencializada em Portugal para cidadãos naturais das ex-colônias portuguesas. Portugal até 1974 ainda estava na condição de colonizador e a cultura colonial ainda é muito arraigada na população, que tende a nos olhar como povos inferiores que existem para servi-los.
A ideia para os livros veio porque estávamos extremamente incomodados com o crescimento da extrema direita em Portugal, e por consequência, desta lógica fascista crescendo nas ruas também, muito parecido com o que ocorreu no Brasil.
Manuella organizou duas antologias chamadas ‘Volta para tua terra’
(Imagem: Reprodução)
Decidimos que seria importante um livro que trata sobre esta subjetividade do cidadão estrangeiro que vive aqui, abordar temas que são espinhosos, como esta questão do racismo e principalmente desta memória colonial, para além da importância de juntar poetas e escritores num circuito de produção imigrante independente.
A frase ‘volta para tua terra’ é um grande contrassenso, principalmente em Portugal que é um dos países mais envelhecidos da Europa e necessita dos imigrantes, que são quem sustentam a economia do País. Sem os imigrantes, Portugal não seria nada, porque não há mão de obra. Porém, ouve-se isto na rua o tempo inteiro, como se tivéssemos roubando os empregos deles, empregos que eles, no geral, não querem. Manda-se voltar para tua terra todos, inclusives os portugueses racializados, nascidos e criados aqui, como é o caso do ator Bruno Candé, que morreu assassinado aos gritos de Volta para tua terra, mas que era português, mas era negro e por isto estaria no país errado. Este país desabaria sem a imigração de uma população que eles seguem estimulando que venha, enquanto política de estado, e explorando de forma precarizada, ao mesmo tempo que mandam voltar.
A xenofobia cresceu muitíssimo, mas atribuo este fenômeno ao crescimento da extrema direita na política. Desde o Trump, vemos uma crescente disto em todo mundo. Aqui em Portugal, quando cheguei em 2017, havia apenas um parlamentar da extrema direita, o ‘Bolsonaro Português’. Hoje, há 14 deles eleitos no parlamento. Esta crescente se reflete nas ruas. Quanto mais se legitima o discurso institucionalmente, mais o cidadão nas ruas se sente à vontade para agir e atuar. Nos dois primeiros anos, eu queria ir embora todos os dias, hoje em dia eu só quero mesmo ficar aqui dizendo muitas coisas incômodas, chateando e ocupando os espaços que não é suposto que imigrantes ocupem. Não vou embora, não, só se me expulsarem. Eles que lutem”.
 
Manuella Bezerra de Melo, 39 anos, escritora, investigadora e curadora independente. Organizou dois volumes da antologia Volta Para Tua Terra, publicados em 2021 e 2022, com escritos de autores estrangeiros residentes em Portugal

“Decidi, em 2018, fazer as minhas malas e seguir o sonho de trabalhar com cinema. Já tinha anos trabalhando no ramo da moda e decidi começar esse novo caminho. Então, ao chegar aqui, já cheguei legal, com visto, e comecei a estudar Cinema Documental em Lisboa.
Quando eu cheguei aqui, sentia alguns olhares, principalmente de homens. Tinha também a falta de informação para com os imigrantes. Eu tinha medo de ir (nos órgãos de) na segurança social, de ir nas finanças, porque eu sabia que eles não iam ter paciência comigo. Não olhavam no meu olho. Eu senti que eu era um fardo ali, tirando meu NIF, meu número da segurança social, por exemplo.
Amanda vive com o filho Caetano em Portugal; ela dirigiu documentário sobre mulheres imigrantes
(Foto: Acervo pessoal)
As pessoas desconfiam muito quando uma brasileira, mãe de um menino de dois anos, como é o meu caso, mora sozinha. Uma vizinha uma vez me parou na rua e perguntou como eu pagava as minhas contas. Esse tipo de pergunta não se faz, do nada. Eu sabia que aquela pergunta tinha um significado por trás.
A situação que mais me deixou assustada foi quando eu estava em um Uber. Já eram 23h, eu tinha estado com alguns amigos e, na hora de ir pra casa, como eu estava com meus equipamentos e notebook, decidi ir de Uber. A viagem ia durar 40 minutos, porque moro fora de Lisboa. O Uber no início parecia ok. De repente, ele mudou a rota e estava me levando pra algum lugar que eu não sabia onde. Na hora, entendi o que estava acontecendo, agarrei as minhas coisas e, com o carro em alta velocidade, eu saltei. Cai no chão duro do asfalto, com a chuva no meu rosto, em choque. Um casal parou o carro e disse que era pra eu entrar, por que eles viram tudo. Me deixaram em casa. Eu poderia estar morta hoje.
O que eu acho da xenofobia? Um retardo social. Eu decidi fazer o documentário Voz porque teve uma época da minha vida que eu conheci mulheres maravilhosas. Mulheres que abandonaram tudo no Brasil e hoje estão aqui em Portugal trabalhando para conseguir dar uma vida digna para quem ficou no Brasil. Eu estou falando de mães, de mulheres que têm sonhos de estudar, de crescer, de ter segurança. A ideia sempre foi trabalhar com cinema que incomoda, cinema ‘pé no chão’. Se o meu filme causar algum tipo de desconforto, aí eu estou fazendo certo.

E o que causa mais desconforto, senão um documentário de 15 minutos, com cinco mulheres soltando a voz, desenrolando tudo o que estava preso durante anos, meses? Os preconceitos que sofreram até para conseguir alugar um quarto. E ele (o filme) incomodou, inclusive, foi censurado em alguns locais. Atualmente estou produzindo um novo, que é sobre Mães Solteiras. Espero que incomode também, e não é só incomodar, é mostrar algo que precisa ser mudado.
Não penso em sair de Portugal, por enquanto. Eu tenho um filho de dois anos, Caetano. Ele estuda aqui, tem uma ótima educação. A família dele está aqui, então vou ficar”.
Amanda Boussard, 30 anos, assistente de direção e produção de cinema. Escreveu e produziu o documentário Voz, sobre imigrantes brasileiras em Portugal
“Faço dez anos em Portugal agora em setembro. Vim na época que minha irmã estava fazendo mestrado aqui. Já estava fazendo arquitetura no Brasil e experimentei me candidatar por transferência a algumas universidades. Passei em algumas e vim para Lisboa, porque era onde minha irmã estava. Nesse momento, já concluí o curso, o estado de admissão na ordem dos arquitetos e já trabalho como arquiteta. 
Já tinha ouvido falar na questão da discriminação com brasileiros, mas confesso que na época eu estava muito verde. Quando eu estava na época ainda da faculdade, eu nunca me senti sendo tratada mal por ser brasileira, até porque o pessoal mais jovem se comporta de outra maneira em relação a esse assunto, mas obviamente de vez em quando eu escutava alguns comentários. Quando tínhamos alunos estrangeiros de países como Inglaterra, Itália ou onde quer que fosse, que acabava por falarmos em inglês, vinham com comentários tipo ‘ah você é brasileira e fala também inglês? ah, você nem parece brasileira’. 
Gabriela mora há quase dez anos em Lisboa
(Foto: Acervo pessoal)
Teve uma situação que aconteceu no meu apartamento que foi delicada. Me mudei para esse apartamento, que foi comprado pelos meus pais. Mal eu me mudei, até antes de eu me mudar, tenho uma vizinha que me persegue a nível de xenofobia muito forte. No início, ela reclamava muito de barulho, só que eu não fazia barulho. 
Ela dizia que era eu e havia muita discussão. Ela me chamava de nomes, investigou minha vida, descobriu o endereço dos meus pais no Brasil, mandou cartas para eles, foi uma perseguição autêntica. A coisa estava tão insustentável que eu fiz queixa na polícia e tive que arranjar uma advogada para colocá-la no tribunal. Ela foi condenada pelo crime de injúria, apesar de ter sido denunciada por mais de dois crimes que foram arquivados, que foram de devassa da vida privada e discriminação racial. Apesar de terem sido arquivados, ficou na nota do processo que o crime de injúria tinha realmente cunho racista e xenófobo porque ela me chamava de nomes.
Ela dizia coisas do tipo ‘volta para sua terra, você não é gente como nós’. Teve um momento em que ela perguntava muito se eu era portuguesa, ou seja, se eu tinha a cidadania portuguesa. Cheguei a ouvi-la conversando com a polícia dizendo que já tinha tentado ir ao SEF, que é o serviço de imigração, para me expulsar de Portugal. Inclusive, ela já tinha dito que ia me expulsar de Portugal na minha cara. Teve uma série de coisas direcionadas ao fato de eu ser brasileira. Ela diminuiu, mas nunca parou. 
Quando eu comecei a estagiar, diria que meu terceiro dia de trabalho, estava todo mundo na copa e teve uma mulher que começou a partilhar um vídeo como se fosse engraçado. Era do programa do Ratinho. Eram várias mulheres fazendo perguntas e respostas. Elas respondiam tudo errado e eram perguntas super bobas.
Eu não achei engraçado, mas estava todo mundo rindo disso e uma das pessoas disparou a falar, começou  dizer ‘as brasileiras são assim. São muito bonitas, são muito boas, são simpáticas, mas são muito burras’. Depois, outra pessoa começou a dizer ‘cuidado, não pode mais fazer piada com brasileiro, a menina nova é brasileira’.
Acho que pode ter a ver com o perfil que somos associados, como também a  imagem que o Brasil vende para o exterior. Isso é conflituoso, porque obviamente eu quero que o Carnaval tenha visibilidade, que o futebol, a festa, a alegria tenham, mas eu gostaria que outras coisas também tivessem, como o investimento em tecnologia, em pequenas em novas empresas, em iniciativas sociais. Mas essas coisas não vêm à tona e acabamos ficando estereotipados”. 
Gabriela Carvalho, 30, arquiteta morando em Lisboa
***
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Retornados – Observador

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É reconfortante para todos nós, esquecidos no tempo, ouvir falar dos retornados.
Hoje o programa Conta-Corrente, na Rádio Observador, dedicou parte da sua emissão ao tema “Quem são os nossos retornados”. Foi uma emissão de partilha, cheia de emoção e memórias de quem deixou África, mas onde para sempre o seu coração permanecerá.
Agradeço à Helena Matos e ao José Manuel Fernandes o tempo dedicado. Relembrou-nos África do espírito livre e inconformado, cores e cheiro da terra molhada.
Quem não tem no seio familiar pelo menos um retornado?
Foram milhares os retornados e milhares os refugiados das províncias ultramarinas.
Foram milhares aqueles que utilizaram as famigeradas pontes áreas onde os dias de espera por um lugar se transformavam em anos, a tristeza em revolta e a dor em gigante Adamastor.
Durante anos, a palavra Retornado foi utilizada de modo segregacionista e acutilantemente perversa, com sentido depreciativo para quem se queria dirigir aos… “brancos de segunda” e àqueles que… “vieram tirar-nos o trabalho”.
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Vítimas de discriminação e bullying de uma sociedade decadente, na maioria pouco culta, e que via nos retornados uma ameaça nunca dissimulada, mas também nunca verificada.
Foram anos de segregação, ressentimento e discriminação. Anos difíceis para quem é jovem e para quem escolheu que a vida deixasse para trás os amigos, a família, a casa, o seu povo.
Recordo vagamente estes brindes, na memória guardo apenas o que me aquece a alma e o coração; para a minha África, para o meu povo e cheiro da terra molhada.
Relembro turmas só com filhos de retornados porque a “turma dos bons alunos” não se podia imiscuir connosco. Rotulados com o que tínhamos (nada) rapidamente mostrámos que não importa ter, mas sim ser e, poucos fomos os que não venceram na vida.
Mostrámos quem éramos e donde viemos, refugiados de uma guerra para a qual não tínhamos sido consultados e sobre a qual nada ou pouco sabíamos, acordos de Lusaka, 25 de Abril e pouco mais.
Exceções à parte fomos respeitadores dos costumes e tradições de cada povo, amámos e fomos amados, demos, mas também recebemos, sobretudo amor dos povos que era o também o nosso.
Recomeçar não é fácil, sair da zona de conforto pior. Foram tempos de angústia, dor, para muitos, desespero fatal para outros, de ver vidas de trabalho perdidas, de família desagregada, de amigos até hoje nunca encontrados.
Muitos retornaram, mas a maioria, refugiados, ou brancos de segunda, souberam fazer o que melhor possuem do ADN de quem por África viveu. Trabalhar!
A força, determinação, resiliência, espírito de luta para superar adversidades e FÉ, fazem parte do ADN de todos quantos retornaram e a maioria mostrou essas capacidades e do nada fizeram tudo.
Uma sociedade evoluída, vê-se pela forma como acolhe os seus.
Mentes abertas e livres, cedo percebemos a prisão em que mentes estagnadas em preconceitos doentios e moribundos viviam.
Habituados à liberdade, à luta, à fraternidade e à igualdade entre diferentes cor de pele, sim, fomos criados a conviver e respeitar todos independentemente da sua origem, a nossa sociedade era jovem e, na maioria dos casos, sem preconceitos sociais e raciais.
Viemos sem medo e com esperança, de coração aberto e certos que a incerteza rapidamente se tornaria certeza e uma aliada para a vida.
Catapultámos a dor em amor, a perda em trabalho, a mágoa em resiliência e apesar de todas as barreiras institucionais, familiares e sobretudo sociais, silenciosamente, e sem apoios financeiros importantes e ou permanentes, mas com espírito lutador, empreendedor e resiliente, recomeçámos uma nova vida.
Apesar de tantas vezes insultada e humilhada, digo orgulhosamente que nasci em África, aplaudo de pé todos os que não conseguiram superar a perda, mas sobretudo aqueles que tiveram a coragem de partir para África e lá recomeçarem uma nova vida, pois só esses nos permitiram ser retornados ou refugiados e ter uma vida tão rica e preenchida, com quedas e recomeços, perdas e reencontros.
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Ativistas esperam que presidente Jair Bolsonaro seja responsabilizado por disseminar Fake News ao associar vacina anti-covid à aids – Agência AIDS – Agência de Notícias da Aids


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o relatório da Polícia Federal que disse que o presidente Jair Bolsonaro cometeu incitação ao crime ao associar a vacina contra a Covid-19 com a aids.
A Polícia Federal pediu, também, a prévia autorização de Moraes para “serem formalizados os respectivos indiciamentos nos presentes autos” (entre eles o de Bolsonaro), mas sugeriu que seja aguardado o julgamento dos recursos apresentados pela Procuradoria-Geral da República contra a decisão que determinou a instauração do inquérito, “sob pena de tornar inócuas as providências”.
“Abra-se vista dos autos à Procuradoria-Geral da República, para manifestação quanto aos requerimentos apresentados pela autoridade policial”, determinou Moraes em despacho publicado nesta sexta (19).
A decisão do ministro Moraes está repercutindo entre ativistas da luta contra aids e LGBTQIA+. Eles consideram que o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime ao disseminar fake news e associar a vacina anti-covid à aids. Confira:
Américo Nunes Neto, fundador do Instituto Vida Nova: “O que está por traz de quase quatro anos? Que assistimos um chefe de Estado com narrativas pejorativas, discriminatórias, propagando fake news e ainda com total desinformação sobre diversos assuntos, ele nega a ciência. A justiça deve fazer o seu papel, que ele pague por seus erros e crimes com punição exemplar. A resposta para todas essas infâmias espero que se dê na derrota da eleição presidencial. É preciso mudanças urgentes deste governo, para que tenhamos uma nação com orgulho de ser brasileiro.”
Fabiana Oliveira, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas: “A quantidade de mentiras produzidas pelo presidente antes mesmo do início de seu mandato é assustadora. Estamos a todo tempo correndo atrás de desfazer as notícias falsas, maliciosas e preconceituosas disseminadas por ele. Já não é sem tempo que este indivíduo deve responder e ser punido por seus crimes. Digo crimes porque toda informação falsa, em especial as que dizem respeito a vida e saúde da população, trazem consequências sérias como por exemplo o questionamento sobre a segurança das vacinas contra a covid-19 relacionando-a a aids, o que levou muitos a não se vacinarem e correr risco de morte. Infelizmente, muitas pessoas não filtram notícias e repassam como verdade absoluta. Desejamos que as providências sejam verdadeiramente tomadas pela justiça. Agora é aguardar para ver!
José Carlos Veloso, da Rede Paulista de Controle da Tuberculose: “O senhor presidente da República precisa ser responsabilizado por disseminar falsas notícias que podem aumentar o preconceito e discriminação contra pessoas vivendo com HIV/aids e promovendo um desserviço em políticas públicas de saúde.”
 
 
Toni Reis, diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTQIA+: “Toda vez que uma pessoa comete crime contra a dignidade humana ela deve ser responsabilizada, investigada e ter amplo direito de defesa. Isso é importante. Considero, inclusive, este processo educativo. Para que não se repitam o preconceito, o estigma e a discriminação contra as pessoas que vivem com HIV/aids e não se utilizem disso para se autopromover. Uma atitude extremamente importante do ministro Alexandre de Moraes. Ponto para ele!”
Cássio Rodrigo, coordenador de Políticas para LGBTs de São Paulo: “Para nós que vivemos a epidemia da aids e perdemos muitos amigos queridos, associar a vacina da covid à aids é, além de cruel, uma disseminação do preconceito para com pessoas vivendo com HIV/aids. Pior ainda quando a fala vem de uma autoridade que deveria se preocupar em aprimorar as políticas públicas de saúde e prevenção às doenças. É uma verdadeira irresponsabilidade.”
Javier Angonoa, ativista independente e consultor: “Estou totalmente de acordo que o presidente Bolsonaro tem que ser indiciado por crime, porque um Presidente da República tem que velar pela saúde, pela educação, pelo bem-estar da população. Se eu estou vivo é porque me vacinaram contra muitas doenças, inclusive ele está vivo graças a vacinas. A humanidade está viva graças as vacinas. Este discurso negacionista que ele teve no começo da pandemia de Covid, junto com seus seguidores, foi um discurso que incitava a não vacinação, o discurso anti-ciência, anti-vacina. Associar a vacina ao vírus que causa a aids coloca mais discriminação. Trabalhamos para diminuir o preconceito. Não foi à toa que ele associou ao HIV e não a malária, a tuberculose. O presidente tem que ser indiciado sim pelo que disse.”
Alessandra Nilo, fundadora da ONG Gestos de Pernambuco: “Estamos torcendo na Gestos para que nesta guerra entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e a PGR (Procuradoria Geral da República) ganhe a verdade. Nestes últimos anos nós temos visto o presidente mentir indiscriminadamente, incitar as pessoas aos mais diferentes descumprimentos de leis, questionar a verdade, a ciência , estabelecer um governo negacionista que inclusive nos impede do livre exercício de todos os nossos direitos como, por exemplo, o direito à saúde, que foi o que ele fez durante a pandemia da Covid-19 sendo um presidente negacionista e relapso. É muito importante que o Brasil mostre que ainda tem instituições confiáveis que fazem parte do conjunto de órgãos que foram criados e estabelecidos para fazer contrapeso e desta forma garantir algo essencial que é nossa democracia. Infelizmente temos visto uma PGR que não defende os interesses públicos, que não tem cumprido seu papel. Temos visto um Procurador Geral da República que é apenas subserviente ao presidente da República. Esta é uma situação gravíssima. É muito interessante que isso também tenha acontecido em relação a uma inverdade dita sobre o HIV/aids, que levou as pessoas a não se vacinarem porque justamente as pessoas afetadas pelo HIV/aids são aquelas que o presidente deixou mais para trás. Aquelas com as quais ele mais estabeleceu processos de racismo, de lgbtfobia, de discriminação, as mulheres, as pessoas mais pobres. Então, toda nossa comunidade que trabalha com HIV e aids espera este presidente sair para sermos uma referência mundial, como fomos um dia, no campo tanto da prevenção como da assistência às pessoas que vivem com HIV e aids. A aids é uma pandemia marcada por muito preconceito e discriminação e é inadmissível que o presidente de um país como o Brasil que sempre foi uma referência nesse campo se comporte como ele se comportou. A gente espera que seja a aids punir o presidente. A gente espera que isso aconteça.”
Veriano Terto Jr. vice-presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids): “Eu acho que o mais preocupou em mais esta declaração do presidente Bolsonaro contra as recomendações e normativas de saúde que o próprio governo estabelece, é a impunidade e a repetição de quantas vezes isso acontece. Nada de responsabilização até então, a não ser repercussão na imprensa. Existe uma impunidade total e as manipulações, fake news, opiniões sem nenhum fundamento científico. Será encaminhado para a Procuradoria Geral da República e vai chegar lá e será mais uma letra morta. Este tipo de situação é triste só vai afastar mais ainda os 30% que apoiam que são vulneráveis. É triste o momento que atravessamos.”
 
Entenda o caso

O presidente disse, em live no dia 21 de outubro de 2021, que a população do Reino Unido estaria “desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida [aids]” após a imunização completa contra o novo coronavírus. A afirmação é falsa, e não há qualquer relatório oficial que faça essa associação.
Na ocasião, ele leu um trecho de uma notícia da revista Exame que foi publicada em outubro de 2020 com o título “Algumas vacinas contra a covid-19 podem aumentar o risco de HIV?”. A matéria afirma que pesquisadores estavam preocupados que algumas vacinas que usam um adenovcovidírus específico no combate ao vírus SARS-CoV-2 podiam aumentar o risco de que pacientes sejam infectados com HIV. No entanto, a revista diz que, até aquele momento, “não se comprovou que alguma vacina contra a covid-19 reduza a imunidade a ponto de facilitar a infecção em caso de exposição ao vírus.”
Na mesma transmissão ao vivo, Bolsonaro afirmou, citando um suposto estudo atribuído ao imunologista Anthony Fauci, que “a maioria das vítimas da gripe espanhola não morreu de gripe espanhola, mas de pneumonia bacteriana causada pelo uso de máscara”. Na época, as máscaras eram obrigatórias em locais públicos.
Na quarta-feira, 17 de agosto, a PF pediu a Moraes autorização para tomar o depoimento do presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga a fala dele em que relaciona a vacina contra a Covid-19 à aids.
A delegada Lorena Lima, que conduz a investigação, também pediu para prorrogar a investigação para adotar mais providências (como colher o depoimento do próprio Bolsonaro).
No entendimento da delegada, Bolsonaro “disseminou, de forma livre, voluntária e consciente, informações que não correspondiam ao texto original de sua fonte, provocando potencialmente alarme de perigo inexistente aos espectadores”.
Leia também:
Polícia Federal indica intenção de crime em fala do presidente Jair Bolsonaro ao associar vacina da Covid a contrair HIV
Ativistas e especialistas dizem que presidente Jair Bolsonaro deve responder criminalmente por associar vacina anti-Covid a aids e que combater fake news é um ato de cidadania
Ministro Alexandre de Moraes envia à PGR pedido da PF para indiciar Bolsonaro por associar vacina contra Covid à aids
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dicas de entrevista
Instituto Vida Nova
Tel.: (11) 2297-1516
Rede Paulista de Controle da Tuberculose
Tel.: (11) 99176-1733
Toni Reis
E-mail: tonireisctba@gmail.com
Cássio Rodrigo
E-mail: politicaslgbt@prefeitura.sp.gov.br
Abia
Tel.: (21) 2223-1040
Gestos
Tel.: (81) 3421-7670
MNCP
Site: www.mncp.org.br
 
 

O estigma relacionado ao HIV e os desafios de saúde mental foram associados ao suicídio entre jovens que vivem com HIV em dois estudos separados da África do Sul e dos Estados Unidos apresentados na recente 24ª Conferência Internacional de Aids.
A TV Futura vai exibir neste domingo (21), a partir das 21h, o terceiro episódio da websérie “HIV 40 anos: Aids e Suas Histórias”, produzido pela Agência Aids. O vídeo traz a trajetória do ativista e empreendedor social Américo Nunes Neto.
A popularização do preservativo interno ou, como é mais conhecido, da camisinha feminina pode ser um passo importante em direção à autonomia de mulheres.
Até 50 mil doses serão disponibilizadas por meio de um programa piloto do governo americano para frear a disseminação da doença no país, que é o mais afetado pelo surto atual.
Para ter não perder as notícias mais recentes, basta preencher o campo ao lado com o seu e-mail e aproveitar.

Av.Paulista 207,3 – Horsa 1 – 8º andar – Cj 822
CEP 01311-300 – Cerqueira César – São Paulo, SP
+55 11 3287.6933 / 3266.2107
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©2018 – Todos os direitos reservados – Agência de notícias da Aids

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Chelsea bane para sempre de Stamford Bridge adepto que proferiu insultos racistas contra Son Heung-min – SAPO 24

O Chelsea proibiu para sempre a entrada no seu estádio, Stamford Bridge, do adepto que proferiu insultos racistas contra o atacante sul-coreano Son Heung-min, do Tottenham, no jogo entre as duas equipas no último domingo, disputado na casa dos ‘Blues’.
“Após o nosso comunicado desta semana sobre os insultos racistas durante o jogo contra o Tottenham no domingo passado, o Chelsea Football Club confirma que identificou e baniu” o adepto, informou o clube no Twitter.
No ano passado, o Chelsea lançou a campanha “Não ao ódio”, contra qualquer forma de racismo, intolerância religiosa e discriminação no futebol.
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'Vamos falar a realidade das coisas': mãe negra conta por que decidiu falar de racismo desde cedo para os filhos pequenos – BBC News Brasil

Crédito, Arquivo pessoal
Joice (de óculos) junto com quatro filhos: escritora afirma que diálogo sobre racismo foi fundamental
Quando os filhos ainda eram crianças, a arquiteta e escritora Joice Berth começou a falar sobre racismo com eles. Para ela, foi também uma forma de reparar uma dificuldade que enfrentou no seu passado: a falta de diálogo sobre o tema.
"Sofri muito racismo na infância e na adolescência. Uma criança negra é muito vulnerável. Quando eu era criança, meus pais sabiam (sobre o racismo), davam algum tipo de orientação, mas não tanto. A família sabia, toda pessoa negra sabe, mesmo quem fala que não sabe. Alguns ficam em negação ou não querem abordar o tema com profundidade", diz Joice, hoje com 46 anos, à BBC News Brasil.
Mãe de quatro filhos, um homem e três mulheres – com idades entre 26 e 20 anos -, ela conta que as conversas com os filhos desde pequenos foram uma maneira de tentar alertar sobre situações que poderiam enfrentar.
"Desde cedo, pensamos (ela e o pai das crianças, já falecido): vamos falar a realidade das coisas e mostrar pessoas negras legais que a gente admira. A gente sempre trabalhou essa coisa de autoestima com eles e de escutar as reivindicações deles", comenta. Conforme os filhos cresciam, diz Joice, as conversas sobre o tema ficavam mais profundas.
O diálogo entre pais e filhos sobre racismo voltou a ser debatido intensamente nos últimos dias após a repercussão de um ato racista contra dois filhos dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. O casal estava em um restaurante em Portugal quando as crianças foram vítimas do ataque.
Fim do Matérias recomendadas
A agressora é uma mulher branca, que, segundo testemunhas, também ofendeu outros clientes negros. Ela foi levada para uma delegacia da Guarda Nacional Republicana, onde prestou depoimento e foi liberada.
Nesta segunda-feira (1/8), a polícia de Portugal confirmou ao Jornal Hoje, da TV Globo, que recebeu uma queixa formal sobre o caso e abriu uma investigação. Ainda segundo o telejornal, a mulher pode pegar uma pena de seis meses a cinco anos de prisão – tudo depende de como a Corte Portuguesa vai enquadrar o caso.
A atriz Giovanna Ewbank disse, durante a entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, que "fala muito sobre" racismo com os filhos.
"É muito cruel pensar que Titi e Bless, que têm 9 e 7 anos, já têm que ser fortes. Que eles já precisam ser preparados para combater o racismo, sendo que com 9 e 7 anos são duas crianças que teriam que estar vivendo sem pensar em absolutamente nada", lamentou a atriz durante a entrevista.
Ewbank disse ainda como o fato de ela ser branca pode ter mudado a forma como foi encarada a sua reação após os filhos serem vítimas do ato racista – a atriz enfrentou a responsável pelo ataque e contou que houve confronto físico.
Crédito, Arquivo pessoal
Joice viveu série de episódios racistas durante a infância e adolescência, mas não sabia como lidar com a situação
"Acho que ela nunca esperava que uma mulher branca fosse combatê-la como eu fui, daquela maneira. Eu sei que eu, como mulher branca, indo lá confrontá-la, a minha fala vai ser validada. Eu não vou sair como a louca, a raivosa, como acontece com tantas outras mães pretas, que são leoas todos os dias, assim como eu fui nesse episódio", disse Ewbank ao Fantástico.
Joice afirma que se uma mãe negra reagisse de forma semelhante à atriz, a situação poderia ter outro contorno. "Se fosse uma mãe negra no Brasil, possivelmente iam depreciar, falar que é doida e agressiva, violenta e ocorreria um racismo triplo, envolvendo as crianças e a mãe."
A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens
Episódios
Fim do Podcast
Para Joice, conversar com os filhos sobre racismo foi um "um processo natural". "Não deveria ser, mas é. Enquanto o racismo reverberar na sociedade, não há como ignorar. É preciso lidar. Sou muito prática. Quando a gente tem que resolver um problema, é preciso resolver a fundo", diz.
Ela relembra que a falta de diálogo com os seus pais em relação ao tema durante a sua infância e adolescência tornou ainda mais difícil enfrentar o preconceito.
"Desde os cinco anos, quando entrei na escola, sofri racismo por conta do meu cabelo. A minha mãe fazia tranças e outras crianças queriam pegar. Os professores falavam que isso tumultuava as aulas. Além disso, sofri várias formas de racismo", relata.
Durante a adolescência e o início da vida adulta, ela concluiu que o racismo não era "coisa da sua cabeça". Isso ocorreu, diz Joice, quando teve contato com o hip-hop e também ouviu outras pessoas negras, como os Racionais MC's, falando abertamente sobre o racismo. "Foi libertador. Vi que não é maluquice, que realmente existia um problema na sociedade e não comigo", diz Joice.
E foi justamente essa ideia de que o problema está na sociedade que ela quis que os filhos entendessem desde pequenos.
"Quando a gente começou a falar sobre racismo, eles (os filhos) ficaram mais quietos e ouviram. Conforme foram vivenciando as coisas, fomos estimulando o debate, até que se tornou uma constante em nossa casa", diz Joice.
Ela se preocupou em incentivar a autoestima das crianças e fazer com que elas aceitassem suas características. "Conversamos também sobre colorismo (que define os negros de acordo com a tonalidade de pele e de outros traços físicos) e explicamos como a condição de ter uma tonalidade mais clara funciona sensivelmente diferente."
Assim como outras tantas crianças negras, não demorou para que os filhos dela encarassem o racismo. Ela conta que eles logo foram alvos de apelidos jocosos e ouviram comentários preconceituosos. Essa situação, diz Joice, fez uma de suas filhas ficar mais calada e perder a vontade de estudar.
"A minha filha chegou chorando porque falaram que o cabelo dela era uma vassoura, disseram que ela não tomava banho e por isso era daquela cor, que os pais dela eram macacos… Precisei fazer uma intervenção maior, fui na escola dela, falei com a diretora e pedi pra chamar os pais dos alunos para fazerem algo. Mobilizei a escola inteira", diz.
Crédito, Arquivo pessoal
"Esse diálogo (com os filhos) pode ser muito precário até porque muitas vezes os pais também estão muito machucados pelo racismo", diz Joice
"Depois do relato dela, outras crianças negras da escola, que era uma escola pública e tinha muitas outras crianças negras, também começaram a falar sobre o que passavam", relembra Joice.
Já em relação ao filho, ela relembra que a situação mais marcante em relação ao racismo aconteceu quando ele foi parado pela primeira vez pela polícia.
"O meu filho começou a ser parado pela polícia aos 17 anos. Lembro que na primeira vez ele chegou em casa meio pálido, extremamente abalado e não falou nada. Tomou banho e não quis comer nada, só deitou. Só depois de dois dias consegui que ele me contasse que foi parado pela polícia", relata.
"Falaram que ele tinha roubado um celular. Ele disse que a sorte foi que isso aconteceu perto de onde ele pegava ônibus e as pessoas que estavam no ponto falaram que ele estava vindo do trabalho. Ele ficou bem mal depois disso e voltou para as atividades normais aos poucos, mas com medo", diz Joice.
Ela reflete que as mães de pessoas negras têm preocupações distintas quando se trata de filhos homens ou mulheres. "Quando é menino, a preocupação é com a abordagem policial. Quando são meninas, a principal preocupação é fazer com que a autoestima delas não seja destruída quando chegarem na idade de namorar."
Mas nem sempre falar sobre racismo é tarefa simples para os pais. Muitos negros podem evitar abordar o tema com os filhos porque ísso também pode ser uma forma de mexer em feridas, avalia Joice.
"Esse diálogo pode ser muito precário até porque muitas vezes os pais também estão muito machucados pelo racismo. Ao mesmo tempo em que falar sobre isso pode ajudar, também pode atrapalhar, porque acaba revivendo traumas dos pais, é inevitável."
"Você vê sua filha chorando porque riram do cabelo dela e acaba lembrando quando riam do seu. Ou quando você vê seu filho sofrendo uma abordagem policial e lembra como ficava apavorada quando isso acontecia com seus irmãos ou com o seu pai", acrescenta.
No caso de Joice, ela frisa que o racismo causou "feridas profundas", que até hoje fazem parte da vida dela. "Mas hoje tenho mais facilidade para falar com as pessoas sobre isso, até mesmo pelos caminhos que minha vida profissional seguiu", pontua.
A arquiteta e escritora destaca: é fundamental entender que o racismo é uma situação que a pessoa negra vive, "não que ela causa".
– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62386331
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