Crimes de racismo aumentaram quase 80% em um ano em Goiás, diz Anuário de Segurança Pública – G1

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EDITORIAL | Racismo é racismo, aqui ou em Portugal — Humanista – UFRGS

Humanista

Giorgia Prates/Brasil de Fato
Já não cabem nos dedos da mão a quantidade de atos racistas violentos que chegam à mídia nos últimos meses. Cada vez mais constantes e indiscretos, parecem que se tornaram parte da rotina. O mais recente é o caso de violência sofrido pela família da atriz Giovanna Ewbank e do ator Bruno Gagliasso. No último dia 30, o casal foi surpreendido com ataques racistas direcionados aos seus filhos Titi e Bless, enquanto passavam a tarde no restaurante Clássico Beach Club, na Costa da Caparica, em Portugal.
Segundo imagens e informações divulgadas na internet, uma mulher branca teria os chamados de “pretos imundos” e também proferido ataques a uma família de angolanos presentes no mesmo restaurante. A reação da mãe, Giovana Ewbank, foi de confronto com a mulher, detida e liberada após pagar fiança.
O vídeo da reação de Giovanna gerou comoção nas redes sociais e reacendeu o debate sobre racismo e o papel de pessoas brancas na luta antirracista. Será que se pais negros tivessem a mesma reação diante de ofensas racistas direcionadas a seus filhos, poderiam manifestar sua indignação sem sofrer represálias ou ainda mais preconceito? O fato de Giovanna e Bruno serem brancos foi o que os possibilitou obter maior apoio em sua defesa dos filhos? Não é possível responder com certeza, mas se pode ter uma ideia – ainda que seja preciso ponderar que não existe nenhuma alegria ou privilégio em precisar defender os próprios filhos de uma violência como o racismo.
O episódio, porém, retrata ainda outros problemas e suscita debates. A começar pelos casos de ataques racistas e xenófobos sofridos por imigrantes brasileiros e africanos em Portugal. O episódio cujas vítimas são Titi e Bless, infelizmente, não é o único em tempos recentes. Com o crescimento da comunidade brasileira em Portugal, organizações da sociedade civil pautam a questão da xenofobia vivida por imigrantes brasileiros. Isso tudo escancara o quanto o racismo não é um privilégio brasileiro, ainda que as nuances se diferenciem a depender do país.
O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, se pronunciou sobre o caso, dizendo ser “inadmissível”, e elogiou a atitude de chamar a polícia, além de pedir para que o caso não represente a população portuguesa na totalidade, que costuma receber bem brasileiros.
Portugal, no entanto, conta com uma legislação sobre o tema mais gentil que a brasileira. A historiadora Joacine Katar Moreira é também autora de um projeto de lei acerca da injúria racial no país e comenta que o projeto nem sequer chegou a ser votado pelo parlamento. A lacuna na legislação da brecha, desse modo, a um tratamento mais brando para episódios de racismo como o que aconteceu com os filhos de Giovanna e Bruno. 
No Brasil, a injúria racial é considerada um crime de racismo que, para além dos ataques e xingamentos com elementos contra à raça, cor, etnia, religião e origem de um indivíduo, torna a violência algo contra a coletividade, é inafiançável e prevê pena de três anos de prisão, além de multa.
Nem por isso, indivíduos com crenças e posições racistas deixam de se sentir cada vez mais seguros para admitir sua intolerância em espaços públicos no Brasil. 
O que é preciso, então, para fazer valer a ideia de que não é aceitável, em hipótese, contexto ou nacionalidade alguma, discriminar pessoas pela sua etnia ou cor da pele?
Talvez, infelizmente, a sociedade vá demorar ainda algum tempo para absorver e empregar essa mentalidade, mas é preciso que todos nós sejamos um pouco mais como Giovanna Ewbank e nos posicionemos com atitudes antirracistas diante de qualquer atitude racista. 
Não é preciso que seja com nossos filhos, amigos ou conhecidos e não precisamos sequer sermos negros para fazer essa defesa. O racismo deve ser encarado como um dos piores crimes contra a humanidade em qualquer nacionalidade e exige atitudes antirracistas de todos nós

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O Humanista é o jornal laboratório da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS
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Jogadores da Premier League deixarão de ajoelhar-se contra o racismo – O Jogo

Jogadores da Premier League deixarão de se ajoelhar contra o racismo
Fotografia: EPA
Capitães da Premier League lançaram um comunicado referindo que não irão ajoelhar-se em todos os jogos, mas sim em momentos específicos da temporada.
Em torno da próxima época, os capitães da Premier League anunciaram em comunicado que não irão mais ajoelhar-se contra o racismo em todos os jogos.
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Os jogadores decidiram fazê-lo em momentos específicos da época, de modo a “amplificar a mensagem que o racismo não tem lugar no futebol ou na sociedade”, enuncia em nota a Premier League.
Ainda no comunicado, a Premier League afere que apoia as decisões dos jogadores e juntamente com os clubes, irão usar esta oportunidade para elevar as mensagens anti-racistas.
Os jogadores irão ajoelhar-se durante a jornada de abertura da temporada, em outubro e março nas jornadas dedicadas à campanha contra o racismo, em jogos do Boxing Day, após a conclusão da Mundial do Catar 2022, na última jornada da Premier League e na final da FA Cup e da EFL Cup.

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Parque de diversões passa a incluir diversidade no treinamento de funcionários após episódio de racismo com crianças – Perfil Brasil

Empresa anunciou que contratará especialistas em direitos civis para ajudar a criar programa de treinamento com funcionários.
O parque Sesame Place, ambientado na Vila Sésamo, nos EUA, anunciou em seu Instagram nessa terça-feira (9) que irá se comprometer mais com a diversidade e respeito após a repercussão de um episódio de racismo envolvendo um funcionário fantasiado e duas crianças negras. O Sesame Place recebeu um processo milionário pelo ocorrido.
O episódio citado ocorreu no dia 18 de julho, um domingo, enquanto uma família visitava o Sesame Place com duas crianças. Durante um desfile dos mascotes pelo parque, a mãe das meninas filmou o momento em que elas se aproximam para cumprimentar um personagem, mas esse gesticula e diz ‘não’ para elas e logo em seguida abraça uma criança branca.
 
 
Uma publicação compartilhada por Perfil.com Brasil (@perfilcombrasil)

Como era de se esperar, o vídeo viralizou nas redes sociais do mundo todo. A família está atualmente com um processo no valor de U$25 milhões contra o parque por discriminação racial.
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O parque então anunciou que trará profissionais em direitos civis para ajudar a treinar seus empregados e impedir que situações de racismo como as que aconteceram com essas crianças se repitam no futuro.
Hoje nós anunciamos uma série de iniciativas compreensivas como parte da expansão do nosso comprometimento com a diversidade, igualdade e inclusão. Incluindo a avaliação de igualdade racial, o desenvolvimento e implementação de um programa de treinamento e educação sem viés e melhorias para garantir o mais excelente programa de diversidade, igualdade e inclusão“, diz a nota do parque.
 
 
Uma publicação compartilhada por Sesame Place Philadelphia (@sesameplace)

 
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“A cadeira de rodas também vai?” Pessoas com mobilidade reduzida queixam-se de discriminação nos TVDE – Público

Queixas na polícia e respostas pré-formatadas às reclamações junto das empresas. Estas são algumas das experiências de quem se desloca em cadeira de rodas e vê as viagens muitas vezes canceladas. O que podem os passageiros com mobilidade reduzida fazer quando sofrem uma situação discriminatória num carro TVDE?
O acto de abrir a aplicação de uma qualquer plataforma de TVDE e fazer a requisição de um transporte é comum nos dias que correm. E nem é algo que provoque ansiedade. Pelo menos não o é para a maioria da população. Mas há pessoas que se deslocam numa cadeira de rodas, como Lourenço, Diana ou Catarina, e que pensam duas vezes antes de requisitar uma viagem. A dúvida quanto ao motorista que vão encontrar, se vai aceitar transportar a cadeira ou se vai até cancelar a viagem depois de perceber que existe uma cadeira de rodas na equação pode demovê-los.

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Uma reflexão sobre o racismo a brasileira, autores clássicos da psicanálise e as importantes teorias de Lelia Gonzalez – Midia Ninja


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08/08/202217:22

Por Jardel Felipe para os Estudantes NINJA
“Racismo? No Brasil? Quem foi que disse? Isso é coisa de americano. Aqui não tem diferença porque todo mundo é brasileiro acima de tudo, graças a Deus”, Lélia Gonzalez, 1979.
No imaginário tecido social brasileiro vivemos em uma democracia racial. Independente de cor, todos somos bem tratados e dispomos das mesmas oportunidades. Não obstante, diariamente somos bombardeados com noticias tristes e estarrecedoras destinados única e exclusivamente a população negra. Cito no título dessa matéria, uma de várias intelectuais brasileiras apagadas pelo Epistemicídio. Gonzalez não foi citada aqui em vão, em seu artigo “Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira”, um clássico para os que estudam as questões de gênero e raça, a autora valida-se da psicanálise para caracterizar o racismo enquanto uma neurose cultural brasileira.
Recentemente, os filhos de Bruno Galiasso e Giovanna Ewbank sofreram ataques racistas num restaurante em Portugal. A mídia brasileira, especificamente no programa Mais Você de Ana Maria Braga, televisionado pela Rede Globo, exibiu um vídeo de macacos ao comentar o caso de racismo. Trazendo novamente Gonzalez à tona, para explicar os motivos pelos quais o discurso de ódio e ideológico se faz presente, precisamos compreender o que é consciência e memória. Como consciência podemos entender como “aquele lugar do desconhecimento, da alienação, do esquecimento e até do saber” e como memória “como o não-saber que conhece… consciência exclui o que a memória inclui”.
O que se tenta reencarnar aqui, é que vivemos em uma democracia racial. O exemplo crucial para percebermos essa ideologia, não importa em que nível, é que a nossa consciência cobra de nós onde devemos descartar a crioulice e se “comportar como gente”. E podemos citar sem reservas que a sociedade brasileira é a gente que embarca nessa viagem.
Como dizia Gonzalez: “Tem um branco importante chamado Caio Prado Junior”, em seu livro Formação do Brasil Contemporâneo: “Realmente a escravidão, nas duas funções que exercerá na sociedade colonial, fator trabalho e fator sexual, não determinará senão relações elementares a muito simples.”
O neurótico constrói diversos tipos de ocultamento como sintoma pois isso traz certos benefícios. O sujeito branco nega o estatuto de sujeito humanos aos negros. “Infelizmente, a gente sabe o que ele está afirmando esquecidamente: o amor da senzala só realizou o milagre da neurose brasileira, graças a essa coisa simplérrima que é o desejo. Tão simples que Freud passou a vida toda escrevendo sobre ela (talvez porque não tivesse o que fazer, né Lacan?). Definitivamente, Caio Prado Júnior “detesta” nossa gente.”
É inútil explicar a teoria de Sigmund Freud e Jacques Lacan nessas poucas linhas, mas o que proponho aqui não é finalizar a discussão, mas fomentar o desejo de compreender melhor o racismo a brasileira trazendo como base, autores “clássicos” da psicanalise e uma autora do sul global que foi feliz em compreender e teorizar, ou como se diz por aí, “sambou na cara” dos neuróticos brasileiros.
Jardel Felipe é estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades – UNILAB/CE; Bolsista do Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras – UNILAB/CE; Membro Filiado do Movimento Negro Unificado – MNU/CE
Estudantes NINJA
Rede de estudantes que conecta, em primeira pessoa, todas escolas, universidades e institutos que resistem no país.

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Intolerância religiosa de Michelle Bolsonaro: o que é e quem sofre – UOL Notícias

Lorraine Perillo
Colaboração para o UOL
10/08/2022 17h58
Uma onda crescente de ataques contra centros e casas de umbanda e candomblé e outras religiões de matriz africana foi registrada nos últimos anos. Só em 2021, de acordo com o MDH (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos), foram 586 denúncias de intolerância religiosa, um aumento de quase 141% em relação ao ano anterior, com 243 denúncias.
Em São Paulo, segundo dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) obtidos pelo UOL por meio da Lei de Acesso à Informação, no ano passado foram mais de 15 mil denúncias de ataques. Já no Rio de Janeiro, um levantamento do ISP – RJ (Instituto de Segurança Pública do Rio) contabilizou cerca de 1.355 crimes em 2020.

O combate à intolerância religiosa no Brasil ganhou até uma data: dia 21 de janeiro —escolhida em 2007, em memória da Iyalorixá Gildásia dos Santos, conhecida como Mãe Gilda de Ogum, vítima de um ataque motivado por sua religião.
O crime aconteceu em 2000, no bairro de Itapuã, em Salvador (BA), dentro do terreiro de candomblé Ilê Axé Abassá de Ogum.
A intolerância religiosa envolve o preconceito que gera discriminação, profanação, ofensas e agressões contra outras pessoas, por conta de suas crenças.
Sendo um país laico do ponto de vista jurídico, o Brasil respeita o que diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelecidos pela ONU e possui em sua Constituição Federal de 1988 o artigo 5º, que assegura a igualdade religiosa e laicidade do Estado Brasileiro.
Com isso, foi criada, em 1997, a lei nº 9.459, que prevê punição de um a três anos de reclusão e multa para quem praticar, induzir ou incitar crimes motivados por discriminação de raça, cor, etnia religião ou procedência nacional.
Ingrid Limeira, especialista em direito das diversidades e autora do livro “Da escravidão do corpo à escravidão da alma: Racismo e intolerância religiosa”, explica que o crime se manifesta de diferentes formas no cotidiano.
“Alguém que não tolera a religião do outro pode ser violento por meio de palavras, partir para a agressão física e até levá-lo a morte. Outro exemplo de desrespeito são os ataques aos terreiros”, diz.
Dados divulgados pelo Disque 100 mostram que, no Brasil, a maior parte das denúncias feitas por vítimas de intolerância religiosa é registrada contra a umbanda e o candomblé.
De acordo com uma pesquisa feita pelo UOL, na qual foram ouvidos historiadores, sociólogos, pais de santo, padres e pastores evangélicos, os maiores alvos são mesmo as religiões de matriz africana —o que leva a crer que existe um preconceito estrutural, além de racismo e xenofobia nesses movimentos de ódio contra crenças africanas.
A xenofobia e o racismo têm sido vistos mais ativamente quando se fala em intolerância religiosa. Terreiros e centros de umbanda e candomblé são alvos mais constantes, além dos ataques contra muçulmanos, por exemplo.
A Casa de Umbanda Santa Bárbara e Pai João da Guiné foi invadida no ano passado em Sumaré (SP), por exemplo, e deixaram mensagens como “casa do diabo” e “pai de santo do diabo'”. “Eu ainda perdi o emprego”, disse Pai Wesley, que administra a casa. “Meu chefe, que é evangélico, me demitiu quando soube do caso.”
Cláudia Ribeiro, mestre em história, explica que a origem da intolerância está na colonização do Brasil. Quando os povos africanos foram trazidos para cá e transformados em escravos, houve uma tentativa de catequização por parte da igreja católica.
“Ela acontecia para deslegitimar os elementos culturais que constituíam a identidade negra”, diz. “Os negros eram ‘batizados’, recebiam nomes cristãos e lhes era negado o direito de professarem sua fé. Graças a esse processo histórico, o Brasil se transformou em um país preconceituoso”, completa.
É por isso que crescemos com medo das ‘macumbas’ e dos ‘trabalhos’, ressalta ela. “Porque escutamos, desde cedo, nas escolas e dentro das casas, que aquilo não é de Deus —esse pensamento foi trazido pelos portugueses judaico-cristãos.”
Ainda assim, durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o presidente Jair Bolsonaro pediu o combate o que ele chamou de “cristofobia” (aversão a Cristo e ao cristianismo como um todo).
Apesar da crença de que existe um ataque às religiões cristãs, como a religião evangélica, a fala do presidente é equivocada quando se mensura os ataques sofridos em comparação com outras religiões.
É neste contexto que o vídeo divulgado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro em seu Instagram foi acusado de intolerância religiosa. Publicado originalmente pela vereadora Sonaira Fernandes (PL – SP), com a legenda: “Lula entregou sua alma para vencer essa eleição”, o post mostra o ex-presidente e atual candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma mãe de santo.
Ele toma um “banho de pipoca”, uma prática comum na umbanda como forma de limpeza e proteção.
O pastor e deputado federal Marco Feliciano também usou as redes sociais para atacar Lula e compartilhou o mesmo vídeo com a legenda: “Crente que vota nesse homem apóstata da fé! É fazer pacto com o maligno!”, gerando uma série de denúncias e notas de repúdio.
Além disso, apesar de ser uma violência recorrente nos dias de hoje, a intolerância religiosa existe desde milênios atrás. Quando o cristianismo se tornou a religião oficial do império romano, por volta do século 4, houve uma perseguição às crenças pagãs, que resultou na proibição de outras práticas e deu origem a uma das fases mais sangrentas da Igreja Católica.

No final do século 14, a caça às bruxas e à religião pagã levou à morte centenas de milhares de pessoas por conta de suas crenças, inclusive curandeiros e pessoas adeptas às medicinas naturais, denunciadas por médicos que tentavam implementar a medicina científica. (Com reportagem de Ana Bardella)
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