Racismo impacta microestruturas do cérebro, afetando saúde mental e física – Olhar Digital

O recente caso de racismo sofrido por Titi e Bless, filhos dos atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, revoltou não apenas os pais das crianças, que reagiram à opressão, mas também pessoas na internet, que viralizaram o caso e se manifestaram em favor da família. No entanto, você sabe a dimensão que uma situação de racismo pode causar na saúde de alguém? 
Um estudo publicado em maio deste ano na Science Direct e divulgado pelo Medical News Today revelou que vivenciar o racismo pode afetar as microestruturas do cérebro, comprometendo a saúde mental e física da pessoa.  
Para chegar ao resultado, a equipe de pesquisa utilizou exames de ressonância magnética para avaliar os cérebros de mulheres negras que sofreram racismo. Uma avaliação de trauma chamada de Inventário de Eventos Traumáticos e um Questionário de Experiências de Discriminação também foram utilizados. 
Em relação à estrutura do cérebro, foi observado um impacto no corpo caloso, que conecta os hemisférios esquerdo e direito do cérebro, e no feixe do cíngulo, um trato de substância branca que conecta o frontal, lobos parietais e temporais.  
“Observamos associações potentes entre experiências de discriminação racial e diminuição da integridade da substância branca nos aspectos anteriores do corpo caloso e do feixe do cíngulo”, escrevem os autores. 
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De acordo com a equipe, as rupturas do corpo caloso podem levar à “desregulação nos processos cognitivos e emocionais, como o controle de impulsos”. Já o feixe do cíngulo pode influenciar no controle executivo, na emoção e na memória. 
“A discriminação racial pode aumentar o sofrimento e impactar a regulação emocional, o que provavelmente afetará os comportamentos autorregulatórios que desempenham um papel no desenvolvimento de distúrbios de saúde mental e física”, acrescentaram, destacando que os dados também mostraram problemas prevalentes entre mulheres que sofreram racismo, sendo eles: 
Desigualdade social 
O estudo ainda apontou que mais da metade das participantes “demonstraram desvantagem econômica significativa”. A maioria foi classificada como pessoa que “vivia na pobreza”. Além disso, o levantamento estabeleceu ligação com o aumento da ansiedade – com distúrbios relacionados à comida – e o aumento de uso de drogas e álcool. 
Para Negar Fani, principal autora do estudo e professora assistente do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade Emory, os resultados mostram claramente que o racismo causa um trauma com efeitos importantes na autorregulação do cérebro. 
“Essas descobertas demonstram como a discriminação racial pode moldar comportamentos regulatórios, como comer e usar substâncias por meio de seus efeitos deletérios nas vias da substância branca do cérebro”, disse a especialista ao Medical News Today
“Se sabemos que a discriminação racial leva a maus resultados de saúde por meio de efeitos prejudiciais no cérebro, deve-se dar maior atenção à eliminação desses tipos de interações em um nível sistêmico”, afirmou. 
O racismo sofrido por Titi e Bless ocorreu em Portugal enquanto a família passava as férias. Em entrevista dada ao Fantástico no domingo (31), Giovanna contou que a agressora, uma mulher branca, disse às crianças coisas como “pretos imundos” e “voltem para a África”. 
“Acho que ela nunca esperava que uma mulher branca fosse combatê-la como eu fui, daquela maneira. Eu sei que eu, como mulher branca, indo lá confrontá-la, a minha fala vai ser validada. Eu não vou sair como a louca, a raivosa, como acontece com tantas outras mães pretas, que são leoas todos os dias, assim como eu fui nesse episódio”, disse Ewbank. 
Bruno ressaltou que a reação de sua esposa, que chegou a desferir um tapa na criminosa, não pode ser confundida com a ação do opressor. 
“Hoje eu sou uma mulher muito consciente dos meus privilégios, eu sou uma mulher que está sempre rodeada de outras mulheres pretas, aprendendo diariamente. Vou fazer jus ao privilégio branco e vou combater de frente”, acrescentou Giovanna. 
Ainda conforme atualização do Fantástico, da Rede Globo, a mulher foi levada para uma delegacia da Guarda Nacional Republicana, onde foi identificada, prestou depoimento e foi liberada. Agora, o casal tem até seis meses para apresentar uma queixa crime formal às autoridades portuguesas. 
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O longo caso de “tortura” e “discriminação” de Brian Keller na Suíça – VISÃO

“Sempre me trataram como outro, sempre a dizerem para voltar para África. Eu sou daqui. O meu pai e o meu avô são suíços”, conta ao jornal The Guardian, o primeiro órgão de comunicação com quem falou sem ter algemas. Brian Keller nasceu a 21 de setembro de 1995, em Paris, mas aos três anos mudou-se para a Suíça, mais especificamente para Zurique. Foi nessa altura que lhe foram diagnosticados hiperatividade e transtorno do défice de atenção, tendo-lhe sido prometido acompanhamento especial, algo que nunca aconteceu.
Aos dez anos, em 2005, teve o seu primeiro confronto com as autoridades policiais, quando foi acusado de atear fogo. A consequência? Ficar fechado durante quase um mês numa instituição – anos mais tarde, esta acusação acabou por se revelar falsa.
Desde esse momento, Brian esteve sempre envolvido em delitos – mais de 30 – com consequências pesadas, o que o levou a ficar à responsabilidade do Ministério Público de Zurique, até 2011.

Desde a sua infância que Brian saltava de prisão em prisão, entre instituições para jovens e instalações psiquiátricas. Aos 12 anos foi colocado na solitária, durante três anos seguidos, o que significa que durante esse tempo não teve contacto com nenhum outro recluso, estando sempre preso num pequeno cubículo. Quando saiu, não estava bem, e pouco tempo depois, já com 15 anos, foi condenado ter esfaqueado um rapaz mais velho.
Recordando esse tempo, Brian relata que várias vezes o amarram a macas, o mantiveram isolado, o fizeram dormir em chão frio e a tomar medicamentos à força. O caso mais específico surge quando se tentou suicidar pela segunda vez, enquanto estava em prisão preventiva, em 2011: na altura levaram-no para uma unidade psiquiátrica onde esteve durante quase duas semanas e onde, segundo as Nações Unidas, foi forçado a tomar sedativos.
A vida de Brian mudou quando um advogado chamado Hansueli Gürber decidiu pegar no seu processo, criando um programa de reabilitação, um Sondersetting ou “cenário especial” para o jovem, que tinha como objetivo dar-lhe uma segunda oportunidade. A intervenção resultou e o rapaz viveu no apartamento que lhe foi dado, integrado na sociedade, mais de um ano, sem problemas. Durante este período de tempo era vigiado regularmente, tinha reuniões com as autoridades, era acompanhado por uma psicóloga e praticava boxe. Via regularmente a família, os amigos e era considerado um caso de reinserção de sucesso.
Brian estava bem até ao dia em que durante um documentário, em agosto de 2013, Gürber mencionou que o Sondersetting do jovem custava aos contribuintes cerca de 29 mil francos – aproximadamente o mesmo em euros. No dia seguinte, a reportagem “Social Delusion”, publicada pelo jornal Blick, atacava Gürber, e identificava Brian com o pseudónimo de “Carlos”.
Depois disso, a sua situação desmoronou, com os políticos suíços a criticar o “luxo” do Sondersetting. Gürber despediu-se e Keller voltou para a solitária. “Vi na TV as pessoas todas a dizerem que eu era mau e, de repente, estava de volta à prisão”, conta. “Era um sonho estar com minha família, treinar, aprender, conhecer outras pessoas”, acrescenta. Segundo o tribunal, prenderam de novo Brian “para sua própria segurança”. “É inacreditável o que a imprensa fez”, revela o pai do prisioneiro. “Eles podiam ter investigado o assunto corretamente. Todas as mentiras que foram escritas sobre Brian deixaram-me louco.”
Só em 2014, quase passado um ano, é que se fez algo pela situação de Brian: o tribunal federal da Suíça considerou ilegal o facto de o rapaz ter voltado para o isolamento e decidiu libertá-lo. Mas “metade da Suíça já conhecia o Brian e ele estava com medo. Ele temia ser apanhado”, refere o pai.
Pouco tempo depois, Brian voltou a ser preso depois de ter partido a mandíbula a um membro do grupo de boxe durante uma luta. A sua cela não tinha cadeira, cama ou colchão, e não tinha permissão para tomar banho, conta. O rapaz afirma que os guardas o amarravam nos tornozelos e cancelavam regularmente sua caminhada pelo pátio da prisão, assim como as visitas familiares.
A situação de Brian foi avaliada e um auditor do Ministério da Justiça da Suíça concluiu que as medidas impostas a Keller eram “degradantes e discriminatórias”, tendo sido transferido para outra prisão perto de Zurique.
Em junho de 2017, pouco tempo antes de poder sair em liberdade, os guardas da prisão informaram Brian que ele seria transferido para a solitária para evitar um ataque por parte de outro preso. Sem pensar, começou uma luta e voltou a ser acusado, desta vez por tentativa de lesão corporal grave.
No ano a seguir, transferiram Brian para uma cela especialmente construída para ele, em Pöschwies, a um custo muito maior do que o plano de reabilitação feito para ele. “Foram cometidos vários erros”, diz Jerome Endrass, chefe de investigação e desenvolvimento do departamento de justiça de Zurique. “Mas ele é um indivíduo difícil, acho que isso é bastante objetivo”.
Brian não tinha voz e, por isso, procurou-a noutro local: trocou cartas com um grupo de artistas suíços – os #BigDreams -, que as publicaram numa conta do Instagram que criaram, intitulada My Name is Brian. As cartas eram “finalmente uma maneira de eu falar”, admite Brian.
Keller passou três anos na solitária, algo que é uma violação da chamada Regra Mandela da ONU, que proíbe o isolamento durante mais de 15 dias seguidos. Os psicólogos garantem que as revoltas e as explosões na prisão são resultado de colapso mental: “Ele certamente ficou traumatizado quando saiu da prisão pela primeira vez, quando tinha 11 anos”, diz Nils Melzer, especialista da ONU sobre tortura. “E traumatizaram-no continuamente.”
Melzer interveio pela primeira vez no caso de Keller em maio de 2021, tendo, um mês depois, acusado a Suíça de violar a convenção de tortura da ONU e exigiu o fim imediato do isolamento do prisioneiro. “Eu tinha os meus preconceitos, através da imprensa, de que este homem era o Hannibal Lecter [uma personagem assassino em série que era canibal] da Suíça”, confessa ao Guardian. “Ele foi pintado como um criminoso horrível e violento que não se pode libertar na sociedade porque ele simplesmente ataca ou mata pessoas aleatoriamente.”
Mas acrescenta: “o estado também contribuiu para isso: pegou este preso e exacerbou a situação da maneira excessivamente repressiva… Porque não tiram o homem da solitária? Isso está claramente além do aceitável de acordo com os padrões internacionais.”
A Suíça não se conformou com esta acusação e, pela voz do chefe de investigação e desenvolvimento do departamento de justiça de Zurique, Fehr emitiu um comunicado à imprensa no qual pedia a Melzer para visitar Brian pessoalmente. “Geralmente é uma boa ideia obter uma impressão em primeira mão das circunstâncias que estão a ser relatadas”, diz o comunicado. No entanto, Melzer nunca aceitou o convite.
Enquanto isso, os jornalistas continuaram a retratar Keller como uma causa perdida. “Em 2013, o departamento de justiça de Zurique reagiu em pânico”, escreveu Alex Baur, da Weltwoche, em dezembro do ano passado. “Prenderam o jovem de 18 anos. Injustamente, como concluiu o Supremo Tribunal Federal, após vários meses de deliberação. Desde então, Carlos usou essa injustiça como justificação para uma aventura louca contra a justiça e o sistema penal”, continuou Baur. “Mas o homem é e continua a ser perigoso.”
A Suíça é conhecida pela sua diversidade de associações defensoras dos direitos humanos e do multiculturalismo. No entanto, alguns críticos acreditam que o caso de Keller não é apenas uma exceção: “Vemos a vários níveis – os promotores, os professores, os juízes, o pessoal da prisão – que [Keller] é visto não como uma criança ou um jovem, ou mesmo como cidadão da Suíça, mas como um monstro”, analisa Dominique Day, presidente do grupo de trabalho da ONU de especialistas em pessoas de ascendência africana.
Day visitou Keller na prisão em janeiro. “Mostrem-me pessoas brancas que já tiveram esse tratamento”, perguntou Day, retoricamente. “Obviamente nenhuma resposta… Esta é a cultura de negação que vemos muito na Europa”.
“Se ele fosse loiro e de olhos azuis, não consigo imaginar”, diz Philip Stolkin, advogado de direitos humanos de Zurique que trabalha no caso de Keller desde o ano passado. “Mesmo que ele não seja a pessoa mais simpática, como alega o sistema, não se deve colocá-lo na solitária durante três anos ininterruptos… Ele esteve em isolamento repetidamente durante os últimos 10 anos. Isso é claramente contrário aos direitos humanos”, analisa.
A Constituição da Suíça é contra os tipos de tratamentos que Keller sofreu. No entanto, os advogados costumam levar este tipo de casos diretamente ao tribunal europeu de direitos humanos. “Respeitamos as convenções internacionais, mas não a nossa própria Constituição”, diz Stolkin. “Então, se algo estiver errado, vamos diretos para Estrasburgo. A Suíça tem um grande problema.”
Brigitte Hürlimann, que escreveu diversas vezes sobre o caso de Keller para a revista online Republik, diz que: “Não é tão simples quanto racismo ou xenofobia. Há muitas camadas”, analisa. “Certamente faz parte do acordo que ele saia novamente. Mas qual é a ideia? Para sempre na prisão? Qual é o objetivo? E as pessoas esquecem-se dessa parte. Ninguém quer um ex-criminoso. Ninguém quer dar-lhe um emprego, ninguém lhe quer alugar um quarto. É tão difícil.”
Brian está, desde janeiro, numa prisão em Zurique, com um nível de segurança normal, e sua saúde melhorou – “simplesmente porque o tratam como um ser humano”, diz Stolkin. Agora aprende a mexer em computadores, e treina de vez enquanto. “É ótimo que ele possa treinar. O deporto é tão importante para ele”, diz o seu tutor.
No entanto, Brian diz que está a “desperdiçar os melhores anos” da sua vida ali. “Tenho muita energia e quero fazer muito”. Sobre as marcas de todos estes anos, e sobre as questões legais, Brian diz que sente “muita dor”. “Eu só quero uma vida de volta.”

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Projeto prevê política de prevenção contra assédio a advogadas – Migalhas

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Da Redação
domingo, 31 de julho de 2022
Atualizado às 09:15
O projeto de lei 1.298/22 prevê a instituição de uma política de prevenção e enfretamento do assédio moral, do assédio sexual e da discriminação no âmbito da OAB. A proposta inclui a previsão no Estatuto da OABO texto, do deputado Cleber Verde, tramita na Câmara dos Deputados em caráter conclusivo e será analisado pela CCJ.
O parlamentar argumenta que advogadas, estagiárias e estudantes de Direito já foram ou são vítimas de assédio, o que justificaria a medida.
As advogadas, estagiárias e estudantes que sofrem assédio temem continuar atuando nos locais em que foram vítimas, com receio de passar novamente pelo constrangimento.(…) Importante ressaltar que, em geral, as vítimas de assédio nem sempre são frágeis ou possuem qualquer transtorno. Os assediadores quase sempre escolhem como vítimas as que possuem características que ameacem seu poder ou seu ego.”
Cleber Verde acredita que uma política de conscientização de advogados, e a criação de um canal por meio do qual a vítima de assédio possa relatar o caso junto à OAB garantirão uma efetiva proteção às prerrogativas da mulher advogada.
De acordo com o deputado, a lei garante a elas o direito de exercer a defesa plena de seus clientes, com independência e autonomia, sem temor do magistrado, do representante do Ministério Público ou de qualquer autoridade que possa tentar constrangê-la ou diminuir o seu papel.
 (Imagem: FreePik)

Informações: Câmara dos Deputados.
Ordem lança campanha nacional que inclui o canal, bem como cartilha, lives e rodas de conversa.
Estagiários eram orientados pelos superiores a não acatarem os pedidos da profissional.
Dado é revelado em pesquisa publicada pela IBA – Internacional Bar Association.
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Pior que o execrável racismo é este antirracismo – SOL

Há negros mais portugueses que muitos brancos, e brancos mais africanos que muitos negros.
por João Maurício Brás
Lisboa vai ter programa antirracismo nas escolas…Projeto-Piloto propôs-se confrontar a ‘história oficial’ com a realidade».
Conceitos como ‘racismo estrutural’ e a vulgata maniqueísta dos fundamentalismos ‘história oficial’ versus ‘realidade’ são desprovidos de qualquer rigor ou seriedade científica e não têm qualquer ligação com os factos. Trata-se apenas de ideologia destrutiva, mas muito rentável, neste tempo de desagregação em que tudo é economia e tudo o resto é apenas ruído. Este tipo de conceitos que saíram das universidades americanas de papel e caneta, controladas pelo refugo do marxismo desiludido e das modas dos desconstrucionismos, chegam agora cá.
Veja-se o absurdo de confrontar a ‘história oficial’ com a realidade. Quem são os donos da nova realidade? Quem detém a verdade sobre a realidade? Os ativistas e os académicos que vivem da exploração do racismo? Aliás, já não há história oficial. A haver é a dos ativismos da esquerda pós-moderna. A esses a quem a miséria e a pobreza se tornou estranha e que, no conforto das universidades e das sedes ativistas arranjaram outra mercadoria. São o Livre, o Bloco e os fraturantes do PS, com os seus académicos que detêm a dogmática sobre a ‘realidade’? Sim, são eles, quais funcionários estalinistas. No seu fervor inquisitorial, já conseguiram proibir palavras, inventar outras, ‘queimar’ pessoas, alterar o significado e o sentido dos conceitos, silenciar o pensamento crítico, desenterrar mortos com séculos e julgá-los com as suas lentes do presente.
Estes projetos são os piores inimigos das causas que defendem.
Querem o quê? Mais verbas do partido socialista para os movimentos ativistas e novas pós-graduações em fantasias intelectuais?
Mas como aceitam os políticos estas visões deformadas e interesseiras dos factos? Por medo? Por oportunismo político?
Colocaram Moedas perante o dilema típico das seitas fanatizadas: ‘Ou és dos nossos ou és facho e racista’. Estará também ele já está sequestrado por este ativismo monomaníaco que se apoderou dos temas do género e da cor?
 E já agora, o racismo estrutural, como é estrutural, é de todos os humanos? Ou é aquela descoberta peregrina que só o branco é racista? Não há negros racistas? Não há história negra de racismo? Bem, pelo menos de xenofobia? Não há chineses racistas? Não há indianos racistas?
Querem impor uma história de ficção, uma história alternativa.
Não é necessário explicar que imigrantes, africanos, descendentes, etc., não têm culpa absolutamente nenhuma do manicómio onde nos querem encerrar a todos e a papaguear a insanidade dessa cartilha e das suas taras.
Há negros mais portugueses que muitos brancos, e brancos mais africanos que muitos negros. As pessoas precisam de condições dignas de trabalho e de oportunidades na escola e no dia-a-dia. As pessoas são pessoas, conceito que inclui todos os direitos e deveres independentemente da cor, da religião, do sexo ou da orientação sexual.
O racismo combate-se defendendo os vivos que trabalham nas Odemiras deste mundo, em trabalhos clandestinos, pagos indignamente e tratados, no século XXI, como bichos e que olhamos de lado.
Importa principalmente não cairmos na armadilha típica deste tipo de neototalitarismos: ‘Ou pensas como nós ou tens de ser reeducado ou destruído, porque, se não pensas como nós, padeces de todas as taras e fobias’…
 

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Ewbank e Gagliasso sobre racismo em Portugal: ‘Não confundam a reação do oprimido com a ação do opressor’ – Yahoo Noticias

Em entrevista ao “Fantástico’’ neste domingo (31), Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso detalharam o episódio em que os filhos Titi e Bless, de 9 e 7 anos respectivamente, foram vítimas de racismo em um restaurante, no sábado, numa praia em Portugal onde a família passava férias.
“Fomos a um restaurante de que a gente gosta muito, porque sempre encontramos pessoas pretas lá, e para os nossos filhos a gente acha importante eles estarem em ambientes com pessoas pretas. As crianças estavam brincando na praia e, de repente, uma delas veio nos contar o que tinha acontecido. Ficamos muito chateados, e aconteceu o que vocês viram no vídeo. Essa mulher não estava dentro do restaurante e começou a xingar as crianças, e também a família de angolanos que estava lá. O gerente pediu para ela ir embora, mas ela seguiu gritando e ouvimos’’, relatou Ewbank à jornalista Maju Coutinho.
Nervosa com o acontecido, a atriz reagiu cuspindo e batendo na cara da mulher. “Falou-se que você bateu na moça, deu um tapa na mulher racista. Isso ocorreu?”, perguntou Maju.
“Ocorreu’’, confirmou Ewbank, logo amparada por Gagliasso: “Na verdade, ela não agrediu. A minha mulher reagiu. Nao confundam a reação do oprimido com a ação do opressor’’, destacou o ator durante a entrevista.
Em vários momentos da conversa, o casal se emocionou ao lembrar do caso. Eles recordaram ainda uma entrevista concedida ao programa em 2017, quando também enfrentaram um episódio de racismo.
“Hoje sou uma mulher que está sempre rodeada de outras mulheres pretas aprendendo diariamente. Vou combater de frente. Eu quero que todo mundo saiba, Maju, que nós não vamos combater o racismo de maneira leve, a gente vai passar por cima e fazer jus a esse privilégio branco”, afirmou Giovanna. “Será que iria ter essa atenção toda se fôssemos pais pretos de crianças pretas?”, indagou Gagliasso.
Consciente de sua condição, Giovanna disse também:
“Eu sei que eu como mulher branca indo lá confrontá-la, a minha fala vai ser validada, eu não vou sair com a louca, a raivosa, como acontece com tantas outras mães pretas que que são leoas todos os dias assim como eu fui neste episódio. Mas que são invalidadas, são vistas como loucas’’, comparou ela, contando, enquanto chorava, que foi a primeira vez que Titi a viu reagir dessa maneira: “Foi a primeira vez que a minha filha me viu combatendo o racismo de frente, porque a gente fala muito sobre isso com eles, mas ela nunca tinha me visto combatendo de frente como foi feito. Ela ficou muito assustada e ao mesmo tempo se sentiu protegida e forte, sabe, Maju? O Bless nao percebeu muita coisa porque ele tava brincando, mas a Titi entendeu tudo.
Um vídeo divulgado pelo próprio casal mostra o momento em que a autora das ofensas é presa. No entanto, ela foi solta em seguida.
Em nota, o restaurante Clássico Beach Club, onde tudo aconteceu, repudiou a atitude racista da mulher e se colocou à disposição para disponibilizar as imagens gravadas pelas câmeras de segurança.
Além de Titi, de 9 anos, e Bless, de 7, ambos nascidos no Malawi, país da África, e adotados pelo casal de atores, Ewbank e Gagliasso têm o pequeno Zyan, de 2.
Narrador aproveitou o momento para falar sobre a preparação para a Copa e esclareceu que a cirurgia foi feita para corrigir um problema antigo
Atriz repreendeu seriamente mulher que disse 'para tirar aqueles pretos imundos dali'; Bruno Gagliasso acionou a polícia
Segundo a assessoria da atriz, a discussão aconteceu depois que uma mulher branca, que estava no restaurante, xingou Titi e Bless e também um grupo de angolanos.
Incidente ocorreu neste sábado, na Costa da Caparica, em Portugal, onde a família passa férias
Thiago Gagliasso, irmão de Bruno Gagliasso, postou um vídeo no Instagram neste domingo em…
Dom e Bem foram chamados para cantar com o artista ao lado de outras crianças
Ao lado do marido Bruno Gagliasso, atriz deu entrevista ao Fantástico neste domingo
Autor dos disparos ainda não foi identificado. Apesar dos feridos, não houve registro de mortes.
Mao Sheng disse que sua aparência jovial dificulta na hora de encontrar emprego
Uma menina de 15 anos identificada como Eduarda Paula de Almeida morreu na noite deste sábado (30)…
Nomes centrais no feminismo brasileiro, Branca Moreira Alves, Jacqueline Pitanguy e Heloisa Buarque de Hollanda recordam impacto, estratégias e legados das mulheres que transformaram a Constituição, a política e a cultura no país
Além disso, Lee Jong-sup não descarta oferecer um “serviço alternativo” para o grupo entre uma série de possibilidades que lhes dariam tempo para manter as atividades musicais
O líder da Igreja Católica admitiu, perante os jornalistas no avião, que mudar de Papa não era "uma catástrofe"
Trio de reforços do Timão substitui o zagueiro João Victor, o meia Luan e o atacante Mantuan na lista do clube para a Libertadores
Camisa 12 completou 603 jogos e se tornou o goleiro com mais partidas do Timão
O Hoje é Dia desta semana exalta manifestações culturais populares, sobretudo, do Nordeste brasileiro. Agosto começa trazendo datas dedicadas a um gênero literário e a uma manifestação popular: o cordel e o maracatu. Vinda de Portugal para o Brasil no século XVII, a literatura de cordel adquiriu traços da cultura nordestina e se transformou em expressão da região. Impressos de forma artesanal em folhetos, os cordéis eram popularmente vendidos em feiras dispostos em cordões – daí veio o nome dess
Um grupo de amigos estava se divertindo despreocupadamente no Lago Livingston, no Texas, (EUA) enquanto, sem que eles soubessem, um predador mortal estava à espreita nas proximidades. Os turistas haviam sido informados de que o lago era seguro.
Socorristas realizavam um resgate porta a porta no Kentucky, sob condições climáticas cada vez piores, enquanto continuavam as buscas por vítimas das inundações que devastaram o leste do estado americano, informou o governador Andy Beshear neste domingo (31).
Menos de uma hora depois de Queven da Silva e Silva, de 26 anos, abrir fogo contra a…
Faro Beach Club tem prazo de 30 dias para que a estrutura seja integralmente desmontada e a área devolvida

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Imagens mostram passageiro sendo agredido dentro do vagão do metrô; suspeita é de xenofobia – G1

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Professores querem regra clara do Iave sobre variante brasileira em exames de Português para evitar desigualdades – Público

Associação de professores vai levar tema a reunião ao conselho científico do Iave. A variante brasileira deve ser aceite em exames? Há professores que dizem que “a língua é a mesma” e quem defenda que alunos se devem adaptar, outros falam em “xenofobia linguística”. Alunos comentam: “Pode ser muito frustrante escrever na sua própria língua e ser penalizado, quando no seu país não era errado”.
João Rodrigues, professor na Escola Secundária Rainha Dona Amélia, em Lisboa, não corrigia exames de Português do 12.º ano havia alguns anos. Mas este ano teve que penalizar respostas escritas na variante brasileira de Português que não iam ao encontro da norma do padrão do português europeu. “É revoltante quando a expressão sintáctica está correcta [na variante brasileira] e tenho que penalizar. Revolta-me bastante porque sinto que estou a prejudicar e a discriminar os alunos”, afirma ao PÚBLICO.

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EMANCIPAÇÃO DE CABINDA COMEÇARÁ COM A DERROTA DO MPLA | Jornal Folha 8 – Folha 8

Por Osvaldo Franque Buela (*)
Normalmente em período eleitoral, aquele que deveria encarnar a unidade nacional, e prestar contas ao povo pelo seu primeiro mandato como presidente de todos os angolanos, preferiu fugir ao debate e ao diálogo político, por discursos musculosos de ódio, racismo e xenofobia, exonerando-se de qualquer forma de humanismo em relação não só aos seus adversários políticos, que considera inimigos, mas também contra todo o povo angolano.
Não há malícia em dizer isto porque o Presidente João Lourenço mostrou-nos mais uma vez que prefere esconder-se atrás de uns poucos mafiosos e antipatrióticos que compõem a alta hierarquia das forças de defesa e segurança do país e das Forças Armadas Angolanas, para confiscar mais uma vez o poder do povo pela violência, em vez da transparência, continuando a correr o risco de incendiar o país com a fraude eleitoral já institucionalizada, porque agora está mais do que claro que o MPLA nunca teve um projecto para o país, depois de mais de quatros décadas de governação, nem para os próximos cinco anos.
Mas o que temos diante do regime? Um grupo de patriotas, um trio, que soube ultrapassar os limites dos seus partidos políticos para apresentar aos angolanos um projecto político para uma Angola verdadeiramente melhor, e nós, cabindenses, devemos alegrar-nos com isso e torná-lo um cavalo de batalha para dar corpo à alternância política que o país necessita para dignificar o seu povo, e dar início ao verdadeiro desenvolvimento do país e à verdadeira reconciliação nacional que todos desejamos.
É neste projecto político da UNITA que Cabinda tem e encontrará o seu verdadeiro lugar através de um estatuto de autonomia regional, um caminho para a sua afirmação como povo, na reconstrução da sua história, na recuperação da sua identidade, e para começar a gozar dos seus direitos no âmbito de uma reforma do Estado que governação da FPU colocará em prática a após a vitória do candidato numero 3.
Deixem-me sonhar, sabendo que este sonho não me pertence enquanto pessoa singular, mas é sim, o sonho e a vontade declarada de todos os angolanos, o de colocar o MPLA no passado e construir o futuro com a UNITA através de outro modelo de governança.
Acima de tudo, não digam que me tornei um militante declarado da UNITA, não, estou apenas numa abordagem francamente lógica, face a um novo contexto político, encarnado por Adalberto da Costa Júnior, um homem cujo discurso seduz qualquer adepto da mudança, um homem cuja visão política desperta esperança para além da UNITA, e não é Tchizé dos Santos que vos dirá o contrário do que esperam os amantes da mudança.
Um homem que soube posicionar a UNITA no seio da juventude angolana sem distinção de classe, combatida pelos meios de comunicação estatais mas presente e eficaz nas redes sociais, tornou-se o pesadelo para o regime e o seu presidente, e o messias para os seguidores da mudança.
Perante este fenómeno político que continua a galvanizar a juventude angolana e que está a beneficiar da mobilização política de Abel Chivikuvuku e Justino Pinto de Andrade, os Lideres Cabindenses, como futura entidade autónoma devem adoptar a postura de materializar e constituir o funcionamento efectivo de uma verdadeira plataforma política e parar de se dispersar em movimentos de denominações, desde que defendem as mesmas reivindicações.
Os lideres Cabindenses, como futura entidade autónoma, devem antecipar de pensar na futura gestão administrativa da província por políticas reais e não por considerações ideológicas radicais que tiveram o seus dias, garantir que o território de Cabinda deixe de continuar a sobreviver como eterno refém e vítima da violência político-militar do regime, e de outros adeptos da resistência armada.
A batalha política está lançada, vamos mobilizar todas as nossas forças para que o voto angolano triunfe no dia 24, e coloque o MPLA ao lado da história vergonhosa e dolorosa do país que teremos de construir juntos sem ódio ou caça Homem para a futura oposição que o actual MPLA vai encarnar.
(*) Activista e refugiado político na França
Nota. Todos os artigos de opinião responsabilizam apenas e só o seu autor, não vinculando o Folha 8.




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Falas "nazistas" de premiê húngaro provocam repúdio – DW (Brasil)

Declarações de Viktor Orbán contra "mistura de raças" provocam renúncia de conselheira, que as classificou como "pura retórica nazista". Organizações judaicas criticam chefe de governo conhecido por sua xenofobia.
Uma das principais conselheiras do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, anunciou sua demissão na segunda-feira (26/07), em repúdio às declarações do chefe de governo contra a “mistura de raças” na Europa.
Dias antes, o ultradireitista Orbán dissera que os húngaros “não querem se tornar um povo mestiço”, acrescentando que países em que europeus e não europeus se misturam “não são mais nações” ou parte do Ocidente, “mas sim do pós-Ocidente”, defendendo uma visão de “uma raça húngara sem misturas”.
As falas provocaram repúdio. Inclusive no círculo político de Orbán. Ao apresentar sua renúncia, a conselheira para temas de Inclusão Social Zsuzsa Hegedus condenou a declaração de Orbán: “Não sei como o senhor [Orbán] não percebeu que a declaração é pura retórica nazista digna de Joseph Goebbels”, escreveu Hegedus em sua carta de demissão, citando o ministro da Propaganda do ditador Adolf Hitler.
“Depois de tal discurso, que contradiz todos os meus valores básicos, não tive outra escolha: […] tenho que romper com o senhor”, justificou-se a política que integra o círculo de Orbán há duas décadas.
Hegedüs acrescentou que por muito tempo defendeu o primeiro-ministro contra acusações de antissemitismo, mas que seu último discurso é indefensável: “Lamento sinceramente que uma postura tão vergonhosa tenha me forçado a romper nosso relacionamento.”
Conhecido por suas posições xenófobas, eurocéticas, anti-LGBT e pró-Rússia, Orbán comanda a Hungria ininterruptamente desde 2010. Seu governo é rotineiramente acusado de minar a democracia húngara e a liberdade de imprensa, violações do Estado de direito que já levaram ao congelamento de verbas da União Europeia. Mais recentemente, ele também se aproximou da China e até incentivou a construção de uma universidade financiada por Pequim em Budapeste, a primeira do gênero na Europa.
Apesar de tudo isso, seu governo é aprovado pela maioria dos húngaros e em abril ele derrotou de maneira decisiva a oposição nas últimas eleições legislativas. No entanto o país passa no momento por uma situação econômica delicada, e críticos acusam o ultranacionalista de 59 anos de criar distrações para agitar sua base e esconder os problemas reais do país.
Nos últimos anos, ele chamou imigrantes muçulmanos de “invasores”, descreveu a imigração de não europeus como um “veneno”, e que “todos os terroristas são imigrantes”. Aliado de outras figuras da ultradireita mundial, como o brasileiro Jair Bolsonaro e a francesa Marine Le Pen, Orbán também é um propagador da paranoica teoria conspiratória da “grande substituição” ou “plano de Kalergi”, popular entre círculos de direita, que acusam supostas elites mundiais de promover imigração em massa para enfraquecer a população europeia ou branca.
No último sábado, dirigindo-se a uma multidão na região romena da Transilvânia, que abriga uma população considerável de húngaros étnicos, Orbán disse que “existe um mundo em que os povos europeus são misturados com aqueles que chegam de fora da Europa”.
“Esse é um mundo de raças mistas. E há o nosso mundo, em que as cidadãos da Europa transitam, trabalham e se movem. […] É por isso que sempre lutamos: estamos dispostos a nos misturar, mas não queremos nos tornar povos mestiços”, afirmou o premiê na ocasião.
As declarações de Orbán foram também criticadas pelo Comité Internacional de Auschwitz, fundado por sobreviventes do Holocausto. O vice-presidente da organização, Christoph Heubner, classificou o discurso como “estúpido e perigoso” e que fez lembrar aos sobreviventes do genocídio “os tempos sombrios da sua própria exclusão e perseguição”.
Heubner também pediu ao primeiro-ministro austríaco, Karl Nehammer, que vai receber Orbán na quinta-feira em visita oficial, que se manifeste pessoalmente contra a postura de seu homólogo húngaro, em nome da União Europeia: “Temos de “fazer o mundo entender que Orbán não tem futuro na Europa.”
Após a repercussão negativa, o porta-voz do governo húngaro, Zoltan Kovacs, tentou minimizar as declarações de Orbán dizendo que fora “mal interpretado” por quem “claramente não entende a diferença entre a mistura de diferentes grupos étnicos, todos originários da esfera cultural judaico-cristã, e a mistura de povos de diferentes civilizações”.
Apesar de tudo, Orbán divulgou um comunicado, afirmando que o seu governo tem “tolerância zero com o antissemitismo e o racismo”.
No mesmo discurso de sábado, Orbán também fez uma alusão irônica ao Holocausto e às câmaras de gás usadas pelos nazistas, num comentário sobre o plano da liderança da União Europeia para reduzir a compra de gás russo.
“Não vejo como podem forçar os Estados-membros a fazê-lo, embora haja know-how alemão nesta área, como o passado já demonstrou”, disse o premiê, que já foi acusado várias vezes de antissemitismo, especialmente por causa dos ataques que regularmente dirige contra o bilionário e filantropo judeu George Soros.
O ministro das Relações Exteriores da vizinha Romênia, Bogdan Aurescu, classificou os comentários como “inaceitáveis”. A liderança da comunidade judaica da Hungria também criticou o discurso: “Existe apenas uma raça neste planeta: o Homo sapiens sapiens”, escreveu o rabino-chefe da Hungria, Robert Frolich, no Facebook.
Mais de meio milhão de judeus húngaros foram assassinados durante o Holocausto. Atualmente, há apenas cerca de 80 mil judeus remanescentes no país. Orbán também já elogiou o antigo líder húngaro Miklós Horthy (1868-1957), que selou durante a Segunda Guerra Mundial uma aliança com Adolf Hitler. Nos últimos anos, sob a hegemonia do grupo político de Orbán, foram construídos no país vários monumentos em homenagem a Horthy.
jps (AFP, Lusa, dpa, ots)
 

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ConJur – Juíza dos EUA passa por cima da discriminação para chegar ao topo – Consultor Jurídico

Por João Ozorio de Melo
A juíza G. Helen Whitener soube lidar com a discriminação — na verdade, um prato cheio de preconceitos — para fazer sucesso em sua carreira jurídica. Ela foi discriminada na vida porque é mulher. Mais porque é negra. Também por ser lésbica. Ainda por ser imigrante com seu sotaque peculiar. E porque é deficiente física.
Mas, apesar dos pesares, ela fez uma bela carreira como advogada, promotora e juíza, chegando a uma posição privilegiada na sociedade: a de ministra do Tribunal Superior do Estado de Washington, o mais alto cargo no Judiciário estadual do país — um exemplo de superação, pelo que mostra o Jornal da ABA (American Bar Association), em uma série de reportagens sobre "Members who inspire".
Ela é a primeira mulher negra, a primeira negra lésbica, a quarta imigrante a integrar o quadro de ministros do Tribunal Superior do estado. "Minha experiência de vida é diferente da de todas as outras pessoas", ela disse ao Jornal da ABA.
"Eu digo a alguns dos meus colegas: sim, nós temos uma posição privilegiada. Todos nós temos. Mas a minha termina quando eu tiro a toga. Ao sair lá fora, sou vista como uma mulher negra. Se estou com minha mulher, sou tratada como uma pessoa LGBTQ. Se ando com minha bengala, me veem como uma deficiente física. Se abro a boca e faço uma pergunta, já percebem que sou imigrante", ela conta.
Foi bom para a juíza entrar no Tribunal Superior de Washington, certamente a corte superior mais diversificada do país. Dos nove ministros, sete são mulheres, quatro são pessoas de cor e duas da comunidade LBGT. "Nós trazemos lentes marginalizadas e não marginalizadas para dar suporte à lei. Acho isso muito interessante e, esperançosamente, uma coisa boa para todos", disse ao jornal.
Essa "inclusão" no tribunal superior do estado de Washington contrasta com quase todos os tribunais superiores dos demais estados, "que têm um problema de diversidade", mesmo em territórios onde a população negra é expressiva, segundo o Brennan Center for Justice: não há ministros negros em 28 estados, latinos em 39, asiáticos em 43 e nativos-americanos em 47.
Mudança de rumo
A ministra nasceu e cresceu em Trinidad e Tobago, filha de um professor/diretor de escola e de uma professora de segundo grau. Seu plano era seguir a carreira dos pais. Iria estudar em Londres e regressar a seu país para ser professora universitária.
Mas os ventos caribenhos a fizeram mudar de rumo. Um dia, na escola, o lado direito de seu corpo paralisou. Levada ao hospital, seus médicos decidiram que mais exames eram necessários e, por isso, ela deveria ser levada para Nova York, onde tinha parentes.
O diagnóstico foi o de que ela tinha uma doença degenerativa do nervo. Enquanto se empenhava na reabilitação, ela se matriculou em uma faculdade em Nova York e se formou em administração de empresa e marketing internacional. Formada, conseguiu trabalho no Alasca e, depois no estado de Washington.
Carreira jurídica
Aos 30 anos, um colega de trabalho, que era contador e advogado, sugeriu que suas qualidades analíticas fariam dela uma boa advogada. Convencida, se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade de Seattle.
Ela se formou em 1998, com a ideia de se tornar uma advogada criminalista. Se inscreveu na ABA e passou os 14 anos seguintes trabalhando em casos civis e criminais, como promotora, advogada de defesa e sócia administrativa de seu próprio escritório.
O ingresso na magistratura ocorreu por acaso. O juiz David Kenworthy, que pretendia passar uns tempos em Londres com a família, a convenceu a ser uma juíza substituta (judge pro tempore). Assim, ela assumiu a pauta do juiz e, com o andar da carruagem, as de outros juízes.
Mais tarde, assumiu o cargo de juíza em outras cortes. Em abril de 2020, ela foi nomeada pelo governador Jay Inslee para cumprir um mandato tampão no Tribunal Superior do Estado de Washington, que teria eleições para ministro da corte em novembro do mesmo ano. Ela concorreu às eleições e ganhou, tornando-se, definitivamente, ministra do tribunal superior.
Mundo LGBTQ
Ela escondeu dos pais que gostava de mulher até os 19 anos. Mas, "cansada de viver uma mentira", ela abriu o jogo para eles. O pai a apoiou imediatamente. Mas a reação da mãe não foi nada boa. Deixou de falar com ela por muitos anos.
"Eu sabia que seria difícil para meus pais saber que eu era lésbica. É muito complicado ser homossexual nessa ilha caribenha, porque é ilegal e porque, de uma maneira geral, as pessoas têm uma mente muito fechada."
Mas, com o tempo, a mãe a aceitou como ela é. E foi a mãe que a projetou para a fama, ao contar a história dela para uma repórter da revista Express Woman, de Trinidad e Tobago. A reportagem foi a cover story da revista, se espalhou pelo Caribe e chegou à Casa Branca.
Ela estava em seu gabinete, quando recebeu um telefonema do Departamento de Estado dos EUA. O então presidente Barack Obama havia proclamado junho de 2015 o "Mês do Orgulho LGBT" e "Mês Nacional das Tradições Caribenhas-Americanas" e queria que a juíza fosse a Trinidad e Tobago para falar os direitos dos gays.
Ela hesitou por um momento, porque casais do mesmo sexo em seu país poderiam ser condenados de 5 a 25 anos de prisão. E ela havia se casado com Lynn Rainey, oficial aposentada do exército dos EUA e advogada. Trocou mensagens de e-mail com Obama e acabou aceitando a oferta.
Em 2018, a Suprema Corte de Trinidad e Tobago decidiu que as leis que criminalizam a intimidade entre pessoas do mesmo sexo são inconstitucionais. Em fevereiro, a ABA a homenageou com seu Stonewall Award por seu papel nesse esforço e pelas causas LGBT que defende.
 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.
Revista Consultor Jurídico, 31 de julho de 2022, 7h33
1 comentário
Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório – Civil)
31 de julho de 2022, 13h34
A história da Juíza G. Helen Whitener fala por si e dispensa qualquer comentário.

(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br
Responder
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