Babu Santana acusa o governo de incitar perseguição contra os artistas e reflete sobre o racismo na profissão – RD1 – Terra

Babu Santana começou sua carreira artística aos 17 anos no grupo Nós do Morro e aos 42 se tornou diretor da companhia. Repercutindo essa transformação de anos, o ator condenou o ataque incessante aos artistas e expôs a deficiência da inclusão de pessoas pretas em funções de ascensão.
Em entrevista ao jornal Estadão, o famoso entendeu que o setor cultural está abandonado pelo governo atual e que ainda há uma incitação violência contra quem o defende:
Se eu faço uma peça, mesmo que seja um monólogo, tem toda uma cadeia de trabalhadores por trás. Essa ideia de que artista é vagabundo, que vive de mamata, é um absurdo. Eu não posso estar em cartaz e um dia entregar um atestado médico e dizer que não vou fazer a peça”.

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Sobre a Lei Aldir Blanc, palco de muitas discussões, Babu apontou uma ignorância em quem critica o projeto, especialmente sobre o repasse de verbas:
É uma lei maravilhosa que ajuda todo um setor que envolve milhares de pessoas. Acho que as pessoas têm que ler antes de sair reproduzindo qualquer coisa. Tá incomodado? Vai lá e pesquisa, vê qual é a minha onda, vê qual é o meu trabalho. ‘Ah, pra que ele quer um milhão?’ Um milhão, gente, para uma equipe de 200 pessoas em um filme, não é nada”.
Depois de vencer 9 paredões e sair como 4º colocado do BBB 2020, o famoso confessou que só esperava receber o cachê da participação, mas ficou surpreso com as oportunidades que recebeu:
Me abriu muitas portas em um momento em que a minha carreira não estava tão legal. O que conta pra mim é o público e hoje em dia eu não consigo andar mais pelas ruas como anônimo (…) Toda vez em que eu estou triste é só eu ir pra rua que eu recebo carinho”.
Citando o fato de que os brancos recebem mais chance depois que deixam o reality show da Globo, Babu Santana não creditou a culpa no programa e sim na sociedade como um todo:
Enquanto o audiovisual for escrito e produzido só por pessoas brancas a gente vai enfrentar esse tipo dificuldade. Hoje eu já vejo muito mais autores pretos, diretores pretos e produtores pretos tomando conta da cena. Nós vamos ter que atravessar toda essa sociedade machista, racista, injusta. A gente vai sempre enfrentar isso, não tem jeito”.
Sobre a posição de destaque no Nós do Morro, lembrou do seu passado para expor o quanto era desacreditado e usou isso para conscientizar o jovem iniciante:
Eu vivi em outro Vidigal, não o de hoje, mas me lembro de quando eu falei que ia ser ator todo mundo riu, ninguém acreditou. Para as pessoas era uma coisa que parecia impossível. Por isso tem que ter essa conscientização, essa possibilidade do sonhar, a possibilidade do acreditar”.
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