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Extremos climáticos ameaçam roças e culturas indígenas no rio Negro – Combate Racismo Ambiental

Mudanças colocam em risco alimentação e os modos de vida dos povos que mantêm cultivos seguindo o sistema agrícola tradicional na região de São Gabriel (AM)
Por Ana Amélia Hamdan, Paulo Desana, Daniela Villegas, em Agência Pública
É manhã de domingo e indígenas do povo Tuyuka que vivem em São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, estão a postos para receber os visitantes da feira realizada semanalmente para a venda de produtos de suas roças. Mas os preparativos começam muito antes, com o plantio em sítio próximo à cidade e em meio à floresta, onde há o cultivo de mandioca, banana, abacaxi, açaí, cará, entre outros alimentos.
Enquanto os visitantes vão chegando, algumas mulheres da família Tuyuka, que também dá nome à feira, vão espremendo a massa da mandioca, que será colocada no forno para se transformar no beiju. Em alguns dias há fila de clientes à espera do produto quentinho. 
Pratos tradicionais como quinhapira – caldo de peixe com pimenta e tucupi – e, às vezes, até formiga, bastante comum na culinária da região, também são servidos. Sem falar do caxiri, a bebida fermentada que vai animar as danças tradicionais. Toda essa variedade é baseada no Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, que reúne conhecimentos de cultivo nas roças, nos quintais e na floresta e depende do equilíbrio dos ciclos da natureza e da manutenção da cultura que envolve trocas, rituais e benzimentos. 
Esse sistema está sob pressão constante: do garimpo ilegal, dos sistemas econômicos em moldes não sustentáveis, de projetos de lei, como o PL 191, que permite a mineração e outras atividades exploratórias em terras indígenas, e agora também da emergência climática.  
“Ano passado, a gente perdeu duas roças justamente porque não houve verão naquela época que a gente estava esperando. Principalmente quando é mata virgem, precisa de um mês de verão pelo menos para queimar direito. Mal plantamos algumas bananas, mas mandioca não deu para plantar”, diz a agricultora Florinda Lima Orjuella, do povo Tuyuka, uma das responsáveis pela feira, ao descrever parte das etapas do sistema. “Quando você vê que tem uma alteração nesse ciclo, aí atrapalha todo esse processo todo do plantio, de queimar.” 
Relatos como o de Florinda são cada vez mais comuns no município onde vivem 23 povos indígenas em aproximadamente 750 comunidades e sítios. Banhada pelo rio Negro, São Gabriel e seus moradores têm sofrido principalmente com as cheias recordes que atingiram o estado do Amazonas nos últimos anos — em 2021, houve perda de roças em várias regiões na calha do rio. Este ano, as chuvas também foram  intensas e a situação se repetiu, reduzindo a capacidade de resposta das comunidades.
Entre os principais impactos relatados pelos agricultores indígenas estão, além das cheias, a falta de previsibilidade das estações, o aumento da temperatura e a alteração nos ciclos ambientais, questões que afetam diretamente a alimentação da população local. Muitos deles passaram a mudar o local de plantio e a ter mais de uma roça para evitar prejuízo total, além de terem alterado o horário de trabalho em função do sol mais forte. A pergunta que fica é até quando essa adaptação será suficiente. 
“A gente vê as consequências do desmatamento, acho que não nosso, né? Porque no nosso sítio a gente continua trabalhando de forma tradicional, o jeito que a gente vinha fazendo sempre, como nossos antepassados”, diz Florinda, que também passou a plantar mais roças para evitar perdas maiores.
As observações que os indígenas trazem do dia a dia nas roças e na floresta coincidem não só com o aumento da frequência dos eventos extremos registrado pelos órgãos oficiais, mas ainda com o último relatório do Painel Intergovernamental para Mudança Climática da ONU, o IPCC, que, pela primeira vez, trouxe o alerta sobre perdas irreversíveis para os modos de vida dos povos indígenas da Amazônia. 
“A entrada [do IPCC] na Amazônia não é mais só sobre a questão da biodiversidade, mas envolve fatores climáticos e não climáticos que, quando se unem, formam um efeito dominó no modo de vida, na segurança alimentar, na saúde, na questão social. As queimadas, as cheias extremas causam perda de identidade, cultura, rupturas com lugares de nascimento. São perdas irreversíveis”, afirma a pesquisadora e bióloga Patrícia Pinho, do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), uma das autoras do relatório, responsável pelo capítulo que trata da pobreza, dos modos de vida e de desenvolvimento sustentável. 
Ela explica que a população indígena é mais vulnerável às mudanças climáticas, pois depende de atividades ao ar livre, dos recursos da floresta e da biodiversidade para ter o mínimo de capacidade nutricional e alimentar. “Na Amazônia, a biodiversidade é intrinsecamente conectada com o território, com a cultura, com o modo de vida. Quando tem erosão ou impactos no território, vai acontecendo perda de conhecimento tradicional, não se sabe mais quando o ciclo vai acontecer, qual espécie deve ser plantada, quando ocorrerá a floração.” 
Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro foi reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2010 e revalidado em 2021, tendo como especificidades “as riquezas dos saberes, a diversidade das plantas, as redes de circulação, a autonomia das famílias, além da sustentabilidade do modo de produzir que garante a conservação da floresta”. Nesse tipo de agricultura, uma área de floresta primária ou de capoeira (área anteriormente usada para roça que foi novamente tomada pela vegetação) é derrubada, deixada para secar e depois queimada. Nas clareiras são plantadas as roças por um período aproximado de três anos e, após esse período, as áreas são gradualmente abandonadas. 
São os homens que derrubam a mata e, junto com as mulheres, fazem a queima. Elas então ficam responsáveis pelo espaço. Escolhem o que plantar — mandioca, banana, açaí, bacaba, pimenta — e o que vai alimentar a família. Nas narrativas indígenas, são vistas como as “mães da roça”. 
Moradora da comunidade Yamado, que fica em frente à principal orla de São Gabriel, a agricultora Carine Viriato da Silva, do povo Baniwa, traz em dois exemplos os efeitos das mudanças no clima nas suas rotinas. Ela conta que após a colheita da mandioca as mulheres costumam deixar a raiz de molho na água para amolecer. Quando algumas famílias do povo Baniwa chegaram para viver no Yamado, há cerca de 30 anos, a mandioca era deixada no igarapé da comunidade. Com o passar do tempo, não foi mais possível fazer isso: os igarapés encheram mais e as mandiocas passaram a ser levadas pela força da água. O jeito foi colocar os alimentos em sacos, o que aumenta o custo para as mulheres. 
A pimenta, alimento essencial na cultura Baniwa por estar no centro de um sofisticado sistema de trocas de mudas que inclui relações familiares e de casamentos, também foi afetada. “Quando a mulher casa e vai para a casa do marido, a pimenteira tem que ir junto. Assim é nosso costume, por isso que nossa pimenta não pode faltar. Se a gente não tiver pimenta, ninguém come mesmo”, diz Carine.   
O impacto vem sobretudo do aumento da temperatura, que interfere na produção da planta. As explicações foram dadas pela agricultora Diva de Souza, que é falante da língua indígena Baniwa e preferiu que Carine falasse por ela. 
“Ela viu a avó dela mudando a pimenta já grande. Quando você muda a pimenta já grande, ela está com raízes para poder tirar os nutrientes lá de baixo. Mas agora, quando você muda a pimenteira para outro lugar, ela não resiste às temperaturas e começa a secar. Mas naquela época a chuva era bem distribuída, então mudava e não secava. Agora não, vem a chuva e depois vem sol muito quente, aí ela não resiste.” Uma alternativa para enfrentar as altas temperaturas, diz, foi cobrir a área de plantio com folhas.
Se as mulheres cuidam das roças, os homens ficam responsáveis pela pesca — e nem os peixes escapam às mudanças. O agricultor e vigilante Alcir Ricardo, do povo Baniwa, marido de Carine, diz que as alterações no regime de chuvas não estão deixando os peixes engordarem.
“Na nossa cultura, quando a chuva começa a cair, vem a piracema [período de reprodução de alguns peixes caracterizada pela migração, contra a correnteza, rio acima]. Aí no mês de junho os peixes estão gordos.” O problema, explica, é que, com o regime de chuvas alterado, musgos que só apareciam em junho apareceram no mês de maio, antes do esperado. Os peixes, segundo ele, passam a se alimentar dessas plantas e não engordam. “Então, ele ainda não está gordo e já vai fazer o regime antes do tempo e vai ficar magro”, resume.   
No baixo rio Uaupés, também na bacia do rio Negro, Rosivaldo Miranda, da etnia Piratapuya, notou outra mudança importante. Morador da comunidade de Açaí-Paraná, na Terra Indígena (TI) Alto Rio Negro, ele observou que até as minhocas encontradas dentro de bromélias estão diminuindo. 
Normalmente elas vivem nos barrancos e, quando o rio está para encher, refugiam-se nas bromélias que ficam nas partes altas das árvores. A instabilidade no regime de chuvas e cheias parece estar interferindo nesse processo, percepção possível apenas para quem convive com a floresta. No caso de Açaí-Paraná, essa alteração é mais relevante, pois a comunidade não tem muitas roças devido ao tipo de solo, mas é abundante em peixes.
Rosivaldo é agricultor, pesquisador do Programa de Agente Indígena de Manejo Ambiental (Aima) e integrante da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas. Em 2021, ele gravou imagens das inundações de roças na comunidade, com perdas que deixaram as famílias em insegurança alimentar. 
Em abril deste ano, ele falou com a reportagem sobre seu temor de a situação se repetir. “Está muito instável. O rio começa a encher, depois volta a secar. Não sabemos como vai ser.” Em maio, o medo de Rosivaldo se concretizou. As roças voltaram a inundar e ele fez um vídeo mostrando a situação. 
Na região do rio Içana, a liderança indígena Juvêncio Cardoso, o Dzoodzo, do povo Baniwa, divulgou em suas redes sociais um vídeo mostrando mulheres mergulhando para salvar parte da plantação de mandioca em roças inundadas. Segundo o relato de Dzoodzo, este ano o nível do rio ultrapassou a marca de 2021, quando havia sido registrada cheia recorde: as famílias enfrentaram eventos extremos por dois anos seguidos.  
“Aldeia Canadá, rio Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro, 11 de maio de 2022. Estamos vivendo novamente uma onda de extrema cheia nessa região. O ano passado vivemos essa mesma situação, porém o que registramos hoje é que o nível já ultrapassou cerca de 50 centímetros  acima do que foi ano passado”, relata Dzoodzo no vídeo. 
Trabalhando diretamente com programas de agricultura familiar junto à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Pastor Cenaide, do povo Tuyuka, estima que a maioria da população de São Gabriel da Cachoeira tem roças. Junto com os familiares, ele criou a Associação Indígena da Etnia Tuyuka — Moradores de São Gabriel da Cachoeira (Aietum), que se estruturou para fornecer produtos da floresta para programas públicos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Hoje, o principal produto fornecido por eles é a farinha amarela. 
Parte da produção é para consumo próprio e parte é escoada, inclusive nas viagens de voadeiras — como as pequenas embarcações com motor são chamadas — carregadas com produtos da floresta para serem trocados entre as comunidades ou vendidos nas feiras dos núcleos urbanos da região, sendo o principal deles São Gabriel da Cachoeira. Ele vem escutando dos produtores relatos sobre os impactos das mudanças no clima. 
O que antes era planejado de acordo com as constelações, diz, hoje já não é mais possível: “O impacto é grande”.
A percepção dos indígenas de que a previsibilidade dos ciclos ambientais está alterada coincide com o registro mais frequente de eventos climáticos extremos no Amazonas. 
A medição dos níveis do rio Negro em Manaus começou em 1902, e em 1953 foi registrada a maior cheia do período. Esse recorde foi batido apenas em 2009. A expectativa era que grandes enchentes como essa ocorressem no prazo aproximado de 50 anos. Entretanto, o recorde foi batido em 2012 e, novamente, em 2021, conforme dados do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Em 2022, o rio chegou a 29,76 metros, sendo a quarta maior cheia desde o início da medição. 
Segundo a pesquisadora Luna Gripp, do CPRM, eventos extremos estão aumentando em frequência e em magnitude, e a situação no Amazonas é um exemplo disso. “No Amazonas, as populações ribeirinhas já convivem com as cheias, mas não com inundações tão frequentes. Ainda nem se recuperaram do último evento e estão sendo atingidos novamente. Isso afeta a resiliência da população, principalmente das pessoas mais vulneráveis”, diz Luna.
Ela defende soluções regionais, com consulta aos povos indígenas e populações ribeirinhas na definição de políticas públicas para reduzir impactos e construir propostas de adaptação. “Os indígenas sabem o que fazer quando o rio sobe muito. É necessário apoiar as decisões que eles tomarem.”  
Assim como ela, a cientista social Júlia Menin, que tem mapeado uma série de práticas de adaptação e enfrentamento das mudanças climáticas em Manaus e municípios vizinhos, também aponta a sabedoria das populações tradicionais como um caminho. “As soluções passam pelo protagonismo dessas populações. Essas pessoas podem não saber explicar exatamente sobre mudanças climáticas, mas sabem como o clima mudou e sabem dizer exatamente o ano que houve cheia, que houve seca, qual casa alagou, quem não teve acesso a saúde. São os que mais sentem e os que mais percebem e sabem como pensar estratégias, que devem ser adotadas pelo governo”, diz. 
Entre outros alertas, o sexto relatório do IPCC traz a informação de  que as emissões nocivas de carbono de 2010-2019 foram as mais altas na história da humanidade, com aumento de emissões registrado “em todos os principais setores do mundo”. O mundo caminha para o aquecimento global de mais que o dobro do limite de 1,5 grau Celsius acordado em Paris em 2015, com impactos na produção agrícola. 
Ainda assim, os cientistas ressaltam que é possível reduzir pela metade as emissões até 2030 e evitar os piores cenários, sendo os sistemas agrícolas apontados como uma alternativa de produção sustentável. 
Nesse caso, o relatório, em conjunto com as observações dos indígenas, aponta para uma encruzilhada: os sistemas agrícolas tradicionais aparecem como alternativa, mas também já sentem os impactos dos extremos climáticos. “Não precisa ser estudioso para saber que o clima está mudando. Isso afeta diretamente na alimentação das famílias, na geração de renda, porque os agricultores indígenas não conseguem mais planejar direito”, resume o indígena Pastor Tuyuka.  
Os tempos de arrumação, plantio e colheita da roça — definidos pelos indígenas da região segundo as constelações — já não são mais previsíveis. “Antigamente era bem detalhado, a orientação do ciclo climático era através das estrelas. Hoje em dia nem toda vez está batendo certo. Não está dando muito para planejar, porque antigamente tinha cada época — da plantação, colheita e tudo mais. Só que agora, mesmo chegando na época, nem todas as frutas carregaram. São coisas que podemos perceber”, reflete. 
Essa reportagem é resultado das Microbolsas Alimentação e Mudanças Climáticas realizada pela Agência Pública, Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e a Cátedra Josué de Castro. A 14ª edição do concurso selecionou jornalistas para investigar os diferentes aspectos desse tema no Brasil.

Alimentos cultivados em meio à floresta (Paulo Desana/Agência Pública)




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Combate ao HIV: por que redução nas infecções teve pior número desde 2016 – BBC News Brasil

Crédito, Yannick Tylle/Getty Images
O número de novos casos de infecções por HIV mundialmente diminuiu apenas 3,6% entre 2020 e 2021, o menor declínio anual de novas infecções desde 2016.
Entre as regiões que viram aumentos nas infecções anuais pelo vírus estão América Latina, Europa Oriental e Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África.
Os dados são do relatório "Em Perigo", lançado nesta quarta-feira (27/07) pela Unaids, órgão da ONU para o tema, que expõe falhas na resposta global ao HIV.
Com a pandemia da covid-19 e outras crises globais, nos últimos dois anos, o progresso contra o HIV enfraqueceu, os recursos destinados a contracepção, tratamento e conscientização diminuíram e, como resultado, milhões de vidas ficaram em risco.
"Esses dados mostram que a resposta global à Aids está em perigo. Se não estamos progredindo rapidamente, isto significa que estamos perdendo terreno, pois a pandemia de Aids acaba avançando em meio à covid-19, ao deslocamento de populações em massa e outras crises. Não podemos perder de vista os milhões de mortes evitáveis que estamos trabalhando para impedir que aconteçam", diz Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids.
Fim do Matérias recomendadas
Pelo enfraquecimento no combate ao HIV, em 2021 houve aproximadamente 1,5 milhão de novas infecções em todo o mundo. Isto é mais de um milhão de infecções além das metas globais estabelecidas para o mesmo período.
Em média, a Aids tirou uma vida a cada minuto, resultando em 650 mil mortes pelo quadro, apesar do tratamento eficaz do HIV e das ferramentas para prevenir, detectar e tratar infecções oportunistas.
Crédito, nito100/Getty Images
No Brasil, medicamentos de profilaxia pré-exposição e pós-exposição ao HIV estão disponíveis gratuitamente no SUS
A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens
Episódios
Fim do Podcast
Embora o relatório não mostre dados específicos da progressão de infecções no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, entre 2019 e 2020 (ano do último levantamento), houve uma queda de 20,7% (de 37.731 contra 29.917) nos casos de Aids notificados.
"O Brasil sempre foi considerado um exemplo na resposta ao HIV. O Programa de HIV e Aids [vinculado ao SUS] é uma política de Estado e seguiu atuante nos últimos dois anos em que a crise de saúde pública causada pela pandemia de covid-19 centralizou a atenção e muitos recursos. O país manteve sua capacidade de atenção à prevenção, diagnóstico e tratamento", afirma Claudia Velasquez, diretora e representante do Unaids no Brasil, à BBC News Brasil.
Durante a pandemia, o Brasil foi um dos países pioneiros a estender a distribuição de antirretrovirais para até seis meses para evitar riscos no recolhimento dos medicamentos e a consequente ruptura no tratamento, além de ter feito doação de medicamentos antirretrovirais para outros países em necessidade.
Mas o território nacional é extenso, e as realidades são diferentes a depender de cada estado e município. O fato de que exista uma oferta pública de serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV e Aids não significa que as pessoas efetivamente conseguirão acessar estes serviços.
Um exemplo disso é que 27% das pessoas vivendo com HIV no Brasil ainda não recebem o tratamento antirretroviral que pode salvar suas vidas.
"No Brasil, diferente do contexto global, a epidemia de Aids é mais concentrada em determinados grupos sociais, as populações-chave, especialmente homens que fazem sexo com outros homens e travestis e mulheres transsexuais. Além de sofrerem todo tipo de violência física e psicológica por conta da transfobia, no Brasil mulheres trans têm um risco 40 vezes maior de se infectar pelo HIV do que a média da população", diz Claudia Velasquez.
Diminuir a desigualdade dentro dos países, melhorando o acesso das populações mais marginalizadas e periféricas aos serviços, de acordo com o relatório do Unaids, é uma das principais formas de impedir a disseminação do vírus.
"As múltiplas desigualdades, potencializadas pela discriminação e pelo estigma, são efetivamente uma barreira de acesso aos serviços de HIV e Aids por parte das populações em situação de maior vulnerabilidade, que encontram dificuldades ou se veem impedidas de ter acesso aos serviços de HIV que podem lhes garantir uma vida saudável e produtiva."
"A crise econômica impacta mais fortemente as pessoas vivendo em situação de pobreza extrema ou miséria. Muitas vezes elas se veem forçadas a tomar decisões difíceis, entre se alimentar ou cuidar da saúde, por exemplo. O resultado é que veem diminuída drasticamente sua capacidade de buscar o diagnóstico ou dar continuidade ao tratamento do HIV. As populações-chave para o HIV têm, ainda, de lidar com o estigma e discriminação, os quais amplificam sua situação de vulnerabilidade."
Por essas razões, Velasquez aponta que os programas de atenção ao HIV e à Aids precisam ser baseados em uma perspectiva multisetorial, abrangendo não apenas os aspectos biomédicos, mas envolvendo também outros serviços de proteção social e de desenvolvimento e sustentação econômica das populações mais vulneráveis.
O relatório também mostra que os esforços para garantir que todas as pessoas vivendo com HIV tenham acesso ao tratamento antirretroviral que salva vidas estão falhando. O número de pessoas em tratamento de HIV cresceu mais lentamente em 2021 do que nos 10 anos anteriores.
Enquanto três quartos de todas as pessoas que vivem com HIV têm acesso ao tratamento antirretroviral, ainda há aproximadamente 10 milhões de pessoas sem acesso aos medicamentos. Apenas metade (52%) das crianças que vivem com HIV em todo o mundo têm acesso a medicamentos que salvam vidas. A lacuna na cobertura do tratamento do HIV entre crianças e adultos está aumentando em vez de diminuir.
O intuito do levantamento, de acordo com o Unaids, é chamar a atenção dos governos para a urgência de dar uma resposta corajosa às desigualdades, ao estigma e à discriminação.
Crédito, Douglas Sacha/Getty Images
Se a trajetória atual persistir, o número de novas infecções de HIV pode chegar a 1,2 milhão em 2025, ano no qual os estados membros da ONU estabeleceram uma meta de menos de 370 mil novas infecções por HIV
O relatório expõe as consequências devastadoras que podem resultar da falta de ação imediata para combater as desigualdades que impulsionam a pandemia.
Se a trajetória atual persistir, o número de novas infecções de HIV pode chegar a 1,2 milhão em 2025, ano no qual os estados membros da ONU estabeleceram uma meta de menos de 370 mil novas infecções por HIV.
Isto significaria não apenas perder a meta, mas ultrapassá-la em mais de três vezes.
De acordo com a Unaids, o momento pede solidariedade internacional e um novo fluxo de financiamento, mas muitos países de alta renda estão cortando a ajuda.
O documento também aponta que o financiamento doméstico para a resposta ao HIV em países de baixa e média renda caiu por dois anos consecutivos. Os choques globais, incluindo a pandemia de covid-19 e a guerra na Ucrânia, exacerbaram ainda mais os riscos para a resposta ao HIV.
O pagamento da dívida dos países mais pobres do mundo atingiu 171% de todos os gastos com saúde, educação e proteção social combinados, sufocando suas capacidades de responder à Aids.
A guerra na Ucrânia aumentou drasticamente os preços globais dos alimentos, amplificando os efeitos negativos da falta de segurança alimentar das pessoas que vivem com HIV em todo o mundo, tornando-as muito mais propensas a sofrer interrupções no tratamento do HIV.
Com isso, os recursos para a saúde global estão sob séria ameaça. Em 2021, os recursos internacionais disponíveis para o HIV foram 6% menores do que em 2010. A assistência ao desenvolvimento no exterior para o HIV proveniente de doadores bilaterais, que não os Estados Unidos, despencou 57% na última década.
Os passos para acabar com a Aids até 2030, de acordo com a organização, incluem: serviços liderados e centrados nas comunidades; a defesa dos direitos humanos e a eliminação de leis punitivas e discriminatórias e o combate ao estigma e à discriminação; o empoderamento de meninas e mulheres; igualdade de acesso aos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento, incluindo às novas tecnologias de saúde; e serviços de saúde, educação e proteção social para todas as pessoas, especialmente as afetadas ou vivendo com HIV e Aids em situação de maior vulnerabilidade.
– Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62313331
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“Contra a homofobia, o racismo, toda forma de discriminação e preconceito”, diz padre Júlio Lancellotti em prêmio – Mobilidade Estadão

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Padre Júlio dedicou o prêmio aos que vivem em situação de vulnerabilidade social e a todos os grupos que lutam pela vida
2 minutos, 25 segundos de leitura
27/07/2022
Por: Estadão Conteúdo

 Com reportagem de Simião Castro
O padre Júlio Lancellotti, referência nacional em atendimento e cuidado a pessoas em situação de rua, recebeu um prêmio do MTV Miaw na noite de terça-feira, 26. O evento entregou ao religioso o troféu “Transforma Direitos Humanos”, que o dedicou aos moradores em situação de vulnerabilidade.
A homenagem é um reconhecimento pelos esforços do padre na defesa de grupos marginalizados e ao trabalho feito na Mooca, na zona leste de São Paulo, junto a pessoas em vulnerabilidade social. Ele distribui diariamente um café da manhã reforçado, roupas e doações aos mais pobres e é constantemente criticado por isso.
Aporofobia, não!
Ao receber o troféu “Transforma Direitos Humanos”, Júlio Lancellotti falou brevemente à plateia, tomada quase inteiramente por jovens, como esperado para um evento da MTV, e foi ovacionado pelo público. O evento será exibido na quinta-feira (28), às 21h, gratuitamente pela Pluto TV.
“Lutemos pela verdade e pela justiça, na defesa dos direitos humanos. Contra a homofobia, o racismo, toda forma de discriminação e preconceito”, disse o padre, que recebeu nova onda de aplausos.
“Ofereço este prêmio e a minha vida pelos moradores em situação de rua, encarcerados, prostituídas e prostituídos, por todos os que lutam pela vida”, encerrou o sacerdote pedindo um grito de “aporofobia, não” . O termo significa ódio aos pobres, demostrado de diversas maneiras.
Opinião: ‘Nós, pobres e periféricos, estamos mais perto de quem vive nas ruas’
Padre Júlio Lancellotti  é crítico ativo de políticas excludentes
Júlio Lancellotti também foi alvo de milícias digitais, que se empenham em desacreditar o padre e tentam desvalorizar as ações que exerce. O sacerdote já foi até ameaçado de morte.
Mas enquanto há quem o recrimine, também existem os que admiram o trabalho de Lancellotti nos mais altos círculos. Como o próprio Papa Francisco, que ligou diretamente para o padre em 2020. “Peço que não desanime e permaneça, como Jesus, ao lado dos mais pobres”, disse o pontífice na ocasião, segundo o pároco.
O padre também é crítico de intervenções urbanas que limitam o ambiente público com objetivo de impedir, por exemplo, pessoas de sentarem em degraus ou dormir em bancos. Reflexos do que ele chama de aporofobia. Ele é fundador das Casa Vida I e II, criadas inicialmente para atender crianças e jovens vivendo com HIV.
No início de 2021, Lancellotti chegou a arrancar a marretadas pedras assentadas pela Prefeitura de São Paulo embaixo de um viaduto. Ele, que é coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, classificou como “uma aberração” a ação. Após a repercussão negativa, a administração pública voltou atrás e desfez o serviço.
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Custeadas com dinheiro público, instituições com forte presença de religiosos possuem irregularidades quanto ao tratamento dos dependentes
Parceria entre a 99 e a BYD, líder mundial no mercado de veículos elétricos, é uma das ações da Aliança pela Mobilidade Sustentável que visa o desenvolvimento de cidades mais verdes
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Outras 25 cidades também receberão o novo serviço a partir de agosto, oferecendo viagens até 30% mais baratas em comparação com os carros
A iniciativa é parte do programa Olho Vivo, que já funciona em 58 batalhões do Estado, com 8,1 mil equipamentos
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Conheça a história de Carlos e Cassandra
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Cassandra, que carrega uma história diferente, mas que, no fundo, tem semelhanças com a de Carlos. Nasceu num corpo com o qual nunca se identificou e passou uma vida inteira a negar a sua essência e a fingir ser aquilo que nunca foi. Iniciou o processo de transição de género há cerca de 5 anos e tudo o que deseja é ser feliz, respeitada e poder ser uma mulher a 100%, sem qualquer tipo de julgamento ou discriminação.

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​Principal nome à frente da recém-aprovada reforma da Lei de Estrangeiros em Portugal, que facilitou o acesso a vistos de trabalho para brasileiros, entre outros grupos, a ministra de Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, defende que imigrantes são essenciais para a sustentabilidade econômica e demográfica do país.
Deputada pelo Partido Socialista há mais de duas décadas, ela rebate críticas da oposição de que o projeto tenha tramitado de maneira apressada —o texto foi aprovado na última quinta (21), pouco mais de um mês após seu anúncio no Conselho de Ministros, mas já constava no Orçamento desde 2020.
“Nós tivemos uma crise política, por seis meses o Parlamento não pôde legislar“, diz à Folha, classificando o acordo de “absolutamente urgente para revitalizar a economia“. Com uma das mais baixas taxas de natalidade da União Europeia e população cada vez mais envelhecida, Portugal vem apostando na atração de imigrantes como motor de crescimento —desde 2016, a população estrangeira no país cresceu 77,7%.
Apesar das políticas de incentivo, que contrastam com a postura de vários outros membros da UE, há um gargalo nos processos de regularização, que hoje levam mais de dois anos para serem concluídos, e um aumento nas queixas de xenofobia. Mendes diz que a expectativa é a de que as mudanças na lei agilizem a burocracia e alega que o governo não ignora episódios de discriminação racial.
“Não são números alarmantes do ponto de vista da comparação com outros Estados-membros do bloco, mas nos devem alarmar, a partir do momento em que há casos.”
A criação de novos vistos já estava prevista desde 2019, mas foi apresentada e votada em pouco mais de um mês agora em 2022. Por que essa rapidez? Não há pressa como aquilo que foi dito pela oposição. Há uma realidade. Em julho de 2021, Portugal assinou o acordo de mobilidade com a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]. Para que esse acordo pudesse entrar em vigor, era preciso que a Lei de Estrangeiros fosse alterada, e nós tivemos uma crise política, com seis meses parados. O Parlamento não podia legislar. Para dar corpo a um acordo que é absolutamente urgente para revitalizar a economia e termos fluxos migratórios mais regulados, era essencial que procedêssemos com as mudanças.
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Desde 2017, Portugal voltou a ter um saldo migratório positivo. Isso deve-se à nossa visão humanista, mas de quem percebe a atualidade. Temos um problema de demografia e de necessidade de revitalização da economia e, como Estado, temos de responder àqueles que procuram aqui novas oportunidades na vida —porque fugiram da guerra, de uma ditadura, da miséria ou dos efeitos da crise climática.
Diante do cenário em que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ainda está processando pedidos de regularização feitos em 2020 e que a rede consular tem atrasos para emitir os vistos de estudante, Portugal tem hoje como dar conta do processamento dos novos vistos? Eu espero que esta seja também uma possibilidade de mudança na forma como a administração pública acolhe os estrangeiros que nos procuram. Não ignoramos que há deficiências na resposta do SEF, e nossa expectativa é a de que isso melhore. Por isso agilizamos processos.
Além da questão burocrática, Portugal reúne condições para absorver mais migrantes? Nós temos hoje cerca de 700 mil migrantes em Portugal e sucesso na sua integração na escola e no mercado de trabalho; sucesso no acesso à saúde e à proteção social. De resto, devo lembrar que mesmo em momento de pandemia, os cidadãos estrangeiros tiveram acesso não só à vacinação —e foram cerca de 600 mil os imunizados—, mas também ao sistema de layoff, medida que garantiu a manutenção de postos de trabalho mesmo enquanto estávamos confinados.

Desde 2016 temos um esforço para aumentar as respostas e garantir que as pessoas tenham aqui os mesmos direitos e deveres. Passamos de cinco estruturas de acolhimento a estrangeiros para mais de uma centena delas, espalhadas por todo o país.
A discriminação com o português do Brasil é queixa recorrente nos estabelecimentos de ensino. Existe alguma iniciativa para integrar mais as variantes do português? O Acordo Ortográfico já foi uma forma de harmonizar o português. Eu julgo que esse é um trabalho que as escolas e os professores irão fazendo, porque nós pedimos que haja mesmo um trabalho de integração. As palavras não são todas iguais, mas a língua é a mesma. O português é uma das línguas mais faladas do mundo, e temos uma comunidade lusófona muito importante. Entendo a lusofonia como uma mais-valia para todos nós.
As queixas de xenofobia e discriminação vêm apresentando trajetória de alta. Há um problema no país? Portugal é mesmo um país de integração, mas isso não significa que não tenha episódios de discriminação e racismo. Atribuo muito o aumento do número de queixas a duas situações. Em primeiro lugar, acho que há maior consciencialização e divulgação desse fenômeno. Depois, julgo que há também hoje uma estrutura autônoma que permite que as pessoas se sintam mais confortáveis para fazer uma denúncia.
Não são números alarmantes do ponto de vista da comparação com outros Estados-membros da União Europeia, mas são números que nos devem alarmar a partir do momento em que há casos, e que esses devem ser acompanhados.
Portugal tem reconhecidamente um problema de baixos salários. A chegada de mais imigrantes poderia agravar esse cenário? Quem tem essa visão é quem acha que é possível discriminar alguém em função da origem. Aquilo que acontece em Portugal é que o que diz a Constituição: trabalho igual, salário igual.
Mas existe comprovadamente um fosso salarial. Levantamento da Organização Internacional do Trabalho indica que trabalhadores estrangeiros têm rendimentos 29% menores do que os portugueses. Eu tenho essas indicações da OIT, e acho que nós devemos estar atentos a esse fenômeno. O Estado deve promover o “trabalho igual, salário igual”. O que significa não discriminar em função de sua origem, sexo, gênero ou orientação sexual. É o artigo 13 da nossa Constituição.
Nome de confiança do primeiro-ministro António Costa para conduzir a atividade legislativa, é deputada desde 1995 e titular da pasta dos Assuntos Parlamentares, responsável pela tutela de migrações. Formada em Direito na Universidade de Lisboa.
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Governo racista da Hungria vê Bolsonaro na pior e oferece ajuda para reelegê-lo, diz jornal – Hora do Povo

Home / Política
Por Publicado em 28 de julho de 2022
O governo fascista da Hungria ofereceu ajuda para reeleger Jair Bolsonaro (PL), numa intromissão intolerável nos assuntos brasileiros.
A oferta foi feita pelo ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, em reunião no início de julho, no Reino Unido, com a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Cristiane Britto.
A informação consta no relatório de viagem feito pela ministra, que o jornal Folha de S. Paulo teve acesso.
O ministro húngaro viu que a situação de Bolsonaro é periclitante no cenário eleitoral do Brasil e solicitou o encontro.
“Ele [Péter Szijjártó] questionou se haveria algo que o governo húngaro poderia fazer para ajudar na reeleição do presidente Bolsonaro”, diz Cristiane no relatório. A ministra disse na reunião com o húngaro que o Brasil passa por uma “polarização”.
As duas autoridades estavam no Reino Unido para participar da Conferência Ministerial Internacional sobre Liberdade de Religião ou Crença.
Conforme o relatório, no início da conversa o ministro húngaro afirmou ter solicitado o encontro bilateral porque, em primeiro lugar, os dois governos compartilham a mesma visão.
“Em segundo lugar, devido ao interesse em saber mais do cenário eleitoral, ele questionou se haveria algo que o governo húngaro poderia fazer para ajudar na reeleição do presidente Bolsonaro”, escreve Cristiane no relatório sobre a reunião com Szijjártó. Como resposta, a ministra comentou “a polarização da sociedade brasileira” no período eleitoral. “Destaquei a convergência de pensamentos dos dois países em diferentes temas, particularmente naqueles afetos à competência do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH)”.
Ao final, seguindo o documento da ministra, ele “desejou sucesso nas próximas eleições presidenciais”.
Em fevereiro, Bolsonaro esteve com o primeiro-ministro racista da Hungria, Viktor Orbán, a quem chamou de “irmão”.

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Em 11 de julho, a presidente da Hungria, Katalin Novák, visitou Bolsonaro no Palácio do Planalto, quando compartilharam a convergência dos países em ideias fascistas.
RACISMO
Recentemente Orbán deu declarações racistas que foram repudiadas na Europa.   
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban, disse que os húngaros não querem se tornar um povo “mestiço”.
Em um evento na Romênia, Órban falou que “existe um mundo em que os povos europeus são misturados com aqueles que chegam de fora da Europa. Esse é um mundo de raças mistas”.
“E há o nosso mundo, em que as pessoas da Europa se deslocam, trabalham e se mudam. É por isso que sempre lutamos: estamos dispostos a nos misturar, mas não queremos nos tornar povos mestiços”.
“Onde coabitam povos europeus e não europeus não são mais nações. Esses países não passam de conglomerados de povos”, completou o primeiro-ministro.
A principal reação ao discurso fascista de Orbán veio da sua ministra da Inclusão Social, Zsuzsa Hegedus, que pediu demissão do cargo.
Ela disse que o discurso do primeiro-ministro “é pura retórica nazista digna de Joseph Goebbels”, ministro da Propaganda da Alemanha nazista. Hegedus e Orban foram aliados por mais de 20 anos.
O deputado do Parlamento Europeu, Katalin Cseh, do partido de oposição Momentum, disse que a declaração de Orban “lembra uma época que acho que todos gostaríamos de esquecer. A diversidade fortalece a nação, não a enfraquece”.
Outro eurodeputado Alin Mituţa, da Romênia, país onde o discurso racista foi proferido, disse que “falar sobre raça ou ‘pureza’ étnica, especialmente em uma região tão mista como a Europa Central e Oriental, é puramente ilusório e perigoso”.

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Povos originários e comunidades tradicionais no futuro – Combate Racismo Ambiental

Por Roberto Liebgott, Cimi Regional Sul
Haverá, sem dúvida, um bom futuro para os povos originários e comunidades tradicionais no Brasil, mas, até sua concretização, a distância ainda é muito longa. Para se chegar lá, do outro lado, existe, entre o futuro e o presente, um enorme abismo ou um estreito atalho.
No abismo estão os mecanismos da destruição, discriminação, intolerância e suas ferramentas de morte.
Dentre eles há o ruralismo com suas boiadas, monocultivos, transgenia e veneno lançado sobre meio ambiente, as águas e as vidas;
A bancada parlamentar da bala, suas milícias, contrabandistas, narcotraficantes, pistoleiros matadores;
O madeireiro e suas motosserras, tratores, correntões, caminhões, incêndios e devastação;
O garimpeiro e sua cobiça interminável, o mercúrio, as dragas e balsas, sua sede de sangue e uma brutalidade extrema;
O empresário inescrupuloso, sonegador, aliciador de pobres, escravocrata, criminoso, usurpador da dignidade humana;
O especulador, pescador, caçador, invasor de terras, territórios, lagos, lagoas e rios;
O arrendatário, grileiro, esbulhador de terras, culturas e vidas, sanguessuga dos bens da vida;
O minerador degradador do solo e subsolo, que através de suas máquinas comem e contaminam as terras, tendo em vista a obtenção de lucros fartos, independentemente do rastro de destruição e morte que deixam para trás;
O bolsonarista vinculado ao fascista e ao neopentecostalista aliciador de fiéis cristãos, desmotivador da paz, do amor, dos direitos individuais e coletivos, propagador do ódio, do preconceito e da violência extrema;
A tese do marco temporal, interpretação constitucional nefasta dos direitos indígenas, em julgamento no Supremo Tribunal Federal e que vem sendo obsessivamente acionada e incentivada por políticos, juízes, fazendeiros, todos transgressores dos direitos humanos e originários dos povos, primeiros habitantes do Brasil, e dos quilombolas que se libertaram das correntes da escravidão.
Por dentro do estreito atalho existem também muitos obstáculos a serem transpostos. Há lama, atoleiros, buracos e pedregulhos. São a insegurança, a pobreza, o racismo, o machismo e as enormes divergências entre os grupos políticos e econômicos. Mas há uma saída e nela residem as esperanças, as lutas e resistências, a coragem e persistência no enfrentamento das injustiças.
A conquista do futuro não será tranquila, pacífica e muito menos um céu florido de libertação. Exigirá mobilização, união, redes de articulação e solidariedade entre os de baixo para desacomodar àqueles que estão em cima e que mantém ativa a pirâmide da exclusão, da pobreza, do racismo, machismo, homofobia e todas as outras formas de exploração, intolerância e discriminação.
Porto Alegre, 28 de julho de 2022.

Foto: Guilherme Cavalli/Cimi




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