Ex-funcionário revela agressões racistas e homofóbicas dentro da Aston Martin – Grande Prêmio

Dias após o escândalo envolvendo Nelson Piquet e Lewis Hamilton, a Fórmula 1 se vê mais uma vez envolvida em um caso de discriminação. Em entrevista à emissora Sky News, um ex-funcionário de uma fornecedora da Aston Martin revelou ter sofrido discriminação racial e por causa de orientação sexual durante o período em que trabalhou na equipe de Sebastian Vettel e Lance Stroll.
Aidan Louw, de 25 anos, foi contratado por uma fornecedora da Aston Martin como laminador para atuar no carro de Vettel em fevereiro passado, mas alega que, logo de cara, passou a ser algo de apelidos racistas por conta do tom de pele.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!
“Antes mesmo de eu entrar no meu ambiente de trabalho, me disseram: ‘Olha, se você tiver um problema com a maneira como falamos aqui, é só a maneira como falamos’”, contou Louw em entrevista à emissora Sky News. “Eu passei de moreninho para escurinho. Não se referiam a mim com Aidy ou nada assim. Me chamavam de n* e escurinho. É assim que se referiam a mim. Foi perto do fim daquele período que eu finalmente processei o que estava acontecendo”, seguiu.
“Eu entrei em um ciclo de turno após turno, um ciclo de abuso após abuso, com palavras que iam de n* a moreninho a totalmente negão, que foi onde eu tracei uma linha e disse não”, relatou.
Portador de dupla cidadania, do Reino Unido e também da África do Sul, Aidan afirma que o abuso incluiu também um insulto do período do Apartheid, o regime de segregação racial que marcou o país sul-africano entre 1948 e 1994 que promovia uma série de privilégios para a parcela branca da população e que foi condenado internacionalmente.
Os insultos, de acordo com Aidan, porém, não se limitaram à raça. O ex-funcionário alega que a homofobia também esteve presente nos ataques.
“Revelei para alguém que tive um namorado na minha juventude e foi isso. Em questão de segundos, tudo mudou”, contou. “Assim que descobriram aquela informação, começaram a tentar me derrubar como homem, como indivíduo e como humano”, frisou.
Em contato com a emissora inglesa, a Aston Martin alegou que contrato de Aidan foi encerrado por conta de “desempenho ruim” e “má gestão de tempo” e sem relação com a discriminação que ele enfrentou. Louw admite que a performance e a pontualidade deixaram a desejar, mas acredita que ambos os fatores estão relacionados ao abuso sofrido.
“A AMR e seus fornecedores operam com uma política de tolerância zero em relação a racismo, homofobia e todos os tipos de discriminação”, disse a Aston Martin em um comunicado encaminhado à emissora. “Lidamos com todas as alegações deste inaceitável comportamento de maneira muito séria, incluindo por meio de uma investigação de tais alegações e com sanções aos indivíduos que não atingem os nossos padrões”, continuou.
“Neste caso, o queixoso foi devidamente acreditado, agimos imediatamente em relação às queixas dele e tomamos as medidas adequadas alinhadas com a nossa política de tolerância zero. Estamos em discussão com ele” encerrou.
A emissora inglesa diz acreditar que os envolvidos nos ataques racistas e homofóbicos não fazem mais parte do quadro de funcionários da Aston Martin.
Nas últimas semanas, a questão da discriminação racial está no centro dos holofotes no mundo do esporte a motor. Além do caso envolvendo Piquet, no fim do mês passado a Red Bull encerrou o contrato de Jüri Vips como piloto de testes da Fórmula 1 por conta de comentários racistas e homofóbicos durante uma transmissão na Twitch. Ainda assim, o neozelandês manteve o posto no programa de jovens pilotos. Na semana passada, o tema também voltou à pauta por conta de agressões praticadas contra espectadores nas arquibancadas do Red Bull Ring durante o GP da Áustria.
Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.
Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.
Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

source

0 replies

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.