Achille Mbembe e Carla Akotirene pensam racismo e a sustentabilidade – Folha

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Mestre em filosofia política pela Unifesp e coordenadora da coleção de livros Feminismos Plurais.
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Entre os dias 8 e 10 de julho, aconteceu em São Paulo a Virada ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para discussão sobre objetivos e metas das Nações Unidas estabelecidos em 2015 para desenvolvimento social e ecológico do planeta, o que ficou conhecido como Agenda 2030. O evento foi organizado pela prefeitura da cidade de São Paulo em parceria com a Organização das Nações Unidas.
Foi uma honra receber o convite da secretária de Relações Internacionais do município, Marta Suplicy, para participar desse evento que ficou marcado na história da cidade.
E, se participar desse momento já era uma honra, quando soube das companhias na mesa de discussão, foi uma imensa alegria. Estive ao lado da pesquisadora e doutora em estudos de gênero pela Universidade Federal da Bahia e autora de livros sobre interseccionalidade e sistema prisional Carla Akotirene, e do notável professor e autor de obras fundamentais para o pensamento negro do sul do mundo, o camaronês Achille Mbembe. Na mediação, a premiada jornalista Rosana Jatobá.
Ao expor minhas reflexões sobre racismo e sustentabilidade, busquei contribuir com o debate expondo de que forma todas essas metas estabelecidas pelas Nações Unidas dialogam de uma forma interseccional.
Uma das metas, por exemplo, é o enfrentamento à pobreza. Se a gente não parar para pensar que a maior parte da população que vive na pobreza é negra, como é que poderemos combater o problema por meio de políticas públicas efetivas?
Quando a gente pensa em acesso à moradia, uma outra meta, nos deparamos com o fato de que a maior parte da população que vive em situação de rua ou em moradias irregulares é negra. Então, compreendendo o contexto do país de quase quatro séculos de escravidão e que no pós-abolição não foram pensadas medidas de inclusão para a população negra, conseguimos entender o processo de favelização.
Entendemos como opressões estão interligadas ao pensar sob uma perspectiva de gênero. Para políticas públicas de habitação, por exemplo, é necessário observar a realidade de mulheres que muitas vezes não saem de relacionamentos abusivos por não terem para onde ir. Por isso, é importante programas habitacionais que entregam a escritura na mão das mulheres.

Pois, da perspectiva da qual parto, as políticas são transversais. A ampliação da política de saúde pública é uma política antirracista, posto que a população negra é a que tem menos acesso. Quando se amplia uma política de amparo à mulher que está grávida, é uma política interseccional, uma vez que mulheres negras sofrem da maior taxa de mortalidade materna e assim por diante.
Como disse a professora Carla Akotirene no encontro: “Como você vai dialogar sobre um sistema no mundo que seja sustentável se você não tem bons pesquisadores que dialoguem com o enfrentamento do racismo e do sexismo?”.
O Brasil é um celeiro de pensamento de vanguarda. Sobre desenvolvimento sustentável e meio ambiente nós temos no país uma produção de saberes seculares a partir dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, porém o abafamento dessas vozes traz um profundo atraso na discussão do tema. É importante como questionar a hierarquização de saberes é uma chave fundamental para o alcance de metas de melhoria do planeta.
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No nosso encontro, o professor Mbembe apontou a conexão que está cada vez mais sendo estabelecida entre o racismo e a guerra contra a natureza. Segundo ele, é uma combinação desses dois perigos que está ameaçando a nossa existência no planeta, não apenas a existência da população negra, mas todas as formas de vida, humanas e não humanas.
Segundo Mbembe, a conexão está na ordem branca econômica e política que precisa sacrificar constantemente certas formas de vida. Ou seja, os sacrifícios dessas vidas indesejadas não são um acidente, mas o funcionamento desse sistema. A guerra contra outras formas de vida pela exploração extensiva dos recursos naturais são centrais e se interligam, punindo de forma desproporcional justamente as nações sem condições materiais de desenvolvimento.
Desafiar a estrutura conforme modelada pelos países do norte global é questão de sobrevivência de toda a humanidade na busca de seus direitos. Sobretudo, citando o professor Mbembe, o direito a um futuro disponível para que todas e todos possam habitar a Terra e partilhá-la de forma equalitária.
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