Em Cuba não há «afrocubanos» – AbrilAbril

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A Casa das Américas, em Havana, foi palco de um debate, com intelectuais de Cuba e membros de uma delegação dos EUA de visita à Ilha, sobre conceitos como negritude, racismo e anti-racismo.
«Como explicar a um grupo de norte-americanos curiosos por Cuba que, enquanto “afroamericano” é um substantivo para falar das pessoas negras nascidas nesse país, “afrocubano” é um adjectivo presente em cada aspecto da nossa identidade nacional?», refere o diário Granma a propósito do encontro de ontem na sala Manuel Galich, na Casa das Américas.
Porventura, refere o diário, esse foi o maior desafio do debate entre intelectuais cubanos e a delegação vinda dos EUA, liderada pelo artista Andy Shallal. Pelo país antilhano, estiveram presentes a poeta Nancy Morejón; Zuleica Romay, directora do Programa da Afro-América da Casa das Américas, e o poeta e ensaísta David López.
Abordaram-se temas e situações como a escravatura, o tráfico de pessoas, os negros que compravam a sua liberdade, os que escapavam, os que foram libertados quando foi abolida a escravatura e os que, muitos anos depois, continuavam a arrastar correntes, embora lhe chamassem «livres».
Zuleica Romay contou a história da sua bisavó, que nasceu num barracão, quando, supostamente, já não existiam escravos, e depois, durante os seus últimos anos de vida, por vezes se assustava de repente e gritava que lhe queriam bater com o chicote.
No encontro, refere o Granma, recordou-se que durante o século XIX e os primeiros anos do século XX as famílias negras cubanas, que já eram livres, se dedicavam aos trabalhos domésticos e aos trabalhos de força. Daí que, mesmo depois do fim da colónia e já não sendo mão-de-obra acorrentada nos campos cubanos, os negros constituíssem uma peça-chave na vida e na economia do país.

Participantes no encontro na Casa das Américas, em que se debateu escravatura e racismo, entre outros conceitos / Granma 

Andy Shallal perguntou por que razão os descendentes de africanos que vivem em Cuba não se chamam a si mesmos «afrocubanos», como ocorre noutros países do continente: afro-americanos, afro-colombianos, etc.
«Não se trata do menor desprezo por África, mas é o resultado de um processo cultural que se levou a cabo neste território durante séculos», esclareceu David López.
«A música, as danças, a cozinha e a religião africanas mudaram tudo o que chegava da Europa. Não é que os negros adoptassem os costumes dos espanhóis e vice-versa», comentou Romay, «mas ambos se foram combinando até criar a nossa identidade».
«No início, quando os nascidos em Cuba se começaram a reconhecer como crioulos, este termo só se usava para os descendentes de pais brancos; os filhos dos negros eram afrocubanos. Mas foi tanta a mestiçagem de cores e culturas que rapidamente passou a ser um qualificativo para tudo o que tivesse alguma influência africana. Eles não eram afrocubanos, eram cubanos e negros», disse ainda Romay.
«Hoje, ouves o som de um tambor, um bom tambor cubano, e, quando saímos para dançar, não se sabe quem é branco e quem é negro, todos dançamos com a força de África», disse Nancy Morejón, que concluiu o encontro com a leitura de versos do seu livro Madrigal para un príncipe negro, com 12 poemas dedicados a George Floyd, sublinhando os laços que unem os povos de Cuba e dos Estados Unidos.
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