Brasileira acusa idoso de xenofobia ao sofrer agressão em trem em Portugal – UOL Notícias

Maurício Businari
Colaboração para o UOL
11/07/2022 15h05
Uma jornalista brasileira denunciou um idoso por xenofobia após ter sido agredida verbal e fisicamente por ele em um trem de Portugal. Aline Lima, 28, conseguiu gravar toda a cena com o celular e registrou uma denúncia junto à Polícia de Segurança Pública de Braga.
Nas imagens, é possível ver quando o homem sugere que ela “retorne para o seu país” e acaba a agredindo no rosto com uma sacola.

A confusão teve início na sexta-feira (8) dentro de um vagão de trem que trafegava pela região de Braga, por causa de um patinete motorizado que Aline carregava com ela. Ela conta que entrou no vagão, sentou-se e colocou o equipamento, que é dobrável, sob o banco. Nesse momento, um homem começou a chamar sua atenção.
“Coloquei o patinete sob o meu banco e na hora esse senhor começou a reclamar. No começo, não liguei. Ele estava sentado distante de mim, então eu sabia que não estava atrapalhando ele em nada. Mas ele não parava de falar e comecei a questioná-lo sobre o porquê de estar tão irritado”, contou a jornalista ao UOL.
Foi aí que ele disse que eu devia voltar para o meu país. Começamos uma discussão e eu falei que iria denunciá-lo por xenofobia. Nesse momento, ele se levantou e bateu com a sacola que carregava contra o meu rosto com força. Tive que me segurar para não revidar.
Após ser agredida, ela começou a pedir para os passageiros que chamassem a polícia, que fizessem algo, mas a jornalista afirma que ninguém se manifestou a seu favor. Quando o trem parou na estação de São Bento, região do Porto, o homem desceu do vagão e ela começou a segui-lo.
“Em que mundo você vive?”, pergunta ela ao idoso, indignada, em outro trecho do vídeo. “Me ajuda aqui a chamar a polícia”, gritava para os usuários que passavam por ela. Em um dado momento, o idoso se aproxima e começa a indagar sobre os “papéis” dela.
“Ele achou que eu era uma imigrante ilegal. A ironia é que eu estava justamente voltando do consulado do Brasil em Portugal. Vivo há três anos no país de forma legal, tenho todos os documentos, autorização para trabalho, visto de residência. Estou me preparando para me naturalizar e esse homem vem para cima de mim? Que direito ele tem de fazer isso com as pessoas?”, questiona Aline.
O UOL entrou em contato com o consulado do Brasil em Portugal, para obter um pronunciamento, mas o órgão não havia se manifestado até a publicação.
A jornalista diz que os casos de xenofobia são comuns em Portugal, principalmente entre os cidadãos mais idosos. “Os jovens têm a cabeça mais aberta, tenho muitos amigos portugueses, gente do bem. Muitos até querem sair do país, tentar a vida em outros lugares”.
Ela afirma que não ficou abalada psicologicamente, como geralmente acontece com outros brasileiros que são destratados e acabam retornando ao Brasil por não aguentarem a pressão. “Já fui alvo de piadinhas, insinuações. Mas uma agressão assim, tão explícita, foi a primeira vez”.
Com a ajuda do namorado de uma amiga, que é policial, Aline registrou o caso junto à Polícia de Segurança Pública de Braga, onde reside. Ela lavrou um Termo de Notificação da Vítima e um Pedido de Indenização Civil.
“Não saí de Belo Horizonte (MG) para ser humilhada aqui em Portugal. O presidente Marcelo Rebelo já declarou várias vezes que não tolera a xenofobia. Ele mesmo tem parentes que moram no Brasil e muitas vezes deu declarações agradecendo aos brasileiros que moram em Portugal por sua dedicação ao trabalho e por ajudarem o país a crescer”, afirmou ela.
A jornalista diz que agora irá aguardar uma manifestação das autoridades portuguesas sobre o seu caso. Ela espera que o idoso que a agrediu seja ouvido e punido. Na sua opinião, as pessoas que são vítimas de xenofobia em outros países não deveriam ter medo de denunciar e expor os agressores, sob risco de os ataques se normalizarem e se intensificarem.
Eu amo Portugal e os portugueses. Por isso, minha expectativa é que o caso siga em frente, que seja feita Justiça. Que esse senhor se apresente à Justiça para pagar pelo que fez comigo. Seja com multa, detenção ou trabalhos voluntários. Ele, assim como outros portugueses que destratam e agridem estrangeiros em seu país, têm que aprender que isso não se faz. Espero que, com o meu exemplo, outros estrangeiros criem coragem e venham a público contar suas histórias.
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