Caio Cabral relata episódios de racismo em shopping: "Seguido por seguranças" – QUEM Acontece

Caio Cabral tem 22 anos de idade e tem trabalhos de destaque no streaming (Foto: Alberto Maurício)
Caio Cabral, 22 anos de idade, é um dos nomes da nova geração de atores e está na contagem regressiva para as gravações, previstas para agosto, da segunda temporada da série De Volta aos 15. Na série, ele vive o estudante Henrique e forma par com Anita, personagem interpretada por Maisa.
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Com outro papel de destaque na série Confissões de uma garota excluída, protagonizada por Klara Castanho, Caio acha que o mercado para artistas negros precisa evoluir, mas não deixa de observar que há um crescimento. “Fico feliz de poder estar fazendo parte dessa transformação”, afirma o ator, que já observou comportamentos racistas a sua volta. “Passei por muitas situações de racismo e cotidianas. Como, por exemplo, tomar geral de PMs em ponto de ônibus ou andando nas ruas, até mais de uma vez no mesmo dia. Já tive carro de aplicativo se recusando a fazer a viagem. Ir a um shopping ou ao mercado é quase sempre motivo para ser seguido por seguranças”, conta o ator que estreou na TV interpretando o personagem Patrick na novela Bom Sucesso (Globo, 2019).
Caio Cabral durante temporada em Paris, na França, para gravar De Volta aos 15 (Foto: Reprodução/Instagram)
Pai de Manuela, de 2 anos, ele torce para que a filha cresça em uma sociedade mais igualitária. “Quero fortalecer a autoestima dela, assim como meus avós fizeram comigo. Fui criado pelos meus avós, que são meu pai e mãe para mim. Quero também passar o senso de justiça para a minha filha.”
Quem: Você é um dos destaques no elenco de De Volta aos 15. Como foi dividir o papel com Breno Ferreira e atuar com Maisa e Camila Queiroz?
Caio Cabral:
O meu personagem, Henrique, é um músico e isso fez com que a interpretação fosse um desafio e muito elaborada. Foi muito enriquecedor e muito prazeroso esse trabalho. Formamos uma equipe muito unida e divertida nos bastidores.
Como foi a experiência de gravar fora do Brasil? 
Gravar em Paris foi um sonho realizado. Fizemos imagens lindas para a série por lá. Fiquei muito feliz que o trabalho me proporcionou essas oportunidades.
Camila Queiroz, Breno Ferreira, Caio Cabral e Maisa posam na Torre Eiffel, em Paris, durante as gravações da série De Volta aos 15 (Foto: Arquivo pessoal)
Alguma história de bastidores curiosa?
Estávamos caminhando à noite, voltando para o hotel, numa rua de Paris e todos nós — Breno, Maisa, Camila, diretores, produtores e técnicos –, começamos a cantar e a sambar. Fizemos um registro desse momento animado em um vídeo. A gente estava mesmo integrado. 
A segunda temporada da série está confirmada. Pode adiantar algo?
Ainda não sabemos nada da trama, mas gravações começam em agosto.
Percebeu um crescimento no mercado para atores negros ou ainda precisamos dar muitos passos?
Houve crescimento, sim, mas, com certeza, há muito a evoluir na questão de quantidade de atores negros nas produções e também na profundidade dos personagens. A Netflix tem mudado muito esse panorama, com a presença de atores negros nas suas produções. Fico feliz de poder estar fazendo parte dessa transformação.
Como pai, quais valores pretende passar para a educação da sua filha?
Quero fortalecer a autoestima dela, assim como meus avós fizeram comigo. Fui criado pelos meus avós, que são meu pai e mãe para mim. Quero também passar o senso de justiça para a minha filha.
Caio Cabral e a filha, Manuela, de 2 anos (Foto: Reprodução/Instagram)
Acredita que ela terá uma sociedade mais igualitária?
Acho que temos muito que evoluir para vivermos em uma sociedade mais igualitária. Não acho que a geração da minha filha viverá em uma sociedade onde exista igualdade, infelizmente.
Você já passou por situações de racismo?
Sim, passei por muitas situações de racismo e cotidianas. Como, por exemplo, tomar geral de PMs em ponto de ônibus ou andando nas ruas, até mais de uma vez no mesmo dia. Já tive carro de aplicativo se recusando a fazer a viagem. Ir a um shopping ou ao mercado é quase sempre motivo para ser seguido por seguranças… Além das manifestações cotidianas de racismo e preconceito até no prédio em que moro desde que nasci, no bairro de Santa Teresa. Uma vez entrei no elevador junto com uma senhora vizinha e ela me disse: “Você mora no Morro dos Prazeres?”. Respondi: “Não, moro aqui no prédio desde que nasci”.
Como as encarou?
Acho muito triste que nós negros ainda tenhamos que passar por isso cotidianamente. É humilhante e perigoso porque sabemos que a violência policial é, muitas vezes, sem limites. É difícil saber que somos obrigados a vivenciar esse tipo de abuso justamente por quem é pago com nossos impostos, para proteger a todos os cidadãos.
Para o futuro, quais seus maiores sonhos? 
Sonho fazer uma peça com um texto de algum clássico. Quero interpretar um vilão também. E penso bastante na carreira internacional, paralelamente.
Caio Cabral tem 22 anos de idade e tem trabalhos de destaque no streaming (Foto: Alberto Maurício)

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