Jovens guineenses contra discriminação da língua portuguesa e exigem respeito pela história – Comunidades Lusófonas

Um grupo de jovens guineenses pede o devido respeito pela língua e pela história de Portugal. Em causa está a divulgação de concursos públicos em língua francesa.
O grupo de jovens está a exigir um debate nacional sobre a utilização da língua portuguesa no país, que está a ser discriminada em empresas e outras instituições a operar na Guiné-Bissau, e exigem respeito pela história.
“A língua portuguesa na Guiné-Bissau tem uma história e não podemos só pelo facto de querer integrar as outras comunidades ignorar a história. Temos de ser conservadores com aquilo que é nosso e depois integrarmo-nos na sociedade que queremos”, afirmou Amiel de Carvalho, porta-voz de um grupo de jovens que quer um debate nacional sobre o assunto.
Amiel de Carvalho sublinhou que não estão contra as línguas francesa e inglesa, mas não querem ver anulada a história da Guiné-Bissau, nem a ligação que os guineenses têm com a língua portuguesa.
Em causa está, por exemplo, segundo Amiel de Carvalho, a divulgação de concursos públicos em língua francesa.
“Estamos a ser discriminados no mercado de trabalho na Guiné-Bissau, somos guineenses, e estamos a ter dificuldades em conseguir emprego devido a esta situação da língua francesa e inglesa”, disse Amiel de Carvalho.
“Eu, por exemplo, estudei num país francófono e falo fluentemente o francês, mas sinto discriminação, porque no meu país se deve falar a língua portuguesa e não a francesa“, sublinhou.
Para Amiel de Carvalho, às empresas que se instalam na Guiné-Bissau devia ser exigida a tradução de todos os documentos para português, porque o “povo guineense precisa de entender”.
“Eu trabalhei nove anos num banco e deparei-me com essa situação. Era tudo em francês. O extrato bancário está em francês. Eu não posso ser lusófono para depois interpretar o extrato da minha conta bancária, do meu dinheiro, em francês”, afirmou.
Amiel de Carvalho explicou que até os contratos no âmbito de empréstimos são feitos em francês e muitos guineenses nem sabem o que estão a assinar, pois não conhecem a língua.
“Isto acontece não só com as instituições bancárias, mas também com organizações não-governamentais, que estão no país”, apontou.
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O porta-voz do grupo de jovens salientou que numa era globalizada é preciso acompanhar essa evolução, mas quem investe no país deve adaptar-se à realidade.
“Estamos aqui com uma longa história com a língua portuguesa e não podemos dizer, de um dia para o outro, já não vamos falar o português, temos de passar para o francês ou para o inglês”, concluiu.
 
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Operadores marítimo-turísticos queixam-se de discriminação por parte do Governo dos Açores – Açoriano Oriental

Operadores marítimo-turísticos queixam-se de discriminação por parte do Governo dos Açores  Açoriano Oriental
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Liberdade religiosa é direito de crianças e adolescentes, prevista no ECA – ESHOJE – ES Hoje

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O direito a liberdade religiosa, além da Constituição Federal, também está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No entanto, isso parece não ser suficiente e os olhos se voltaram para o caso de uma mãe que perdeu a guarda da filha, de 13 anos, por frequentar um terreiro de umbanda, em Minas Gerais.
A adolescente foi levada para um abrigo, em Ribeirão das Neves. A mãe alega racismo religioso. Para a advogada e especialista em direito de famílias e sucessões, Flávia Brandão, sobre esse debate é muito importante explicar que o Brasil é um estado laico.
Segundo Flávia Brandão, na justiça, pai e mãe possuem poder familiar, ou seja, têm direitos, obrigações, cargos e interesses para cuidar, educar e colocar a criança no caminho que entendam que seja melhor para eles. E isso inclui uma formação religiosa para quem tem. 
No entanto, familiares não podem usar a religião como forma de alienação parental, de exclusão ou de imposição de uma religião a criança.  
Sobre o caso da adolescente de 13 anos, a advogada afirma que não houve concordância familiar e, com isso, o Conselho Tutelar entendeu que a menina estava em perigo. Para ela, o caso é polêmico e é possível que haja conflito entre dever de cuidar e a liberdade religiosa. “Particularmente, esse conflito pode ocorrer em diferentes circunstâncias e pode levar a ser comprovado a prática de prejuízo para a criança”.
Proteção do estado
A advogada e especialista em direito de família, Kelly Andrade, explica que a criança é objeto de atenção e de proteção do estado. Porém, a perda de guarda é algo que só ocorre em casos realmente graves, que colocam em risco a integridade e a saúde.
Sobre a questão da religião, a advogada diz que os pais e a criança podem decidir livremente, desde que essa sejam preservados a integridade e os direitos da criança. Ou seja, a religião não pode oferecer risco a criança. Havendo risco o Estado irá interferir e atuar em sua defesa. 
Para a especialista, as crianças têm que ter acesso a diversos direitos dentro do Estatuto da Criança e Adolescente e da Constituição Federal e serem beneficiadas por esses direitos, sem nenhuma discriminação por raça, cor, sexo, língua, religião, país de origem, classe social ou riqueza. 
Para a especialista, infelizmente ainda nos deparamos com muito preconceito com as religiões de matriz africana. No Brasil, a Lei 7716/89 prevê punição pra quem praticar crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
O artigo 14, por exemplo, prevê pena de reclusão de 2 a 4 anos para quem impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social em razão da discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. 
Direitos da criança
Segundo a advogada Kelly Andrade, os principais direitos das crianças são:
Ter uma educação de boa qualidade;
Ter acesso à cultura e aos meios de comunicação e informação;
Poder brincar com outras crianças da mesma idade;
Não ser obrigado a trabalhar como adulto;
Ter uma boa alimentação que dê ao organismo todos os nutrientes que precisam para crescer com saúde e energia;
Receber assistência médica gratuita nos hospitais públicos sempre que precisarem de atendimento;
Ser livre para ir e vir, conviver em sociedade e expressar ideias e sentimentos;
Ter a proteção de uma família seja ela natural ou adotiva, ou de um lar oferecido pelo Estado se, por infelicidade, perderem os pais e parentes mais próximos;
Não sofrer agressões físicas ou psicológicas por parte daqueles que são encarregados da proteção e educação ou de qualquer outro adulto;
Ser beneficiada por direitos, sem nenhuma discriminação por raça, cor, sexo, língua, religião, país de origem, classe social ou riqueza. Toda criança do mundo deve ter os direitos respeitados;
Ter, desde o dia em que nasce, um nome e uma nacionalidade, ou seja, ser cidadão de um país.
O caso
Durante o mês de junho, a adolescente voltou para mãe. A defesa argumenta que o caso se trata de racismo religioso e alegou fragilidade da denúncia apresentada pelo Ministério Público, baseada em relatos da direção da escola e do Conselho Tutelar sem provas documentais de maus-tratos, o que poderia justificar a perda da guarda.
 

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Técnico da equipa feminina do Birmingham despedido por comentário homofóbico – O Jogo

Marcus Bignot teve palavras ofensivas para com a colega Skinner
Fotografia: MN2S
Marcus Bignot não foi correto com a colega do Tottenham Rehanne Skinner.
Marcus Bignot, que se destacou como jogador no Queens Park Rangers, foi esta quinta-feira despedido pelo Birmingham City no seguimento da suspensão de sete jogos que lhe foi aplicada pela federação inglesa, por comentários homofóbicos para com Rehanne Skinner, treinadora do Tottenham, que é assumidamente homossexual.
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“Porra Marcus, és um idiota e sempre foste”, disse-lhe Skinner numa partida realizada em fevereiro, queixando-se de perdas de tempo. Bignot, então adjunto da equipa feminina do Birmingham, respondeu ofensivamente: “Se calhar se tivesses um pouco de pénis [prick, em calão inglês] em ti e na tua vida, então talvez fosses melhor nisto e na tua vida”.
Além da suspensão de sete jogos e de agora perder o emprego no Birmingham City, Marcus Bignot terá de frequentar um programa educativo.
Marcus alegou desconhecer a homossexualidade de Skinner, o que se veio a provar ser mentira, pois sabia que teve como parceira uma ex-jogadora sua do Birmingham e há tempos chegou a perguntar-lhe sobre ela.
A comissão reguladora que sentenciou Marcus Bignot disse que este tipo de comentário merece uma “punição severa”, independentemente de o autor ser ou não, de facto, homofóbico. O Birmingham justificou o despedimento condenando o sucedido e mostrando-se contra qualquer tipo de discriminação.

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Haddad sobre suspeita envolvendo domicílio eleitoral de Tarcísio de Freitas: 'Eu acho estranho' – Blasting News Brasil

Haddad sobre suspeita envolvendo domicílio eleitoral de Tarcísio de Freitas: ‘Eu acho estranho’  Blasting News Brasil
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Amar em segredo por amor a Deus – JPN – JornalismoPortoNet

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” [Mateus 22:37–39]. Apesar da mensagem do segundo grande mandamento de Jesus, os membros da comunidade LGBTI+ ainda não conquistaram um espaço de plena igualdade no seio da Igreja Católica
Embora tenham vindo a surgir, inclusive em Portugal, associações que promovem a integração de pessoas LGBTI+ católicas na Igreja, a sexualidade de cada um ainda pode ser uma barreira. Mas se uns desistem de exercer a sua fé, há quem veja na contrariedade a missão de conquistar algo maior: um lugar igualitário.
O JPN falou com pessoas LGBTI+ que estiveram ou continuam a estar ligadas à Igreja Católica. Ainda que com histórias distintas, todos concordam que ainda há um longo caminho a percorrer até que a comunidade consiga um lugar na Igreja sem ser olhada de lado.
Atualmente, a posição da Igreja segue uma lógica de condenar o pecado e não o pecador. Nos últimos anos, têm-se verificado mudanças na narrativa das autoridades católicas – entre as quais o Papa Francisco – no sentido de transmitir mensagens mais progressistas de não-discriminação da comunidade LGBTI+. No entanto, pessoas que não sejam heterossexuais continuam a não ter direito a casar ao abrigo da Igreja Católica e, por vezes, a poder exercer trabalho religioso. 
Ao longo do tempo, a posição da Igreja Católica face à homossexualidade foi-se suavizando, sem nunca a aceitar por completo.
Esquecendo eras mais remotas, recuemos ao documento redigido pela Congregação para a Doutrina da Fé, em 1975, intitulado “Pessoa Humana: Algumas questões de ética sexual”. Nele considerava-se que as relações homossexuais seriam “condenadas na Sagrada Escritura como graves depravações” e “consequência triste de uma rejeição de Deus”. No mesmo documento, concluiu-se ainda que “os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados e que não podem, em hipótese nenhuma, receber qualquer aprovação”.
Onze anos depois, na “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Atendimento Pastoral  das Pessoas Homossexuais” já se fala numa “particular inclinação da pessoa homossexual, embora não seja em si mesma um pecado, constitui, no entanto, uma tendência, mais ou menos acentuada, para um comportamento intrinsecamente mau do ponto de vista moral”.
Mais recentemente, em 2021, uma nota da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o possível casamento de pessoas homossexuais na Igreja Católica explicava: “Deus não deixa de abençoar cada um de seus filhos. Mas não abençoa nem pode abençoar o pecado”. Na mesma nota, considera-se “ilícita toda a forma de bênção que tenda a reconhecer uniões [de pessoas homossexuais]”.
Papa Francisco apelou à não discriminação da comunidade LGBTI+. No entanto, sublinha que o matrimónio se deve dar entre homem e mulher. Foto: Long Thiên / Wikimedia Commons
Apesar dos documentos escritos, mesmo no seio da Igreja Católica continuam a verificar-se posições evidentemente distintas em relação à homossexualidade. O atual Papa apelou recentemente à não-discriminação de homossexuais, quer pelas suas famílias, quer pela sociedade. “Homossexuais têm direito a fazer parte de uma família”, disse em 2020; no ano passado, reforçou que os pais que vejam “orientações sexuais diferentes nos filhos” devem “acompanhá-los”, em vez de “se esconderem atrás de uma atitude de condenação”.
Em contraste com esta narrativa mais progressista, o Papa emérito Joseph Ratzinger, no seu livro “A verdadeira Europa, identidade e missão”, afirmou que “o conceito de casamento homossexual está em contradição com todas as culturas da humanidade”.
Ao JPN, dois padres que aceitaram falar sobre o assunto sublinharam que o processo de aceitação da comunidade LGBTI+ no seio da Igreja Católica tem sido gradual.
Jorge Duarte, padre em Mafamude, Vila Nova de Gaia, fala de um “caminho que se vai percorrendo”. No entanto, admite: “talvez quem se sente marginalizado sinta que é muito lento”. “Há muito caminho a percorrer. A discriminação no dia a dia é algo que realmente ainda existe”, analisa o também assistente religioso do Centro de Produção do Porto da Rádio Renascença. Di-lo, contudo, sem deixar de fazer uma ressalva: “o não discriminar, o respeitar, o acolher uma pessoa com uma orientação sexual determinada, não quer dizer que se concorde com, ou que seja boa essa orientação sexual”, afirmou na entrevista que concedeu ao JPN.
Opinião diversa tem José Maria Gonçalves, que exerce também em Vila Nova de Gaia, mas na paróquia de Canidelo (Santo André). O padre mostra-se “absolutamente convencido” de que o problema da discriminação da comunidade LGBTI+ “vai ser superado rapidamente”. “Com os problemas que se vão colocar ao mundo, um mundo desestruturado e com tantas problemáticas sérias a enfrentar, esta vai ser uma questão menor e que vai encontrar o seu justo lugar no seio da igreja também”, vaticina.

Muito mais crítico é Krzysztof Charamsa, um ex-padre polaco que foi expulso do Vaticano por assumir a sua homossexualidade. “O poder religioso, tal como o do Papa, tem de admitir urgentemente os seus erros e falhas antigas e mudar a sua posição doutrinária e moral em relação à homossexualidade, que já se provou ser falsa e em contradição com os conhecimentos científicos e teológicos atuais”, declarou ao JPN, por escrito.
Krzysztof Charamsa foi expulso do Vaticano quando se assumiu como homossexual. Foto retirada do Facebook de Krzysztof Charamsa
O antigo padre aponta a propósito o documento “Academic Statement on Ethics of Free and Faithful Same-Sex Relationships”, no qual se apresentam e desconstroem várias justificações e argumentos comummente usados pela Igreja na condenação de casais homossexuais.
Charamsa considera que o Papa Francisco convenceu “a opinião pública, a imprensa e as próprias vítimas – o povo católico LGBTI+ – de que está a ‘reformar’ alguma coisa”, mas, na sua opinião, não está. Pelo contrário: “o que realmente faz é o esforço em manter toda a homofobia doutrinária e a discriminação religiosa legal e imoral do povo LGBTI+, ao mesmo tempo que convence hipocritamente as vítimas de que as ‘ama’”, acusa.
À primeira vista, ser ativamente católico sem ser heterossexual pode parecer paradoxal. A comunidade LGBTI+ tem lugar na Igreja, mas para muitos apenas se mantiverem a sua orientação em segredo: uns aceitam, outros desistem da fé, mas ainda há quem lute pela inclusão no seio religioso.
Ainda que reconheçam que a sua orientação sexual contrasta com a posição atual da Igreja, há pessoas LGBTI+ que se esforçam por não contrariarem as suas convicções. Acreditam, no entanto, que a mensagem que a instituição católica transmite nem sempre é a mensagem de amor ao próximo que consideram que deveria passar.
Catarina Andrade tem 20 anos, foi acólita dos cinco aos 18 e catequista durante três anos. A jovem açoriana é bissexual e, na sua opinião, não se pode falar num processo de aceitação enquanto a sexualidade de cada um for considerada uma “cruz”.
“A Igreja Católica diz: ‘Está tudo bem! Não faz mal gostares de pessoas do mesmo género. Ou de gostares dos dois géneros’. Mas depois diz assim: ‘tens é que aprender a lidar com a tua cruz’. Porque é que é uma cruz? Porque é que não posso, simplesmente, ser livre de amar sem restrições?”, questiona a estudante da Universidade do Porto.
Sobre o espaço reservado à comunidade LGBTI+ no universo católico, António Castro, homossexual, afirma: “abertamente, não há”. Por isso, não formou grandes expectativas: “Nunca estive à espera que durante a minha vida as coisas mudassem. Sempre pensei que quando chegasse aos vinte, trinta, quarenta anos, se calhar não ia continuar”, confessa ao JPN.
O ex-catequista, agora com 41 anos, afirma que, enquanto era ativamente religioso, conseguia não entrar em “contradições”. No entanto, sublinha: “Não conseguia imaginar-me a manter-me para o resto da vida [na Igreja], tendo em conta que queria encontrar alguém com quem me relacionar, casar talvez, e aí já ia contra o que é dito”. Foi assim que aos 25 anos de idade António Castro decidiu abandonar a relação próxima que mantinha com a igreja. 
João Cláudio Maria, hoje maestro no coro da paróquia de Pedrógão Grande, revelou, em 2017, a sua história ao jornal Observador. O jovem acredita ter sido expulso do Coro de São Domingos, na vizinha paróquia de Castanheira de Pêra, de onde é natural, por ser homossexual.
João era maestro do coro desde 2010 e foi quando a sua orientação sexual se tornou conhecida que começou a notar mudanças na forma como o tratavam na paróquia. Isto culminou na proibição de atuar no coro e na sua saída. A Igreja nunca confirmou que o afastamento de João estivesse relacionado com a sua orientação sexual, acusando antes o jovem de delito de “desobediência e rebeldia para com a autoridade” do então padre da paróquia leiriense.
Apesar de ter sido afastado, João Cláudio Maria não deixou, contudo, de fazer o que gosta e mudou de paróquia por não conseguir “ser racional ao ponto de dizer que não”. “Se fosse justo [consigo próprio], dizia que não e não voltava”, mas “o amor tem destas coisas parvas”, diz ao JPN. O jovem afirma-se “aditivado com a Igreja”.
Não é o único a falar de amor. “Diana”, nome fictício, é uma jovem homessexual e assume-se como praticante, mas não no sentido comum da palavra. Não desempenha nenhuma função na Igreja, nem vai à missa todos os domingos, mas sublinha que exercer a sua fé também é ser praticante.
Para “Diana”, a motivação para continuar a sua “missão”, como lhe chama, é a de mostrar a sua fé e incentivar pessoas da comunidade a não se afastarem da religião por acharem que a “Igreja exclui”. “O meu papel enquanto presença da comunidade LGBTI+ é conseguir que as pessoas não retrocedam, mostrando que o mote essencial, mais verdadeiro e de maior relevância, é que Deus é amor. As pessoas têm que perceber que Deus é amor de qualquer forma”, diz.
Movem-se por algo que não se explica, muito menos se vê: a fé. No dicionário define-se como “estado ou atitude de quem acredita ou tem esperança em algo; adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro”. Para o Padre José Maria Gonçalves, a fé e o “grande amor à Igreja” são os grandes motores para que a comunidade LGBTI+ continue a lutar pelo seu lugar na Igreja Católica.
Emotiva, “Diana” acrescentou ainda que, com uma “fé tão viva”, não consegue evitar passar a mensagem de que “Deus é amor” e vai “amá-lo de qualquer forma”.
Em Portugal, foram criadas já algumas associações de católicos LGBTI+, com o objetivo de abrir espaços seguros de partilha para pessoas religiosas independentemente da sua orientação sexual.
A Associação Rumos Novos surgiu em maio de 2008, de modo a integrar pessoas LGBTI+ no seio da Igreja Católica. Segundo o seu fundador, José Leote, a associação cobre “um largo espectro de católicos e católicas”, quer estejam ou não integrados nas suas paróquias.
Criou-se “um espaço onde podem ser eles e elas mesmos sem julgamentos, cada um com a sua caminhada de vida”, diz ao JPN. No blogue da associação, podem encontrar-se documentos, reflexões, notícias e propostas de atividades.
A 10 de junho de 2008, lançou o manifesto “À Igreja Católica Portuguesa e aos Grupos e Associações LGBT”. Ao longo dos 14 anos de vida, a Rumos Novos já participou em diversos encontros, conferências e congressos de grupos homossexuais cristãos.
A comunidade online da Rumos Novos é composta por cerca de 290 indivíduos. Nos encontros presenciais, que têm no Centro LGBTI, na zona do Chiado, em Lisboa, costumam aparecer muito menos pessoas. A discrepância deve-se ao facto de muitos associados não serem assumidos nas suas respetivas paróquias e temerem ver descoberta a sua orientação sexual.
Uma publicação partilhada por Rumos Novos – Cató[email protected] LGBTQIA+ (@rumosnovos)

Usualmente, os encontros de associados têm uma frequência mensal e contam com espaços de partilha de questões e de oração. Sempre que possível, há um padre que realiza celebrações eucarísticas para a comunidade LGBTI+. Quando tal não acontece, os membros da Rumos Novos participam em celebrações que se realizam na Sé de Lisboa, juntando-se aos restantes fiéis.
José Leote reforça que o principal objetivo da associação é fazer com que “os cristãos católicos LGBTQIA+ se sintam livres e abertos para viver a sua fé sem medo”. Alinhada com este pensamento está a ideia de que a orientação sexual não influencia a fé ou a cristandade de cada um. “Somos imagem e semelhança de Deus que nos criou por inteiro e nos ama tal como somos”, acrescenta.
Já a 1 de abril deste ano, nasceu também a Sopro. A associação surgiu com o intuito de criar um espaço para uma comunidade mais alargada nas Jornadas Mundiais da Juventude que Portugal vai acolher em 2023, em Lisboa.
Por considerarem que o espaço dedicado a católicos LGBTI+ era pouco representativo, um grupo de indivíduos mobilizou-se para a construção de uma nova associação
A coordenação da Sopro está a cargo de uma equipa composta por quatro mulheres. A restante equipa é composta não só por leigos, mas também por membros da Igreja Católica, como padres. 
O padre José Maria Gonçalves, que o JPN encontrou em Canidelo, é um deles e sublinha que a associação, ainda que não seja o primeiro grupo de católicos LGBTI+, apresenta uma postura “revigorante” e “nova”
O padre acrescenta que, enquanto que os grupos do passado foram criados porque as pessoas da comunidade precisavam de um espaço para “partilhar as suas feridas, os seus sofrimentos”, nos dias que correm é preciso aprofundar a ação levada a cabo por estas organizações.
Assim, destaca que o que faz da Sopro uma iniciativa diferente é o facto de se sentirem “no direito e no dever de intervir dentro da Igreja”, para reivindicar o seu lugar na instituição e “estabelecer pontes com a hierarquia da Igreja Católica”. Em poucas palavras, o padre define o grupo: “O Sopro é um testemunho de que não temos nada a esconder”.
Apesar do seu discurso mais progressista, o Papa Francisco mantém firme que as uniões ao abrigo da Igreja devem ser celebradas unicamente entre um homem e uma mulher e com a finalidade de gerar descendência.
A posição foi marcada na referida nota da Congregação para a Doutrina da Fé, em 2021, que surgiu depois de alguns padres, de países como a Alemanha ou os Estados Unidos, terem feito pedidos formais para legitimar casamentos homossexuais que celebraram nas suas paróquias. 
A Alemanha é um bom exemplo de um país onde a pressão tem aumentado sobre o Vaticano. Em maio, mais de uma centena de padres, ex-padres, professores e paroquianos que se identificam como homossexuais lançaram a campanha #OutInChurch e o movimento #LiebeGewinnt (traduzido do alemão, “O amor vence”) exigindo que as pessoas LGBTI+ possam viver sem medo e com acesso a todas as atividades e ocupações da igreja sem lugar a discriminação, informou a Deutsche Welle. Dias mais tarde, dezenas de padres associados a este movimento convidaram casais do mesmo sexo a comparecerem nas suas paróquias para serem abençoados.
 
 
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Mesmo assim, o Vaticano continua a deixar claro que estas bênçãos não são legítimas, não estando autorizadas, pelo que não seriam consideradas lícitas caso fossem dadas.
O padre Jorge Duarte afirma, nesta linha, que pessoas LGBTI+ “podem e têm o direito a ter uma proteção legal à vivência do seu amor e da sua vida”. Segundo o pároco, porém, um casamento homossexual “nunca será o casamento cristão como nós o entendemos e isso tem a ver com toda a moral, toda a mensagem cristã sobre a família, sobre o matrimónio, sobre a complementaridade [entre] homem e mulher”.
Em oposição, Teresa C., pastora da associação Rumos Novos, sublinha que as pessoas homossexuais, apesar de “não gerarem vida”, “complementam e preenchem a vida uma da outra”.
Na ótica do padre José Maria Gonçalves, a postura atual da Igreja não é de oposição, mas sim de “omissão”. “Mais do que o querer negar, há uma espécie de tabu. Se alguém levantasse a questão, as pessoas diziam: ‘não falemos aqui, evitemos falar’. E isso é mau, porque facilmente passa a mensagem de que tudo pode acontecer, e ser vivido, mas só se for no escondimento”, diz.
Para Catarina Andrade, existe uma falsa aceitação da comunidade: “Ainda existe muito um nível do ‘eu respeito, mas não aceito’. Desde bem pequenina, na religião, fui ensinada que o respeito passa por uma aceitação do ser como ele é”, diz ao JPN a ex-catequista.
É, mais uma vez, a igreja a assumir uma postura seletiva daquilo que “lhe dá mais jeito”, considera João Cláudio Maria, que além de maestro de um coro estudou também Teologia no Seminário, e que dá o exemplo do catecismo católico como um texto que “não tem validade teológica objetiva”.

Como a transformação da água em vinho ou a multiplicação do pão, há quem veja na aceitação igualitária da comunidade LGBTI+ pela Igreja Católica a possibilidade de um milagre. Para o padre Jorge Duarte, a igualdade já é palpável. “Deus não ama só os heterossexuais. Ama todos”, refere. Assume, porém, que a homossexualidade “não está de acordo com o pensamento da Igreja”.
Em mais de quarenta anos como padre, José Maria Gonçalves diz que a evolução tem sido larga. “Nunca pensei, na minha longa vida, ver tanta evolução e houve muita, muita, muita”, garante. Sobre o futuro, está convicto de que a discriminação da comunidade LGBTI+, aos olhos da Igreja Católica, se tornará uma “questão menor” em menos de duas décadas.
Menos otimistas, as pessoas da comunidade LGBTI+ não esperam mudanças para tempos próximos. Catarina Andrade considera que “o que a geração atual está a construir é o que vai existir daqui a muitas gerações”. Na sociedade e na Igreja, a aceitação move-se a velocidades diferentes, acredita. A jovem é lapidar na sua reflexão: “Acho que a sociedade está mais tolerante, porque está cada vez mais fora da Igreja”
João Cláudio Maria alerta para uma tendência que pode atrasar o processo de evolução da mentalidade da Igreja: “Tradicionalmente, nós temos um papa progressista hoje, amanhã teremos um muito conservador, que vai fazer andar para trás aquilo que se andou para a frente”. João calcula que antes da comunidade LGBTI+ ser aceite como igual, ainda deverão haver padres a casar e mulheres a poder presidir às missas.
Uma possível mudança do paradigma atual pressupõe que as mentalidades no cerne da Igreja Católica se alterem. Teresa C., da associação Rumos Novos, defende a necessidade de a instituição Católica perceber que “amor é sempre amor” e que “pessoas que procuram viver esse amor não têm que ser medidas de forma diferente só porque aquilo a que nos habituamos durante séculos e séculos de História foi um modelo heterossexual”.
Olhando para lá do pessimismo em relação ao futuro próximo, os membros da comunidade LGBTI+ mantêm-se erguidos pela vontade de conquistar um lugar que devia, nas suas palavras, ser de todos. “Diana” não tem dúvidas: “A Igreja não exclui ninguém. Esse é um dos motes da Igreja Católica: ser inclusiva com qualquer pessoa, porque todos os que têm fé e acreditam em Deus têm espaço”.
Sobre quando será o dia em que se alcança a igualdade plena, João Cláudio Maria tem esperança que chegue eventualmente. “Um dia vamos perceber que somos só pessoas. No dia em que tirarmos estes rótulos todos de nós… Vamos chegar lá”, vinca.
Artigo editado por Filipa Silva e Tiago Serra Cunha
Universidade do PortoUniversidade do Porto
U.Porto | ERC ISSN 1646-3064 | Creative CommonsCreative Commons

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Nelson Piquet é denunciado ao Ministério Público por racismo contra Hamilton – Grande Prêmio

Após usar uma palavra de cunho racista – por mais de uma vez – para se referir a Lewis Hamilton, Nelson Piquet foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios. A representação da denúncia foi feita pela bancada do PSOL na Câmara dos Deputados. A informação é da Folha de S. Paulo.
Além do trecho que viralizou nas redes sociais e mídia internacional, em que Piquet comete ato de racismo contra o piloto da Mercedes, o GRANDE PRÊMIO teve acesso ao então removido vídeo completo da entrevista e encontrou outra fala repugnante do ex-piloto brasileiro –  que, além de repetir a ofensa racista, ainda empreendeu um gancho homofóbico contra Hamilton.
O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios analisará a representação parlamentar do PSOL – que acusa Piquet do crime de discriminação ou preconceito. Áurea Carolina (MG), Talíria Petrone (RJ) e Vivi Reis (PA) encabeçam a denúncia.
“Nossa mandata denunciou Nelson Piquet ao Ministério Público por suas falas racistas contra Lewis Hamilton. O racismo, que estrutura nossa sociedade, precisa ser combatido em todos os lugares”, escreveu Petrone em sua página no Twitter.
Na representação, o corpo parlamentar afirma que o racismo “estrutura as relações sociais no Brasil” e que, portanto, tratar “seres humanos negros de forma evidentemente pejorativa”, como fez Piquet, “não se coaduna com as práticas para efetivação do dispositivo da igualdade”.
“Nelson Piquet é mais uma prova que a retórica virulenta empregada pelo Presidente Jair Bolsonaro habilita seus apoiadores a se sentirem liberados para utilizar dos mesmos termos e dos mesmos preconceitos de classe, raça e gênero”, completaram Carolina, Petrone e Reis.
A entrevista de Piquet foi concedida em novembro do ano passado a um canal do YouTube chamado ‘Motorsports Talks’ – que tirou o vídeo do ar e, atualmente, não tem qualquer vídeo publicado. Quando tratou do acidente entre Hamilton e Max Verstappen no GP da Inglaterra do ano passado, usou a expressão racista ‘neguinho’ para se referir ao piloto. A entrevista viralizou recentemente e chocou toda a comunidade internacional.
Por conta disso, Fórmula 1FIA e Mercedes expediram comunicados em solidariedade a Hamilton. O próprio heptacampeão se manifestou, bem como Sebastian Vettel, outros pilotos e ex-pilotos e organizações. A Fórmula 1 estuda banir Piquet do paddock para sempre, enquanto o Clube dos Pilotos Britânicos – dono de Silverstone – suspendeu a inscrição do brasileiro. Piquet chegou a se desculpar, mas empurrou a culpa para uma suposta tradução equivocada – claro, em entrevista à imprensa que não fala português.
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Montenegro assinou declaração de voto em 2004 que "associava homossexualidade e abuso sexual de menores", recorda-se no Facebook – Polígrafo – Polígrafo

Luís Montenegro não leva muitos dias como novo presidente do PSD, sucessor de Rui Rio, mas já estabeleceu linhas de demarcação relativamente à extrema-direita: “Nunca nos associaremos a qualquer política xenófoba ou racista.” As palavras foram proferidas no discurso de encerramento do 40.º Congresso do PSD, a 3 de julho, e o partido Chega não foi referido uma única vez. Mas não foi necessário:
“Comigo e com o PSD, antes quebrar que torcer. Jamais abdicarei dos princípios da social-democracia e da essência do nosso programa eleitoral para governar a qualquer custo. Acreditem, se algum dia for confrontado com a violação dos nossos princípios e valores para formar ou suportar um Governo, o partido pode decidir o que quiser, mas não serei eu o líder de um Governo desses.”
As reações às palavras de Montenegro não tardaram e, no Facebook, a deputada socialista Isabel Moreira diz esperar que “os marcos terríveis de Montenegro em matéria de homofobia e a ausência total de gestos em matéria de combate ao racismo e outras desigualdades sejam sinal de nada”. O apelo é que dali surja “um homem novo” que seja capaz de o dizer.
“Eu ainda me lembro de ver Montenegro ao lado de Isilda Pegado em 2004 – aquando da revisão constitucional que consagrou a proibição de discriminação com base na orientação sexual – a assinar esta declaração de voto que associava homossexualidade e abuso sexual de menores“, recordou. A ideia foi repetida na página da deputada no Twitter, de forma mais sintética:
“Quando Montenegro assinou com Isilda Pegado e outros esta declaração de voto à revisão constitucional de 2004 que introduziu a proibição de discriminação com base na orientação sexual. Nada como associar a homossexualidade ao abuso sexual de menores. Temos memória.”
O ano era 2004, corria a IX Legislatura e Durão Barroso era ainda primeiro-ministro. Na reunião plenária de 22 de abril, alguns deputados do PSD apresentavam uma declaração de voto relativamente às alterações aprovadas à Constituição da República Portuguesa. Ora, a 6.ª Revisão Constitucional, aprovada em 2004​, traduziu-se, entre outras alterações, num reforço do princípio da não discriminação, principalmente em função da orientação sexual
“No n.º 2 do Artigo 13.º da Constituição é eliminada a expressão ‘ou’ entre ‘económica’ e ‘condição’ e é aditada in fine a expressão ‘ou orientação sexual’, passando o número a ter a seguinte redacção: ‘2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.'”
Apesar do progresso no sentido da não discriminação que esta alteração parecia consolidar, alguns deputados do PSD como Isilda Pegado, Paulo Batista Santos e Luís Montenegro, escreveram o seguinte em declaração de voto: “O princípio da igualdade entre homens e mulheres é hoje inquestionável. (…) Veio agora a ser aditado ao referido n.º 2 a ‘orientação sexual’ como causa específica de não discriminação, inciso constitucional que se afirma, aos deputados signatários, como redundante.”
De acordo com este grupo de deputados, destacar a orientação sexual como fonte de discriminação podia mesmo “criar alguma confusão que importa remover”. Para os signatários, “ciclicamente surgem correntes de opinião, cuja vertigem última distorce a própria natureza humana, mas que em nada têm contribuído para a prossecução da dignidade, destruindo pontualmente homens, mulheres, valores e, em geral, carregam consigo a degradação ética de gerações“.
O facto de se instituir que “ninguém pode ser privado de qualquer direito ou isento de dever em razão da orientação sexual” não faz com que se crie “qualquer proteção ou concessão de direito que por virtude de orientação sexual possa suprir ou oferecer o que a natureza não confere“, argumentaram.
Além disso, “estão entre estes institutos jurídicos o casamento e a adopção, cujos superiores interesses e pressupostos de facto não se compaginam com orientações sexuais que perfilhem a homossexualidade como forma de vida”. O PSD e o CDS-PP “têm, em 30 anos de história ideológica e política, afirmado convictamente o casamento como expressão de uma relação entre um homem e uma mulher, figuras parentais, que contribuem para o saudável crescimento de filhos”.
Por fim, defenderam que “também esta formulação do Artigo 13.º, n.º 2, não pode remover do Código Penal os artigos 172.º e 173.ºrelativos ao abuso sexual de menores“, inferindo uma conexão entre a prática de abusos e a orientação sexual.
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Avaliação do Polígrafo:
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Álcool e Discriminação Racial – CISA – CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool

 
Discriminação racial é um dos principais fatores que pode levar a população negra ao uso nocivo do álcool.
Comportamentos relacionados ao álcool entre os negros norte-americanos diferem substancialmente de outros grupos raciais. Pesquisas mostram que os negros norte-americanos com 18 anos ou mais apresentaram taxas mais baixas de uso de álcool no último ano (63%) do que os americanos brancos (74%)[1]; por outro lado, a frequência de consumo aumenta a um ritmo mais rápido entre os negros durante a transição para a vida adulta. Além disso, adultos negros também demonstraram maiores níveis de consequências negativas trazidas pela bebida alcoólica quando comparados com outros grupos raciais.
A discriminação racial é identificada como um potencial estressor, que contribui para o surgimento de diversos problemas para a saúde física e mental, bem como comportamentos de risco associados ao consumo de álcool. Preconceitos devido a crenças, atitudes, arranjos institucionais e atos percebidos e/ou internalizados da comunidade negra provocam situações de estresse a esse grupo, levando muitos a buscar recursos de enfrentamento diversos, incluindo o uso do álcool.
A situação pode ser ainda mais delicada para as mulheres negras. Um estudo, realizado pelo NIAAA durante a pandemia, entre fevereiro e novembro de 2020, revelou que, entre os entrevistados, o maior aumento no consumo de álcool foi entre as mulheres negras e hispânicas (173% e 148%, respectivamente)[2]. E estes dados são preocupantes pois há evidências de disparidade de gênero, raça/etnia e impactos socioeconômicos no consumo excessivo de álcool[3]. Além disso, é importante ressaltar que as mulheres são mais propensas a usar álcool para lidar com estresse, depressão e ansiedade[4].
Depressão e discriminação socioeconômica
Embora a discriminação racial seja geralmente associada ao consumo abusivo do álcool, pesquisas não conseguiram encontrar uma associação direta entre eles, porém alguns estudos recentes sugerem que o preconceito está indiretamente associado aos ao uso abusivo de álcool por meio de sintomas depressivos[5]. Em outras palavras, ser vítima de preconceito pode conduzir à depressão, o que, por sua vez, pode levar ao abuso de álcool.
Uma pesquisa realizada com universitários negros norte-americanos mostrou que as experiências de discriminação racial sofridas por eles estão associadas ao aumento no consumo e nos problemas com o álcool por meio de mais sintomas depressivos[5].
A depressão pode ser um motivo plausível por meio do qual a discriminação racial influencia os resultados do uso de álcool: pesquisas comprovam que o preconceito apresenta uma forte ligação com o aumento dos transtornos mentais, como sintomas depressivos e a frequência no uso do álcool entre negros americanos[5].
A discriminação socioeconômica, como frustrações, assédio ou sentir-se rebaixado por causa de sua classe social ou posição econômica, pode também ser comumente vivenciada pela população negra. Resultados de estudos sugerem que esse tipo de discriminação é um grande fator de risco para o início do consumo de álcool entre as jovens negras[6].
Identidade racial como moderador do consumo
Alguns pesquisadores observaram que as dimensões da identidade étnico-racial moderaram a associação entre discriminação racial e álcool[5]. Em outras palavras, níveis mais altos de respeito e orgulho racial podem reduzir o risco desse grupo se engajar no uso de álcool como forma de lidar com as consequências relacionadas às experiências de discriminação.
Além disso, segundo outros estudiosos [7], as intervenções culturalmente específicas voltadas ao público negro têm se mostrado mais bem sucedidas do que as tradicionais. Nesse sentido, o tratamento pode ir além e ajudar também com as sequelas emocionais da discriminação que podem ter levado ao uso nocivo do álcool.
Paralelamente a isso, investir em programas direcionados à prevenção, considerando fatores psicossociais de particular relevância para esse grupo, podem ser ações fundamentais para evitar as consequências do abuso do álcool.
 
Veja também Álcool e diversidade sexual
1 Desalu, J. M., Goodhines, P. A., & Park, A. (2019). Racial discrimination and alcohol use and negative drinking consequences among Black Americans: a meta-analytical review. Addiction (Abingdon, England)114(6), 957–967. https://doi.org/10.1111/add.14578
 2 Barbosa, Carolina, et al. “Assessing Pandemic-Driven Changes in Alcohol Consumption.” (2021).
 3 Witbrodt, J., Mulia, N., Zemore, S. E., & Kerr, W. C. (2014). Racial/ethnic disparities in alcohol-related problems: differences by gender and level of heavy drinking. Alcoholism, Clinical and Experimental Research, 38(6), 1662-1670. https://doi.org/10.1111/acer.12398
 4 Peltier, M. R., Verplaetse, T. L., Mineur, Y. S., Petrakis, I. L., Cosgrove, K. P., Picciotto, M. R., & McKee, S. A. (2019). Sex differences in stress-related alcohol use. Neurobiology of Stress, 10, 100149. https://doi.org/10.1016/j.ynstr.2019.100149
 5 Su, J., Seaton, E. K., Williams, C. D., Spit for Science Working Group, & Dick, D. M. (2021). Racial discrimination, depressive symptoms, ethnic–racial identity, and alcohol use among Black American college students. Psychology of Addictive Behaviors, 35(5), 523–535. https://doi.org/10.1037/adb0000717
 6 Haeny, A. M., Sartor, C. E., Arshanapally, S., Ahuja, M., Werner, K. B., & Bucholz, K. K. (2019). The association between racial and socioeconomic discrimination and two stages of alcohol use in blacks. Drug and alcohol dependence199, 129–135. https://doi.org/10.1016/j.drugalcdep.2019.02.026
 7 Anderson, R. E., Lee, D. B., Hope, M. O., Nisbeth, K., Bess, K., & Zimmerman, M. A. (2020). Disrupting the Behavioral Health Consequences of Racial Discrimination: A Longitudinal Investigation of Racial Identity Profiles and Alcohol-Related Problems. Health education & behavior : the official publication of the Society for Public Health Education47(5), 706–717. https://doi.org/10.1177/1090198120923268
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