Xadrez é o primeiro jogo de tabuleiro a ser banido por racismo e machismo – R7

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Em um mundo inclusivo, tolerante e igualitário, é mais do que normal que todos os jogos, torneios e campeonatos estejam com os dias contados. Afinal, não podemos mais aceitar essa dinâmica onde apenas um ganha. Temos que banir da face da Terra a frase “que vença o melhor”, pois ninguém é melhor do que ninguém, não é mesmo?
Em um futuro próximo, chegaremos a esse estado evolutivo em que todos seremos vencedores sem precisarmos fazer absolutamente nada. Imagine como será lindo, por exemplo, o campeonato de Fórmula 1: todos os carros largando juntos, lado a lado – sem essa de “pole position” ou pódio – e cruzando juntinhos a linha de chegada! Nem será preciso dar tantas voltas nos autódromos nem torcer por alguém, pois já saberemos que ninguém perderá. Será pura comemoração, com todos recebendo seus troféus e seu banho de champanhe!
Nossa luta é grande, mas já tivemos uma vitória no xadrez e conseguimos impor esse cancelamento mais do que merecido. Como pudemos tolerar por tantos séculos um jogo onde se trava uma batalha entre pretos e brancos? Onde estávamos com a cabeça ao aceitarmos a regra de que o Rei é a figura mais importante? E como pudemos abandonar a pobre Rainha, a única peça com representatividade feminina, deixando-a cercada por Bispos, Cavalos e um monte de Peões opressores? Teremos de carregar essa dívida histórica enquanto vivermos!
Por outro lado, a Associação Mundial de Xadrez tentou se defender apelando para um movimento característico dos Peões chamado “promoção”. A alegação foi que o jogo inclui a comunidade LGBTQIA+RSTUVXZ, pois quando um Peão atinge a última linha do tabuleiro é promovido a Rainha. Porém, o argumento não foi aceito, pois o Peão não é obrigado a virar Rainha. Ele tem a liberdade de escolher se tornar Bispo, Cavalo ou Torre, e é claro que não podemos aceitar que haja qualquer liberdade de escolha. Ou é o que queremos ou não é nada!
Mas o que interessa é que agora é oficial: quem for pego jogando xadrez tradicional terá de arcar com o peso da justiça. Enquanto isso, empresas politicamente corretas estão desenvolvendo um novo xadrez, com milhares de peças representando todas as cores, raças e etnias, englobando as 74 opções sexuais (com abertura para incluir todas as que venham ser inventadas futuramente), sem nenhum tabuleiro limitando a fluidez dos movimentos e também sem nenhuma regra, pois cada um deve ser livre para fazer o que quiser (desde que não seja jogar xadrez tradicional ou fazer qualquer coisa que nós, os paladinos das virtudes, não tenhamos aprovado).
Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser…
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