Professor universitário é suspenso por homofobia em Portugal – Agora Europa

Lisboa, Portugal.

A instituição de ensino fica localizada na região central do país. A universidade confirmou a suspensão à equipe do Agora Europa na manhã desta terça-feira (5). Segundo a instituição, não há uma previsão exata do período em que o profissional ficará afastado das funções, uma vez que depende do tempo que levará para concluir o processo disciplinar, que já foi aberto. O coletivo de Estudantes Internacionais afirma que desde 2020 são realizadas denúncias contra o docente. 
Recentemente, o professor utilizou as redes sociais para emitir novas declarações, reclamando de uma campanha nos transportes relativa ao mês do orgulho LGBTQ+: “Acho que esta bosta tem o nome de ideologia de gênero e constitui um dos grandes perigos civilizacionais que teremos que começar a enfrentar”, escreveu no Facebook.
Lopes ainda escreveu que “é uma ideologia cientificamente errada, intolerante e disruptiva de uma sociedade sã” e classificou a comunidade LGBTQ+ como “lixo humano” e que “é preciso urgentemente uma inquisição”.  Depois da repercussão, o post não pode mais ser encontrado na rede social, mas os prints (capturas de telas) foram amplamente divulgados.
Em entrevista à TVI na última semana, Paulo Lopes reafirmou a posição e disse que “com certeza é homofóbico e que há muita coisa que se resolve com a violência”. As situações motivaram um protesto, contra o discurso de ódio e a discriminação, realizado na segunda-feira (4) em frente à reitoria da universidade. Paulo não se pronunciou sobre a decisão da instituição.
“A nossa luta é todo dia, contra o racismo, machismo e homofobia”, gritaram em coro os estudantes no ato. Os manifestantes levaram cartazes com frases como “Xenofobia não é opinião”, “Discurso de ódio mata” e “Queremos ser educados e não discriminados “. O protesto também contou com a participação de represetantes de marchas do orgulho e notas de repúdio de diversas entidades. 
Os Estudantes Internacionais, em carta aberta, criticaram o fato de ver ações sendo realizadas apenas de forma reativa, “ganha repercussão na mídia”, e não preventivamente. O grupo também reivindica medidas de prevenção na universidade, como a promoção de debates sobre “o respeito à comunidade LGBTQ+, aos imigrantes, às mulheres, às diferentes etnias”.
Neste ano, um professor da Universidade do Porto investigou um docente por dizer comentários sexistas, machistas e xenófobos em sala de aula. O resultado do processo disciplinar propôs a demissão do profissional, que ainda está em tramitação.
Em abril, a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa iniciou a investigação de três professores do curso por assédio e discriminação. O procedimento foi aberto após a realização de um inquérito que recebeu 50 denúncias realizadas por estudantes. 
Entre os registros estão cinco casos de xenofobia e racismo: “os testemunhos referem-se a alunos brasileiros, negros ou originários de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa”, destaca o documento. As ações descritas pelas vítimas foram a humilhações, intimidações e insultos.
Os conteúdos publicados no Agora Europa são produzidos colaborativamente por jornalistas residentes em diferentes países da Europa.

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