Caso de racismo explícito contra três brasileiros do Real Madrid – Metrópoles


04/07/2022 9:09,atualizado 04/07/2022 13:48
O jornal espanhol As publicou em seu perfil no Twitter uma foto dos brasileiros Rodrygo, Vnicius Júnior e Militão, vestidos com a camisa do Real Madrid e aparentemente festejando um dos títulos conquistados pelo clube merengue.
Abaixo da foto, abriu comentários para os leitores e pediu que definissem a imagem com um emoji ou uma frase. A imensa maioria elogiou o trio de jogadores brasileiros, com expressões do tipo “Real Brasil”, “Samba, samba de janeiro”,  “A seleção sub 20 do Brasil”, “Vem aí a 15ª  Champions”ou “O futuro está aqui”.
Mas os torcedores anti-Real aproveitaram a oportunidade para insultar os brasileiros com algumas mensagens racistas, como “Os negros no caixão” e “Que seleção da Africa é esta?” Junte-se a esses xingamentos dezenas de emojis de macacos de todos os tamanhos, como este que printamos e publicamos abaixo, com a reação indignada de um leitor brasileiro.

É lamentável que esse tipo de manifestação ainda seja permitida. Temos visto recentemente, especialmente em jogos da Libertadores da América, episódios de discriminação racial que  demonstram, de forma inconteste, que o preconceito é uma chaga que envergonha todos os países e que tem que ser erradicada de uma vez por todas.
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Manifestação "Contra o Discurso de Ódio e Discriminação" na Universidade de Aveiro – CNN Portugal

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E quando traumas do racismo no colégio não vêm dos colegas? – Terra

E quando traumas do racismo no colégio não vêm dos colegas?  Terra
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Jornalista é alvo de racismo em São Pedro da Aldeia – O São Gonçalo – O São Gonçalo

A jornalista Renata Cristiane de Oliveira, de 49 anos, foi alvo de um ataque racista em São Pedro da Aldeia, na última sexta-feira (01). Dois cartazes com as ofensas: “Renata Cristiane. Reporte Macaca. Lá Cabo Frio (sic)”, foram colados em ponto de ônibus da região.
De acordo com as informações, ela foi avisada por uma internauta, que segue o perfil da jornalista nas redes sociais, fazendo com que Renata fosse até dois pontos de ônibus, em frente ao Pronto Socorro de São Pedro da Aldeia e visse os dois cartazes.
“Na hora, fiquei muito abalada. Fui até os pontos de ônibus. Vi que o cartaz não tinha sido colado hoje. Ao lado de um deles, havia outro cartaz com versículo da bíblia. Passar por isso é muito desagradável”, relatou a jornalista ao jornal O Dia, onde atua como editora da Região dos Lagos.
Para Renata, os ataques acontecerem pelo fato de algumas pessoas se incomodarem com seu destaque na região. Renata, que atua na Região dos Lagos há 20 anos, conta que esse não é o primeiro preconceito que viveu ao longo da sua carreira. A jornalista disse que ainda não decidiu se vai fazer o registo do caso em uma delegacia.
A prefeitura de Cabo Frio prestou solidariedade a repórter: “A Prefeitura de Cabo Frio, por meio da Secretaria Adjunta de Comunicação, lamenta profundamente o ato inaceitável de racismo sofrido pela jornalista Renata Cristiane nesta sexta-feira (1⁰). Ela foi alvo de ofensa escrita em local público, de maneira covarde. Este tipo de crime precisa ser investigado com todo o rigor necessário, para que a pessoa responsável seja devidamente punida nos termos da lei. O racismo é intolerável e não cabe em nossa sociedade. Devemos lutar diariamente contra o preconceito e a intolerância. Manifestamos nossa solidariedade à jornalista Renata Cristiane!”.

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O aeroporto urgente do líder da oposição – Diário de Notícias

Ninguém disse mais vezes a palavra “urgente” sobre o aeroporto de Lisboa do que o Presidente Marcelo, o grande apoiante dos empresários do turismo. Não sei se, por causa disso mesmo, Pedro Nuno Santos sentiu as costas quentes quando avançou e entalou António Costa, protegido igualmente pelo PCP e Bloco, que querem Alcochete. Em resumo: quem é contra Alcochete? Talvez Costa e os seus sucessivos ministros das Finanças. Eles sabem quão impagável seria meter Portugal nessa aventura. E então atiram-nos para o Montijo, cuja conta é da Vinci, para lavar as mãos do problema – mesmo que fazer aquele aeroporto temporário signifique colocar a estrutura a mais de dois metros da sua cota inicial, um aterro digno das loucuras do Dubai. E, claro, destruir toda aquela zona do estuário do Tejo.
É verdade que adiamos há 50 anos uma decisão sobre o aeroporto de Lisboa. Mas a razão principal é o dinheiro. Alguém ainda se lembra de que, depois do 25 de Abril, já tivemos três intervenções do Fundo Monetário Internacional? Entretanto, com o dinheiro que surgiu da União Europeia, fizemos hospitais, escolas, tribunais, estradas, pontes, saneamento, etc.. Chegados aqui, e estando em cima do verão mais louco do turismo, queremos decidir sob pressão. Só pode correr mal.
Se queremos atuar depressa e sem tantos custos, ativemos o aeroporto de Beja em 2023. Alguém já falou com as low-cost? Não é possível montar-se uma operação ferroviária ou de autocarros que ligue Beja a Lisboa em duas horas? Já imaginaram quantas noites de turismo alternativo se venderiam no Alentejo, além de novas oportunidades numa maravilhosa região do país?
Há igualmente uma Base Aérea em Monte Real (potencialmente transferível para Tancos), que nos legaria uma pista, área para construir um hangar e uma ótima localização. Não queremos porquê? Alguém já foi a França, Espanha, Noruega, etc., ver como é possível fazer-se em pouco tempo um pequeno aeroporto descentralizado? Monte Real está a hora e meia de Lisboa. É uma viagem igual a ir de uma ponta de Londres até Heathrow de metro. Além disso, a alta velocidade vai passar em Leiria, ali ao lado.
Lisboa: o plano de reconversão retira dali a Base Aérea de Figo Maduro e o apoio aeronáutico. Com as prometidas novas obras da ANA, o edifício do aeroporto teria muito mais espaço para check-in, mais zona de bagagens e cabinas do SEF. Porque não?
A realidade física da Portela impõe apenas dois constrangimentos inalteráveis: só há espaço para uma pista, portanto não podemos ter todos os voos que quisermos. Mas a questão é: quantos mais voos queremos em Lisboa? Além disso, a segurança das aterragens: se formos pela teoria das probabilidade e urgências, então prolonguemos a pista da Madeira, essa, sim, o maior problema de aviação português, numa região ultradependente do turismo.
Por fim: porque queremos mais turistas em Lisboa? Quantos mais? Para criar a xenofobia que acaba com a segurança? Para ter ainda mais e mais pressão sobre quem lá vive por surgirem mais alojamentos locais e hotéis, dado um infinito crescimento da procura? Além disso, porque dispomos, com esta arrogância, do ecossistema de Alcochete e da Margem Sul? E o absurdo: pode gastar-se 1600 milhões no Montijo para que ele funcione por nove anos?
Lisboa acolheu a Conferência dos Oceanos e nada ficou sobre a crise do planeta. A Portela está esgotada, repetem. É o contrário.
A verdadeira Lisboa, que dá razão de ser a tudo isto, é que está perto do limite. Não a destruam mais, sob pena de perdermos tudo.

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Funcionários entram com ação contra a Tesla por discriminação racial | Juristas – Portal Juristas

Quinze ex-funcionários e atuais trabalhadores negros da Tesla entraram com uma ação contra a fabricante de veículos elétricos na última quinta-feira (30), em um tribunal estadual na Califórnia, alegando que foram submetidos a discriminação racial, além de regularmente serem alvo de comentários e comportamentos racistas de colegas, gerentes e funcionários de recursos humanos, nas unidades produtivas da companhia. A informação é da agência Reuters.
O assédio, que ocorreu principalmente na fábrica da Tesla em Fremont, incluiu o uso de termos como “nigger” (forma considerada altamente pejorativa para se referir aos negros nos Estados Unidos) e “escravo”, além de comentários de cunho sexual como “gosta de bunda”, de acordo com o processo.
Alguns desses funcionários e ex-trabalhadores foram designados para cargos com maior exigência física na Tesla ou preteridos para promoções, segundo o documento.
Um exemplo que consta nas acusações é de um trabalhador da parte produtiva da montadora em Fremont, Montieco Justice, que teve o cargo imediatamente rebaixado ao retornar à Tesla depois de tirar uma licença autorizada por causa da Covid-19.
A Tesla enfrenta pelo menos 10 processos de discriminação racial generalizada ou assédio sexual. Um deles é liderado por uma agência de direitos civis do Estado norte-americano da Califórnia.
A montadora não respondeu imediatamente a um pedido de informações feito pela Reuters. Anteriormente, a empresa negou irregularidades e disse que tem políticas em vigor para prevenir e lidar com a má conduta no local de trabalho.
Na segunda-feira (27), um juiz federal da Califórnia ordenou um novo julgamento sobre os danos que a Tesla deve a um ex-operário negro que acusou a empresa de discriminação racial, depois que ele recusou uma indenização de US$ 15 milhões (R$ 79,72 milhões).
Com informações da Agência Reuters.
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Boca é punido por racismo só com multa e terá torcida contra o Corinthians – UOL Esporte

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A novela do racismo na F1 continua – SOL

A semana no mundo da Fórmula 1 ficou marcada pela polémica em torno de Nelson Piquet, antigo piloto da modalidade, e Lewis Hamilton, a quem apelidou, numa entrevista, de ‘neguinho’.
A Fórmula 1 é uma modalidade muito marcada dentro e fora dos circuitos pela luta por diferentes causas. E que o diga Lewis Hamilton, o britânico heptacampeão mundial da Mercedes, que tem travado um verdadeiro combate ao longo destes anos na principal divisão do desporto motorizado contra várias formas de discriminação, incluindo racismo. Na Arábia Saudita, por exemplo, Hamilton correu com um capacete que ostentava a bandeira da comunidade LGBTQIA+, em protesto contra a forma como esta comunidade é oprimida naquele país do Médio Oriente.
Por isso mesmo, a polémica em torno de um comentário de Nelson Piquet, antigo piloto-estrela da Fórmula 1, escalou a níveis mundiais. O antigo tricampeão mundial brasileiro falava numa entrevista sobre o acidente entre Lewis Hamilton e Max Verstappen (cuja namorada é filha do próprio Piquet) em Silverstone, no ano passado, e referiu-se ao piloto da Mercedes com uma expressão racista. «O neguinho meteu o carro e não deixou Verstappen desviar. O neguinho deixou o carro porque ali [na curva] não há maneira de passarem dois carros», disse Piquet  ao jornalista Ricardo Oliveira. E mais, dias depois de a polémica ter estourado, um outro clipe da entrevista deu também que falar. É que Piquet volta a usar o termo, e faz ainda, de seguida, um comentário que não caiu bem a muitos internautas. «O neguinho devia estar dando mais cu naquela época, aí tava meio ruim», disse Piquet, numa parte da entrevista que a plataforma Grande Prêmio acabou por descobrir, já que a mesma fora retirada do YouTube.
Pouco demorou até que as principais entidades da Fórmula 1 se pronunciassem sobre o assunto. Em comunicado, a própria organização da modalidade disse: «Linguagem discriminatória ou racista é inaceitável e não tem lugar na sociedade. O Lewis é um embaixador incrível do nosso desporto e merece respeito. Os seus esforços para aumentar a diversidade e a inclusão são uma lição para muitos». A ela juntou-se  a Mercedes, equipa de Hamilton, que recorreu às redes sociais para sair em defesa do piloto britânico: «Condenamos o uso de qualquer linguagem racista ou discriminatória. O Lewis tem feito muitos esforços para combater o racismo e é um campeão da diversidade dentro e fora de pista».
Piquet acabou por pedir desculpas públicas pelo comentário, argumentando ter sido  «mal pensado». «Não defendo isso, mas vou esclarecer que o termo usado é aquele que tem sido amplamente e historicamente usado coloquialmente no português brasileiro como sinónimo de ‘cara’ ou ‘pessoa’ e nunca teve a intenção de ofender», diz, em nota oficial. O antigo piloto acabou suspenso como membro honorário do Clube Britânico de Pilotos de Corrida.

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Uefa lança projeto para combater e apagar conteúdos racistas nas redes sociais – MKTEsportivo

O programa será ativado em uma parceria da entidade com as plataformas de mídias sociais
A Uefa apresentou uma iniciativa para combater o racismo online, especialmente em postagens em redes sociais que tenham insultos contra atletas.
O projeto será ativado em uma parceria da entidade com as plataformas de mídias sociais, que poderão apagar os materiais. As partes trabalharão para “monitorar ativamente, denunciar e remediar” casos de abuso online contra jogadoras.
“O programa de respeito visa ações concretas para prevenir comportamentos abusivos online e discriminação durante todas as suas competições finais, incluindo as finais das competições juvenis, femininas e masculinas nos próximos três anos. Para garantir que o conteúdo nocivo seja removido, a Uefa está trabalhando diretamente com as principais plataformas de mídia social, como Twitter, Meta e TikTok”, destacou a Uefa.
A iniciativa terá início na Eurocopa feminina, que será disputada na Inglaterra, de 6 a 31 de julho.
Para a Copa deste ano, a FIFA atuará em conjunto com o FIFPRO (sindicato dos jogadores) para implementar um plano sobre como proteger todo o ecossistema da modalidade, como equipes, jogadores, dirigentes e torcedores.
O relatório explorou inteligência artificial para rastrear mais de 400 mil posts em redes sociais durante as semifinais e finais da Euro 2020 e Copa Africana de Nações 2021. O monitoramento identificou que mais de 50% dos jogadores receberam algum tipo de mensagem discriminatória. Comentários homofóbicos (40%) e racistas (38%) foram os mais comuns.
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Racismo e inclusão: mutações do mercado de consumo – Consultor Jurídico

Por Cristiano Heineck Schmitt
Racismo é um dos temas mais debatidos em uma série incontável de espaços, como sociologia, filosofia, economia, política, direito e etc. Pergunto-me se seria correto pretender dizer que o século 20 e o século 21 são aqueles que promovem o maior controle de prática tão incoerente e sorrateira. Entre tantas coisas, racismo representa um desejo de exploração do outro, uma tentativa de vulnerar determinados indivíduos em face de características étnicas. E o mercado, como sabido, é um ambiente propício as fomentar fraquezas, sendo o consumidor, por isso mesmo, considerado com um ser vulnerável (artigo 4º, incido I do Código de Defesa do Consumidor brasileiro).
Em termos resumidos, se poderia dizer que racismo é uma forma de diminuir indivíduos em face de sua origem biológica, dividindo a raça humana em raças, estabelecendo que umas sejam superiores face a outras. Por lógico, técnica e biologicamente, é uma pretensão absurda e jamais comprovada, por maior que seja a resistência de alguns em aceitar uma igualdade natural entre os sujeitos. No fim, sua prática serve para garantir exploração social, econômica, etc.
Por outro lado, contribui para essas visões ditas racistas o fato de valorizar-se uma cultura, um povo, uma nação, pela capacidade de produção, de geração de riquezas de cunho patrimonial. A grande massa de países, que formam o terceiro mundo, ou "países em desenvolvimento", como é o caso do Brasil, não participa da festa das "nações que deram certo". Nesses locais de primeiro mundo, haveria uma autorização implícita para as pessoas poderem ser "felizes" (ou mais felizes), segundo métricas patrimoniais de felicidade, pois a violência é controlada, a saúde pública é eficaz, a democracia encontra repouso tranquilo, e a sociedade é capaz de produzir diálogos.
Contudo, em uma nação na qual não se alcançam grandes metas de dividendos, que carrega uma contínua dívida externa e interna, com problemas sociais diversos, esta não consegue se destacar por mais nada? Não seria possível ser feliz nela de outras maneiras, apegando-se a valores muito maiores como solidariedade, partilha, afeto, convivência em comunidade e uma boa simbiose com o meio ambiente? Se a resposta for negativa, a massa de sujeitos advinda de países empobrecidos estará condenada a um caminho de sofrimento, de discriminação racial?
O presente texto detém um tamanho reduzido, incompatível com a análise mais pormenorizada de um histórico do racismo, da escravidão, de tantas discriminações promovidas ao longo de séculos. A temática em foco aborda como o mercado de consumo se projeta diante de cenários de racismo, seja promovendo tais atitudes, ou condenando-as, ou simplesmente incentivando um comportamento oposto, de cunho inclusivo.
O mercado de consumo não é estático, ele é dinâmico. Fornecedores que não se adaptam às mudanças, fecham as portas. E isso ocorreu durante a recente pandemia de Covid-19, que gerou uma quarentena global, afastando-se o convívio social presencial. Prosperaram ou conseguiram se manter em funcionamento os comerciantes e as empresas que transformaram seus negócios em operações digitais.
Esse ambiente, mercado de consumo, é onde ocorrerem às trocas entre produção e comércio (fornecedores), e a aquisição de serviços e produtos (consumidores) mediante o pagamento em dinheiro. Os empreendedores obtém seu lucro na medida em que conseguem suprir demandas de seus clientes, ou também criar necessidades para aumentar as vendas. Não há como vender no mercado sem investimento em marketing, estrutura que cuidará para que determinada marca venha a superar concorrentes, explorando desejos, anseios, e todo um aparato de caminhos da mente que conduzam o seu titular à aquisição de certos bens e serviços.
Num passado não tão longínquo, certas atitudes mercadológicas de cunho racista eram aplicadas de forma livre, sem censura. E isso ocorria não necessariamente porque algum fornecedor fosse racista, mas sim porque havia um retorno econômico satisfatório junto a consumidores que praticavam práticas sectárias, ou ao menos, que aceitavam elas sem questionar, fomentados pelo próprio Estado ao qual pertenciam.
Os Estados Unidos, por exemplo, são um país que vivenciou uma das piores guerras civis, sendo talvez o único exemplo de nação que travou um conflito bélico interno tendo a extinção da escravatura como seu cerne. E mesmo com a derrota dos defensores da escravidão, o mesmo possui um histórico de acentuado racismo perpetrado contra populações afrodescendentes, latinos, entre outros. Um detalhe importante é que se trata do país que mais recebe imigrantes no mundo, o que é um paradoxo.
Como ensina Toni Willians [1], há um histórico nos EUA acerca da prática do "Redlining", que retratava um processo pelo qual os bens ou serviços eram disponibilizados em termos menos favoráveis para as pessoas conforme o local onde viviam [2]. Assim, o "Redlining", quando aplicado, importava na negativa de acesso ao mercado prejudicando minorias, em especial, afrodescendentes, que não conseguiriam empréstimos habitacionais para moradias em zonas de maioria branca. Isto é, não havia um desejo de compartilhar convivência com quem fosse diferente, ainda que isso se resumisse à cor da pele. A mencionada prática chegava a ser promovida por instituições governamentais, tendo como exemplo o caso do "Manual da Administração Federal de Habitação", de 1930, que indicava claramente que minorias raciais eram percebidas como uma ameaça aos programas de subvenção federal à habitação [3]. Nesse sentido, era investigado pelo órgão governamental responsável pelo subsídio se determinadas áreas habitacionais eram ocupadas por minorias raciais incompatíveis com o benefício de fomento almejado. Entendia-se que a alteração na ocupação de bairros e de localidades, com a saída de antigos proprietários, para a vinda de novos donos de imóveis, que pudessem pertencer a grupos raciais "não brancos", poderia contribuir com a instabilidade social e com o declínio de valores. Diante do caráter draconiano dessa política institucional de segregação, em 1968, trinta e oito anos depois, foi introduzida uma legislação denominada "Federal Fair Housing Act", que baniu a discriminação nos mercados de habitação, por motivos ligados à cor, raça ou origem nacional dos consumidores, o que foi reforçado por outras leis [4].
Tais normas, evidentemente, não foram suficientes para conter os abusos alocados no mercado. Por certo, não se contém o racismo, o crime, a corrupção, entre outros, com um excesso de normas, mas sim com mudanças de comportamento, a partir do incentivo da sociedade, que passa a cobrar de seus membros um agir diferente. E é nesse ponto que entra o mercado.
Seria o mercado uma estrutura capaz de alterar comportamentos sociais sob o foco de redução do racismo? A resposta é sim. Esse mesmo mercado pode destronar quaisquer iniciativas discriminatórias que lhe sejam economicamente prejudiciais. E isso pode ocorrer num formato explícito, ou implícito.
Para se combater o racismo, é necessário mais do que um posicionamento passivo contra qualquer prática racista. É essencial tornar-se um antirracista, promovendo uma cultura de repressão moral a atitudes sectárias. Ou ao menos, passar-se a desenvolver práticas de inclusão de minorias, ou até mesmo maiorias oprimidas. O ideal seria perguntar a si mesmo, o que estou fazendo para combater o racismo?
Não é possível vasculhar os desejos internos daqueles que comandam o mundo corporativo, questionando-se se um CEO, ou um diretor-presidente de algum grupo econômico é um antirracista, ou que os investidores de dada empresa condenam tal prática etc. Mas é possível aferir que o mercado, a partir de um dado momento, entende que a recepção de uma certa marca, em certo local ou época, depende em demonstrar como a empresa se alinha na condenação de práticas racistas, ou como certo fornecedor contorna esse estado errado das coisas ao promover um agir inclusivo. É essencial ao mercado democratizar o acesso a bens e serviços, porque ele é algo vivo, é a mola propulsora da econômica.
E se isso ocorre realmente, ainda que se entenda que assim age a empresa visando a promoção de vendas, o fato é que desse cenário se sobressai um resultado socialmente satisfatório. Muitas coisas que interessam ao mercado, aos empreendedores, em termos de comportamentos que geram lucro, são muito bem vindas para melhorar o convívio social. Afinal, o comércio aproxima os homens.
Soma-se a isso o fato de que tudo, no Brasil, que depende de ação estatal, é um processo muito lento, e quando chega, apresenta-se com bastante atraso. Enquanto a gestão da coisa pública não melhora, talvez seja interessante se aproveitar os bons ventos inclusivos que inspiram o mercado com atitudes combativas do racismo.
Em novembro de 2020, foi registrado um caso paradigmático junto à cadeia de supermercados Carrefour, em que, em uma das lojas da cidade de Porto Alegre (RS), um homem afrodescendente foi retirado por seguranças. Este sujeito foi paralisado no chão, após ter recebidos vários socos e pontapés, vindo a óbito por sufocamento, mesmo já estando controlado, sem capacidade de reação. Tal prática foi amplamente condenada nas redes sociais. Acerca da viúva da vítima, foi celebrado acordo com a mesma, bem no início do processo, tendo o Carrefour pago mais de um milhão de reais. Ainda, como consequência do caso, a mesma empresa anuiu com a imposição judicial de indenização de 115 milhões de reais por danos morais coletivos, destinados a ONGS e entidades governamentais que combatem o racismo. Por certo, a rede Carrefour, que tem um apelo de marketing focando classes mais populares, não pretendia ver a continuidade de seu nome na lama, virando uma exposição sobre racismo, e ainda com o acréscimo da covardia e da violência física. Seja por motivos humanitários, seja por reconhecimento do seu erro, o fato é que este fornecedor logrou em criticar a si mesmo, tentando ressarcir as vítimas num contexto patrimonial muito maior do aquele que seria obtido através de um pleito judicial. Quanto mais se estendesse esse conflito, mais restaria desgastada a imagem do fornecedor. E, isso, sabemos que repercute intensamente na parte do lucro.
A rede de vestuário Zara tem enfrentado uma série de críticas por comportamentos racistas e discriminatórios no interior de suas lojas em termos mundiais. Em 2015, a ONG Centro de Democracia Popular entrevistou 251 funcionários da Zara em Nova Iorque e produziu um relatório que detalha uma prática de "prevenção de perda" que seria utilizado em lojas da rede. Caso um cliente fosse considerado "suspeito", com supostas inclinações a furtos, após a entrada na loja, ele ou ela iria ser rotulado como "comprador especial", sendo designado um funcionário ou administrador para acompanhar esse cliente. Entre os entrevistados, 46% afirmaram que os consumidores afrodescendentes eram os mais rotulados por esse código [5]. Mais recentemente, a Zara volta a ocupar as manchetes pelo mesmo problema, desta vez no Brasil. Em outubro de 2021, em um shopping de Fortaleza, foi identificado em um loja da rede que, a todo momento que ingressava um cliente afrodescendente, ou com vestimentas simples, era entoado pelos autofalantes da loja a expressão "Zara Zerou", o que representava um chamado a funcionários para que passassem a observar e acompanhar o cliente suspeito enquanto transitava no interior do estabelecimento [6]. Tal situação fora descoberta pela Polícia Civil, cuja investigação fora iniciada para apurar crime de racismo cometido contra a delegada Ana Paula Barroso, diretora-adjunta do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis, que foi barrada ao tentar entrar na loja Zara do shopping Iguatemi de Fortaleza em 14 de setembro de 2021. Em outra situação recente, a mesma empresa celebrou um acordo extrajudicial pagando uma indenização para o consumidor Luís Fernandes Junior, homem negro que foi retirado do banheiro do Shopping da Bahia, em Salvador, após ser acusado de ter furtado uma mochila que recém havia comprado na Zara [7].
Realmente, são episódios lamentáveis, e espera-se sinceramente que o referido fornecedor empregue todos os esforços possíveis para alterar a cultura racista que parece ter impregnado alguns de seus colaboradores.
Talvez o olhar que pende sobre o arrependimento, com a indenização imediata da vítima do racismo, sem remeter a mesma à peregrinação judicial, seja uma forma de o fornecedor optar pela inclusão, de tomar partido pela causa antirracista. Muito ainda subsiste a fazer. Como dito, ainda que as intenções internas da empresa não sejam realmente as mais humanitárias, quando um fornecedor se coloca contra o racismo, isto redunda em resultados muito satisfatórios à sociedade, e não somente aos consumidores. Inclusive, a realidade demonstra que ser antirracista é uma ferramenta que deve completar inciativas de compliance a serem adotadas pelos fornecedores em geral. Afinal, incluir e garantir isonomia de tratamento a todos é uma questão social de alta relevância, e ajuda em muito na preservação da vida da empresa. Assim, essas mutações do mercado fornecedor, que reproduzem um amadurecimento em prol de direitos humanos, são sempre muito bem vindas.
[1] WILLIANS, Toni. Racial and gender equality in markets for consumer services. Revista da Ajuris, ed. especial, volume I, Porto Alegre, p.118, mar. 1998.
[2] WILLIANS, Toni. Racial and gender equality in markets for consumer services. Revista da Ajuris, ed. especial, volume I, Porto Alegre, p.118, mar. 1998.
[3] Ibidem, p. 118
[4] Ibidem, p. 119 a 120.
[5]Vide https://www.geledes.org.br/clientes-negros-sao-taxados-como-potenciais-ladroes-para-loja-zara/?gclid=CjwKCAjws8yUBhA1EiwAi_tpEeZaFoz0gRrgmVo8hT8LQFI7T23CfaJYo7_lB69ujGffc1ClF2-01BoCdm8QAvD_BwE>. Acesso em 22/5/2022.
[7] Vide https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2022/04/25/zara-entra-em-acordo-e-vai-pagar-indenizacao-a-acusado-de-furtar-mochila-em-shopping-na-ba-onus-superior-a-media-do-judiciario.ghtml. Acesso em 22/5/22.
 é advogado, doutor e mestre em Direito pela UFRGS, professor de Direito da PUC-RS, pós-graduado pela Escola da Magistratura do RS, secretário-geral da Comissão Especial de Defesa do Consumidor da OAB-RS, diretor do Instituto Brasilcon, autor de livros, palestrante e professor de curso de pós-graduação lato sensu.
Revista Consultor Jurídico, 29 de junho de 2022, 8h02
1 comentário
MACACO & PAPAGAIO (Outros)
29 de junho de 2022, 12h58
Mais um artigo adaptado de pesquisas repetidas que querem enaltecer as causas e as questões de raça no país tupiniquim, cujas condutas, aliás, já foram criminalizadas.
É falta do que fazer ?
Neste século XXI, dediquem seu tempo e deem primazia a INDICAR SOLUÇÕES CONCRETAS para o problema.
Poderiam analisar os paradigmas antropológicos financeira dos egoísmos de sua própria classe e proporem acabar com o racismo econômico dos privilegiados narcisistas.
Aproveitem e mudem o disco, aliás, o digital para produzirem resultados efetivos à sociedade.
Responder
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