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Famílias têm papel fundamental na desconstrução de preconceitos raciais; veja dicas
Por Isabella Holouka
03 de julho de 2022, às 08h15
Link da matéria: https://liberal.com.br/cidades/regiao/racismo-precisa-ser-combatido-em-casa-1792441/
“Se o nosso sangue é igual, é vermelho em qualquer tema, não devemos transformar a cor da pele em um problema”, recitou Amanda, aluna do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Maria do Carmo Augusti.
Partindo do pressuposto de que as famílias são o primeiro e mais influente meio de socialização das crianças e adolescentes, seguidas pelas escolas, a editoria Pais & Filhos do LIBERAL visitou a comunidade escolar no Jardim Governador Mário Covas, em Americana, e questionou professores sobre ações que podem ser adotadas pelos pais e mães em prol de uma educação antirracista.

“A criança não nasce racista, ela se torna, ouve em casa, presencia algumas situações. Então, as pessoas têm que se instruir, buscar conhecimento para entender o que realmente acontece, o que aconteceu. Ser racista é fácil, pensar ‘eu simplesmente não gosto’. Mas pense se a pele faz realmente diferença. Sentimos dor, sofremos, temos sentimentos da mesma forma. Então, porque a cor da pele gera essa disparidade?”, argumentou a professora de língua portuguesa Neri Aparecida da Cruz.
Além de refletir e buscar conhecimento, confira outras dicas para abordar o assunto com os filhos:

Acontecimentos relacionados à questão racial são frequentemente abordados pelas mídias. Para a professora Rosângela Santos Santana Miranda, são oportunidades para conversar sobre o tema. “A família, quando vê o noticiário, tem um momento para refletir e discutir com os filhos, fazendo uma reflexão”, orientou.
É inegável a importância de refletir sobre a escravidão imposta à população negra no Brasil. Porém, é essencial ponderar que a história e a influência negra na cultura brasileira vão muito além, pontua Rosângela. “Temos que deixar bem claro que os povos africanos influenciaram diversos aspectos de nossas vidas, nossa sociedade”, afirmou ela, citando aspectos artísticos e culturais.

“Busque fazer amizades, conversar, conhecer a origem daquelas pessoas”, orientou a professora Adriana de Faria Ribeiro Sanches, que também dá aulas de língua portuguesa. A aproximação pode render evidências de que há mais pontos em comum do que disparidades, levando à desconstrução de preconceitos. Além disso, pais podem mostrar às crianças que todas as pessoas são iguais e merecem respeito.
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“A família é o ponto referencial do indivíduo. Tudo o que é aprendido, inicia na família. E a escola é um complemento, um suporte para a criança ser um cidadão de bem”, argumentou Rosângela. Os professores concordam sobre a importância de que as escolas tenham trabalhos contínuos visando a desconstrução do racismo estrutural, o que pode ocorrer por atividades culturais. O professor José Osmar de Oliveira, de sociologia, lembra que as crianças são agentes multiplicadores e que através das atividades escolares também levam mensagens e informações para as famílias.
A riqueza da cultura brasileira está pautada na miscigenação de povos indígenas, africanos e europeus, e um exemplo disso é a mistura rítmica originando samba e maracatu, entre outros estilos musicais. Letícia Lima, artista visual, orienta à valorização de artistas negros. “É preciso repensar também os nossos gostos”, afirmou.
Lábios carnudos, nariz grande e arredondado e cabelos crespos são frequentes motivos para bullying nas escolas. Diante destas situações, a professora Neri ressalta a importância de empoderar as crianças e adolescentes negros.
“Uma aluna me falou que não soltava os cabelos porque os outros davam risada. Então eu mostrei o meu cabelo, que eu amo. Sou defensora da minha cor e da minha raça, porque o contrário seria um desrespeito aos meus pais. Falei isso para ela, ‘seu cabelo é lindo’”, disse.
“Diante de situações de racismo, procurem se orgulhar, ter orgulho dos traços, do cabelo, da própria origem”, acrescentou Adriana.
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