Filipa Lemos recorda morte do irmão, assume falha e fala da discriminação com a música dos Santamaria – Infocul.pt

Filipa Lemos recorda morte do irmão, assume falha e fala da discriminação com a música dos Santamaria, durante a sua ida ao programa Júlia, da SIC.
Filipa Lemos começou por recordar a Júlia Pinheiro que começou na música com um duo com o irmão, Tony Lemos.
Posteriormente, Tony, quando estava na universidade, decidiu criar os ‘Santamaria‘ e o resto é história e o sucesso do conhecimento público.
Apesar do sucesso que fizeram, houve muita crítica ao estilo de música.
Havia crítica que doía muito a alma. Os ‘Santamaria’ sempre foram um projeto de amor”, disse Filipa, referindo ainda que a imprensa nunca foi muito pró-Santamaria.
A mim doía e ao meu irmão doía muito. Aquele preconceito doía muito, na medida em que as coisas não eram feitas às três pancadas, havia trabalho de casa feito”, continuou.
Depois, recordou a vitória nos Globos de Ouro, em 2021 e do preconceito que sentiu.
Senti preconceito nessa altura. Sentimos que ficou ali um ambiente de cortar à faca quando disseram o nome ‘Santamaria’. E deu-me um gosto especial dizer assim aquele recado” [sobre aceitação e não haver rótulos].
Em 2020, o momento mais difícil a nível pessoal e profissional, ocorreu com o suicídio do irmão.
Na altura, Filipa estava no México, pois tinha saído de Portugal, com a filha, para se juntar ao marido que trabalhava fora, na esperança de salvar o casamento.
Lembro-me de estar horas a tentar falar com a minha mãe, porque a minha preocupação era a minha mãe, de ouvir os meus sobrinhos e tentar articular o facto de tentar regressar a Portugal. Aconteceu numa terça e cheguei a Portugal na quinta”, começou por dizer.
Eu estive 10 dias em que não verto uma lágrima. Entrei em piloto automático”, acrescentou.
Não esperava de todo. Nós sabíamos que ele estava doente. Falei com ele no domingo e ele estava com um discurso perfeitamente normal, não consegui perceber rigorosamente nada”, revelou.
Filipa contou que acabou por se divorciar, mais tarde, voltando assim a Portugal.
Os elementos da banda reuniram-se e ninguém colocou em causa o futuro, toda a equipa concordou que era para continuar, porque era algo que Tony Lemos gostaria que acontecesse.
Existe a fase da aceitação pelo facto dele não estar. Que dói, dói e muito. Aquele olhar era aquele olhar que dizia tudo. A cumplicidade que nós tínhamos era de tal forma grande que o olhar bastava. Nunca na vida terei cumplicidade com mais ninguém, nem com a minha filha”, explicou.
Acho que a pandemia bloqueou o meu irmão. Teve tempo para pensar excessivamente. Ele pensava demais, preocupava-se com os outros. Talvez fosse a pessoa mais bondosa que conheci até hoje. Acho que ele achou que era incompetente perante os outros, colocou em questão o valor dele”, acrescentou.
Eu não me culpo e digo isto de uma forma muito frontal. Não me culpo, mas assumo que falhei com ele. Acho que se tivesse ficado cá [estava a viver no México na altura com o marido e a filha] as coisas teriam sido diferentes”, disse.
Filipa Lemos, formada em psicologia clínica, confessou ainda que fala com o irmão em dois locais: “São dois sítios de referência quando tenho dias muito maus: um deles é junto dele, fisicamente, digamos assim, e outro na Foz do Douro, que é um sítio onde eu gosto de assistir ao pôr do sol e de me reencontrar”.

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