Estranhamento – Opinião JM – JM Madeira

O sentimentalismo não é somente uma característica geral ou fundamental da escola romântica, é também algo que caracteriza nós, os madeirenses.
A emoção atinge o desmoderado e deturpa o ato mental, por vezes, ofuscando a inteligência com alguns desses delírios.
 
Hoje, Dia da Região ou Dia da Madeira milhares dos seus naturais ausentes em paragens longínquas de além-mar que um dia tiveram de dizer adeus Madeira, a ilha sem rival, celebram a efeméride das mais diversas maneiras exteriorizando muitas emoções e um sentimentalismo invulgares e afloramentos de saudade e nalguns casos pesarosos por realizarem que emigrar não foi a melhor opção ou que chegou a altura de regressar. 
 
Com a retoma das celebrações do Dia da Madeira a evocação da autonomia, a beleza natural ímpar, clima, segurança, sabores, folclore e progresso que se vive na ilha da Madeira são fatores que aguçam a saudade e o desejo de regressar.  Regressar é mais fácil do que partir, mas a realidade para  alguns é bem diferente,  é  outra e por vezes até dolorosa  a começar pelo estranhamento inicial dos familiares, amigos e ex-colegas que se tornam mesquinhos em afirmações gratuitas e ofensivas para quem esteve ausente, e trabalhou árdua e honestamente, criando por vezes um ambiente que conduz a um  estranhamento constante, o qual gera uma sensação de não pertencimento, desfazendo assim  relacionamentos  e em nalguns casos  o espoletar da destruição de laços familiares, tolhendo o bom relacionamento familiar tão almejado por quem acaba de regressar, algo que é inexprimível,  no mínimo deplorável.
 
Ao celebrarmos, hoje, esta efeméride importante em uníssono seria bom que estas atitudes arrasadoras, através de uma ação simples dependendo inteiramente de um conjunto de pessoas de boa vontade mostrar a alguns nos nossos conterrâneos que é necessário, para uma harmonia e convívio são entre os que ficaram sempre na ilha e os regressados evitar que essas atitudes que por vezes infligem sofrimento psíquico sejam substituídas por atitudes mais positivas, mais afáveis que transformam o relacionamento numa melhor maneira de viver em concórdia e sobretudo deixarem aqueles que regressaram gozar o futuro que arquitetaram, esses homens e mulheres que um dia tiveram a coragem de emigrar para garantirem a si próprios e aos seus um futuro melhor, menos sofrido, ao invés de atitudes mesquinhas as quais forjam a  perceção da existência de xenofobia em relação a conterrâneos  acabados de regressar.
 
É importante não fazer de conta que tudo está bem. É de crucial importância não valorizar necessidades e procurar ajudar a reconstruir em alguns casos o vínculo familiar do emigrante que regressou às suas origens como também a readaptar-se, e evitar a todo o custo  as perversões de caráter social, uma missão a ser assumida por quem de direito, de molde a estimular o regresso de muitos emigrantes, especialmente, os mais acossados por adversidades e vivendo em países de acolhimento onde a segurança praticamente não existe, e vivendo em perigo de vida iminente que mantêm o firme desejo de regressar à sua terra natal. É preciso que o Dia da Região seja celebrado pelos madeirenses em especial, e que traduza expressões claras de fraternidade entre todos os que compõem as comunidades madeirenses através do globo de forma não objurgatória.
 
Conselheiro das Comunidades – África do Sul
 
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