Marcelo Barreto: Nem sempre pensar diferente é preconceito – Jornal Floripa

Agência de Notícias
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Minha carreira no jornalismo esportivo começou quando treinos e vestiários pós-jogo eram totalmente liberados à presença dos jornalistas. Não compartilho plenamente da saudade que muitos colegas da minha geração sentem desse ambiente — jogadores passeando pelados enquanto davam entrevistas sobre a partida não passavam uma imagem muito profissional, e causavam constrangimento às ainda poucas mulheres repórteres. Mas não foi isso que provocou a mudança: com a limitação do contato às coletivas, os clubes buscavam mais controle sobre o que é dito, transmitido e publicado.
— Não entendo a imprensa brasileira — reclamava Romerito ao ler o noticiário sobre o Fluminense nos anos 80. — O GLOBO me entrevista por uma hora e dá uma notinha; o Jonal dos Sports fala comigo por cinco minutos e publica uma página.
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Na época da resenha entre jogadores e jornalistas, eram esses últimos que controlavam a narrativa. E nem sempre fizeram bom uso desse poder. Voltaram-se, então, câmeras e microfones para a figura dominante do treinador. Na era das mesas redondas da TV a cabo e dos influenciadores da internet, são eles que pautam o debate — mas nem sempre conseguem controlar seu rumo.
Jorginho, que dava entrevistas no vestiário como jogador e agora se senta às mesas patrocinadas das coletivas como treinador, quis mandar um recado para Abel Ferreira. Reclamou do mau comportamento do colega e de sua comissão à beira do campo — algo que todos veem e poucos aprovam. Mas deixou escapar um “eles vêm para cá”, numa referência aos técnicos estrangeiros. Resvalou na xenofobia, e foi nesse ponto que as reações a sua fala se concentraram (ainda sob a influência da conversa de Mano Menezes com Dorival Júnior, captada pelos microfones da transmissão, da qual viralizou o trecho “aqui também estava esculhambado”, em alusão ao trabalho de um antecessor de outro país). Apanhou, reconheceu o erro e viu o recado que queria passar perder relevância.
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Depois daquele mesmo jogo, Abel foi simpático e sorridente quando perguntado sobre o vizinho chato, personagem que popularizou ao reclamar das críticas a seu trabalho (e que muita gente acredita ser uma personificação dos jornalistas). Mas voltou a chamar de professores de Deus os analistas de futebol, que desqualifica de forma recorrente. “Aqui no Brasil, de dez que falam, nove não percebem”, reclamara, na coletiva anterior. Os árbitros também são alvo frequente de sua fúria: na mesma ocasião, disse com todas as letras que se sente perseguido pela arbitragem brasileira, especialmente por Wilton Sampaio.
Abel parece estar no auge de um trabalho de quase dois anos no Palmeiras — um tempo que, em idade de técnico de futebol no cargo, equivale a uma eternidade. Talvez por isso, suas ideias hoje estejam sendo mais ouvidas. E ele faz questão de se apresentar como um homem sincero, que está sempre disposto a dizer o que pensa. Diz mesmo, e com isso já contribuiu bastante com o debate sobre o futebol brasileiro. Quando se mostrar também disposto a ouvir, sem desqualificar o interlocutor, os dois lados da conversa só terão a ganhar. Nem tudo é xenofobia, perseguição ou ignorância; muitas vezes, pensar diferente é só um exercício de democracia.


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