“Hoje sei enfrentar o racismo e a violência contra a mulher” – UNICEF

Isabele Cristine de Azevedo, que prefere ser chamada de Isa, tem 20 anos e mora no Jardim Sinhá, Zona Leste da cidade de São Paulo, com a mãe e a madrinha. Os pais são professores de capoeira, o que despertou em Isa, desde pequena, uma forte relação com os esportes. Para ela, a capoeira tem uma importante relevância para cuidar do corpo, da mente e ainda é um instrumento de inclusão social. “Eu sou apaixonada por capoeira. Comecei novinha, com a minha mãe, que dava aula em uma escola. Também sou muito apaixonada por ações sociais. Vejo o quão importante a capoeira é para a comunidade em que eu moro. Qualquer pessoa pode frequentar, seja homem, mulher ou criança”, diz.
Por um tempo, a capoeira foi o único lugar em que Isa se encontrava. Ela conta que o Chama na Solução São Paulo 2022 chegou em um momento essencial na sua vida. “Mandaram o edital para um grupo de outro projeto que eu participei com o UNICEF e o Cieds, chamado Engaja. Vi que poderia ser a chance de me encontrar. Quando fui selecionada, achei que era brincadeira. Na entrevista, notei que muita coisa poderia ser agregada ao meu projeto de vida”, conta.
O Chama na Solução São Paulo 2022 tem como proposta principal capacitar adolescentes e jovens para o desenvolvimento de iniciativas de intervenção em seus territórios. Para isso, propõe debates sobre diversas temáticas ligadas à prevenção e ao enfrentamento das diversas formas de violências contra adolescentes e jovens. “Há uma plataforma gamificada que fala sobre violência contra a mulher, violência racial e todas essas pautas atuais que vemos bastante. Também tivemos oficinas virtuais”, ressalta Isa como uma etapa essencial.
Segundo Isa, participar do projeto foi fundamental para desenvolver competências que ela levará para a vida. “Tive um amadurecimento pessoal e profissional. No Chama na Solução, eu tive que interagir para construir a proposta de intervenção. Essa foi a parte mais importante para mim. O projeto me ajudou muito. Eu conheci pessoas sensacionais”, declara.
Como o tema central da iniciativa é a prevenção e o enfrentamento de violências cotidianas, Isa e os outros 49 adolescentes e jovens participantes também desenvolveram novas ferramentas e olhares sobre fatos que ocorrem diariamente e representam uma violação de direitos. “O Chama na Solução me deu ferramentas para lidar com diversas situações, como racismo e violência contra a mulher. A gente sabe que acontece, mas fica na nossa bolha e não vai atrás do que pode fazer”, relata. “A questão racial, por exemplo, é uma questão que eu sempre vivi, mas de certa forma eu não percebi. Fui ter essa noção de que eu sofri racismo recentemente”, revela.
Discutindo quantas situações já presenciaram em que mulheres foram expostas, mas também baseados em casos de exposição que tomaram repercussão na internet, Isa e outros cinco colegas, desenvolveram a iniciativa nomeada Estigma de Iara, um canal de reivindicação de direitos das mulheres. O nome foi inspirado na figura folclórica brasileira Iara, caçada por diversos homens. O perfil traz dicas de lugares em que mulheres podem buscar ajuda, como sites, organizações, telefones e perfis em redes sociais, assim como informações sobre os direitos das mulheres.
“Pensamos em mulheres que passam por situações de exposições na internet. A primeira coisa que fiz [quando tivemos a ideia da iniciativa] foi conversar com a minha psicóloga para pensar como poderíamos apoiar outras mulheres. Fizemos uma live que teve bastante interação”, conta animada. “Foi muito bacana poder fazer alguma coisa por essa questão social. Está aflorando dentro de mim: criar projetos e ajudar as pessoas. Às vezes a gente acha que é uma coisa pequena, mas está ajudando alguém”, complementa.
Para Isa, assim como ela pôde perceber sua evolução ao longo do processo, os demais colegas também evoluíram. “A gente às vezes leva tudo na brincadeira. A gente não se pergunta o porquê de as coisas estarem acontecendo. Talvez, se eu não estivesse no projeto, eu visse um caso de exposição na internet, achasse errado, mas não fizesse nada. Com certeza [participar do projeto] trouxe um novo olhar e outra maturidade”, diz.
Após o encerramento do Chama na Solução, o grupo pretende continuar com as ações do Estigma de Iara. “A gente pretende fazer parceria com uma advogada para apoiar mulheres e fazer sorteios de materiais que falem sobre o assunto”, revela o desejo do grupo.
Retorno aos estudos e planos futuros
Em 2019, Isa parou de frequentar as aulas faltando apenas três meses para concluir o ensino médio. Com a participação no Engaja e no Chama na Solução São Paulo 2022, ela foi incentivada a retomar os estudos e a cursar uma faculdade. “Quando participei do Engaja, eu não tinha terminado o ensino médio, pois havia saído da escola por questões psicológicas e estava parada. Minha mentora no projeto falava muito comigo e, com isso, retomei os estudos. O Chama na Solução reforçou a importância da escola e hoje estou até fazendo faculdade”, relata empolgada a estudante de educação física.
Além de continuar estudando, Isa já sabe o que quer fazer a longo prazo. “Meu sonho é conseguir fazer com que jovens, como eu, tenham uma visão de vida. É pegar um jovem que está como eu estava há três anos, estagnado, e conseguir que tenha uma visão de futuro”, conta.
Adolescentes e jovens vão construir soluções coletivas para prevenir violências cotidianas no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Projeto do Canal Futura, UNICEF e Childhood Brasil para disseminar informações e metodologias de enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes.
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