Mário Theodoro apresenta um Brasil moldado pelo racismo e sua manutenção – Folha

Acesse seus artigos salvos em
Minha Folha, sua área personalizada
Acesse os artigos do assunto seguido na
Minha Folha, sua área personalizada

Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Gostaria de receber as principais notícias
do Brasil e do mundo?
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Uma conformação social assentada no racismo. Uma sociedade moldada nas desigualdades e que trabalha para sua manutenção. Uma economia construída com base na escravidão.
Ao mesmo tempo, teorias sociais e econômicas que ignoram que países escravocratas tiveram sua identidade formada a partir da subalternidade negra imposta pelo Estado e a elite branca.
O economista Mário Theodoro, em “Sociedade Desigual: racismo e branquitude na formação do Brasil” (Zahar, 2022), reúne tais características em um estudo aprofundado sobre a centralidade da questão racial na história do país. Para ele, o que impede o avanço social e econômico, e a consequente diminuição da desigualdade, é a posição de inferioridade imposta aos negros em todas as áreas.
“Esse é o grande empecilho à construção de uma sociedade democrática, socialmente integrada e economicamente pujante”, diz em entrevista à Folha por email.
O livro trata do conceito da “sociedade desigual”, que é definido como um corpo social caracterizado por uma extrema e persistente desigualdade, que se manifesta em função de um grupo racialmente discriminado –neste caso a população negra–, com intensidade que ultrapassa os limites da legalidade.
Tal sociedade é caracterizada pela produção de assimetrias em áreas como o mercado de trabalho, a educação e a saúde; o estabelecimento de mecanismos jurídicos e repressivos que agem em função da preservação da desigualdade; e por mecanismos que visam o enfraquecimento de movimentos sociais, que não conseguem acumular recursos econômicos e políticos para alterar o quadro de iniquidade.

“Essa sociedade desigual terá uma significativa imutabilidade no que tange aos níveis de desigualdade, mesmo em momentos de crescimento econômico”, afirma a obra.
Dividida em seis capítulos e epílogo, o autor discorre sobre como o racismo faz parte do projeto de país, mostrando que impedir a ascensão econômica da população negra é uma tarefa constante da elite branca brasileira e seus governantes desde início da escravidão.
Para Theodoro, a dinâmica econômica que restringe ganhos a determinados segmentos em detrimento de outros é a essência do que está se chamando de sociedade desigual.​

“Infelizmente o projeto de país na percepção das elites brasileiras passa ao largo da questão distributiva. A igualdade como valor a ser perseguido pela sociedade não se consolida como tal, seja no que tange à igualdade em oportunidades ou na igualdade de direitos. Ao contrário, nossa organização se dá justamente no açodamento da desigualdade”, diz o economista.
A obra ainda esmiúça as características deste tipo de sociedade pelas esferas micro, do cotidiano do cidadão, e macro, onde atua o Estado.
No primeiro, o racismo se manifesta por meio do preconceito e discriminação. Já o segundo compreende a branquitude, que coloca a cultura branca, seus hábitos e escolhas como padrão social e político; além do biopoder e da necropolítica, que dizem respeito ao poder do Estado em decidir sobre a vida e a morte da população afrodescendente.
Theodoro inicia com os desafios de se estudar racismo, partindo do arcabouço teórico e metodológico usado. Mostra ainda como os estudos na área das ciências econômicas ou mesmo sociais são limitados no tema, e apresenta alguns dos teóricos usados para a construção do livro.
Alguns dos mais citados, que tiveram suas obras utilizadas no desenvolvimento da teoria das sociedades desiguais, são a psicóloga e ativista Cida Bento, o historiador camaronês Achille Mbembe e o filósofo francês Michel Foucault.
O livro também destrincha o mercado de trabalho brasileiro desde a escravidão, mostrando como faz parte do projeto de nação que a população negra nunca tivesse, em sua maioria, empregos que lhes garantissem direitos e fossem bem remunerados.
É sustentada a tese de que o mercado de trabalho no país foi moldado na desigualdade e trabalha para sua amplificação.
“Poucos foram os momentos na história do Brasil em que a população negra beneficiou-se do crescimento econômico”, afirma o economista ao dizer que negros, quando logravam algum crescimento econômico, logo eram abatidos por políticas que reafirmavam o projeto de subalternidade direcionado a esta população.
“A sociedade desigual desenvolve processos de exclusão sofisticados e de difícil enfrentamento.”
O autor ainda se dedica a mostrar como o racismo se manifesta no sistema educacional e de saúde, apresentando como serviços públicos essenciais são historicamente negados à população negra. Sua escolha em tratar os casos de forma conjunta foi, de acordo com a obra, em decorrência das políticas promovidas pelo Estado terem sido inspiradas na eugenia e na teoria de melhoria das raças.
Em seguida, ainda discute a ocupação dos espaços rurais e urbanos, e a violência como prática do Estado. O último é apresentado como elemento aglutinador das desigualdades por, segundo a teoria, assumir diversas formas contra a população negra como a falta de emprego formal, as péssimas condições de habitação nas favelas, e o precário acesso a serviços públicos em geral. Tal violência se consolida, porém, em um cotidiano de mortes em decorrência do tráfico, da ação de milícias, e “de uma polícia que se faz presente não para garantia da segurança e da vida, mas para a repressão, quando não o extermínio”, diz a obra.
“A lição maior é perceber que o racismo e seus desdobramentos estão associados à naturalização da desigualdade, e estruturam uma sociedade desigual em detrimento de um mesmo grupo, não importando a dimensão ou os cenários. Seja no mercado de trabalho, na educação, na saúde, no acesso à Justiça e à segurança pública, a população negra está em desvantagem”, afirma Theodoro.
A sociedade desigual
Preço: R$ 79,90 (448 págs.); R$ 39,90 (ebook)
Autor: Mário Theodoro
Editora: Zahar
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Leia tudo sobre o tema e siga:
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Carregando…
De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia
Carregando…
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Não há estimativa de custos das medidas, discutidas a 4 meses das eleições
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Caso de garota estuprada que não consegue fazer aborto legal em Santa Catarina revela violências institucionais no Judiciário e na Saúde
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Ex-presidente quer fazer viagens em território paulista com Alckmin, mas indefinição de França impede

O jornal Folha de S.Paulo é publicado pela Empresa Folha da Manhã S.A.
Copyright Folha de S.Paulo. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.
Cadastro realizado com sucesso!
Por favor, tente mais tarde!

source

0 replies

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.