Francia Márquez, a resposta colombiana ao racismo estrutural – ISTOÉ

Semanal
Francia Márquez, companheira de chapa do candidato presidencial pelo Partido Colômbia Humanae e pela Coalizão Pacto Histórico, Gustavo Petro, em uma apresentação em Bogotá, em 23 de março de 2022 – AFP/Arquivos
Vicente Vilardaga
Mais impactante do que a vitória do candidato de esquerda, Gustavo Petro, nas eleições presidenciais na Colômbia no fim de semana foi a escolha de sua vice, Francia Márquez. Mulher, negra, nativa das regiões mais pobres do país, mãe solteira aos 16 anos, Francia é uma resposta democrática ao racismo estrutural que também afeta e reforça as desigualdades na sociedade colombiana, de maneira semelhante ao que acontece no Brasil. Ela fez sua campanha visando dignificar a política e tornar visíveis as pessoas que vivem nas sombras do sistema. E sua escolha é auspiciosa porque aponta para o combate às desigualdades e à injustiça social. “Venho do território dos ninguém, de territórios esquecidos em termos de investimento social, mas violados por uma política de morte”, declarou recentemente.
Advogada, Francia, de 40 anos, nasceu na cidade de Suárez, em Cauca, no sudoeste do país, e desde muito jovem demonstrou uma atitude de liderança política, defendendo sua condição de mulher negra e lutando pelos interesses de sua comunidade em uma sociedade altamente racista. Como acontece no Brasil, os salários médios dos negros na Colômbia são mais baixos que os dos brancos. Negros também vivem em condições mais precárias, têm menos acesso à educação e à saúde e frequentemente estão em situação vulnerável . “Aprendi a me reconhecer como mulher negra, a reconhecer meu cabelo, minha negritude com orgulho, porque esse país nos fez sentir vergonha, nos fez sentir que somos responsáveis pelos infortúnios que tivemos que viver”, disse Francia.
Para levar adiante sua campanha eleitoral, Francia teve que tirar os dois filhos do país por conta de problemas de segurança – ela recebe ameaças de morte regularmente. Também foi vítima de ofensas racistas, estimuladas inclusive por celebridades do rádio e da TV. Durante todo o tempo foi alvo de adjetivos desqualificadores, associados à sua etnia, nas ruas e nas redes. Mas conseguiu levar a melhor. Sua vitória aponta para novos tempos de mais justiça social e igualdade racial não só na Colômbia mas em toda a América Latina.
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