Assimetrias "graves" na participação cultural em foco na Semana Acesso Cultura – Observador

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As "graves assimetrias" na acessibilidade cultural do país e como ultrapassá-las estão em foco na 8.ª edição da Semana Acesso Cultura, com a participação de agentes e organizações culturais.
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HUGO DAVID/CNB
HUGO DAVID/CNB
As “graves assimetrias” na acessibilidade cultural do país e como ultrapassá-las estão em foco até domingo na 8.ª edição da Semana Acesso Cultura, com a participação de agentes e organizações culturais.
Iniciativa da Acesso Cultura — Associação Cultural, a semana é organizada para promover a reflexão e uma maior consciência em torno do que é o acesso físico, social e intelectual à participação cultural, organizando visitas e debates que se estendem a 11 cidades.
A associação vai também anunciar, na quarta-feira, às 18:30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, o palmarés de prémios de boas práticas que distinguem organizações e agentes culturais de todo o país.
O programa deste ano começa com visitas a organizações culturais que abrem as portas dos seus bastidores, para dar a conhecer quem lá trabalha e o que faz.
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As visitas vão acontecer em organizações culturais nos Açores (Angra do Heroísmo e Ribeira Grande), Beja, Funchal, Guimarães, Leiria, Lisboa, Loulé, Ourém, Porto, Tomar e Torres Novas.
Também esta segubda-feira, a partir das 18:00, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, decorrerá o debate “Enviámos o convite. Porque não vieram?”, de entrada livre, sobre a falta de resposta do público com limitações aos convites específicos que lhe são feitos.
O mesmo debate decorrerá na quarta-feira, às 18:00 no Café Rivoli, no Porto.
Na mesma cidade, esta segunda, no Teatro Carlos Alberto, decorrerá, a partir das 18:30, a conversa “Imaginação: reinventando a cultura, uma conversa com Marta Porto”, autora do livro com o mesmo nome.
A Acesso Cultura é uma associação de profissionais do setor cultural e de organizações culturais que procura identificar as barreiras — físicas, sociais e intelectuais — à participação cultural, e “trabalhar para a criação de uma sociedade curiosa e inclusiva”, destaca a entidade num texto sobre a programação.
O objetivo principal das atividades da associação e desta ação em concreto, é incentivar à participação cultural de “qualquer pessoa, independentemente de onde vive, das suas capacidades e conhecimentos, do seu meio socioeconómico, ou da sua proveniência étnica”.
Nos seus nove anos de existência, a Acesso Cultura diz ter observado que o setor cultural “ganhou maior consciência” em relação às barreiras”, e que a acessibilidade, a inclusão e a equidade “passaram a ser fatores determinantes, na estratégia e no planeamento das organizações culturais e dos seus profissionais”.
No entanto, considera que ainda existem questões em aberto, “que requerem um acompanhamento contínuo”, nomeadamente “as graves assimetrias nas oportunidades de participação cultural entre os grandes centros urbanos e o chamado interior”.
Outra situação que a associação quer não deixar cair no esquecimento é “o contínuo desprezo pelo cumprimento da lei da acessibilidade (163/2006) e da lei da não discriminação em função da deficiência (46/2006)”.
Ainda no âmbito da Semana Acesso Cultura, na terça-feira, está prevista a realização do debate “O que significa programar?”, às 18:30, em simultâneo em 11 cidades portuguesas: Aveiro, Castelo Branco, Covilhã, Évora, Faro, Funchal, Ribeira Grande, Lisboa, Porto, Torres Novas e Vila Nova de Famalicão.
Em 2021, a Acesso Cultura concretizou a criação da Rede de Teatros com Programação Acessível, com o apoio do BPI e Fundação La Caixa, com o objetivo de reforçar a oferta cultural acessível fora dos grandes centros urbanos e também a colaboração entre teatros.
Ações de formação, estudos, palestras, debates, e as chamadas Sessões Descontraídas, têm sido desenvolvidas por esta entidade em todo o país.
As Sessões Descontraídas são espetáculos de teatro, dança, cinema ou outro tipo de oferta cultural que decorrem numa atmosfera com regras mais tolerantes quanto a movimento e barulho na plateia, por serem dirigidas a públicos com necessidades especiais.
Esta entidade sem fins lucrativos, reconhecida oficialmente em fevereiro de 2021, pela sua utilidade pública, trabalha em regime de voluntariado e com parcerias.
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