Venda de vídeos racistas com africanos constrange chineses – Folha

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Um documentário da BBC África sacudiu as relações sino-africanas ao expor um esquema de vendas de vídeos racistas nas plataformas de e-commerce chinesas. Liderada pelos jornalistas Runako Celina e Henry Mhango, a investigação mostrou que chineses viajavam até vilas pobres na África e pagavam US$ 0,50 (R$ 2,50) por dia para que crianças negras gravassem termos racistas em vídeos que seriam comercializados online.

Os vídeos eram oferecidos em sites como Taobao, da gigante Alibaba (também dona do AliExpress). Em um deles, vários jovens repetem em chinês “eu sou um fantasma negro com QI baixo”, claramente sem saber o significado do que diziam. O termo fantasma/demônio negro (黑鬼, ou hēi guǐ) é o equivalente racista e pejorativo em chinês para “crioulo”.

Em outros vídeos, grupos de jovens negros cantam músicas em chinês que exaltam a “superioridade e a beleza da pele amarela e dos olhos negros”. Um menino malaui que viralizou nas redes sociais chinesas foi gravado dezenas de vezes em mensagens personalizadas vendidas por valores a partir de ¥ 200 (R$ 150).
A família do garoto disse à BBC que ele era obrigado a gravar os vídeos e que o homem chinês responsável pelas produções, conhecido na vila como Susu (tio, em mandarim), beliscava-o quando ele errava a pronúncia das palavras.

A ministra de Gênero, Deficiências, Crianças e Bem-Estar Social do Malawi, Patricia Kaliati, reagiu à reportagem chamando a prática de “insulto à nação malauiana”, ordenando uma investigação do governo sobre o assunto.

Percebendo o potencial destrutivo da denúncia para as relações sino-africanas, a China logo reagiu.

O diretor-geral do Departamento de Assuntos Africanos do Ministério das Relações Exteriores chinês, Wu Peng, disse no Twitter que “é contra a discriminação” e que a China vem “reprimindo esses atos ilegais online nos últimos anos”. Ele prometeu medidas mais efetivas para “punir vídeos de discriminação racial no futuro”.

Por que importa: o continente africano é destino da maioria dos investimentos chineses e representa peça central nas ambições globais do país asiático. Contudo, casos de discriminação e racismo contra negros na China têm aparecido com cada vez mais frequência na agenda da região com Pequim.

Em 2020, viralizaram vídeos de nigerianos sendo expulsos de restaurantes e hotéis em Guangzhou (Cantão), no sul do país, estigmatizados por supostamente “espalharem Covid” pelo local. A Nigéria classificou a situação de “angustiante, perturbadora e inaceitável”.
A China se apressou a resolver o assunto e se desculpou pelo ocorrido, o que pareceu ter acalmado os ânimos. Resta saber se a estratégia vai dar certo neste novo caso.
A China reduziu em 40% a quantidade de partículas nocivas no ar em sete anos. O dado foi divulgado pelo Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago em um relatório inédito. A redução significa que, entre 2013 e 2020, os chineses tiraram do ar quase tanta poluição quanto os Estados Unidos desde 1970.

Liderado pelo professor Michael Greenstone, o estudo mostrou que o corte nos níveis de poluição foi alcançado graças às restrições ao uso de carros movidos a combustíveis fósseis e à redução da dependência da queima de carvão na matriz energética nacional.

À Bloomberg os pesquisadores aplaudiram o sucesso chinês, destacando que ele “é um forte indicativo das oportunidades que podem surgir para nações que impõem fortes políticas antipoluição”.

Mesmo assim, há trabalho a fazer. O instituto mostrou que, mesmo com o avanço, Pequim segue sendo três vezes mais poluída do que Los Angeles, recordista nos Estados Unidos. A média nacional de partículas no ar também segue alta, batendo seis vezes o máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
A província chinesa de Henan está sendo acusada de fraudar o sistema de código de saúde para conter manifestantes que pediam reparação após uma fraude bancária. O código de saúde é um aplicativo que registra testes de Covid, vacinação e deslocamento de todos os residentes na China, funcionando como espécie de “passe”.

De acordo com o portal Sixth Tone, o Departamento de Segurança Pública de Henan teria mudado propositalmente o status de manifestantes vindos de outras províncias de “verde” (baixo risco) para “vermelho” (alto risco).

Pelo menos 12 manifestantes contaram à reportagem que o status mudou assim que eles tentaram escanear códigos para acessar estações ferroviárias ou hotéis. Assim, muitos foram impedidos de viajar, e quem conseguiu chegar foi ameaçado com a possibilidade de quarentena.

A estratégia acendeu a luz amarela no país. Nas redes sociais, vários chineses se manifestaram temerosos de que a plataforma de saúde comece a ser usada como forma ainda mais efetiva de controle de movimentos.
Liderados por Cuba, 69 países membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU se juntaram a uma declaração conjunta que repudia a “interferência externa em questões relativas a Xinjiang, Hong Kong e Tibet”. O texto cobra “respeito aos propósitos e aos princípios da Carta da ONU”, especialmente ao “direito do povo de cada Estado em escolher independentemente o caminho para o desenvolvimento de acordo com suas condições nacionais”.

Por que importa: o movimento foi uma reação a críticas de países ocidentais à visita da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, a Xinjiang. Estados Unidos, Canadá, Austrália e vários países da Europa ocidental acusam Bachelet de ser “branda” com as violações aos direitos humanos na China, sobretudo na repressão à minoria étnica uigur.

A declaração não vai mudar a forma como o Ocidente vê tais violações, mas certamente fura a bolha e mostra que a China não está nem de longe isolada no cenário internacional no que tange aos pontos mais sensíveis da sua política doméstica.

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