Técnico é vítima de racismo ao visitar namorada em condomínio no Vale dos Lagos – Jornal Correio

Depois de trabalhar durante o dia, o técnico de telecomunicações Lucas Vitório Santa, 25 anos, foi visitar a namorada no condomínio Mata Atlântica 1, na região do Vale dos Lagos, na noite de sábado (11). Samara Mota, 26, jogou a chave do apartamento pela janela para que o rapaz pudesse abrir o portão, mas ele resolveu aproveitar que um casal saía do prédio para entrar no local. Lucas foi, então, abordado por um morador que, exaltado, chegou a pular o portão após sair, agrediu o rapaz e ainda sacou uma arma. 
A vítima conta que, quando entrou no condomínio, foi questionado pelo morador para qual apartamento ele estava indo. Como Lucas Vitório estava portando a chave da casa da namorada, disse apenas que estava indo visitá-la. Foi aí que o homem começou a se irritar, como mostra a filmagem da câmera de segurança do prédio. 

“A primeira coisa que passou na minha cabeça foi não ter entendido por que estava passando por aquilo. Eu frequento aqui tem dois anos e nunca tinha passado por isso, foi uma situação muito difícil. Eu estava extremamente cansado porque tinha passado o dia inteiro trabalhando”, conta Lucas.
Depois que Lucas não informou o número do apartamento, o homem pulou as grades do portão e partiu para cima da vítima, que foi agredida duas vezes. O morador também sacou uma arma e apontou para Lucas. O rapaz conta que teve medo de morrer. 
“O machucado maior é por dentro. É uma mistura de raiva, ódio e sentimento de impotência. Eu podia ter morrido por causa de uma besteira, por causa de uma ignorância”, desabafa o rapaz. 
O casal está abalado e teme represálias do vizinho, que, segundo eles, é policial. Depois que teve a arma apontada para si, Lucas Vitório disse qual era o apartamento da namorada. A mulher que acompanhava o agressor então interfonou para Samara e pediu para ela descer. 
“Eu procurei ficar o mais calmo possível. Não demonstrei agressividade em nenhum momento. O tempo todo ele falou algo e foi agressivo, eu só falava que não tinha que dar explicações a ele”, relembra Lucas. 
Mesmo depois da explicação do casal, o homem continuou hostilizando Lucas e não pediu desculpas, segundo a vítima. “Mesmo depois que ela desceu, ele continuou falando e me hostilizando. Quando outro morador chegou no prédio, ele ficou falando de mim como se eu fosse um marginal. Disse que eu não sabia quem ele era, em tom de ameaça”, conta. 
Lucas Vitório e Samara foram até a 10ª Delegacia (Pau da Lima), onde registraram uma ocorrência. A reportagem procurou a Polícia Civil para obter mais informações sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. 
Samara entrou em contato com a síndica duas vezes na noite de sábado (11). A moradora queria que a agressão fosse oficializada em uma ata do condomínio, mas a responsável pelo prédio se negou. A reportagem tentou entrar em contato com a síndica, que não respondeu. 
“Quando eu expliquei para a síndica que meu namorado não quis falar qual era o apartamento, ela disse que ele deveria ter dito para evitar problemas. Mas ele não é obrigado a dizer para onde vai ou não, ele é livre e não estava fazendo nada de errado”, afirma Samara. 
O casal acredita que Lucas Vitório tenha sido vítima de racismo. “Talvez se fosse uma pessoa branca, bem arrumada e que não tivesse passado o dia inteiro no trabalho, ele não teria tomado essa atitude”, afirma Lucas. A reportagem tentou entrar em contato com o morador do prédio, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. 
“Eu estou muito chocada e estressada com isso tudo. Ninguém merece passar por isso, ainda mais ele que é uma pessoa tranquila e estava voltando do trabalho. Ele veio para cá aproveitar o final de semana comigo, mas foi tudo por água a baixo”, desabafa Samara.
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