Southgate admite que o episódio de racismo da final do Euro 2020 cria “outra camada de dificuldade” na preparação para o Mundial – Expresso

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Tribuna
7 junho 2022 19:00
eddie keogh – the fa
7 junho 2022 19:00
As seleções dos quatro cantos do mundo que conseguiram o apuramento para o Mundial de 2022 já têm boa parte das atenções viradas para a competição, marcada para o final do ano, no Catar. Mas para Inglaterra ainda há um tema inacabado: a seleção pode até estar a preparar o que aí vem, mas o passado continua a arranjar forma de se fazer presente e de deixar a equipa “presa” na competição anterior.
Gareth Southgate, o selecionador inglês, confessou que os episódios de racismo que alguns dos seus jogadores sofreram no final do Euro 2020, disputado em 2021, ainda pesam na hora de decidir quem é o jogador a avançar para marcar penáltis.
Bukayo Saka, Jadon Sancho e Marcus Rashford foram os três jogadores ingleses que receberam comentários racistas depois de terem falhado os penáltis na final do Europeu, que acabou com a derrota de Inglaterra frente a Itália.
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O momento continua a ter influência na equipa, uma vez que Southgate admitiu que pode criar um obstáculo indesejável no planeamento para o Campeonato do Mundo deste inverno. O treinador inglês foi questionado sobre o medo que os jogadores possam sentir antes de marcar uma grande penalidade e admitiu que esse é um cenário possível e para levar a sério, apesar de não pretender que tenha impacto na sua seleção.
“Devo dizer que nunca me passou pela cabeça antes. Passará [agora]”, confessou em conferência de imprensa. “Passámos por um processo de preparação para os penáltis. Revimos isso definitivamente. Alguns dos rapazes fizeram-no com os seus clubes. Bukayo marcou alguns pelo seu clube, que foram momentos de enorme importância, que simbolizaram o que ele é. Mas indiretamente criámos outra camada de dificuldade na superação de uma disputa através de grandes penalidades. Tenho de ter todas estas coisas em consideração e é incrivelmente complexo”.
Southgate explicou à imprensa que no momento em que refletiu sobre a derrota na final lhe surgiu uma questão: “Terei sido eu a criar esta situação para os rapazes?”. A conclusão a que chegou é que a fé de que eles não iriam falhar era muito maior do que o risco de ramificações negativas.
“Não seria correto não escolher os jogadores que pensas serem melhores a marcar por causa das possíveis consequências que teria o facto de eles falharem. Tenho de os escolher com base na crença de que vão marcar”, afirmou.
Se há alguém que conhece a sensação de falhar um penálti decisivo é Southgate. Mas há algo que o treinador nunca vai entender. Quando, enquanto jogador, falhou um penálti frente à Alemanha, nas meias-finais do Euro 1996, foi criticado pela sua técnica mas não, como no caso dos seus jogadores, pela cor da sua pele.
“Sabemos que isso é ridículo. Sabemos que é um absurdo até pensar nisso. Estou a equilibrar se a questão é sobre o próprio racismo, o que é abominável e inaceitável, e o que está a identificar, que há outro nível de complexidade na tomada dessa decisão”, concluiu.
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