Mineirão se pronuncia sobre mais um caso de importunação sexual – BHAZ

O Mineirão foi palco de mais um caso de importunação sexual no último fim de semana. No empate entre Atlético e Santos, ocorrido anteontem (11) no estádio de BH, uma mulher de 36 anos denunciou que um homem passou a mão nela.
Segundo o boletim de ocorrência, mesmo após três pedidos da vítima, ele continuou com o assédio. Ainda de acordo com o registro, a mulher estava com seu noivo na arquibancada e trocou de lugar com ele para se esquivar do suspeito, mas esse deu um soco no acompanhante da torcedora.
Ao se pronunciar sobre o caso, o Mineirão alegou que promove campanhas educativas contra o problema da importunação sexual e “intensificou o trabalho de atendimento, acolhimento, encaminhamento e acompanhamento de vítimas”. O estádio também reforçou a necessidade das denúncias de casos como esse.
Conforme contra no boletim de ocorrência, o suspeito estava com seu irmão, cabo do Corpo de Bombeiros. Mas depois de receber o soco do suspeito, o noivo da vítima revidou e discutiu com o bombeiro militar. Uma testemunha viu que o suspeito e seu irmão saíram da arquibancada e foram em direção a um bar do estádio.
A testemunha informou ao g1 que os dois foram retirados do setor amarelo pelos seguranças do estádio, e posteriormente levados ao setor vermelho. Além disso, a mulher disse que os colaboradores do Mineirão alegaram que não podiam encostar no irmão do suspeito por ele ser militar.
Outra pessoa que estava presente no local afirmou ao veículo que o bombeiro fez ameaças. Ele teria dito: “Vou pegá-los lá fora. Já estou ligando para os meus amigos da polícia. Tinha que estar aqui armado para matar todo mundo”.
Em conversa com o g1, a vítima lamentou a situação sofrida no evento. “O certo deveria ser tirar os dois do estádio. Fiquei super chateada da forma que aconteceu. Vou em todos os jogos do Galo e isso nunca aconteceu. É um abuso. Um cara que não conheço. Independente se estava tonto ou não, não é certo”, denunciou a mulher, que integra uma torcida organizada do Atlético.
Além disso, a atleticana de 36 anos reprovou o tratamento que recebeu da equipe de policiais no Mineirão e na Delegacia da Mulher. “Foram mais de seis vezes fazendo a mesma pergunta, como se quisessem que eu mudasse a fala”, afirmou. Segundo o boletim de ocorrência, todos foram liberados da delegacia após o registro do caso.
O caso é somado a outras denúncias de discriminação no estádio. Só em novembro do ano passado, foram oito casos e nove vítimas em situações envolvendo assédio e racismo (relembre aqui).
Por meio de nota oficial, o Mineirão repudiou mais um caso de importunação sexual ocorrido no estádio. Além disso, lembrou que faz campanhas educativas e que seus colaboradores “recebem constantemente instruções sobre como agir para casos de importunação sexual ou de qualquer tipo de discriminação”.
Segundo o Mineirão, a denúncia das vítimas é importante para que haja a devida punição aos culpados pelos atos de assédio e importunação sexual. Leia o comunicado completo:
“O Mineirão lamenta e repudia qualquer caso de importunação sexual que aconteça dentro de seus limites. O Gigante lembra que realiza campanhas educativas e, com a retomada dos jogos com público, no segundo semestre do ano passado, intensificou o trabalho de atendimento, acolhimento, encaminhamento e acompanhamento de vítimas. Tais procedimentos foram feitos no caso ocorrido na partida entre Atlético e Santos, no último sábado (11), pelo Campeonato Brasileiro.
O Mineirão lembra que a campanha ‘Todos contra a Importunação Sexual’ tem o apoio dos clubes e de órgão públicos municipais e estaduais. Os vigilantes recebem constantemente instruções sobre como agir para casos de importunação sexual ou de qualquer tipo de discriminação. O Mineirão tem um canal de denúncias por Whatsapp, com cartazes de QR Codes espalhados pelo estádio, com o intuito de agilizar o atendimento e colaborar com a apuração dos fatos junto aos órgãos de segurança.
O Mineirão ressalta ainda que é importante que denúncias aconteçam para que os responsáveis sejam punidos. A Rádio Esplanada, o telão e as TVs dos corredores também exibem, durante a realização dos jogos, mensagens para que tais práticas sejam denunciadas. O estádio tem câmeras de vigilância e está à disposição das autoridades para o auxílio em qualquer investigação”.
Graduanda em jornalismo pela UFMG e fascinada por futebol, dentro e fora das quatro linhas. Cobre esportes para o BHAZ. Participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2021 e 2022. Também produziu reportagens premiadas pela Rede de Rádios Universitárias do Brasil em 2020.
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