Reportagem portuguesa é apontada como xenofóbica ao apontar o 'problema' das crianças falando 'brasileiro' no país – Hypeness

Meteorito atinge telescópio espacial James Webb e provoca danos
Como fazer chocolate quente para esquentar o que promete ser o fim de…
Next Level: a primeira rede de hamburguerias 100% vegana dos EUA faz…
Biodesigner italiana cria armação de óculos feita por bactéria
As baratas estão evitando comer doces e ficando mais resistentes aos…
Caso Madeleine: indiciamento de novo suspeito reacende…
A reportagem do jornal português Diário de Notícias tinha como propósito noticiar a influência dos muitos Youtubers brasileiros sobre as crianças portuguesas, alterando até mesmo o vocabulário dos pequenos – de acordo com a reportagem, as crianças em Portugal estão cada vez mais falando “brasileiro”, o idioma português da forma que se fala no Brasil.
A reação e o debate, porém, foram imediatos e intensos, não só pelo forte traço nacionalista que trouxe o texto, mas principalmente por certo tom de xenofobia que a crítica traz como pano de fundo ao apontar a influência, que teria se agravado especialmente durante a pandemia, e que no texto é diretamente chamada de “problema”.
A influência do português falado no Brasil sobre as crianças é “problema” na reportagem
-Xenofobia: Brasileiros, os ‘zucas’, são ameaçados com pedras na Universidade de Lisboa
O título já é chamativo e dá o tom: “Há crianças portuguesas que só falam ‘brasileiro’”, diz a matéria, assinada por Paula Sofia Luz. Os “sintomas” do “problema” apontados – sem estatísticas ou pesquisas efetivas para comprovar a tese – é o fato de que supostamente as crianças estariam cada vez mais falando “grama” ao invés de “relva”, “ônibus” ao invés de “autocarro”, “bala” ao invés de “rebuçado”, “listras” ao invés de “riscas” e “geladeira” no lugar de “frigorífico”.
Em suma, o sucesso dos youtubers brasileiros estaria fazendo com que as crianças estariam trocando formas do português falado em Portugal por palavras encontradas recorrentemente no Português falado no Brasil, situação que estaria dividindo as opiniões de pais, professores e especialistas “entre a preocupação e os que relativizam, por considerarem tratar-se de uma fase”.
O Youtube é apontado como origem do problema pela reportagem
-Professor usa slam para ensinar português em escola pública da ZL
O processo é visto como um “quadro de alerta” pela reportagem, que em momento algum comenta sequer sobre os evidentes aspectos que levaram diversos comentaristas e jornalistas brasileiros a apontarem o potencial xenofóbico da matéria – como o fato do Brasil falar português por uma violenta imposição do processo colonial conduzido por Portugal.
Outro ponto que não é mencionado no texto é o fato que hoje o português é numericamente muito mais falado por brasileiros do que portugueses – e, entre posições mais ou menos conservadoras, a reportagem trata a influência do “brasileiro” como um dilema ou uma questão que merece preocupação, chegando a apontar os youtubers como uma possível “ameaça”.
O youtuber Luccas Neto é apontado no texto como exemplo
-Emicida será professor em uma das principais universidades de Portugal
O mote da reportagem seria um show realizado com imenso sucesso por Luccas Neto, youtuber irmão de Felipe Netto, em Portugal. “Ao princípio, a família até achava alguma piada à forma como ele falava, às expressões brasileiras. Mas à medida que o tempo foi passando, a educadora de infância começou a preocupar-se”, diz o texto, que traz uma família que colocou uma criança que falava “como se fosse brasileiro” em uma “terapia de fala” por conta da influência de Luccas Neto. “Neste momento estamos num processo de tratamento como se fosse um vício.
Explicámos-lhe tudo, que ele não podia ver por que isto só o prejudica. E já notamos que está muito melhor”, afirma um pai. A reportagem parece esquecer que um idioma é uma entidade cultural autônoma, livre e maleável, que reflete a história e a realidade do povo, moldada não por temores conservadores ou pela norma culta, mas sim pelas práticas, falas, escritas e influências efetivas de uma população – sem se importar com qualquer opinião.
A matéria foi publicada pelo Diário de Notícias, tradicional jornal português
Publicidade
© fotos 1, 2: Getty Images

© foto 3: Divulgação

© foto 4: Wikimedia Commons
“Apenas” 150 pessoas foram convidadas para a festa de Réveillon do jogador Neymar, do Paris Saint-Germain. Sem…
Enquanto trabalhávamos, nos refrescávamos do insano calor ou simplesmente curtíamos ontem o nada pra fazer, alguns…
De longe, parecem caixas de correio – mas as escotilhas nas paredes de quase 50 quartéis de bombeiros e hospitais…
Essa matéria que você está lendo possivelmente chegou até você durante um desses vários momentos em que…
Com a implantação do ‘Programa Olho Vivo’, a Polícia Militar de São Paulo atingiu o menor nível de letalidade dos…
O apresentador Silvio Santos foi homenageado nesta terça-feira (15), com um selo criado pelos Correios em…
Ninguém deveria de forma alguma ter liberdade tão essencial quanto a de caminhar por seu próprio bairro cerceada…
Faltando apenas três dias para o segundo turno das eleições, pipocam relatos de medidas judiciais, que mais se…
Segundo o levantamento coletivo dos veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no nosso…
Conteúdo sob licença Creative Commons by nc-sa 2.5 br     |    
Política de privacidade     |    
Termos e condições de uso     |    
Solicitação de Remoção de Imagem

source

0 replies

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.