Michaela Coel e Paapa Essiedu recebem desculpas por racismo de escola prestigiada – Marie Claire Brasil

Paapa Essiedu e Michaela Coel trabalharam juntos em ‘I May Destroy You’ (Foto: Reprodução Instagram @jockograves)
A prestigiada escola de atuação Guildhall School of Music and Drama, fundada em 1880 em Londres, desculpou-se pelo “terrível” racismo experenciado por seus antigos alunos, a atriz ganhadora do Emmy Michaela Coel e o ator Paapa Essiedu, que trabalharam juntos na prestigiada série I May Destroy You. Em uma entrevista ao jornal inglês The Guardian, o ator relembrou o incidente em sala de aula.
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Em uma dinâmica de improvisação, conta ele, a professora empregou um termo racista. “De repente ela gritou: ‘Ei, você, ‘palavra que começa com a letra ‘N”, o que você tem atrás de você?”, diz ele ao jornal sem repetir o termo que, em inglês, é uma ofensa racial. O ator e Michaela eram os dois únicos alunos negros em sala de aula.
Na ocasião, a professora fazia de conta que era uma policial, em uma prisão, à procura de drogas entre os presidiários. O ator declarou que a experiência foi tão horrível que nenhum dos dois soube como reagir.  Paapa ainda contou ao jornal que a professora disse que ele não enunciava claramente e que soava como se sua boca estivesse “cheia de bolo de chocolate.”
Um porta-voz da Guildhall School, que está no ranking das 10 melhores escolas de artes performáticas do mundo, como menciona o Guardian, declarou ao jornal: “A Guildhall School se desculpa, sem reservas, pelo racismo experenciado por Paapa Essiedu, Michaela Coel e outros alunos enquantos eles estudavam na escola. As experiências que ele compartilha são terríveis e inaceitáveis.”
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A declaração continua: “Nós temos, desde então, realizado um programa sustentável de ação para endereçar e desmantelar o racismo sistêmico de longa data dentro do programa de atuação, incluindo um relatório externo sobre racismo histórico e um processo de treinamento contínuo da equipe.” 
Paapa Essiedu explica que a situação, para ele, foi surreal. “Nós ficamos tão chocados pelo o que aconteceu e que tenha saído da boca de uma professora.” Michaela Coel já havia feito menção ao incidente anteriormente, no Festival de TV de Edimburgo, na Escócia, em 2018.
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“Claramente mostra uma falta de respeito e entendimento em relação à experiência de alguém que está naquela posição, naquela pele, naquela instituição”, afirma o ator.
Nos últimos anos, diferentes escolas de atuação do Reino Unido têm passado por uma série de denúncias. Em uma análise de 2022 da Diversity School Initiative, com o objetivo de pleitear a inclusão nessas instituições, diversas alegações de racismo em sala de aula e nos castings foram levantadas.
Em 2020, Gavin Henderson, diretor da Royal Central School of Speech and Drama, saiu do cargo após os estudantes da instituição terem levantado questões sobre racismo sistêmico no local. Dois anos antes, ele afirmou que cotas de estudantes negros e de minorias étnicas arriscavam diluir a qualidade dos alunos.
Ainda na entrevista ao jornal, Paapa Essiedu explica que o programa de estudos da Guildhall School of Music and Drama era inteiramente focado em dramaturgos brancos. “Eu me lembro de fazer comédias sobre as classes aristocráticas — donas de escravos, basicamente”, pontua.
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“Essas peças demandam uma questão muito diferente dos atores negros e marrons, cujas ancestralidades podem ter sido negativamente impactadas por aquelas pessoas em particular, do que dos atores que não têm o mesmo contexto histórico”, afirma Paapa.
O ator explica que o corpo de professores não lhe consultava previamente para saber se ele se sentiria confortável, ou não, em atuar nessas performances. “Era mais como: essa pessoa está fazendo certo e você não. Eles reduziam à ideia de que que eles estavam fazendo certo porque eles eram melhores na atuação do que você.”
A instituição explica ao The Guardian que tem passado por um significante redesenho do currículo de atuação, “incluindo uma reestruturação da equipe, para que a nossa cultura de ensino e aprendizado priorize inclusividade, representação e bem-estar.”
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A Guildhall School of Music and Drama continua: “Nós entedemos que esse trabalho é longo e vai demandar comprometimento para construir uma cultura que seja inclusiva e equitativa para todos.”

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