Djam Neguin: Combater o racismo através da música – DW África

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“Badiu Branku”, o novo single de Djam Neguin, é uma espécie de manifesto contra o racismo. Depois de Lisboa, o músico cabo-verdiano planeia apresentar o seu novo trabalho em Cabo Verde.

Djam Neguin apresentou, no sábado (04.06), o seu novo single  “Badiu Branku”, em Porutgal
Djam Neguin apresentou, no sábado (04.06), o seu novo single  “Badiu Branku” na Cova da Moura, bairro do concelho da Amadora, na periferia de Lisboa (Portugal), maioritariamente habitado por imigrantes africanos e afrodescendentes. 
Crítico do que chama de “colorismo”, o músico cabo-verdiano transdisciplinar, agora radicado em Portugal, diz que pela cor da sua pele continua a ser vítima deste fenómeno também em Cabo Verde.
Na Cova da Moura, num diálogo aberto ao ar livre, realizado em parceria com a Associação Bazofo Dentu Zona, Djam Neguin denunciou a problemática do racismo através da sua música.
“O artista é um reflexo dos tempos. Deve ou pode ser. Nós estamos num tempo em que precisamos de acelerar. [Para] o desenvolvimento da humanidade e, [devido] a todo este colapso que estamos a viver, precisamos de artes engajadas em resolver problemas sociais. E quem vai resolver os nossos problemas enquanto negros, enquanto pretos, se não formos nós a ter esses assuntos em pauta e disputar mediaticamente também por estas questões que precisam de ser resolvidas?”, começou por questionar. 
Djam Neguin durante diálogo com o público no bairro da Cova da Moura, em Lisboa
Esta é uma causa pela qual Djam Neguin decidiu bater-se, através da sua arte, depois da pausa imposta pelo surto da pandemia da Covid-19. Toma como ponto de partida o seu caso. O cantor diz-se vítima do que chama de “colorismo”, “que é distinguir diferentes tratamentos consoante a tua tonalidade de pele”, explica.
“Na comunidade negra eu sou branco porque o meu fenótipo não é mais escuro. Mas para os brancos eu sou preto e, então, não sou aceite em nenhuma parte. E aí nós vamos discutir o que é ser preto. O que é ser negro. Tem a ver com o tom de pele ou tem a ver com a cultura, com a tua ancestralidade?”, questiona.
Esta é uma problemática que também se põe mesmo em Cabo Verde porque, segundo explicou, “badiu” é o natural da ilha de Santiago. “O ‘badiu branku’ seria eu porque não posso ser ‘badiu’, de acordo com essa leitura a partir do fenótipo, a partir da tonalidade da pele. Não, eu sou ‘badiu’ e sou preto”.
Muitos dos jovens do bairro da Cova da Moura são vítimas de racismo ainda notório na sociedade portuguesa. Quem o admite é Vítor Sanches, do projeto Bazofo, que frisa a importância de falar sobre o tema.
Vítor Sanches, responsável da Associação Bazofo Dentu Zona
“Obviamente, quanto mais falarmos melhor. São temas com os quais as pessoas ficam muito desconfortáveis. É uma cena que tem que ser desconstruída, mas é uma desconstrução constante. Então, acho que estas iniciativas são mesmo muito importantes. É importante estar num espaço como “Dentu Zona” para as pessoas partilharem as suas ideias sobre o trabalho dele”.
Vitor Sanches aplaude o diálogo com os moradores e sugere que a iniciativa seja levada para outros bairros onde vivem africanos e afrodescendentes vítimas de discriminação racial.
O músico já tem prevista a apresentação do seu novo trabalho em Cabo Verde, onde também pensa promover debates do género sobre racismo e colorismo.
Jovem criativo de convicções fortes, o artista adianta que, passo a passo, depois de “Ka bu skeci tradison”, tem em vista um EP com diversos temas, a sair provavelmente no final deste ano.
Djam Neguin acredita que a música pode ser um instrumento de educação anti-racista: “porque quando estás a ouvir uma letra que fala sobre um determinado assunto podes prestar atenção e refletir sobre isso; podes vir parar a uma entrevista e falar sobre isso, podes ocupar espaços onde a tua música se torna um motivo de conversa e essa conversa pode gerar mudanças. Eu acredito nisso”, conclui.
Os peritos da ONU sobre Pessoas de Ascendência Africana, que estão em Portugal, ficaram surpreendidos e chocados com os relatos sobre brutalidade policial, mas também com a presença do passado colonial português.  
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Protestos ouvidos durante uma manifestação, na tarde deste sábado (06.11), foram em solidariedade para com Danijoy Pontes, que morreu no Estabelecimento Prisional de Lisboa, a 15 de setembro.  
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