Angola: Medo da islamização ou pura xenofobia? – DW África

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Crescimento do Islão é visto por setores da sociedade civil como ameaça à segurança de Angola. Em entrevista à DW, presidente do Conselho Islâmico diz que receios são infundados. Jurista aponta tendências xenófobas.

As denúncias de tentativas de raptos de crianças por supostas cidadãs, alegadamente fiéis da religião islâmica, em Luanda, reacenderam em Angola uma velha polémica sobre o Islão e o terrorismo.
Num áudio que circulou recentemente nas redes sociais, ouvem-se vozes de cidadãs que se comunicavam em árabe e que supostamente tentavam atrair com doces e gelados os menores. Desconfia-se que o propósito seria transportar as crianças para um lugar um lugar incerto.
Uma das vozes mais críticas ao crescimento do Islão no país é o nacionalista e embaixador angolano Luís Neto Kiambata. Para ele, o Estado deve tomar medidas de segurança para que não aconteça Angola o que se passa na região de Cabo Delgado, norte de Moçambique.
Ouvido pela DW África, o presidente do Conselho Islâmico de Angola (CONSIA), Altino Miguel da Conceição “sheikh Oumar”, lamenta as declarações que associam o Islão ao terrorismo e recorda que Angola teve sempre boas relações com países que professam a religião, mesmo na fase da luta pela independência.
“A história contemporânea de Angola está cheia de exemplos de boas relações com países islâmicos, assumidamente islâmicos. Eu acredito que mesmo o nosso embaixador Neto Kiambata já passou por países muçulmanos, como Marrocos, Argélia e Tunísia”, sublinha.
Para “sheik Oumar”, não tem qualquer cabimento comparar a situação vigente na região de Cabo Delgado, em Moçambique, com a presença do Islão em Angola. “Cada realidade é uma realidade, não podemos aqui fazer uma comparação entre a realidade angolana e a realidade moçambicana”, afirma.
David Já, jurista e membro de direção do Conselho Islâmico, considera que os pronunciamentos que associam o Islão a práticas que visam a subversão da ordem e segurança são descabidos e com tendências xenófobas. “O Islão não existe só em Angola, Angola não é extraterrestre. Angola é membro das Nações Unidas e da União Africana e a religião islâmica é uma religião secular, a religião não é sinónimo de terrorismo”, frisa.
David Já defende que o Islão é uma religião de paz e considera um erro associá-la ao terrorismo: “A religião islâmica é uma religião de bem, que apregoa o bem fazer”.
Em Angola, estima-se que existam cerca de 800 mil pessoas que professam o Islão e 119 mesquitas em todo o país.
As autoridades moçambicanas detêm arbitrariamente pessoas por parecerem muçulmanas, no âmbito da luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, alerta o Governo norte-americano, citando organizações no terreno e ‘media’.  
Líderes religiosos da província de Cabo Delgado voltam a distanciar-se das ações dos grupos armados que semeiam terror na região, supostamente em nome do Islão. Lembram que ser crente pressupõe amar e promover a paz.  
Posse da direção do Conselho Islâmico de Angola e nova designação permitem o reconhecimento do Islão pelo Estado. Cumprimento de critérios legais ocorre depois de anos de marginalização da comunidade muçulmana.  
Muitos países atenuaram as restrições da Covid-19, porém, o aumento dos preços e a escassez de alimentos devido à guerra na Ucrânia estão a ter repercussões sobre o mês sagrado do Ramadão.  
Templos da IURD Angola voltam a ser encerrados e serão entregues à direção “legitimada pelo Governo angolano”, diz fonte oficial. IURD Angola reage e pede às autoridades que acabem com perseguições.
Posse da direção do Conselho Islâmico de Angola e nova designação permitem o reconhecimento do Islão pelo Estado. Cumprimento de critérios legais ocorre depois de anos de marginalização da comunidade muçulmana.
Ministério das Relações Exteriores do Brasil convoca embaixador de Angola no país para saber detalhes sobre as deportações no âmbito do conflito na IURD. Governo brasileiro quer esclarecimentos legais sobre o caso.
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