Opinião: crimes de ódio contra pessoas LGBTQ+ estão a aumentar. Mas não seremos apagados – CNN Portugal

Allison Hope tem obra escrita publicada no The New York Times, The Washington Post, CNN, Slate e outros lugares. As opiniões aqui expressas são suas.
 
A 28 de Junho de 1970, milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Greenwich Village, em Manhattan [em Nova Iorque, nos EUA], para exigir o fim da violência contra as pessoas LGBTQ+.
Foi a marca de um ano, depois a revolta de Stonewall, fadado acontecimento quando a comunidade LGBTQ+, liderada por ativistas negros e transgéneros, ripostou contra a polícia por causa das rusgas repetidas a um dos poucos espaços em que conseguiram reunir: o bar gay.
Foi uma reação gravada com tinta indelével em resposta a anos de perseguição, assédio e desmoralização contra membros da comunidade gay, e a nossa forma de dizer: “Existimos e não seremos apagados”. O protesto marcou o nascimento do movimento moderno de direitos LGBTQ+.
“Todos somos importantes”, lia-se na nota assinada pela Comissão de Libertação de Rua Christopher no dia da primeira Marcha do Orgulho [“Pride March”]. “Estamos a mostrar a nossa força e amor uns pelos outros ao virmos aqui hoje”. Somos todos participantes no acontecimento Gay mais importante da história”.
A primeira Marcha do Orgulho teve lugar num clima de raiva e medo, e de criminalização de corpos e comportamentos queer, e ajudou a inverter a narrativa, da vitimização para responsabilização e empoderamento. Imagino que a maioria dos que estavam a marchar nesse dia sentiram uma série de emoções da indignação à alegria, mas nunca teriam adivinhado que estariam a lançar as bases para uma chicotada de algumas décadas de progresso espantoso em direção à igualdade LGBTQ+.
Eu beneficiei do progresso que a geração que me precedeu sangrou para garantir. Na minha vida de queer, vi pessoas LGBTQ+ saírem em massa e as sondagens na maioria balançaram a favor das pessoas LGBTQ+, com um recorde de 70% de americanos a apoiarem o casamento LGBTQ+, de acordo com uma sondagem de 2021 Gallup. Vi também a introdução de leis anti-discriminação, igualdade no matrimónio, proteções no local de trabalho, acesso a recursos de construção familiar e muito mais.
Mas tudo isso parece estar ameaçado neste momento. Há esforços coordenados em curso para nos apagar, mais uma vez.
Ao iniciarmos o Mês do Orgulho este ano, o apelo claro para conjurar o espírito feroz da primeira Marcha do Orgulho, há mais de 50 anos, é mais forte do que nunca.
Nessa altura, as pessoas LGBTQ+ exigiam ser vistas, tornadas visíveis após gerações, séculos, de serem forçadas a desaparecer; ou muito pior, perseguidas, marginalizadas ou espancadas e mortas simplesmente por causa de quem amavam ou de como se apresentavam.
Desta vez, em 2022, corremos de novo o grave risco de sermos apagados das vidas que fomos cuidadosamente, amorosamente, escrupulosamente construindo, esmagados entre as mãos da ignorância, do ódio e da indiferença.
Apesar dos adereços arco-íris, que sem dúvida encherão as lojas de centros comerciais este mês, a base jurídica, política e social tem sido bem colocada para arrancar o tapete de debaixo de nós e tirar-nos os direitos e proteções iguais que ganhámos. De facto, a exploração pela extrema-direita de mal-entendidos sobre pessoas LGBTQ+, e as nossas crescentes vulnerabilidades decorrentes de um fosso de riqueza cada vez maior, ameaças climáticas e capitalismo tardio, está a tentar ferver-nos lentamente como sapos que não se apercebem que estão a ser cozinhados até ser demasiado tarde para escapar.
Há uma coisa que aqueles que olham para nós podem não compreender totalmente.
Não seremos apagados.
Não seremos tornados invisíveis, feitos para esconder as fotografias de família nas nossas mesas de trabalho por medo de represálias se formos despojados do nosso direito ao emprego equitativo.
Não deixaremos de dizer “gay” apesar de tentativas como a lei do Governador da Florida, Ron DeSantis, que proíbe o debate do género e da sexualidade com estudantes até à terceira classe, de que há propostas de imitações em muitos outros estados americanos.
Não seremos obrigados a esconder as nossas bandeiras do Orgulho porque foi dado púlpito a pessoas odiosas e ignorantes. Não permitiremos que os nossos filhos sintam vergonha por terem duas mães ou pais que se amam, ou qualquer combinação que não seja tradicional, porque os rufias se sentem fortalecidos pelo vitríolo que ouvem nas notícias ou por autoridades eleitas que pateticamente nos usam como isco para uma reeleição.
As nossas famílias não serão apagadas. A nossa humanidade vencerá.
Não seremos apagados dos livros enfileirados nas salas de aula das nossas crianças e nas bibliotecas que os misantropos homofóbicos tentam proibir. Trabalhámos durante tanto tempo para ganhar um lugar legítimo no cânone.
Não seremos apagados pelos mais de 240 projetos de lei anti-LGBTQ+ que as legislaturas estaduais de todo o país propuseram só em 2022. Podem tentar tirar-nos os nossos cuidados de saúde e atletismo, a nossa capacidade de utilizar as casas de banho em segurança ou ensinar aos nossos filhos que apenas existimos. Mas eles nunca nos apagarão por completo.
Não seremos apagados para voltarmos a uma época em que éramos legalmente estranhos para os nossos filhos, como no recente caso de Kris Williams em Oklahoma, uma mãe que foi retirada da certidão de nascimento do seu filho pela juíza Lynne McGuire, depois de ela e a sua mulher se terem divorciado.
Não seremos apagados para voltarmos a uma época em que temos de recear ser mortos na nossa empresa, como dois homens que foram brutalmente atacados à porta de uma adega em Brooklyn e atacados com insultos gays, ou outro que foi recentemente atacado no metro em plena luz do dia.
Os crimes de ódio contra pessoas LGBTQ+ estão a aumentar, de acordo com os Relatórios Prism, incluindo fora dos EUA, em lugares como o Reino Unido e a Alemanha, estão 100% mais altos em comparação com o ano passado em lugares presumivelmente amigáveis para LGBTQ+ como Nova Iorque, e estão nos seus níveis mais elevados de sempre para pessoas trans e não-binárias, de acordo com a Campanha dos Direitos Humanos.
Não podemos suportar sermos apagados.
Um em cada cinco jovens LGBTQ+ considerou seriamente cometer suicídio nos últimos 12 meses, de acordo com um estudo de 2021 dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA. Em que se traduz o número, em termos de custo para o nosso sistema de saúde, quando 7% de todos os americanos, ou mais de 23 milhões de pessoas, se identificam como LGBTQ+, de acordo com uma sondagem Gallup de 2022?
O que é que isso faz à capacidade dos nossos cidadãos de serem membros produtivos da sociedade? Qual é o impacto não só sobre os jovens vulneráveis, mas também sobre as suas famílias? E quanto ao impacto nos nossos sistemas sociais, economia e sociedade?
Não podemos ser apagados porque sempre existimos. Somos filósofos e dramaturgos famosos, cientistas e astronautas, ícones da cultura pop e presidentes de emprsas e advogados, médicos e professores e pregadores, e tudo o que está entre eles. Sobrevivemos à censura e ao genocídio, à terapia de conversão e rejeição, à expulsão, à discriminação legal, aos crimes de ódio, às micro-agressões e a tudo o que está no meio. No entanto, continuamos a nascer, a viver e a amar.
Não precisamos de olhar para lá da determinação e perseverança daqueles que saíram à rua a 28 de Junho de 1969, e um ano mais tarde, e todos os anos depois disso, para compreender como o apagamento simplesmente não é uma opção. Continuaremos a aparecer em massa para sermos vistos, porque as nossas vidas e as nossas famílias dependem disso.

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Universidade do Porto despede professor por sexismo, discriminação e xenofobia. Há um segundo a ser investigado – Observador

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Universidade do Porto não conseguiu notificar professor da decisão disciplinar e teve que a publicar em Diário da República. Docente ainda pode contestar. Há um segundo professor alvo de um processo.
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Professores da Faculdade de Economia e de Direito da Universidade do Porto estão a ser investigados depois de queixas por parte de alunos
Professores da Faculdade de Economia e de Direito da Universidade do Porto estão a ser investigados depois de queixas por parte de alunos
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Um professor da Universidade do Porto foi despedido na sequência de um processo disciplinar devido a comportamentos impróprios durante as aulas, depois de uma denúncia assinada por 129 alunos que o acusavam de ter atitudes que “incitam ao ódio e constituem crimes de assédio e discriminação”. O caso deste professor não é único. Corre também um processo disciplinar contra um professor da Faculdade de Direito desta Universidade por motivos idênticos. Ele, as queixosas e testemunhas já foram ouvidos, mas ainda não há decisão.
Pedro Cosme Vieira, o professor agora demitido por Diário da República esta sexta-feira, uma vez que a universidade não o consegue notificar, é ainda professor auxiliar da Faculdade de Economia. Em fevereiro de 2020 ficou suspenso pelo período máximo previsto no regulamento disciplinar: de 90 dias, depois de uma denúncia assinada por 129 alunos que condenavam “muitas” atitudes do docente que “incitam ao ódio e constituem crimes de assédio e discriminação”.
A participação foi feita pelos alunos de Ciências da Comunicação que descreveram o “clima e comentários vividos nas aulas” daquele professor, o que alegadamente levou até vários alunos a abdicarem de frequentar as aulas devido ao “ambiente tóxico e discriminatório, pautado por recorrentes comentários sexistas, machistas, xenófobos, entre outros”. Há cinco anos, o professor tinha sido afastado da universidade pelas mesma razões.
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Ao Observador, a Reitoria da Universidade do Porto confirmou que a decisão do processo disciplinar, que acabou em demissão, lhe foi enviada por carat registada, mas até agora ainda não houve uma notificação de que o professor a tivesse recebido. “Nesse sentido, e de acordo com os procedimentos estabelecidos pela Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, procedeu-se à publicação da referida notificação em Diário da República”, algo que aconteceu na última sexta-feira, respondeu a Universidade ao Observador.
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Pedro Cosme Vieira tem agora 10 dias úteis para exercer o seu direito de se pronunciar a propósito do projeto de decisão final do processo disciplinar, que é o da aplicação da sanção de despedimento. O Observador sabe que o professor se encontra ao serviço da universidade, ou seja, não tem carga letiva, mas continua a receber o seu vencimento, e que a intenção do reitor, António Manuel de Sousa Pereira, será a de respeitar a decisão do senado da universidade, que em janeiro passado por maior votou o despedimento do professor.
Já o professor da Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP) que chamou à atenção de uma aluna pela forma como ia vestida e acabou por ser alvo de um processo disciplinar justificou, esta semana, o seu comportamento ao Observador por estar “hipersensível”. Paulo Pulido Adragão já foi ouvido no âmbito do inquérito disciplinar que lhe foi movido e aguarda agora uma decisão.
Tal como o Observador então noticiou, em julho de 2021, Paulo Pulido Adragão foi acusado de não ter entregue o anunciado de um exame a uma aluna por considerar que esta estaria “muito destapada”. A denúncia foi imediatamente publicada nas redes sociais, gerando uma onda de solidariedade. Depois de ser e reportada à associação de estudantes da FDUP,  a direção acabou mesmo por reunir e abrir um processo de averiguações.
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O caso da aluna que foi chamada à atenção pela forma como vinha vestida motivou denúncias de muitas outras que, segundo as suas autoras ao Observador, remontam a 2005 e 2012. Todas estas queixas apontam para alegados comportamentos discriminatórios e sexistas por parte do professor, que leciona naquela instituição desde 2003. Esta semana o docente acabou por prestar declarações perante o inquérito disciplinar e disso deu conta ao Observador, na última terça-feira, explicando mesmo que está a ser seguido por um psiquiatra. Segundo ele, a declaração escrita que entregou ao instrutor do processo disciplinar dizia:
“Entreguei o enunciado aos estudantes e estava hipersensível, razão pela qual observei uma aluna que estava mal vestida. Peço-lhe o favor de vestir o casaco e ao entregar os exames falhei a entrega do exame da aluna em causa, trata-se de uma coincidência.”
Paulo Pulido Adragão acrescentou ainda que após a queixa se ter tornado pública foi impedido de falar, justificando assim o seu silêncio. “Estava vinculado ao segredo universitário”, afirma.
A decisão sobre se Paulo Pulido Adragão vai continuar a lecionar naquela unidade de ensino ainda não foi tomada. Ao Observador a reitoria da Universidade do Porto confirmou que o processo disciplinar se encontra ainda em fase de audição de interessados. E que no passado dia 7 de fevereiro realizou-se uma audição formal do docente, sendo que também já foram ouvidas a estudante diretamente envolvidas, assim como outras testemunhas.
“Estão ainda agendadas audições a outras testemunhas para as próximas semanas. Poderá surgir a necessidade de recolher declarações de outros possíveis intervenientes ou até a recolha de outro tipo de prova, não é, por isso, possível adiantar neste momento uma data prevista para a conclusão desta fase do processo”, respondeu a universidade.
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Comissão aprova projeto que fixa multa para quem dificultar a matrícula de aluno com deficiência – Notícias – Agência Câmara de Notícias

02/06/2022 – 12:32  

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Ordem do Dia. Dep. Rejane Dias PT-PI
Rejane Dias: “Todos ganham com a inclusão em sala de aula”

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que considera ato discriminatório à pessoa com deficiência dificultar a matrícula em instituições públicas ou privadas de ensino. Essa infração é punida com multa.
A proposta foi aprovada na forma do substitutivo elaborado pela relatora, deputada Rejane Dias (PT-PI), ao Projeto de Lei 5352/19, da deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), e a dois apensados. Com isso, a relatora inseriu no texto principal os dispositivos previstos naqueles que tramitam em conjunto.
“É muito importante a tomada de consciência de que, ao incluirmos de verdade uma pessoa com deficiência numa sala de aula, todos estão ganhando, uma vez que aprendem a tão necessária lição do valor intrínseco da pessoa humana e do quanto é cruel e desumana a discriminação”, disse Rejane Dias.
A versão original do projeto já definia como discriminação impedir ou inviabilizar a permanência na escola, excluir o aluno das atividades de lazer e cultura, negar profissional de apoio capacitado para o atendimento do aluno e negar adaptação de currículo, além de outras previstas no Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Graças aos apensados, serão ainda considerados discriminação a prática de colocar apelidos que causem danos físicos e psicológicos, inclusive por meio da internet ou de redes sociais, e o abuso de autoridade sobre o educando por meio de atos e atitudes que ocasionem danos emocionais e sofrimento psíquico.
O texto estabelece que os gestores das escolas poderão ser responsabilizados por atos de discriminação, com multa entre 3 e 20 salários mínimos. Professores e equipes deverão ser capacitados para acolher crianças, adolescentes e adultos com deficiência, propiciando-lhes inclusão em atividades educacionais e de lazer.
“Almejamos coibir, essencialmente, práticas institucionais que segregam e discriminam pessoas com deficiência, reafirmando a escola como um ambiente de inclusão e igualdade”, disse a autora do projeto, Sâmia Bomfim.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Ralph Machado
Edição – Rachel Librelon
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara Notícias’.
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56ª Legislatura – 4ª Sessão Legislativa Ordinária

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Megacachês: Agropop surpreendido de calça curta – Combate Racismo Ambiental

Os falastrões bolsonaristas que atacam a lei Rouanet, sem fundamentos, estão enlameados numa mamata sem precedentes. Indícios de crimes estão por toda parte. Investigar com rigor é urgente e pode levar aos grandes padrinhos políticos
Por Célio Turino, em Outras Palavras
Sobre o desvio de recursos públicos para cachês milionários em shows de cantores Sertanejos/Agropop:
1) Megachês milionários não são comuns nem no mundo dos rodeios (quando tem patrocínio privado) ou grandes estrelas da música. Quando muito, R$ 500/600 mil e isso envolvendo toda a equipe de produção do show (banda, técnicos, dançarinos, direitos autorais e pessoal de apoio). Como parâmetro: em contratos via poder público, na Virada Cultural em São Paulo, por exemplo, o valor máximo em cachê é de R$ 300 mil (o que já é bastante elevado); shows em réveillon em cidades como o Rio de Janeiro também não pagam muito além disso; em Micaretas e São João, talvez alguns muito famosos recebam R$ 500/600 mil, mas são raros; Escolas de Samba do grupo especial no Rio de Janeiro receberam R$ 1,5 milhão para o carnaval de 2022 (notem, o cachê é para uma escola de samba inteira).
2) Ou seja, tem mutreta, tem desvio de verba pública, tem corrupção nesses cachês do milhão. Mesmo para contratações artísticas a lei exige que o poder público se paute pelo princípio da economicidade, além da moralidade, legalidade, publicidade e impessoalidade. Tem cartel político/Bolsonarista/sertanejo nessa história dos megacachês. Ministério Público, Tribunais de Contas e legislativos municipais, estaduais e nacional precisam investigar. O crime salta aos olhos! O Congresso Nacional precisa abrir #CPIdosSertanejos já! É preciso cruzar emendas e rastrear o caminho do dinheiro para verificar o quanto do valor desses cachês pode ter sido “devolvido” para os padrinhos. Esse é um duto de desvio na ordem de centenas de milhões de reais!
c) Afora a imoralidade desses valores, sobretudo em pequenos municípios, em que a população carece de serviços básicos.
d) Mas o desvio não para aí. Em 2019, o BNDES concedeu empréstimo de R$ 320 milhões para empresa recém-constituída (um mês antes da liberação do empréstimo). A finalidade? Administrar carreiras de cantores sertanejos. Um escândalo! Desse valor, R$ 200 milhões foram para um único cantor sertanejo! Alguma dúvida de que esse empréstimo foi totalmente irregular? Nenhum banco libera um valor desses para uma empresa constituída um mês antes.
Como parâmetro, a lei Aldir Blanc que preservou entre 430-450 mil postos de trabalho na cadeia produtiva da cultura (dados IPEA), em 4.700 municípios, contou com aporte total de R$ 3 bilhões. Isso após uma ampla mobilização, envolvendo dezenas de milhares de pessoas e a quase unanimidade no Congresso. Não é possível que uma única empresa receba mais de 10% desse valor! Esse empréstimo precisa ser investigado e muito.
e) Mais um parâmetro. Esses mesmos sertanejos que vivem falando mal da lei Rouanet estão se apropriando de dinheiro público via cachês em valores absurdos, drenando recursos de escolas e da saúde, sobretudo em pequenos municípios, onde a fiscalização passa despercebida. Cachês de até R$ 1,2 milhão! Sabem em quanto o governo fixou o teto para cachê artístico via lei Rouanet? R$ 3 mil (exatamente). Deve ser por essa razão que esses artistas Bolsonaristas têm tanto ódio da lei Rouanet, afinal, em um só show embolsam valor 400 vezes maior. Mesmo antes de o governo haver fixado o teto em R$ 3 mil, o valor máximo que a lei Rouanet autorizava para cachê artístico era de R$ 45 mil. Mais um parâmetro para comparação: o valor que a empresa recebeu equivale a 25% de todo valor arrecadado pela Lei Rouanet em todo o Brasil (aproximadamente R$ 1,2 bi).
A lei Rouanet atende mais de 4 mil projetos em todo país, grande parte deles gratuitos para o público, beneficiando dezenas de milhares de empresas e garantindo centenas de milhares de postos de trabalho na cadeia produtiva das artes e da cultura. Para aprovação de um projeto a lei exige: projeto detalhado; justificativa; descrição e cronograma de trabalho; explicitação de público beneficiado; contrapartida social e de acessibilidade; orçamento detalhado, com valores padrão e teto nos valores; parecer técnico de especialista; aprovação em colegiado (CNIC); captação de patrocínio junto a empresas privadas (que também analisam o projeto); prestação de contas; análise detalhada das contas para quitação final.
Enquanto isso, esses artistas aproveitadores e manipuladores dos fãs, seguem fazendo sinal de arminha com a mão, pregando o ódio e a mentira e se declarando cidadãos de bem, defensores de “Deus, Pátria e Família”, ao mesmo tempo em que se locupletam com o dinheiro público. No fundo não passam de oportunistas e desonestos, que desonram a tradição da música brasileira de raiz.



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África do Sul volta a ser palco de protestos contra imigrantes ilegais – DW África

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Dezenas de sul-africanos saíram às ruas de Durban para protestar contra elevado número de imigrantes ilegais. São apoiantes da “Operação Dudula”, movimento que tem saído às ruas para exigir do governo medidas concretas.

Cresce a onda de fúria contra imigrantes ilegais na África do Sul (foto de arquivo)
Os manifestantes, que entoam slogans anti-imigração, sob o olhar atento da polícia, são apoiantes da já conhecida “Operação Dudula”. Um movimento que, desde o início do ano, tem saído às ruas para exigir do governo medidas concretas contra os imigrantes ilegais no país a quem acusam de serem os culpados pelo aumento da violência e do desemprego.
“A questão é que estas pessoas estão a entrar no país sem documentos e o governo não está a fazer nada, sem documentos é difícil encontrá-los quando cometem crimes. Só queremos que os nossos serviços apliquem efetivamente as leis que existem e que não estão a ser aplicadas”, diz Zandile Dabula, secretária nacional da “Operação Dudula”.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, voltou recentemente a garantir que o seu governo está a acompanhar de perto o ambiente “anti-imigração” que se tem estado a sentir em algumas regiões do país para impedir que se transformem em ataques xenófobos.
Algo que, na opinião de vários grupos de direitos humanos, já pode ser considerado como tal. Mas Zandile Dabula não concorda: “Não compreendo porque devemos ser chamados xenófobos quando tudo o que pedimos é que as pessoas estejam legais quando entram neste país. Acontece noutros países e lá não falam de xenofobia, porque é que os sul-africanos que estão a pedir o mesmo hão-de ser chamados xenófobos?”
A última vítima desta crescente onda de fúria contra imigrantes ilegais na África do Sul foi um zimbabueano que terá sido morto na passada quarta-feira (06.04), no bairro de Diesploot, alegadamente por manifestantes que exigiram aos moradores, de porta em porta, a apresentação de documentos de identificação.
Após o sucedido, a Amnistia Internacional criticou, em comunincado, a inação do governo, afirmando que os estrangeiros se “tornaram bodes expiatórios para comunidades descontentes com a criminalidade”.
A mesma opinião tem Loren Landau, especialista em migração em África, que frisa que “o que é preciso compreender é que o problema não está no aumento do número de migrantes. Os números têm vindo a diminuir. Trata-se realmente de falhas fundamentais no sistema político sul-africano.”
Segundo a Amnistia Internacional, mais de 153 mil pedidos de asilo permanecem pendentes na África do Sul.
A Human Rights Watch denuncia a inação do Governo sul-africano para travar ataques xenófobos contra africanos e asiáticos, um ano depois da adoção um plano de ação governamental de combate a ataques contra estrangeiros.  
A secreta está a monitorar o aumento dos níveis de descontentamento por parte dos nacionais em torno dos postos de trabalho que não exigem qualificações e ocupados por estrangeiros. Moçambicanos estão receosos.  
Violência contra camionistas estrangeiros já fez um morto e destruiu pelo menos 32 camiões nos últimos dias. “Não podemos tolerar esta perda de vidas e a destruição de propriedade”, afirma o Presidente sul-africano.
A onda de violência que vive na África do Sul está a afetar o fluxo de negócio com Moçambique. Transportadores dizem que camiões com bens essenciais estão parados. Não há relatos de moçambicanos vítimas de violência.
Os manifestantes protestaram esta sexta-feira em Pretória para pedir ao Governo sul-africano que trave a entrada de imigrantes no país. O seu slogan: #PutSouthAfricansFirst (sul-africanos primeiro).
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O que se sabe sobre ataque racista que matou 10 em supermercado nos EUA – BBC News Brasil

Crédito, Reuters
Autoridades acreditam em crime de ódio motivado por racismo
Reportagem atualizada às 8h50 de Brasília do dia 15/05/2022
Um homem branco de 18 anos matou 10 pessoas a tiros em um bairro negro do Estado americano de Nova York no que autoridades consideram ser um crime de ódio motivado por racismo.
O homem, identificado como Payton Gendron, foi preso no local — um supermercado na cidade de Buffalo.
O suspeito entrou na loja na tarde de sábado (14/5) antes de abrir fogo. Ele transmitiu ao vivo o ataque pelas redes sociais.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou o que chamou de ato "abominável".
Fim do Matérias recomendadas
"Estamos investigando este incidente como um crime de ódio e um caso de extremismo violento com motivação racial", disse Stephen Belongia, do escritório do FBI (polícia federal americana) em Buffalo, acrescentando que há evidências de "animosidade racial".
A emissora americana CBS noticiou que o agressor gritou insultos raciais ao abrir fogo. Ele também aparentemente postou um manifesto online que incluía linguagem e ideias racistas.
Acredita-se que o suspeito tenha dirigido por cerca de 320 km para chegar à área predominantemente negra da cidade. Treze pessoas foram baleadas no total e a maioria das vítimas era negra, disse o comissário de polícia de Buffalo, Joseph Gramaglia.
"Ele saiu de seu veículo. Estava fortemente armado. Tinha equipamento tático. Tinha um capacete tático. Tinha uma câmera que estava transmitindo ao vivo o que estava fazendo", disse Gramaglia a jornalistas.
Segundo o comissário de polícia, o suspeito entregou sua arma e foi preso. Mais tarde, ele apareceu no tribunal acusado de assassinato em primeiro grau.
As três vítimas feridas — que trabalhavam no supermercado — não sofreram ferimentos graves.
Um policial aposentado que trabalhava como segurança tentou atirar no suspeito, mas acabou sendo morto, informou a polícia.
Crédito, CBS News
Homem, identificado como Payton Gendron, foi preso no local
A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens
Episódios
Fim do Podcast
"Este é o pior pesadelo que qualquer comunidade pode enfrentar e estamos sofrendo", disse o prefeito de Buffalo, Byron Brown, a jornalistas.
"Não podemos deixar essa pessoa odiosa dividir nossa comunidade ou nosso país", acrescentou.
Grady Lewis, que testemunhou o ataque do outro lado da rua, disse à imprensa local que viu o homem abrir fogo. "Eu vi o cara entrar, estilo militar, curvado, só atirando nas pessoas", disse ele.
Shonnell Harris, que estava trabalhando na loja durante o ataque, disse ao jornal local Buffalo News que ouviu mais de 70 tiros enquanto corria para escapar do prédio por uma porta dos fundos.
"A loja estava cheia. Era fim de semana", disse ela. "Foi um pesadelo."
Descrevendo as consequências do ataque, um policial disse ao Buffalo News: "É como entrar em um filme de terror, mas tudo é real. É como o Armageddon".
Na tarde de sábado, a governadora de Nova York, Kathy Hochul, disse que o suspeito era um "supremacista branco que se envolveu em um ato de terrorismo".
Esta foi "uma execução de estilo militar visando pessoas que simplesmente queriam comprar mantimentos em uma loja de bairro", disse ela enquanto visitava Buffalo.
Em um comunicado, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que ele e a primeira-dama estavam orando pelas vítimas e suas famílias.
"Um crime de ódio com motivação racial é abominável para o próprio tecido desta nação", disse ele. "Devemos fazer tudo ao nosso alcance para acabar com o terrorismo doméstico alimentado pelo ódio."
Os crimes de ódio nos EUA atingiram uma alta de 12 anos em 2020, com mais de 10 mil pessoas denunciando ofensas relacionadas à sua raça, gênero, sexualidade, religião ou deficiência. Naquele ano, crimes contra americanos asiáticos e negros em particular aumentaram, indicam números do FBI.
Mas, como a polícia não é obrigada a enviar dados de crimes de ódio ao FBI, os esses números podem estar subestimados.
O ataque a tiros de sábado em Buffalo é o pior incidente do tipo até agora nos EUA neste ano, e também inflamará ainda mais a já acalorada batalha política sobre o controle de armas nos EUA.
Cerca de 40 mil mortes por ano envolvem armas de fogo nos Estados Unidos, número que inclui suicídios.
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Conselho da Europa Covid-19 reforçou racismo e discriminação em 2021 – Observador

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Um relatório da comissão indica que a pandemia reforçou o racismo nas forças policiais, com o uso de força excessiva para obrigar a cumprir as restrições impostas.
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Conselho da Europa refere que a pandemia trouxe uma maior marginalização de grupos vulneráveis
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Conselho da Europa refere que a pandemia trouxe uma maior marginalização de grupos vulneráveis
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
A Covid-19 provocou, no ano passado, uma maior marginalização de grupos vulneráveis, reforçando o racismo da polícia e os discursos anti-LGBTI, avançou esta quinta-feira a Comissão do Conselho da Europa contra Racismo e Intolerância (CCERI).
No seu relatório anual, publicado esta quinta-feira, a CCERI explica que a pandemia de Covid-19 obrigou a uma maior digitalização dos serviços, incluindo na educação, no setor da saúde e na entrega de autorizações de residência ou de trabalho, mas isso resultou em mais dificuldades para alguns grupos mais vulneráveis, que não tinham computador ou acesso a internet.
De acordo com a análise da comissão, os imigrantes, que trabalham sobretudo no setor de serviços — como o turismo, o entretenimento e a alimentação, assim como a economia informal -, não conseguiram aderir tanto ao trabalho remoto e ao teletrabalho como outros grupos e ficaram mais expostos ao vírus.
Além disso, estas áreas de trabalho foram as mais afetadas pelos recolher obrigatório e confinamentos impostos pelos governos para impedir o alastramento da pandemia e, consequentemente, pela desaceleração económica que daí resultou, considera o órgão antidiscriminação do Conselho da Europa.
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Também as crianças imigrantes e ciganas, que enfrentam sempre mais dificuldades nas escolas, viram a sua situação piorar devido à pandemia, refere o relatório.
A aprendizagem online tornou-se, muitas vezes, um desafio complicado devido à falta de espaços apropriados, equipamentos e ligações à internet adequados”, afirma a comissão do Conselho da Europa.
Embora as autoridades de alguns países tenham tomado medidas para ajudar as crianças mais desfavorecidas a recuperar o atraso escolar, este não foi o caso em todos os Estados-membros do Conselho da Europa, sublinha, acrescentando que “muitos adultos também foram atingidos pela interrupção dos serviços de educação, em particular os imigrantes recém-chegados que se tinham matriculado em cursos de integração e de línguas”.
Ainda assim, garante a CCERI, a Covid-19 trouxe alguns benefícios para alguns imigrantes, já que o papel dos trabalhadores migrantes no setor da saúde e noutros serviços públicos vitais foi reconhecido e destacado em vários países.
A pandemia também reforçou um outro problema: o racismo nas forças policiais, nomeadamente no contexto de aplicação de restrições de movimento, como os recolheres obrigatórios e os confinamentos, diz a CCERI.
O relatório da comissão refere, em particular, o uso de linguagem racista e de força excessiva para obrigar a cumprir as restrições “que não visaram apenas vítimas individuais, mas comunidades estigmatizadas como um todo”.
Apesar de alguns Estados-membros terem tomado medidas para resolver estes problemas, nomeadamente através de mecanismos independentes de denúncia e formação da polícia, muitas vítimas de tais práticas sentiram-se insuficientemente apoiadas pelas autoridades, denuncia o relatório.
A crise da Covid-19 também aumentou as dificuldades das pessoas LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexo) em toda a Europa, garante a CCERI.
“Jovens LGBTI que ainda residiam com os seus pais foram frequentemente expostos a desrespeito e intimidação” e “o aconselhamento psicossocial em pessoa oferecido por organizações não-governamentais tornou-se restrito”, adianta a comissão contra racismo e intolerância na Europa.
“Vários Estados assistiram a uma forte retórica política contra aquilo que foi considerado uma ideologia LGBTI ou uma ideologia de género amplificada na imprensa e no discurso público em geral”, concluiu o órgão do Conselho da Europa, adiantando que essas atitudes tornaram-se mais arraigadas com a adoção de leis especificamente direcionadas às pessoas LGBTI, embora as condenações por esse tipo de comportamento ainda sejam raras.
Os perigos dos discursos de ódio, assim como as declarações políticas ultranacionalistas “nunca devem ser subestimadas”, defendeu a presidente da CCERI, Maria Daniella Marouda, na apresentação do relatório de 2021.
“Foi este discurso político e propaganda ultranacionalista que precederam e acompanham a agressão em curso da Federação Russa contra a Ucrânia”, sublinhou a responsável, referindo acreditar que “os relatos sobre tratamento diferenciado injustificado de ciganos e pessoas de ascendência africana ou asiática provenientes da Ucrânia serão efetivamente investigados e que as autoridades garantirão que não haja discriminação contra nenhuma das pessoas que devem receber proteção e assistência”.
“Todas as pessoas que fogem da guerra e outras emergências, independentemente da sua origem nacional ou étnica, cidadania, cor da pele, religião, idioma, orientação sexual ou identidade de género, devem receber proteção adequada de imediato”, defendeu.
A agressão militar da Rússia contra a Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, levou o Comité de Ministros do Conselho da Europa a afastar a Federação Russa da organização, depois de 26 anos a fazer parte do Conselho da Europa, o que implicou que o órgão antidiscriminação deixou de monitorizar a situação naquele país a partir de 16 de Março.
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Corregedor nomeia vereadora negra para relatar processo de racismo contra Camilo Cristófaro na Câmara Municipal de SP – G1

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Denúncia de xenofobia contra funcionário haitiano de indústria em SC é investigada pela polícia – G1

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Projetos elegem educação como arma contra o racismo – Senado Federal

Os 134 anos da abolição oficial da escravatura no Brasil ainda serão lembrados neste 13 de maio sob a vigência de um quadro preocupante. Dados do Atlas da Violência 2021 apontam que 77% dos homens assassinados no Brasil e 66% das mulheres são negros. Os números — muito superiores à representatividade dessa população, que alcança 56% dos brasileiros — mais uma vez escancaram a perpetuação da desigualdade racial, enraizada no Brasil em dimensões históricas, culturais e socioeconômicas.
Da parte de muitos movimentos que lutam por igualdade para a população negra é esperada uma jornada de protestos contra essa situação. O 13 de maio é também o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo — uma forma de enfatizar que a abolição não produziu todos os efeitos que deveria ter produzido.
No Senado, projetos voltados para a educação são vistos como importante caminho para reverter esse panorama. Uma das propostas prevê a introdução de conteúdos relacionados a Direitos Humanos e combate ao racismo, entre outras formas de discriminação, em cursos de capacitação de agentes de segurança pública e privada (PL 5.245/2020). Outra, torna obrigatória a inserção de abordagens de combate ao racismo nos currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio em todo o país (PL 288/2022).
Essas proposições ganham ainda mais força com a criação da Subcomissão Temporária para a Promoção da Igualdade Racial e o combate ao Racismo. O colegiado, que funcionará no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), foi proposto pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Ele conclama a sociedade brasileira a “caminhar de mãos dadas no combate ao racismo”.
— A não tolerância a esse crime precisa existir e estar presente em todos os espaços, principalmente os de poder, como nos sistemas de Justiça, nos executivos e nos legislativos, que são exemplos para toda a sociedade. As legislações precisam tratar pontualmente da temática racial em todas as áreas, como a saúde, a educação, o mercado de trabalho, a cultural, a moradia, o saneamento e tantas outras — prega o senador.
O Brasil vem evoluindo para as políticas raciais, mas ainda há muito o que caminhar, segundo Paim:
— Foram quase 400 anos de escravidão em um país que tem apenas 522 anos e registra, na sua história, a calcificação do sequestro e da escravização de pessoas negras e indígenas. Esse processo desumanizador fortaleceu o descaso do Estado e de suas instituições com os grupos racializados, imperando o mito da democracia racial. O primeiro passo para que políticas públicas de promoção da igualdade racial sejam criadas e implantadas é reconhecer que o racismo existe e se mover para combatê-lo.
O senador destaca nesse aspecto a importância da Lei de Cotas de Ingresso nas Universidades, que completa 10 anos de vigência em 2022.
— Conforme dados do IBGE, entre 2010 e 2019, o número de alunos negros no ensino superior cresceu quase 400%. Do total de matriculados, 38,15 % são negros, um índice ainda baixo para um grupo que corresponde a 56,%  da população brasileira. A lei de cotas muda vidas, oferece oportunidade, fortalece a esperança e propicia mobilidade, não apenas para os jovens que estão cursando a universidade, mas para uma nação, que clama por direitos — aponta Paim.
Professor do Laboratório de Estudo Afro-brasileiro e Indígena (Leafro), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e membro da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), Otair Fernandes de Oliveira destaca a importância do Legislativo e dos projetos que estão sendo pautados na luta antirracista.
— Também nos chama a atenção de, ainda no século XXI, termos a necessidade de pautar projetos específicos de enfrentamento ao racismo, de valorização da cultura de matriz africana, da cultura afro-brasileira, do ensino da história da África, o que mostra que essa estrutura que tem como a base a colonização ainda se faz presente e permanente entre nós. Daí a importância desses projetos — explica o estudioso.
A par das iniciativas legislativas, a violência contra pessoas negras é contínua e chama atenção pelos alarmantes atos racistas, que não raramente culminam na perda de vidas. Enquanto a taxa geral de homicídios no Brasil em 2019 foi de 21,7 vítimas para cada 100 mil habitantes (números do Atlas da Violência 2021), no caso dos homens negros, esse índice sobe a 29,2 para cada 100 mil, quase o triplo do registrado para os não negros (amarelos, brancos e indígenas), que fica em 11,2 vítimas para cada 100  mil.
Isso significa, conforme o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que a chance de um homem negro ser assassinado é 2,6 maior na comparação com o não negro. Entre as mulheres negras, esse índice é de 1,7. Quando comparados os anos de 2009 a 2019, as taxas de homicídio tiveram uma redução de 15,5% entre negros e de 30,5% entre amarelos, brancos e indígenas. Ou seja, a queda percentual para os não negros é 50% superior à correspondente à população negra.
 Clique no gráfico para ver os números
Fonte: Atlas da Violência 2021 (dados de 2019) – Fórum Brasileiro de Segurança Pública
— Esses percentuais estão muito acima da representação dessa população na sociedade. Tem uma sobrerrepresentação estatística de pessoas negras entre as vítimas de violência letal no Brasil. É um quadro que vemos há muitos anos e indica uma ineficácia das políticas públicas de enfrentamento a esse fenômeno — observa o pesquisador Dennis Pacheco, integrante do fórum .
Para o estudioso, isso é consequência da ausência de políticas específicas:
— Temos na segurança pública, nesse setor de política pública, uma perspectiva universalista, de que os problemas podem ser resolvidos com soluções generalistas. São políticas com resistência muito grande em relação ao enfrentamento ao racismo.
Mudar a mentalidade dos agentes de segurança pública e privada, a partir da educação, é essencial para reverter esse quadro sombrio. É o que propõe o senador Fabiano Contarato (PT-SE) a partir do PL 5.245/2020. O projeto, que aguarda análise na Comissão de Segurança Pública, introduz conteúdos relacionados a Direitos Humanos e combate ao racismo, entre outras formas de discriminação, nos cursos de capacitação desse contingente.
A proposta pretende reverter a violência crescente que gera vítimas fatais, não só da parte de forças policiais, mas também de agentes de segurança contratados por meio de empresas terceirizadas. A proposição vale inclusive para a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias Civil e Militar, as guardas municipais, as polícias legislativas federais e os corpos de bombeiros militares. O projeto prevê igualmente atualizar a Matriz Curricular Nacional para Ações Formativas dos Profissionais de Segurança Pública, publicada em 2014 pelo Ministério da Justiça e Segurança Púbica.
— É fundamental engajar agentes de segurança pública e privada na luta antirracista. São milhares de casos de racismo que acontecem rotineiramente pelo Brasil. Precisamos, por meio da educação, combater todas as formas de preconceito. Incluir esses conteúdos nos processos de formação e aperfeiçoamento tem o potencial de revolucionar as práticas e rotinas desses agentes, contribuindo para fazer deles atores de transformação, e não mais de reprodução do racismo estrutural da sociedade brasileira — argumenta o senador.
Na justificativa do seu projeto, Contarato lembra a noite de 19 de novembro de 2020, véspera do Dia da Consciência Negra, quando dois seguranças de empresa contratada pela rede de supermercados Carrefour espancaram até a morte em Porto Alegre o prestador de serviços João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, negro. Um ano antes, o Brasil havia se mobilizado em resposta à tragédia de Paraisópolis, em São Paulo. Ação da Polícia Militar deixara nove jovens negros mortos e outros 12, feridos na comunidade.
“Esta e outras incontáveis ações em que o uso excessivo da força geraram inimaginável sofrimento e motivaram o movimento #vidasnegrasimportam no Brasil”, observa o parlamentar na justificativa. Segundo ele, o assassinato de pessoas negras no país reflete o que classifica de “racismo estrutural contraditoriamente entranhado nas raízes de um país profundamente miscigenado”. É que o Brasil, explica o senador, foi um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão e mantém ainda nos dias atuais “resquícios do período escravocrata”.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que, em 2020, 78,9% das vítimas de intervenções policiais com resultado morte eram negras. Olhando para esses dados, a letalidade policial ainda é mais seletiva racialmente do que a geral, segundo o pesquisador do FBSP. Os negros correspondem a 56,3% do total da população brasileira, mas são 73,6% de todas as mortes violentas intencionais, que englobam, além daquelas por ação policial, os homicídios dolosos, os latrocínios e as lesões corporais seguidas de morte. Examinando o quadro por outro ângulo, a taxa de letalidade policial entre negros é de 4,2 vítimas a cada 100 mil, já entre brancos ela é de 1,5 a cada 100 mil, o que equivale a dizer que a taxa de letalidade policial entre negros é 2,8 vezes superior à taxa entre brancos.
 — São majoritariamente jovens, de 14 a 29 anos, homens e principalmente pobres moradores de periferia. Essa marginalização acontece porque existe um entendimento social, não só dos agentes policiais, mas da sociedade como um todo, de que essas pessoas são a encarnação, por excelência, da violência, de que são sujeitos portadores e perpetuadores da violência. Há, portanto, uma demanda social por incriminação e por assassinato dessas pessoas. Sendo assim, trabalhar tanto com formação e educação de agentes de segurança pública, quanto de segurança privada é essencial — entende Pacheco.
Ser negro não pode mais ser confundido com ser bandido, adverte o professor Oliveira, da UFRRJ, que lança mão igualmente do conceito de racismo como componente básico da arquitetura sócio-econômica e cultural do país:
— A sociedade brasileira é caracterizada pelo racismo estrutural, altamente desigual. O fato de o policial ver um jovem negro não pode mais ser confundido com ver um bandido. Porque ainda é. A polícia não pode condenar a partir de métodos ultrapassados, como visualizar fotos, inclusive desbotadas.
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública
(a cada 100 mil habitantes)
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública

A discriminação racial atinge até mesmo os próprios policiais, conforme os registros de crimes violentos letais intencionais (CVLI): “Os dados coletados em 2020 indicam a manutenção da prevalência de mortes de pessoas negras (62,7%). Em 2019, elas foram 65,1 % das vítimas, sendo pertinente novamente destacar que os dados disponíveis da Pesquisa Perfil dos Profissionais de Segurança Pública da SENASP (2019) mostram que a composição das polícias brasileiras é de 56,8% de pessoas brancas e 42 % de pessoas negras. Como na população em geral, policiais negros são mais vulneráveis à violência letal.”, diz o anuário. Os crimes violentos letais intencionais são o homicídio doloso, o latrocínio e a lesão corporal seguida de morte.
Para que a proposta do senador Contarato tenha o resultado esperado, avalia Oliveira, é essencial que a temática do racismo não seja trabalhada nos cursos de formaçã pelo policial tradicional, mas por professor/a ou pesquisador/a negro/a, que garanta a representatividade, considerando-se, sobretudo, que muitos policiais são negros:
— É importante que esses projetos estejam articulados com os diferentes setores da sociedade civil, do movimento negro, para que eles possam ser implementados de uma forma efetiva, a partir da sua trajetória. Então, quando a gente fala que é preciso ter o professor ou pesquisador negro lá, é porque entra aí a representatividade. Aquele policial preto vai ouvir de um professor negro, que muitas das vezes tem uma história igual a dele.
Nos últimos dois anos, o Senado aprovou dez proposições referentes ao combate ao racismo, entre elas o PL 5.231/2020, que torna crime a prática de atos por agentes públicos e profissionais de segurança privada com base em preconceito de qualquer natureza, notadamente de raça, origem étnica, gênero, orientação sexual ou culto. O projeto, que aguarda análise da Câmara, previu aumento de pena para os crimes de abuso de autoridade e de violência arbitrária e denunciação caluniosa motivados por discriminação. Também na Câmara, o PL 4.373/2020, outra proposição de Paim, tipifica a injúria racial como crime de racismo, inclusive com aumento de pena.
Há quase 20 anos foi sancionada a Lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatória a temática “História e Cultura Afro-brasileira” no currículo da rede de ensino; uma conquista primeiramente de movimentos negros. Cinco anos depois, a previsão foi estendida à história e à cultura indígena.
Na opinião do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apesar desse avanço, há que se reforçar a necessidade de que as crianças e os jovens do Brasil sejam educados de forma a não só conhecer a história e a cultura dos povos de origem africana e indígena, como também a serem agentes atuantes na luta contra o racismo, “em sua ampla perspectiva”.
Por isso, o parlamentar apresentou o PL 288/2022, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir a obrigatoriedade da temática de combate ao racismo nos currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio.
O conteúdo programático deverá conter uma abordagem interdisciplinar que agregue combate ao racismo, respeito aos direitos humanos e às diferenças; observância dos deveres de cidadania; e estímulo à diversidade étnico-racial nas relações sociais.
“Assim, por meio da educação sobre aspectos históricos e, também, do debate sobre questões atuais, utilizando-se uma sistemática transversal entre diferentes disciplinas, espera-se que os ganhos proporcionados originalmente pela Lei 10.639, de 2003, possam ser consolidados e novas conquistas sejam alcançadas no enfrentamento ao racismo e na formação de cidadãos que respeitem ao próximo e as diferenças”, defende Randolfe na justificação da matéria.
Para o professor da UFRJ, é preciso rever o modo como o currículo é pensado e os conteúdos são selecionados.
— Precisamos discutir que educação é essa, para quem eu quero ensinar, o que eu quero ensinar, o porquê. Toda essa reflexão em torno do currículo passa a ser fundamental para que nós educadores possamos, na perspectiva do combate ao racismo, implementar conteúdos e processos para que a gente possa realmente enfrentar esse flagelo que está na sociedade brasileira desde 1500 e resiste em permanecer — salienta Oliveira.
Professora de uma escola municipal em Niterói (RJ) e de Formação de Professores na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Priscilla Leal Mello elegeu o afeto e o lúdico para trabalhar a ancestralidade africana, de forma a tratar a brasilidade muito além do eixo Brasil-Europa.
Pelo projeto “Entre terras e nações, os desmundos de Afreka e Mina”, que a professora aplicou na escola, e apresentou como proposta de ensino aos seus alunos universitários, as bonecas negras e irmãs Afreka e Mina contam a história como se estivessem vendo, pela primeira vez, a África continental ou as  “áfricas” que chegam pela diáspora ao Brasil e que depois se reconstituem por meio de processos interétnicos:
— A ideia é ir para o continente africano, ir para as áfricas no Brasil e começar a perceber traços dessa África em si, sem preconceito. É um processo bem longo, abstrato, mas é um convite ao afeto, ao abraçar e a se ver na negritude. Eu abraço a diferença, eu abraço o meu igual, me reconheço nessa boneca. Tudo muito sutil, nada induzido e forçado.
Com isso, a professora pretende proporcionar experiências da compreensão do outro, por meio de sentimentos, do lúdico, e não só do conteúdo. No ensino fundamental, os alunos trabalham ainda com desenhos — no qual retratam famílias, rostos, paisagens e indumentárias africanas — e com mapas da África e rotas da escravização.
Mas implementar a proposta nem sempre é fácil.
— A gente esbarra com a falta de conhecimento dessa relação com a África, tradicionalmente inexistente, totalmente esvaziada. Os alunos acham que são negros porque são negros. Não se entendem como sujeitos da diáspora. Apesar de o Rio de Janeiro ter sido um porto de chegada da rota, importantíssimo como Salvador, e de ter um movimento negro que consegue manter essa história viva, ainda temos muita dificuldade de chegar com esses assuntos na escola, de falar dessa ancestralidade africana. Nas turmas de Educação de Jovens e Adultos, eles nem gostam de falar sobre racismo — relata Priscilla.
Das 12 escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, oito pautaram a temática afro-brasileira e étnico-racial como tema no Carnaval deste ano. A abordagem de temas religiosos da cultura afro durante os desfiles causou movimentações nas redes sociais por parte dos que praticam o racismo étnico-religioso.
— Nós vemos a escolha dessa temática pela maior parte das escolas de samba com muito orgulho. O racismo não dorme, está em todos os espaços da sociedade e se revela das formas mais inusitadas possíveis. Um tempo atrás era difícil falar do racismo. O Estado brasileiro, os governantes se recusavam, diziam que aqui não tínhamos problema de racismo porque existia aquela ideia da harmonia entre as três raças, depois surgiu essa ideia do mito da democracia racial. Isso nos custa muito caro até hoje — avalia o professor Oliveira.
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