Racismo histórico – Diário do Nordeste

O jovem Paulo Vítor Silva Figueiredo, de 22 anos, dono de um quiosque de venda de açaí em Taguatinga (DF), foi desagradavelmente surpreendido, no início desta semana, pelos termos ofensivos de uma cliente a quem atendia. Informada, por ele, de que o açaí não poderia ser feito sem banana, como desejava, pois o produto que vende já vem batido com xarope de guaraná e banana, a cliente passou a ofendê-lo, xingando-o de “macaco, preto, idiota, palhaço” e outros termos.
Paulo, que gravou a cena, denunciou o fato – que configura crime de injúria racial – e prestou depoimento junto à delegacia de polícia local. A defesa da mulher, identificada como Cláudia, divulgou nota frisando que esta sofre de transtornos psiquiátricos, com esquizofrenia paranoide, e que a família já está buscando, por via judicial, a interdição da ofensora, que ainda permaneceu no local, agredindo verbalmente outras pessoas.
Neste mês, em que se registra mais um 13 de maio, a data em que oficialmente foi abolida a escravidão no Brasil, observa-se que a incidência de situações desse tipo é ainda muito elevada. Somente no Distrito Federal, 101 ocorrências de injúria racial aconteceram apenas no primeiro bimestre deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.
O crime é configurado quando o agressor usa termos depreciativos quanto à raça e cor da vítima, visando ofendê-la em sua honra, conforme aconteceu no quiosque de Paulo Vítor. Lamentavelmente, verifica-se que episódios semelhantes continuam a repetir-se pelo país, apesar dos muitos esforços que têm sido realizados no sentido de conscientizar a sociedade sobre a gravidade dos crimes contra a dignidade racial.
Verifica-se de forma concreta que o racismo continua historicamente arraigado no seio de segmento considerável da população e que muito ainda tem que ser feito para que episódios de desrespeito e constrangimento, como o enfrentado pelo vendedor de açaí, possam ser definitivamente erradicados. Afinal de contas, são mais de três séculos de escravidão e indignidade humana. Feridas ainda abertas, longe de serem cicatrizadas.
Gilson Barbosa é jornalista
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