Ainda temos dificuldade em compreender o racismo no Brasil, diz Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial – Folha

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Joana Cunha, formada em administração de empresas pela FGV, foi correspondente da Folha em Nova York e repórter de Mercado
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A morte de Genivaldo Santos, asfixiado em uma viatura em Sergipe, repercutiu no exterior com analogias a George Floyd assassinado em Minnesota em 2020. Na época, em meio aos protestos de rua, uma série de presidentes de empresas escreveu cartas públicas para apoiar o movimento contra o racismo e a violência policial.
Por aqui, no entanto, as manifestações não devem se repetir, segundo as expectativas de Raphael Vicente, diretor da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que reúne grandes companhias em torno do tema.
“Acho difícil qualquer movimento no Brasil ser próximo do que aconteceu no caso George Floyd”, diz.
O assassinato na viatura da Polícia Rodoviária Federal em Sergipe nesta semana foi comparado, no exterior, a George Floyd. Naquele caso, uma série de presidentes de empresas, de big techs a bancos de Wall Street, divulgou posicionamentos contra o racismo e a violência policial. Esse novo caso no Brasil tem potencial para gerar essa onda de manifestações corporativas? Acho muito difícil qualquer movimento no Brasil ser próximo do que aconteceu no caso George Floyd. A gente ainda tem muita dificuldade em compreender, até pelo nosso histórico, o que é e como funciona o racismo no tecido social.
É só ouvir a argumentação dos que defendem a atitude da polícia. É a velha história: atribuem a problema social, econômico, de violência, de segurança, mas não a um problema racial. Quando não se compreende isso, fica difícil.
Se o caso George Floyd tivesse acontecido no Brasil, não teria havido aquela repercussão. Como não tem com tantos casos semelhantes. O que chegou mais próximo foi o do João Alberto, no Carrefour. Criança morta dentro de casa por ação da polícia não gera aquela comoção.
Por que é tão importante ter um movimento antirracista partindo do mundo corporativo? Porque é preciso ter tomada de decisão, ter posicionamento. O poder público tem obrigação de se mobilizar. A iniciativa privada tem a responsabilidade, mas não a obrigação legal de se manifestar. Mas quando eles se manifestam com aquela veemência é porque houve uma compreensão de que há um problema social e que atinge inclusive os negócios.
Então, todos têm que se movimentar para produzir soluções. Quando se compreende isso como uma questão de negócio, de imagem, de sustentabilidade, quando se compreende que essas distorções sociais causam distorções no negócio a médio e longo prazo, aí vem a manifestação.

O assassinato de João Alberto, espancado por seguranças no estacionamento do Carrefour, aconteceu dentro de um ambiente privado. Isso faz diferença no engajamento das empresas? Acontecer no ambiente privado também não é algo novo. O que mudou foi justamente essa compreensão. A questão é que nossa sociedade como um todo, veículos de comunicação, parte importante dos intelectuais, está começando a compreender a questão racial.
No caso do João Alberto foi muito simbólico porque foi na véspera do Dia da Consciência Negra. As imagens são fortes, bizarras, desumanas. Independentemente de você compreender o racismo, provoca indignação. Isso contribui.
Acho que muitas empresas compreenderam o potencial de perdas, de vida, de imagem, de recursos e se mexeram a partir disso. Logo depois, teve manifestações de empresas fornecedoras do Carrefour condenando a ação, exigindo medidas. Tem que compreender que, no fim das contas, empresas, governos, sociedade, indivíduos estão todos no mesmo barco. Veja o resultado: cliente morto, funcionários demitidos, presos, processados, dano à empresa. Poderia ter sido evitado.
Como está a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial?  É um movimento que reúne empresas pela promoção da diversidade étnico-racial no mercado de trabalho. A gente trabalha com grandes companhias. Elas dão sinais, dão o sentido do que as grandes empresas estão fazendo, ou seja, dão referências. E elas têm uma grande cadeia de valor, ou seja, se é importante para a empresa, precisa ser importante para a sua cadeia de valor.
O esforço com organizações que estão comprometidas com a diversidade é compreender esse cenário. Para trazer ações propositivas, a gente precisa sentar à mesa com todo mundo, poder público, grandes e médias empresas, escola, para construir caminhos e conseguir superar o racismo, porque ele foi construído. Ele não é natural. Então, pode ser desconstruído.
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E o debate sobre a revisão da Lei de Cotas neste ano? Como as empresas estão se posicionando e qual é o papel delas nesse tema? Conversamos bastante com as empresas no ano passado sobre essa compreensão. Elas podem e devem se posicionar, cobrar, acionar as representações, principalmente porque muitas delas se baseiam justamente nisso para o recrutamento de candidatos negros. É parte da base legal. O sistema gira em torno disso.
Essa é uma discussão que foi muito emblemática no meio empresarial, mas a gente conseguiu um certo avanço, até com velocidade nesse sentido. Mas no geral a empresa precisa, primeiro, compreender o que é, que não é só para negros, é também para indígenas e de escolas públicas.
Não tem jeito. Nesse tema, você tem que se posicionar. Só o discurso não vai resolver. Agora é posicionamento.
Raio-X
Raphael Vicente, 36, é diretor-geral da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial. Advogado sócio da Vicente Consultoria, é professor universitário, mestre e doutorando pela PUC-SP
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