Ceará entrará com representação na Conmebol por racismo de torcedores do Independiente – Gazeta Esportiva

São Paulo, SP
26-05-2022 17:13:12
Na última quarta-feira, o Ceará foi até a Argentina para enfrentar o Independiente, pela Sul-Americana, e saiu com a vitória por 2 a 0, garantindo os 100% de aproveitamento na fase de grupos do torneio. Porém, a partida ficou novamente marcada por atos racistas de torcedores locais.

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Em nota oficial, o Ceará lamentou os episódios e comunicou que vai entrar com representação oficial na Conmebol. O clube também afirmou que notificará o Independiente pelo ocorrido.
Vale lembrar que, na Libertadores, já foram registrados diversos casos de racismo por parte de torcedores argentinos em jogos contra equipes brasileiras. Aconteceram nos dois jogos entre Corinthians e Boca Juniors, além do confronto entre River Plate e Fortaleza.

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Foto: AFP/ALEJANDRO PAGNI

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Foto: AFP/ALEJANDRO PAGNI

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Confira a nota oficial divulgada pelo Ceará: 
“Na noite da última quarta-feira, 25, vivemos uma noite mágica na Argentina. Em Avellaneda, o Ceará Sporting Club fez história e em uma partida histórica, passou pelo gigante Independiente em seus domínios. Ainda que tenhamos muito o que comemorar pelo que foi alcançado, poucos presentes insistiram em tentar manchar o ocorrido em mais um episódio de racismo e xenofobia contra torcedores alvinegros presentes no estádio.
O Ceará Sporting Club repudia os atos de alguns torcedores do Indepediente e reafirma que atos como os ocorridos no Estádio Libertadores de América devem ser excluídos não somente do ambiente do futebol, mas de nossa sociedade como um todo.
O Ceará vem, também, comunicar que entrará com uma representação oficial junto à CONMEBOL e notificará oficialmente o Club Atlético Independiente.
O Time do Povo não carrega esta alcunha por acaso, é um clube de todos e exige que os que carregam o preto e branco no peito sejam respeitados onde quer que estejam fazendo valer o lema de não abandonar o Alvinegro de Porangabuçu”.
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Decisão sobre punição contra racismo não foi unânime; CBF queria mais rigor – UOL Esporte

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Banda Pássaro Vivo faz revelações e protesta contra a discriminação difundida no Brasil; Ao Vivo – Patos Hoje – Notícias de Patos de Minas

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Racismo no futebol, vitória do Londrina, decisão no Athletico e entrevista com o presidente do Coritiba: veja o Globo Esporte Paraná desta quinta – globoesporte.com

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ConJur – Breno Nobre: Inclusão de pessoas LGBTQIA+ nas empresas – Consultor Jurídico

Por Breno Santos Nobre
A Lei nº 13.709/2018, também conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), dispõe sobre o tratamento de dados pessoais em meios físicos e digitais. Ela abrange todas as atividades que envolvam o tratamento dos dados pessoais e é aplicada para pessoas físicas e também jurídicas, de direito público e também privado.
Com a entrada em vigor da LGPD, empresas receberam a missão de criar uma cultura de proteção dos dados e se adequarem ao que determinam as novas regras. Estar em conformidade tornou-se uma exigência para todas as empresas que tratam dados pessoais, sob pena de sanções administrativas e judiciais.
Uma das áreas das empresas que teve um maior impacto foi de Recursos Humanos. Isso porque ela é senão a que mais trata dados pessoais, sejam dos colaboradores internos e dependentes, sejam de potenciais colaboradores (terceiros) que enviam dados através de currículos e/ou por meio de processos seletivos em plataformas de seleção de talento.
Nessa nova era de proteção de dados, como conciliar a inclusão e manutenção de pessoas LGBTQIA+ nas empresas, sem, contudo, violar à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)?
Os Recursos Humanos (RH), mais do que nunca, precisam adequar, senão criar novos processos para o tratamento de dados, em especial para a atividade de contratação de colaboradores LGBTQIA+. Também, após a assinatura do contrato de trabalho, devem ter o cuidado de acolher e manter essas pessoas nos quadros de colaboradores.
A Lei Geral de Proteção de Dados dispõe que a vida sexual  aqui podendo abranger dados de orientação sexual e identidade de gênero  é considerada dado sensível (artigo 5º, II, LGPD) e, portanto, caso seja coletada e usada indevidamente, pode-se agravar vulnerabilidades e discriminações e causar impactos aos titulares de dados.
Tratando-se dessas ações afirmativas  quando há a coleta de dados sensíveis — para que haja um tratamento em conformidade com a legislação, é preciso que o titular de dados, na condição de potencial colaborador, dê o seu consentimento para que a empresa contratante faça esse tratamento específico do seu dado pessoal. Ademais, é preciso ser transparente quanto às medidas de segurança técnicas e administrativas adotadas para proteger essas informações.
Muitas empresas, em especiais as Startups, têm em sua política interna a implementação dessas ações afirmativas, que são discriminações positivas. A busca por diversidade nas empresas é uma prática dentro da legalidade e objetiva promover ambientes plurais no trabalho, que resultam em benefícios para a empresa, para os colaboradores e para a coletividade.
Uma vez efetuada a contratação de um colaborador LGBTQIA+, através das ações afirmativas, seus dados pessoais referentes à vida sexual devem ser tratados e protegidos pelas empresas para que não exista qualquer discriminação, preconceito, prática ilícita ou abusiva. Cabem as empresas, na implementação do programa de adequação, mapearem a área de Recursos Humanos e adorem medidas de segurança a fim de protegerem essas informações.
Dia 17 de maio marca a data da retirada da homossexualidade da lista de Classificação Internacional de Doenças (CID), sendo o Dia Mundial de Combate à Homofobia. Tal data tornou-se símbolo da luta contra o preconceito e violência de pessoas Lésbicas, Gays, Transgêneros, Queers, Intersexos, Assexuais, e também a favor da diversidade sexual. O dia 17 de maio tem como objetivo o aumento da conscientização sobre violência, discriminação e repressão de comunidades LGBTQIA+, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Tal data possibilita, inclusive essa reflexão sobre o modo de agir e dialogar sobre a temática, sob a ótica da proteção desses dados.
Portanto, a promoção de inclusão e manutenção de pessoas LGBTQIA+ nos quadros de colaboradores de empresas exigem alguns cuidados. Além das medidas de segurança que devem ser implementadas, toda a atividade de tratamento deve ser feita por recrutadores treinados, com a utilização de sistemas adequados a guarda segura dessas informações, e, por óbvio, o titular de dados deve ter conhecimento claro de todo o processamento dos seus dados, em especial caso exista o tratamento de seus dados sensíveis para a finalidade de ações afirmativas. Tal tratamento deve ser feito sempre de boa-fé, respeitando os princípios previstos no artigo 6º da LGPD, especialmente o inciso IX, que versa sobre a impossibilidade da realização do tratamento para fins discriminatórios ilícitos ou abusivos.
 é advogado especialista em Proteção de Dados da Laure Defina Advogados.
Revista Consultor Jurídico, 27 de maio de 2022, 17h10
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Vivia como mulher há 20 anos, mas foi colocada numa prisão masculina. E agora pôs o país inteiro a discutir os seus direitos – CNN Portugal

Kesha Williams, de 41 anos, identifica-se como mulher há mais de duas décadas. Faz tratamentos hormonais há 15 anos, que a ajudam a aliviar os sintomas de disforia de género e a sentir-se em paz no corpo em que vive. Numa decisão pessoal, manteve os órgãos genitais e optou por não realizar a cirurgia de redesignação sexual.
Em 2018, numa decisão jurídica que abalou a sua vida, foi colocada numa prisão masculina na cidade de Firefax, no estado norte-americano da Virgínia. 
A disforia, uma condição médica tratável que descreve um sentimento de dissonância entre o sexo biológico e a identidade de género, requer um tratamento consistente. A desvalorização da identidade do paciente pode resultar num agravamento dos sintomas e numa “angústia extrema” que mói – e mata
A acomodação de Kesha numa prisão masculina negou mais do que as suas necessidades médicas: pôs em causa, garante, a sua integridade e identidade enquanto mulher transgénero. Chamaram-na de homem, viu negados os seus pedidos por tratamentos hormonais e acessórios femininos, foi forçada a ser revistada por seguranças do sexo masculino e a despir-se em frente aos outros reclusos. A discriminação a que foi sujeita, e que agora recorda em tribunal, traduziu-se num retrocesso em “direta contradição” das suas necessidades médicas.
Inconformada com a violência “física e mental” que sofria nas instalações prisionais, Kesha requereu ser ouvida por um conselheiro. Em resposta, foi-lhe dito para ser paciente e aguardar o fim da sentença. “Boys will be boys” (os rapazes serão sempre rapazes, na tradução), disseram-lhe, como se de um mantra se tratasse.
Este não era o primeiro episódio de discriminação que Kesha Williams enfrentava. Mas, desta vez, sentia-se na obrigação de defender toda uma comunidade. “Tenho de lutar por todas as outras raparigas que são forçadas a passar por isto.”
Ao contrário do que lhe tinha sido aconselhado, Kesha não esperou por sair da prisão. Com a ajuda de um advogado, apresentou o caso ao Tribunal de Recurso dos Estados Unidos e juntou a sua voz ao coro que se insurge, cada vez mais veemente, contra a detenção de mulheres trans em prisões masculinas.
O que começou com a luta individual de Kesha contribui, agora, para um novo ímpeto na luta comunitária das pessoas transgénero. O caso está ainda em deliberação, mas o debate já começou a incendiar – e a dividir – os Estados Unidos.
O processo de Kesha Williams baseia-se numa nova (e controversa) interpretação da Lei dos Americanos Portadores de Deficiência, em vigor desde 1990.
Ao considerar a disforia de género uma condição médica debilitante, a equipa de defesa pretende que as pessoas diagnosticadas com este transtorno sejam incluídas na Lei e protegidas enquanto portadoras de deficiência.
Uma interpretação inicial não previa a inclusão de pessoas disfóricas, mas há quem considere imperativa uma revisão que inclua transtornos psicológicos associados à experiência trans. “A doença de que a minha cliente padece não existia” no início da década de 90, fez notar o advogado Joshua Erliche em tribunal, mas a evolução clínica do transtorno exige que “apliquemos uma interpretação moderna” à Lei.
De acordo com um documento divulgado pela organização GLAD, “os protocolos médicos indicam que o tratamento para a disforia de género consiste na transição de género” nas suas várias vertentes, desde suplementos hormonais à inclusão em espaços seguros. Sob a Lei dos Americanos Portadores de Deficiência, o acolhimento de uma mulher transgénero disfórica numa prisão masculina passaria a ser “proibido” e interpretado como uma interrupção de tratamento médico.
Amy Whelan, uma advogada pertencente ao Centro Nacional para os Direitos das Lésbicas (NCLR), realça ainda a violência sexual a que as mulheres transgénero estão sujeitas em espaços exclusivos masculinos e lamenta que os genitais sejam o fator determinante no alojamento dos reclusos, em detrimento da autoidentificação. 
“As prisões estão ainda muito atrasadas em termos de compreensão dos riscos médicos envolvidos”, diz, citada pelo The Washington Post, realçando que a insegurança manifestada pelas pessoas trans “está a pôr em risco a segurança destas instituições”.
Do outro lado do debate, incluem-se juízes federais, vários grupos feministas e a própria prisão de Firefax. Segundo avança o mesmo jornal, representantes do estabelecimento prisional alegaram que os depoimentos de Kesha eram “insuficientes para provar que se qualificava como uma pessoa portadora de deficiência”, uma posição que foi corroborada pelo primeiro juiz federal a apreciar o caso.
O argumento de que a disforia de género terá “uma origem fisiológica”, por alegadamente advir de uma “interação atípica de hormonas sexuais com o cérebro em desenvolvimento”, como defendido por algumas organizações LGBTQ+, terá também sido desvalorizado por carecer de provas científicas.
Recentemente, organizações de mulheres como a Women’s Liberation Front têm defendido a “inconstitucionalidade” do acolhimento de mulheres transgénero em espaços femininos e denunciado um “ambiente inseguro” para as reclusas, citando alegados casos de violência física e sexual.
“Estes são criminosos masculinos a ser alojados em prisões femininas”, disse Lauren Adams, diretora da organização de libertação feminina, no âmbito de um processo judicial contra a autodeterminação de género nos estabelecimentos prisionais. “Fingir que são mulheres, quer em termos linguísticos ou na forma como falamos sobre eles, vai contra toda a base deste processo.”  
A utilização de pronomes masculinos nas declarações sobre mulheres transgénero gerou controvérsia e críticas por parte de associações de direitos de pessoas LGBTQ+. 
O processo movido por Kesha Williams começou como uma forma de protesto contra a violência a que estava sujeita na prisão de Virgínia, mas visa agora muito mais do que resultados individuais.
O objetivo da ação judicial, ainda a decorrer, não pretende isentá-la da pena. “Fiz o que fiz e vou para a prisão”, desvaloriza Kesha, que terá ajudado um namorado a traficar droga. A verdadeira luta, sublinha, é muito mais vasta. “[As prisões] têm de mudar todo o seu sistema. Têm de perceber que estamos num tempo diferente.”
Independentemente da decisão do tribunal, um dos objetivos de Kesha já foi atingido: a discussão global e incontornável dos direitos das mulheres e das pessoas transgénero.

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Erradicar a violência no futebol: Pedro Proença e José Luís Carneiro agendam novo encontro – Record

Erradicar a violência no futebol: Pedro Proença e José Luís Carneiro agendam novo encontro  Record
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Racismo no Brasil: tragédia pouca é bobagem – DW (Brasil)

Violência contra os yanomami, chacina na Vila Cruzeiro, morte por asfixia em abordagem policial. O racismo segue sendo o sistema de poder que organiza o Brasil, no qual a vida de não brancos tem pouco ou nenhum valor.
Minha ideia era dedicar a coluna deste mês à insistência do nosso país em silenciar tudo o que diga respeito aos indígenas – homens, mulheres e crianças que são descendentes dos povos originários desta terra que hoje se chama Brasil. A ideia era tratar de duas situações distintas, mas que comprovam como as violências contra as populações indígenas são múltiplas e se sobrepõem.
A primeira diz respeito à denúncia de um crime feita em 25 de abril: uma jovem yanomami de 12 anos teria sido estuprada até a morte por garimpeiros que invadiram ilegalmente a região de Waikás, em Roraima. Na realidade, o estupro seguido de morte não teria sido o único crime cometido pelos garimpeiros naquele dia, que também teriam lançado no rio uma criança de 3 anos.
Ainda que o grau de violência desses atos seja indivisível, ou justamente por causa disso, era de se esperar que a grande mídia parasse o quer que estivesse fazendo para não só denunciar, como exigir as medidas cabíveis dos órgãos responsáveis pela Justiça brasileira. Mas, o que tivemos, foram algumas matérias, de veículos mais progressistas, que denunciaram o ocorrido, sem que houvesse qualquer repercussão mais forte. Afinal, tratava-se apenas uma jovem yanomami supostamente estuprada até a morte e de uma criança da mesma etnia jogada num rio em Roraima… Se a situação tivesse acontecido em algum bairro da zona Sul do Rio de Janeiro ou da zona oeste de São Paulo com jovens e crianças brancos e de classe média, talvez a dor fosse maior.
Menos de um mês depois, no dia 17 de maio, a antropóloga Sandra Benites enviou uma carta de demissão ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) – um dos mais importantes museus brasileiros. Ela era curadora adjunta do museu e estava assinando sua primeira exposição autoral na instituição. E mais: Benites foi a primeira curadora indígena do país, o que fazia do projeto que estava organizando algo muito maior do que ela e o próprio Masp.
No entanto, as instâncias superiores do museu decidiram excluir um conjunto fotográfico que comporia a exposição. De acordo com o Masp, a solicitação das fotografias havia ocorrido fora do prazo estipulado – prazo este que nunca foi devidamente comunicado justamente à curadora da exposição. Poderia até se tratar de um problema de comunicação, não fosse o pequeno detalhe de que as fotografias excluídas eram sobre pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e fariam parte de um núcleo expositivo intitulado “Retomadas”.
O recado estava dado: exposição assinada por indígena até pode (inclusive pega bem), mas indígena trazendo integrantes do MST para o centro da mostra “Histórias Brasileiras”, aí já é demais!
Sandra Benites não se curvou aos limites que lhe impuseram e fez o que uma mulher indígena comprometida com uma agenda realmente transformadora poderia fazer: se desligou da instituição.
Mas, como eu disse, falar sobre os silenciamentos e assassinatos de indígenas brasileiros era a ideia original desta coluna. No meio do caminho, alguns policiais do Rio de Janeiro atacaram o memorial construído na favela do Jacarezinho em homenagem às pessoas mortas na mais letal chacina da história da cidade – um memorial que, vale dizer, também homenageava um dos policiais mortos. Uma ação covarde, sem nenhuma validação legal, e que nos lembra de como o controle da memória também é uma forma de exercício de poder. E que, muitas e muitas vezes, esse exercício se dá de forma violenta. 
Só que no Brasil, tragédia pouca é bobagem. Não basta destruir memoriais e tentar controlar o que se lembra e o que se busca esquecer. A violência não tem limites.
Nesta terça-feira (24/03), a polícia do Rio de Janeiro protagonizou mais uma chacina numa favela, agora na Vila Cruzeiro, deixando 23 mortos. Uma ação que vem sendo retratada pela grande mídia como uma operação planejada pelo estado do Rio de Janeiro, na qual algumas baixas já eram esperadas. A mesma mídia que, vale dizer, não deu à mínima para a denúncia do assassinato da jovem yanomami.
Na quarta-feira (25/05), exatamente dois anos depois que George Floyd foi assassinado por policiais nos EUA, Genivaldo de Jesus Santos foi morto por asfixia pela polícia rodoviária em Sergipe
Pode parecer que não, mas todos os casos aqui descritos fazem parte de um mesmo sistema de poder, que historicamente organiza o Brasil. E o nome dele é RACISMO. A vida de pessoas não brancas, a memória de pessoas não brancas, a autoria de pessoas não brancas continua tendo pouco ou nenhum valor. Enquanto não tomarmos o racismo pelo tamanho que ele tem, o antirracismo continuará podendo ser tomado como uma ação piedosa e arbitrária – sujeita aos modismos de época – de quem goza os privilégios gerados pelo próprio racismo.

Mestre e doutora em História Social pela USP, Ynaê Lopes dos Santos é professora de História das Américas na UFF. É autora dos livros Além da Senzala. Arranjos Escravos de Moradia no Rio de Janeiro (Hucitec 2010), História da África e do Brasil Afrodescendente (Pallas, 2017) e Juliano Moreira: médico negro na fundação da psiquiatria do Brasil (EDUFF, 2020), e também responsável pelo perfil do Instagram @nossos_passos_vem_de_longe.

O texto reflete a opinião da autora, não necessariamente a da DW.
Ynaê Lopes dos Santos defende que não há como entender o Brasil e as Américas sem analisar a estrutura racial que edifica essas localidades; e que a educação tem um papel fundamental na luta antirracista.

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Governadora diz que projeto que limita ICMS sobre combustíveis e energia elétrica prejudica o Piauí: 'discriminação' – G1

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Casos de racismo no futebol disparam em 2022; torcedores cearenses são as principais vítimas – Diário do Nordeste

Entrar no estádio de futebol e ser chamado de macaco, ter uma banana arremessada em sua direção, ouvir “Negro não!”. O racismo perdeu o pudor de se manifestar no esporte mais popular do mundo. Em 2022, já foram 35 denúncias até este sábado (28). O número já é metade do registrado em todo o ano de 2019, líder com 70 ocorrências. 
Os dados são Observatório da Discriminação Racial no Futebol, que começou o mapeamento quando foi criado, em 2014. Das 35 denúncias feitas até o momento, oito ocorreram em torneios continentais: Sul-Americana e Libertadores. Todos contra torcedores e/ou atletas de times brasileiros: Athletico-PR, Bragantino, Ceará, Corinthians, Fortaleza, Flamengo, Fluminense e Palmeiras.

“O aumento das práticas racista se dá, no meu ponto de vista, por dois motivos: a maior conscientização de jogadores e torcedores. O que antes era visto e tolerado no campo e no espaço do futebol, hoje não é mais. Há torcedores mais atentos para denunciar, jogadores que não silenciam mais. Esse processo faz com que o número de casos e as denúncias aumentem. Por outro lado, temos um momento do Brasil e do mundo onde a intolerância está cada vez maior. Muitas vezes autorizados por discursos de autoridades. Há um aumento da intolerância dentro e fora do futebol”, avaliou Marcelo de Carvalho, coordenador do Observatório.

Na última quarta-feira (25), torcedores do Ceará foram vítimas de atos racistas no Estádio de Avellaneda, em Buenos Aires. A equipe cearense enfrentou o Independiente, em duelo da Sul-Americana. Parte da torcida do Rei de Copas imitou um macaco e xingou alvinegros. Além disso, também arremessaram pedras e outros objetos. O torcedor Rodrigo Castro presenciou o momento.
“Desde antes da gente viajar, a hostilidade da torcida deles foi grande. Nas fotos que o Ceará postava, sempre mandavam mensagens de cunho racista e violento. Dizendo que iam pegar a gente lá… Durante o jogo inteiro: mulher, criança, adulto… O cara que viralizou no vídeo, foi o que pegaram para Cristo. Não foi só ele. Foi muita gente da torcida. Eles viravam para trás e imitavam comendo banana, imitando macaco, chamando a gente de macaco. Isso foi o jogo inteiro. O Ceará fez 1 gol, aí incitou. E quando fez o 2 gol, aí deslanchou mesmo. Jogaram pedra de gelo, sapato, mas graças a Deus não aconteceu nada. Me senti desrespeitado. Não só eu, mas todos que presenciaram”, lembrou.

Imagem de torcedor do River Plate segurando uma banana em ato racista
Legenda: Torcedor do River mostra uma banana e provoca a torcida do Fortaleza em ato racista
Foto: reprodução / Twitter

Outra situação semelhante foi registrada no dia 13 de abril, quando o Fortaleza enfrentou o River Plate, no Monumental. O jogo da Libertadores ficou marcado também por ato racista. Um torcedor do time argentino chegou a jogar banana na direção dos tricolores. O momento ganhou repercussão internacional. Tinga, zagueiro do Leão, chegou a comentar sobre a situação em entrevista coletiva. O atleta cobrou punições mais duras.
“E a gente não pode fazer nada. Se fizer, a gente é punido. E punido severamente por uma coisa que outra pessoa fez pior. Temos que mudar isso. Queremos que sejam mais justas as coisas. Uma justiça seja feita não só aqui, mas no mundo todo. Esperamos que isso não volte  a acontecer. Vi que os torcedores foram punidos em cada time lá, que não podem mais frequentar estádio. Mas acho que tem que ser pior, tem que aumentar a multa, prisão. Tem que ser uma coisa pra ninguém mais fazer, entendeu?”, desabafou o atleta.
No jogo da volta, os tricolores prepararam dois mosaicos permanentes como forma de resposta às ações sofridas na Argentina. Os dizeres traziam: “Stop Racism” (para o racismo, em inglês) e “Juntos na Luta”. Quase 50 mil pessoas acompanharam o duelo na Arena Castelão.
“As pessoas e os atletas estão denunciando mais. Antes, um atleta entendia que era parte do futebol ele sofrer racismo. Hoje, um jogador de futebol já não aceita mais, já não tolera… Denuncia! Por mais que muitas vezes a palavra dele seja colocada em dúvida”, disse Marcelo Carvalho, do Observatório.

No duelo cotra o La Guaira, pela Sul-Americana, ainda no dia 3 de maio, a arquibancada alvinegra tratou do tema com uma faixa no Castelão. O pedido era o mesmo: “Por um mundo melhor, sem racismo, sem preconceito.”

Imagem mostra torcida de futebol
Legenda: No Castelão, torcida do Ceará expõe faixa contra o racismo.
Foto: Kid Júnior/SVM

Rivais dentro de campo, Ceará e Fortaleza se solidarizaram um com o outro, além de outras equipes, e repudiaram as ações criminosas. 

As práticas discriminatórias se repetiram com Athletico-PR, Bragantino, Corinthians, Flamengo, Fluminense e Palmeiras. Nem o fato de serem flagrados por câmeras inibiu os atos racistas. 
“As pessoas racistas, preconceituosas, estão se sentindo autorizadas a cometer esses atos. Também estão vendo que falta punição. Então, tu consegue enxergar que a pessoa que fez o ato antes de ti não foi punida, então possivelmente você não será punido. E aí dessa forma você acaba cometendo esses atos racistas também”, analisou Marcelo, coordenador do Observatório.
Ainda em abril, após grande repercussão do caso envolvendo tricolores e outros registros, a Conmebol prometeu medidas mais duras contra o racismo nos jogos. A CBF também chegou a se manifestar. O presidente Ednaldo Rodrigues disse estar indignado e preocupado com a situação. 

Sobre o último caso, no jogo Independiente x Ceará, a entidade sul-americana informou que vai abrir procedimento e investigar a situação. A Unidade Disciplinar da entidade será a responsável pelo tema, mas ainda não tem prazo para anunciar a decisão.
O Vovô entrou com representação contra o Rei de Copas. O Ministério Público do Ceará, por meio do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudtor), enviou ofício a Alejandro Domínguez, presidente da entidade, solicitando informações sobre as medidas a respeito das ocorrências.
A Conmebol tem recebido críticas quando se trata de coibir e punir os casos de racismo em jogos na América do Sul. Para Marcelo de Carvalho, a entidade é peça chave na mudança de comportamento nos espaços futebolísticos. 
“É importante porque nem todos os países discutem o racismo como o Brasil. Alguns países ainda entendem isso como parte do folclore e acreditam que o futebol pode ter essas discriminações, essas ofensas, porque fazem parte do futebol. O papel do futebol, nesse momento, é equalizar o debate. É colocar todo mundo no mesmo lugar, dizendo que racismo é crime. Afinal de contas, racismo é crime em todos os lugares. A FIFA tem no código, em todos os lugares o racismo é crime. Não pode, nas competições sul-americanas, ser entendido como parte do folclore. Então, é crucial o papel da Conmebol não só em punir, mas pensar em outros processos de punição e, principalmente, campanhas de ação e conscientização”, concluiu o professor.

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Alvinegro tem 6 pontos, enquanto Tricolor soma apenas 2 pontinhos na 1ª Divisão
O domingo (29) de futebol será de bola rolando na Série A, B, C e D do Campeonato Brasileiro
O defensor sentiu um desconforto na panturrilha contra o Juventude, foi substituído e virou dúvida para o Clássico-Rei de quarta-feira
A partida acontece na Arena Castelão, às 20h30 (horário de Brasília)
Com o resultado, o Verdão do Cariri é o vice-líder do Grupo 3, na zona de classificação para a 2ª Fase
Duelo no Castelão é válido pela 8ª rodada da Série A
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