Exigir 'boa aparência' para vaga pode ser racista? Veja no Preto no Branco – UOL Notícias

Colaboração para o UOL
27/05/2022 04h00
“Quanto mais traços afrodescendentes a pessoa tem, mais ela é associada ao padrão do que seria o não-belo”. A análise é de Liliana Rocha, fundadora e CEO da Gestão Kairós, empresa de consultoria em diversidade. Ela participou do episódio de estreia do programa “Preto no Branco”, da Band News, nesta quinta-feira (26), e falou sobre como o conceito de “boa aparência” descrito como pré-requisito para determinadas vagas de emprego pode ser racista.
“Uma pessoa negra quando tenta ingressar no mercado de trabalho, por mais bem vestida que esteja e por mais intelectual que ela seja, por vezes vai ser considerada como alguém que não tem boa aparência”, apontou Liliana. Segundo ela, uma das formas em que o racismo se manifesta é com a exigência das empresas em relação ao cabelo liso ou cortado, por exemplo.

O programa “Preto no Branco” é uma série semanal liderada pela produtora e atriz Maria Gal. Outros cinco episódios, sobre racismo e finanças, intolerância religiosa, racismo no esporte, racismo e música e como ser antirracista, irão ao ar nas próximas semanas.
No programa de estreia, Maria Gal também dividiu suas experiências pessoais como atriz negra. “Uma vez, eu fiz um teste para um filme e a equipe optou pela atriz da pele branca porque, segundo o diretor, o tom da pele dela era mais comercial que o meu”, disse.
Maria Gal tem mais de duas décadas de carreira. Atuou em novelas infantis como Carrossel e Poliana a Moça, além dos filmes Dona Flor e Seus Dois Maridos e As Aventuras de Poliana. Também já foi palestrante no TedxSP, no Women Will, do Google, e colunista na Vogue Brasil. Há dois anos, ela fundou uma produtora para debater temas relacionados às mulheres negras.
De acordo com o estudo “Diversidade, Representatividade & Percepção – Censo Multissetorial” da Gestão Kairós de 2021, 32% do quadro funcional das empresas é composto por mulheres, e 68% por homens; 33% do quadro funcional é composto por negros e 64% por brancos e 0,9% são indígenas. As mulheres e negras são apenas 8%.
No recorte de identidade de gênero e orientação sexual, a pesquisa mostrou que 94% são heterossexuais e 99,6% são cisgênero. Somente 6% são lésbicas, gays e bissexuais; e só 0,4% são transgêneros; pessoas com deficiência representam 2,7%.
Sobre esses dados, Liliana Rocha deixou um questionamento: “Onde está a representatividade da demografia da sociedade brasileira nas grandes empresas, seja no quadro funcional ou na liderança”?
Liliana e Maria Gal também debateram como a baixa representação no mercado de trabalho impacta na autoestima das poucas pessoas pretas que ingressam em espaços corporativos pouco representativos. Além disso, criticaram iniciativas que praticam o que ficou conhecido como diversity washing (diversidade de fachada), quando empresas se apropriam de atributos da diversidade em sua comunicação, sem implementá-las na prática.
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