Varíola do macaco: entenda por que ONU teme por racismo e homofobia – Catraca Livre

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Braço da ONU, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) fez uma denúncia no último domingo, 22 de maio, após uma onda de comentários sobre varíola do macaco com conotações homofóbicas e racistas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma parcela significativa dos cem casos de varíola do macaco são de homens que se relacionam com outros homens: homossexuais e bissexuais. Porém, o UNAIDS reforçou a mensagem de que a doença pode ser transmitida por contato com qualquer pessoa que esteja infectada e assim “pode afetar todos”.
“Esses estigmas e censuras minam a confiança e a capacidade de responder efetivamente uma epidemia como essa”, disse Matthew Kavanagh, vice-diretor do UNAIDS.
A agência da ONU, que tem grande conhecimento e experiência com a AIDS, afirma que esse tipo de retórica pode arruinar os esforços com base em ciência e fatos para combater a doença.
De acordo com o órgão, os ataques racistas ou homofóbicos “criam um ciclo de medo que leva as pessoas a evitar as unidades de saúde, o que limita o alcance dos esforços para identificar casos de infeção”.
A significant portion of the recently reported #Monkeypox cases has been identified among the LGBTI community.@UNAIDS expressed concern on Sunday about some public media reporting and commentary reinforcing homophobic and racist stereotypes.
https://t.co/b4r2wACMTs
— UN News (@UN_News_Centre) May 22, 2022

A varíola do macaco é uma infecção viral rara, parente da varíola que foi erradicada em 1980.
De acordo com o sistema público de saúde do Reino Unido (NHS), a doença geralmente dura de duas a quatro semanas e a pessoa se recupera. Os sintomas podem aparecer de cinco a 21 dias após a infecção.
Geralmente, começa com sintomas semelhantes aos da gripe, como dores musculares, de cabeça e calafrios, além de inchaço dos gânglios linfáticos. Depois, a doença progride para uma erupção cutânea que se espalha para o rosto e o corpo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), casos graves ocorrem mais comumente entre crianças e estão relacionados à extensão da exposição ao vírus, estado de saúde do paciente e natureza das complicações.
As complicações da varíola do macaco podem incluir infecções secundárias, broncopneumonia, sepse, encefalite e infecção da córnea com consequente perda de visão.
Para esta varíola endêmica da África Ocidental, não existe tratamento. Seus sintomas duram entre 14 e 21 dias, deacordo com a OMS, e curam por conta própria.
Vários países ocidentais, incluindo França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Suécia ou Espanha, registaram casos desta doença.
A transmissão acontece quando alguém está em contato próximo com as lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias de  alguém infectado.
Também pode ocorrer a partir da mordida ou arranhão de um animal infectado, ingestão de carne de caça, ou contato direto com roupas de cama ou roupas de pessoas contaminadas.
O vírus da varíola do macaco foi descoberto pela primeira vez em 1958, quando dois surtos de uma doença semelhante à varíola ocorreram em macacos de laboratório mantidos para pesquisa, daí o nome.
Mas os macacos podem não ser os culpados pelos surtos, e o reservatório natural da varíola dos macacos permanece desconhecido, embora a OMS diga que os roedores são os mais prováveis.

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