Mulheres negras e asiáticas sofrem racismo sistêmico em maternidades do Reino Unido, aponta relatório – Crescer

Uma experiência que deveria trazer apenas boas memórias para as mães tem sido, na realidade, um motivo de tristeza para mulheres negras e asiáticas, no Reino Unido. Um relatório preparado pela ONG Birthrights, depois de um ano de entrevistas e investigações, mostrou que várias pacientes sofrem preconceito e racismo sistêmico ao serem atendidas em maternidades britânicas.
+ “A maternidade é um fator que agrava ainda mais o racismo estrutural”, diz Luana Génot
Mulheres negras, asiáticas ou de etnias mistas sofrem racismo em maternidas britânicas, mostra relatório (Foto: Foto de ermias Tarekegn no Pexels)
Para chegar ao documento final, que será enviado às autoridades, a equipe da Birthrights ouviu pacientes, familiares e profissionais de saúde. A conclusão foi de que mulheres negras, asiáticas ou de etnia mista passam por situações de violência, desumanização, são negligenciadas, ignoradas, desacreditadas, sofrem coerção e, muitas vezes, não têm direito de escolha ou de consentimento.
Trabalhadores da área da saúde que foram entrevistados pela equipe da ONG disseram já ter ouvido de colegas, por exemplo, que a pele de bebês negro era “mais grossa e mais dura”. Outros relataram já ter escutado que as alas de enfermaria que estavam ocupadas por mulheres asiáticas “cheiravam a curry”. Mulheres chinesas foram chamadas de “sujas”.
Ao todo, o painel de inquérito ouviu mais de 300 pessoas que presenciaram ou viveram experiências envolvendo injustiça racial nas maternidades. Uma mulher ouvida pela equipe da ONG relatou que, como seu bebê era negro, os médicos e enfermeiros que o examinaram não perceberam que ele tinha icterícia. “No hospital, o médico admitiu que o resultado do exame estava alto, mas insistiu que, pela aparência dele, não havia nada que sugerisse que ele estava com icterícia grave, apenas um ‘leve’ amarelado nos olhos”, disse uma mulher. “Eles fizeram outro teste e enviaram seu sangue. O resultado foi ainda mais alterado que o anterior. Meu bebê foi imediatamente hospitalizado por várias semanas. A equipe branca não reconheceu icterícia em um bebê negro”, explicou.
Outro depoimento que consta no relatório Birthrights descreve uma experiência de parto ‘horrível’, na qual a parteira repetidamente minimizou as preocupações da mãe e não reconheceu os sintomas de sepse, que, no caso dela, eram palidez e perda de cor na pele, devido ao fato de ela ser uma mulher negra. “Eu tremia tanto e por tanto tempo, que pensei que fosse morrer. Quando meu marido pediu cobertores, a enfermeira disse que era uma reação natural e que iria passar. Eventualmente, meu marido vasculhou todo o quarto e encontrou alguns cobertores para me cobrir”, contou a mãe. Apesar de ter reclamado várias vezes de dor intensa, mesmo depois de ter tomado uma epidural, foi só quando uma médica do sul da Ásia fazia as rondas noturnas que, finalmente, ela percebeu que a pele da paciente estava pálida e agiu rapidamente. A mãe acrescentou: “Ela deu uma olhada em mim e perguntou se eu me sentia bem. Eu respondi: ‘Não muito, sinto como se estivesse gripada’. Então, ela perguntou à enfermeira se ela estava verificando minha temperatura e ela respondeu ‘sim’. A médica ainda estava preocupada, ela disse que eu estava pálida (acho que ela notou isso porque ela era do sul da Ásia) e pediu à enfermeira para verificar minha temperatura novamente. Havia disparado!”, relatou.
Depois de tomar antibióticos, a mulher deu à luz uma menina. “Mais tarde, eu soube que a suspeita era de septicemia e que o problema tinha sido resolvido bem a tempo com antibióticos. Acredito que aquela médica salvou minha vida e a vida do meu bebê. Acho que se eu fosse uma mulher branca, meu pedido constante para verificar minha epidural teria sido validado. Eu senti que a enfermeira achava ou que eu era forte o suficiente ou que estava exagerando”, completou a mulher.
Por outro lado, o relatório também mostra a diferença no tratamento a mulheres brancas, que tem mais atenção nos atendimentos, contam com mais tempo para fazer perguntas e até recebem visitas fora de hora.
A coordenadora do relatório, Shaheen Rahman, disse que a investigação foi estimulada pelo fato de que as mulheres negras no Reino Unido são quatro vezes mais propensas a morrer na gravidez e no parto e as mulheres asiáticas e mestiças, duas vezes mais. “Não há nada ‘errado’ com corpos negros ou pardos que possam explicar as disparidades nas taxas de mortalidade materna, resultados e experiências”, analisou. “O que é necessário agora é um foco determinado em cuidados individualizados e que respeitem os direitos de todas”, explicou.
Melissa Brown, parteira e porta-voz da Birthrights, disse à BBC que os serviços de maternidade enfrentam grandes desafios. “É claro que sabemos que existem exemplos positivos de assistência à maternidade, mas há racismo e discriminação racial em nível estrutural e individual e isso está prejudicando as mulheres negras e pardas”, afirmou. “Existem muitas razões complexas para que as minorias étnicas tenham resultados de saúde mais pobres – e o racismo e a discriminação estão definitivamente desempenhando um papel importante nisso”, finalizou.
O relatório da Birthrights foi enviado aos parlamentares e os responsáveis pela realização exigem ação urgente, incluindo treinamento em diversidade para os profissionais de saúde.
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Globalização em risco? Receios geopolíticos e disrupção dos negócios levam empresas a reduzir presença nos mercados internacionais – SAPO

Executive Digest – notícias actualizadas ao minuto. Economia, política, sociedade, finanças e empresas
Questões e Reflexões BANI
120 dias depois…
Para onde queremos ir?
A pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, a inflação e as fracas previsões para o crescimento económico mundial têm posto em evidência algumas vulnerabilidades de uma economia globalizada baseada na interdependência. Depois de 30 anos, a globalização poderá dar lugar a novos arranjos da estrutura internacional.
A conjugação de todos esses fatores pode ser a gota de água que faz com que as empresas se afastem de estratégias offshore e procurem, cada vez mais, “regressar à base”. Citado pelo ‘Financial Times’, Durão Barroso, presidente da Goldman Sachs International, aponta que a globalização atualmente está sob ameaça “do nacionalismo, do protecionismo, do nativismo, do chauvinismo, se quisermos, ou até por vezes da xenofobia”. O antigo Presidente da Comissão Europeia confessa que não sabe quem sairia vencedor dessa luta: se a globalização, se as forças que a procuram erodir e destruir.
Durão Barroso salienta que o onshoring, a renacionalização e a regionalização são as tendências que mais se têm observado no meio empresarial.
Aponta do jornal britânico que dados do portal Sentieo revelam que desde 2005 não havia registo de tantas menções de “nearshoring”, “onshoring” e “reshoring”, fenómeno que se tem vindo a intensificar nas últimas semanas, impulsionado pela guerra na Ucrânia.
No âmbito da XXII Conferência da Executive Digest, no dia 10 de maio, o Diretor-Geral da farmacêutica JABA Recordati, Nelson Pires, afirmou, sem rodeios, que “a globalização, do meu ponto de vista, morreu”.
O responsável apontava para a “blocalização”, uma forma de regionalização, seria o caminho do futuro da economia global, no qual seriam criados blocos económicos, ou reforçados os já existentes, unidos por interesses mútuos, valores partilhados e moedas comuns, reduzindo os riscos de conflitos e disrupções de grande escala.
Trinta anos passaram desde o final da Guerra Fria e da persistência do liberalismo, que lançou uma rede cada vez mais ampla de interdependência económica em torno do mundo. A geopolítica está hoje, mais do que em qualquer outra altura dos últimos anos, ao leme dos destinos económicos, e as empresas querem salvaguardar os seus negócios, reduzindo a exposição a um teatro internacional mais amplo e procurando estabilidade e “refúgio” em mercados-chave e menos dependentes de fatores externos que coloquem em risco a sua saúde financeira.

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Autarcas do Tâmega e Sousa reivindicam reforço de apoios do próximo ciclo de fundos comunitários – A Verdade

Informação diária da região do Tâmega e Sousa
A Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CIM do Tâmega e Sousa) reuniu esta segunda-feira, dia 23 de maio, com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). Os autarcas da região voltaram a reivindicar um reforço de apoios do próximo ciclo de fundos comunitários.
Da ordem de trabalhos da reunião constou o ponto da situação da execução do Norte 2020 e da preparação do próximo ciclo de fundos comunitários 2021-2027 para a região Norte (Norte 2030), “dois pontos com implicações diretas na atualidade e no futuro da região do Tâmega e Sousa”, afirma um comunicado da CIM do Tâmega e Sousa.
Os autarcas do Tâmega e Sousa voltaram a reivindicar ao presidente da CCDR-N “uma discriminação positiva na atribuição de fundos do próximo quadro comunitário, por considerarem que só desta forma será possível resolver os problemas estruturais desta região e alcançar a desejada coesão social”. O responsável pela CCDR-N manifestou o “empenho em trabalhar com a CIM do Tâmega e Sousa no sentido de criar mais oportunidades para este território”.
Na última reunião entre as duas instituições, realizada em novembro de 2021, a CCDR-N reconheceu o Tâmega e Sousa como uma “região-problema”, ao apresentar os piores indicadores do país, um cenário que se estende ao atual ciclo de financiamento comunitário (Norte 2020), no qual a região do Tâmega e Sousa tem também dos piores indicadores da região Norte.
Nesta reunião foram ainda partilhadas informações sobre os diversos instrumentos de ordenamento e gestão territorial em revisão e relevantes para a região Norte e as suas sub-regiões, designadamente o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte (PROT Norte), os Planos Diretores Municipais (PDM) de 3.ª geração e o Programa Regional de Ação de Gestão Integrada de Fogos Rurais do Norte.
O encontro faz parte de um conjunto de reuniões de trabalho que a presidência da CCDR-N agendou para fazer um ponto da situação e auscultar os concelhos das oito entidades intermunicipais do Norte relativamente ao próximo ciclo de fundos comunitários para a região Norte (Norte 2030), que se encontra numa fase negocial entre o Governo e a Comissão Europeia.
A reunião decorreu na sede da CIM do Tâmega e Sousa, em Penafiel, e contou com a presença dos 11 presidentes de câmara que integram a CIM do Tâmega e Sousa, o presidente da CCDR-N, António Cunha, e vice-presidente, Beraldino Pinto, e ainda os respetivos vogais executivos, Humberto Cerqueira e Júlio Pereira.
Rua Amália Rodrigues, 75 – Sala 8
4630-420 Marco de Canaveses
jornal@averdade.com
+351 919 790 312
+351 255 534 597
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ADN desvincula-se do PDE/EDP devido a posições polémicas – SOL

O Partido Democrático Europeu (PDE/EDP), família política da qual faz parte o Alternativa Democrática Nacional (ADN, antigo Partido Democrático Republicano), não contará mais com a presença do ADN. Em questão, diz o líder do ADN ao i, estão as posições polémicas tomadas “principalmente sobre as denúncias que tenho feito acerca dos lóbis LGBT”.
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O Partido Democrático Europeu (PDE/EDP), família política da qual faz parte o Alternativa Democrática Nacional (ADN, antigo Partido Democrático Republicano), não contará mais com a presença do ADN. Em questão, diz o líder do ADN ao i, estão as posições polémicas tomadas “principalmente sobre as denúncias que tenho feito acerca dos lóbis LGBT”.
“No passado dia 19 de maio, a Direção do Partido Democrático Europeu (PDE/EDP) contactou telefonicamente o partido ADN, informando que alguns dos partidos europeus que o integram tinham requerido a expulsão do partido português devido às reiteradas declarações públicas do seu presidente, Bruno Fialho, contra o lóbi LGBT e, também, porque nas últimas eleições legislativas opusemo-nos à narrativa única imposta pelos governos português, da União Europeia e até da OMS, relativamente às medidas restritivas dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e da vacinação contra a covid-19”, pode-se ler em nota informativa do partido, a que o i teve acesso.
“No dia seguinte foi solicitado, por escrito, esclarecimentos à Direcção do  PDE/EDP, tendo o presidente do ADN, Bruno Fialho, recebido um telefonema, nesse mesmo dia, de um dos membros da direção do partido europeu, o qual confirmou que, efectivamente, não desejavam continuar a ter naquela organização quem tivesse posições públicas contra o lóbi LGBT e à narrativa única da Covid-19”, continua a explicar em comunicado. Resultado? “Tendo em consideração a posição da direção do PDE/EDP, a Comissão Política do ADN reuniu e deliberou apresentar um pedido de desvinculação ao partido europeu, o que aconteceu hoje, dia 23, pois não aceitamos que uma organização política europeia tente impor quais as palavras ou que posições políticas podem ser publicamente apresentadas ou defendidas pelo partido ADN em Portugal”, revela o ADN.
O i contactou o PDE/EDP sobre a polémica, mas não obteve qualquer resposta até à hora de fecho desta edição.
O anúncio não surge, no entanto, sem uma ressalva do partido: “Para que não subsistam quaisquer dúvidas sobre o posicionamento do partido ADN em relação às pessoas LGBT, esclarecemos que as defendemos e somos contra qualquer tipo de discriminação que exista contra as mesmas.”
“É sempre difícil quando não fazemos parte do politicamente correcto ou quando defendemos uma verdade que poucos querem admitir. Por isso, acredito que o PDE/EDP tenha sofrido enormes pressões por parte do lóbi LGBT europeu para nos tentar silenciar, algo que não me surpreende pois é o seu modus operandis”, reagiu Bruno Fialho, que continuou: “O ADN defende integralmente[…] que ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. Acontece que, hoje em dia, o lóbi LGBT, o qual diferencio de todas as pessoas que têm determinadas opções sexuais ou de outro cariz e que apenas querem viver o seu dia-a-dia normalmente em sociedade, já conseguiu que os seus militantes sejam das pessoas que têm mais direitos assegurados e acesso ao maior número de benefícios e privilégios possíveis, muitas vezes com prejuízo para pessoas que verdadeiramente necessitam de apoios”.

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Conmebol multa Boca Juniors por episódio de racismo contra o Corinthians – Superesportes

Conmebol multa Boca Juniors por episódio de racismo contra o Corinthians  Superesportes
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PL que prevê pensão para mãe de Moïse Kabagambe tramita na Câmara – Terra

PL que prevê pensão para mãe de Moïse Kabagambe tramita na Câmara  Terra
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Paola Carosella é atacada nas redes após chamar bolsonaristas de 'burros' – Notícias da TV

Paola Carosella é atacada nas redes após chamar bolsonaristas de ‘burros’  Notícias da TV
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Jornalista denuncia crime de racismo dentro de loja na Bahia: 'doente com a vergonha que senti' – G1

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Micheli Machado: "Cresci com a autoestima zerada e só depois percebi como o racismo nos afeta" – QUEM Acontece

Micheli Machado iniciou a carreira na pré-adolescência e se destacou com papel em Quanto mais vida, melhor! (Foto: Jaime Leme)
Micheli Machado, no ar como Jandira, na novela Quanto mais vida, melhor!, está em cartaz com filme Quatro amigas numa fria, lançado na quinta-feira (19). A atriz e comediante, de 41 anos de idade, interpreta uma das quatro protagonistas do longa-metragem, contracenando com Fernanda Paes Leme, Priscila Assum e Maria Flor.
No meio artístico desde pré-adolescente — entre 1994 e 1999, ela integrou o time de angelicats, como eram chamadas as assistentes de palco da apresentadora Angélica –, Micheli guarda boas recordações do período. “Foi incrível trabalhar com a Angélica, foi uma época muito linda da minha vida, que eu guardo em um lugar muito especial do meu coração. Era muito nova quando entrei, tinha 12 para 13 anos. Fiz toda essa transição de criança para adolescente e adolescente para adulta, já que eu saí de lá com 18 e, depois, ainda voltei a trabalhar com ela com 22, no Vídeo Show.”
Mirella Tronkos, Geovanna Tominaga, Micheli Machado e Juliana Silveira nos tempos de angelicats (Foto: Reprodução)
Casada com o ator e humorista Robson Nunes, com quem tem uma filha, Morena, de 11 anos, Micheli afirma que o marido sempre deu apoio em suas novas frentes profissionais. “Ele sempre me incentivou a apostar no humor, quando comecei a produzir piadas para outros humoristas, o Robson me falou que eu tinha talento para o stand-up e me apoiou muito”, afirma.
A atriz diz torcer para que a filha viva em uma sociedade menos racista. “A Morena é uma criança empoderada, ela chega na escola e fala sobre a história preta, quando tem a semana da cientista”, conta. “Cresci ouvindo que eu era horrorosa, preta, pobre e, por isso, nunca ia conseguir nada. Claro que isso afetou diretamente a minha autoestima, cresci com a autoestima zerada”, completa.
Quem: Quanto mais vida, melhor! está chegando à reta final. Que balanço faz deste trabalho?
Micheli Machado:
Lembro que vibrei quando recebi o convite para fazer o teste de Jandira e me sinto feliz e realizada por essa conquista, principalmente por dar vida a uma personagem tão solar e cativante, que não reproduz estereótipos e com uma história bacana para contar.
Você está no meio artístico desde a adolescência e esta é sua primeira novela. Atuar em novelas era um sonho?
Sempre quis ser atriz e poder ter a experiência de vivenciar tudo que a arte pode me proporcionar, incluindo estar numa novela. meu contato com as câmeras vem desde a infância, durante a minha carreira, já tive a oportunidade de atuar em diversos projetos humorísticos, longas-metragens, como o Zoando na TV, de José Alvarenga Júnior, e Falsa Loura, de Carlos Reichenbach, e inclusive, protagonizei o longa que acaba de estrear nos cinemas, Quatro Amigas numa Fria, do Roberto Santucci, junto com a Maria Flor, Fernanda Paes Leme e Priscila Assum. Então, me sinto extremamente realizada com essa conquista.
Fernanda Paes Leme, Maria Flor, Priscila Assum e Micheli Machado (Foto: Reprodução/Instagram)
Como tem percebido a reação do público com a novela?
Estou amando acompanhar as reações do público, recebo muito carinho e elogios nas minhas redes sociais. Foi muito prazeroso poder dar vida a uma personagem como a Jandira, em um dos principais núcleos do folhetim, ter essa admiração dos telespectadores me deixa muito orgulhosa e satisfeita com meu trabalho.  Só tenho a agradecer.
O meio artístico é marcado por instabilidades. Já pensou em um plano B?
Concordo que o meio artístico sofre pela instabilidade, mas não me vejo fazendo outra coisa que não envolva arte. Amo o que faço, espero poder viver da arte sempre, seja no humor, atuando ou apresentando. Mas, claro, nossa classe artística está sempre se movimentando, buscando maneiras de conseguir seguir firme na profissão, até aqui não precisei de um plano B, mas estou sempre atrás, correndo e fazendo mais que atuar, faço roteiro, humor…
Você começou como angelicat na adolescência. Quais as recordações da época? Ainda tem contato com as outras angelicats?
Lembro com muito carinho de todos os momentos dessa época, são as melhores recordações. Era muita correria por causa dos shows e das gravações, inclusive tinha o desafio de conciliar os estudos, e, para não repetir por falta, estudava em dois períodos. Era um desafio que valia a pena e eu conseguia manter boas notas. Como comecei muito nova, tive a oportunidade de aprender muito sendo assistente da Angélica e isso me ajudou a perceber o quanto eu gostava de lidar com as câmeras. Guardo grandes recordações, fiz grandes amigas ali, Geovanna [Tominaga] e Juliana [Silveira] são minhas amigas até hoje, Geovanna foi minha madrinha de casamento, Juliana foi ao meu casamento, fazem parte da minha vida, a gente se encontra e dá risada, são pessoas que eu amo e que levo até hoje comigo. Encontro a Angélica, de vez em quando, nas festas. Temos amigas em comum e eu a adoro. É uma pessoa que eu tenho um grande carinho e um grande respeito até hoje.
Mariana Nogueira, Marcella Bordallo, Geovanna Tominanga, Angélica, Micheli Machado e Juliana Silveira (Foto: Reprodução/Instagram)
Na época, como era a relação com a Angélica? E como era controlar as crianças nos programas de auditório?
Foi incrível trabalhar com a Angélica, foi uma época muito linda da minha vida, que eu guardo em um lugar muito especial do meu coração. Era muito nova quando entrei, tinha 12 para 13 anos. Fiz toda essa transição de criança para adolescente e adolescente para adulta, já que eu saí de lá com 18 e, depois, ainda voltei a trabalhar com ela com 22, no Vídeo Show. Controlar as crianças nos programas era um verdadeiro desafio, mas eu adorava (risos). Eu tinha apenas 12 anos quando comecei como angelicat, também era uma criança, me divertia enquanto fazia o meu trabalho.
Você trilhou um caminho no humor. Como descobriu sua veia cômica?
Aos 10 anos, antes de ser angelicat, integrei o elenco de A Praça É Nossa. Foi o meu primeiro contato com o humor e, de cara, gostei. Foi quando descobri que queria me tornar atriz. Anos depois, me casei com o Robson Nunes e me tornei dona do comedy club Beverly Hills, na zona sul de São Paulo. Comecei a escrever piadas para outros humoristas e percebi que levava jeito para a coisa e amava produzir as piadas. Um dia, Robson me perguntou: ‘Quando você vai contar as piadas que escreve em vez de dá-las aos outros?’. Foi aí que entendi que podia, sim, fazer parte desse universo e mais que isso… E deu tão certo que fundei um show de humor só com mulheres, ocupando um espaço até então masculino.
Micheli Machado e Robson Nunes (Foto: Thyago Andrade/Brazil News)
O Robson, então, te incentivou para que apostasse no humor?
Ele sempre me incentivou a apostar no humor, quando comecei a produzir piadas para outros humoristas, o Robson me falou que eu tinha talento para o stand-up e me apoiou muito. Isso me deu coragem para fundar um show de humor só com mulheres, junto com a Carol Zoccoli, que também é humorista.
Por muito tempo, as mulheres negras eram objetificadas no humor. Como enxerga as mudanças na área?
Enxergo essa mudança como algo necessário. Como o humor era um espaço composto majoritariamente por homens, as mulheres já sofriam preconceitos por causa do machismo, sendo pior para as mulheres pretas, que sempre eram objetificadas e estereotipadas nas piadas. É muito satisfatório poder ver essa evolução, pois abre espaço para conhecer diversas mulheres incríveis e talentosas, que mandam muito bem como comediantes. Espero que esse espaço seja cada vez maior, para que mais mulheres pretas sejam descobertas e valorizadas pelo seu talento. E fico feliz de poder contribuir para que este espaço cresça cada vez mais.
Acredita que a sua filha, Morena, vai crescer em uma sociedade menos preconceituosa ou ainda acredita que ainda há muito a evoluir?
Sim, acredito que Morena vai crescer em uma sociedade bem menos preconceituosa, mas isso comparando com a época em que eu e Robson crescemos. Isso não significa que o preconceito tenha acabado, acredito que ainda há muito a evoluir, mas sinto que estamos caminhando para uma sociedade mais justa e com menos preconceito. E é lindo de ver que Morena já tem esses pilares fortes, ela já se considera feminista, já entende seus direitos e como se fortalecer para enfrentar preconceitos, fico muito orgulhosa.
Micheli Machado e Robson Nunes com a filha, Morena (Foto: Reprodução/Instagram)
Como você e o Robson a educam para crescer empoderada?
Acredito que parte desse caminho, para uma sociedade mais justa e com menos preconceito, se dá à nova geração. Por isso, sempre conversamos muito com a Morena sobre representatividade, incentivamos a seguir os seus sonhos, amar seu cabelo e sua cor de pele, independente do que os outros vão dizer ou achar. Mesmo com a pouca idade, ela já tem consciência que é muito amada e respeitada por seus pais, que seu cabelo é lindo e que ela pode ser o que ela quiser. Acho muito importante construirmos a autoestima dos nossos filhos, para que eles cresçam empoderados e não se deixem levar pelos preconceitos mais que ultrapassados da nossa sociedade. Hoje a Morena é uma criança empoderada, ela chega na escola e fala sobre a história preta, quando tem a semana da cientista, ela busca por referências de mulheres pretas, por exemplo, e isso me dá muito orgulho!
Como foi a sua educação neste sentido? Como lidava com episódios de preconceito na infância?
Como no Brasil sempre existiu um racismo velado, é inevitável que uma criança negra cresça sem passar por isso, mesmo que não perceba. Cresci ouvindo que eu era horrorosa, preta, pobre e por isso, nunca ia conseguir nada. Claro que isso afetou diretamente a minha autoestima, cresci com a autoestima zerada e só depois consegui perceber como o racismo nos afeta desde pequenos. Foi um processo para me aceitar, me empoderar e saber que poderia ser muito mais do que as pessoas me diziam que eu seria.
O setor das artes foi atingido durante a pandemia. Você tem novos planos profissionais para 2022?
É triste perceber como a arte foi atingida durante a pandemia, principalmente por ser um setor que leva entretenimento, alegria e leveza na vida das pessoas, ainda mais em tempos tão incertos como foi esse e que ainda estamos enfrentando. Para 2022, tenho planos profissionais como a segunda temporada da série Auto Posto, no Comedy Central, mas ainda não temos data definida. Espero poder compartilhar as datas confirmadas em breve, tem um longa que vou gravar em Orlando. Também estou na nova temporada de O Dono do Lar, do Multishow, e acabei de estrear no cinema com o longa Quatro Amigas Numa Fria, em que atuo como protagonista ao lado de Fê Paes Leme, Maria Flor e Pri Assum… Foi incrível trabalhar com elas. O longa está muito divertido, gravamos em Buenos Aires e espero que todos prestigiem no cinema para dar muita risada com a gente.
Micheli Machado tem 41 anos de idade e comenta ter vivido casos de racismo na infância (Foto: Jaime Leme)

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Este ano a Rota Solidária dá "voz" a projetos destinados aos jovens – Algarve Primeiro

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