Menino de 11 anos tem o dedo amputado após sofrer ataques racistas na escola – Marie Claire Brasil

Raheem Bailey teve o dedo amputado após sofrer ataques racistas na escola (Foto: Wales Online)
Raheem Bailey, um garoto de apenas 11 anos, teve que amputar seu dedo depois de sofrer ataques racistas em sua escola em Abertillery, no País de Gales. Depois de sofrer com socos e chutes dentro da escola na terça-feira (17), Raheem tentou fugir, mas durante a fuga acabou prendendo seu dedo em uma grade na tentativa de deixar o terreno da escola.
Angry Shantal Bailey, mãe do garoto, afirmou ao jornal Wales Online que seu filho sofria ataques racistas desde o ano passado, mas não imaginava o quão grave era o sofrimento de seu garoto.
“Ele mencionou alguns incidentes de pessoas sendo ‘más com ele’ recentemente, eu não percebi a extensão do que ele estava passando até um incidente esta semana”, diz.
“Na segunda-feira, Raheem me ligou chorando enquanto eu estava no trabalho, dizendo que ele está sendo intimidado, mas que foi ele quem foi ameaçado de detenção, apesar de ser o que está sendo perseguido”. Na sequência, a mãe foi até a escola e ficou tranquila ao pensar que o assunto estava resolvido após conversar com a direção do Abertillery Learning Community.
Entretanto, ainda ao Wales Online, afirmou que os ataques voltaram a acontecer no dia seguinte. “No intervalo da manhã de terça-feira, Raheem foi atacado e espancado por um grupo de crianças enquanto estava na escola. Ele foi empurrado para o chão e depois chutado repetidamente. Ele fez uma tentativa desesperada de deixar o terreno da escola para escapar da situação, mas prendeu o dedo em uma grade. Recebi um telefonema de Raheem e depois da escola me informando sobre o incidente”.
Após o incidente, Shantal conta que foi aconselhada pela escola a não levar o filho para um pronto-socorro. Eles foram levados para uma unidade de ferimentos leves pelo ônibus escolar.
“Passamos as cinco horas seguintes esperando por uma ambulância para nos transferir para o local onde ele seria operado, em Swansea, a 80 quilômetros de sua casa e escola. “Com o passar do tempo, tornou-se mais evidente que a possibilidade de meu filho perder o dedo era real. Os médicos então confirmaram que isso era provável. Eu tive que explicar isso a ele enquanto ele estava sentado em agonia”.
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O temor da mãe do garoto e dos médicos acabou se confirmando. Após passar por uma cirurgia de seis horas para tentar salvar o dedo, os médicos optaram pela amputação.
“Ele está de volta em casa e com muita dor. Eu acho que ele ainda está sofrendo de choque porque ele continua perguntando por que isso aconteceu com ele e perguntando por que as pessoas não gostam dele. “Ainda não vimos a mão dele porque está toda enfaixada, mas vai levar algum tempo para ele se acostumar. Estou extremamente chateada porque desde o dia do incidente até agora, a escola não chegou para mim para verificar o seu bem-estar”, finalizou Shantal.
Em um comunicado enviado ao Wales Online, a escola afirmou estar colaborando com a polícia local para elucidar todos os detalhes e que o bem-estar de seus alunos é sempre uma prioridade. Já a polícia local afirmou que investiga o ocorrido desde quarta-feira (18), quando recebeu o relatório da denúncia.

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"Encontro falta de preocupação na urgência de ver caso Setúbal resolvido" – Notícias ao Minuto

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09:14 – 19/05/22 por Marta Ferreira
Política Fernando Negrão
Fernando Negrão preside à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e tem sido uma das vozes críticas sobre a falta de esclarecimentos por parte do primeiro-ministro, António Costa, acerca do caso do acolhimento de refugiados ucranianos por russos pró-Kremlin. 
O deputado e vereador de Setúbal considera, em entrevista dada ao Notícias ao Minuto, que as audições até agora realizadas não são suficientes, apesar de terem sido importantes, e que, na sua perspectiva, há “falta de preocupação na urgência de ver caso Setúbal resolvido”.
Defende também que os serviços de informação portugueses (Sistema de Informações da República Portuguesa – SIRP) necessitam de mais meios técnicos – nomeadamente com recurso a metadados – para levarem a cabo o seu trabalho de forma mais eficaz. “Temos de ir mais longe”, sublinhou. 
Relativamente às eleições que se avizinham do PSD, em que Jorge Moreira da Silva e Luís Montenegro são candidatos à liderança do partido, Negrão tende a preferir Moreira da Silva considerando que daria “um grande primeiro-ministro”.
Setúbal? [Costa] ainda não deu informações nenhumas sobre este assunto a não ser tomar posição sobre a realização de inquéritos
Considera que as audições sobre o apoio a refugiados ucranianos por apoiantes do regime de Putin na Comissão de Assuntos Constitucionais foram suficientes?
Não foram suficientes, mas foram importantes porque ficamos com a noção de como é que o sistema funciona e como é que, por vezes, não funciona. Esses dados que recolhemos foram importantes para os nossos juízes, mas estão em falta ainda as diligências feitas pelo Governo, das quais aguardamos os respetivos relatórios, e há um problema por resolver que tem a ver com a questão dos serviços de informação. É de difícil resolução porque as exigências do segredo de Estado são muito fortes, no sentido de proteger, de facto, mas, simultaneamente, temos de pensar que eles não devem prejudicar o curso de investigações que também elas são importantes para o próprio Estado.
Portanto, acredita que Costa deveria prestar mais esclarecimentos?
Sim. Ainda não deu informações nenhumas sobre este assunto a não ser tomar posição sobre a realização de inquéritos, portanto, presumo que esteja a aguardar os resultados dos inquéritos para depois dar mais informações. 
Acha que deve ser um assunto a ser escrutinado no Parlamento?
Acho que devia ser escrutinado no Parlamento e nós começámos a fazê-lo, mas, na altura, tivemos essa dificuldade de aceder aos serviços de informação que a Lei impõe regras muito estritas no que diz respeito à proteção do segredo de Estado. 
Os nossos serviços de informação trabalham muito limitados nas suas competências
Como é que, para si, deveria ser feita esta fiscalização das ‘secretas’ e em que falham os serviços de informação portugueses?
A fiscalização existe. Quando defendo o reforço da fiscalização dos serviços de informação tem a ver com o reforço de competências e com o reforço de meios que nós temos de dar aos nossos serviços de informação. Os nossos serviços de informação, neste momento, trabalham muito limitados nas suas competências porque a sua atividade resulta quase exclusivamente na recolha de informações, sejam elas das chamadas pontes abertas que são, por exemplo, como os jornais e comunicação social em geral, sejam elas de informações recolhidas através dos cidadãos e através de contatos feitos pelos agentes dos serviços. Temos de ir mais longe. 
Temos de fornecer aos serviços de informação mais meios, designadamente os agora tão famosos metadados. Os metadados não são escutas telefónicas. Os metadados, já tem sido explicado, é só para saber quem contacta quem quando e de onde para onde. Estes dados são fundamentais. 
Portanto, quanto mais competências dermos aos serviços de informação, maior e mais forte é a atividade. 
Acredita que são necessários, portanto, mais meios técnicos?
Exatamente, mais meios técnicos e mais capacidade de ação no sentido do tratamento das informações.
Vamos ver se essas suspeitas do doutor Marques Mendes se confirmam ou não 
No início de maio, Marques Mendes dizia que o facto de o PS usar a sua maioria absoluta para (inicialmente) impedir audições no Parlamento poderia significar ou que escondia alguma coisa, ou que queria agradar o PCP por se tratar de um assunto incómodo. Qual é a sua opinião?
Entretanto, das entidades que foram ouvidas, o PS acabou por votar favoravelmente pelas audições de todas, à exceção de uma que são os serviços de informação. Portanto, este é o ponto de situação e aguardamos pelos resultados para ver se essas suspeitas do doutor Marques Mendes se confirmam ou não. 
Considera que o PS votou favoravelmente devido à pressão dos partidos?
A explicação só pode ser essa, não é? Porque num primeiro momento votou contra e na altura da realização das diligências entendeu votar a favor.
Considera que possa haver um problema de transparência no que diz respeito à entidade fiscalizadora dos SIRP? 
Não tem a ver com a entidade fiscalizadora. As entidades fiscalizadoras existem e fazem muito bem o seu trabalho, assim como os agentes de informação fazem muito bem o seu trabalho e são até elogiados em países estrangeiros. A questão está no facto de as informações recolhidas e tratadas terem chegado ao Presidente da República e ao primeiro-ministro só depois de se tornar público o caso. Isso é o grande motivo de preocupação. Será que isso aconteceu? Por que razão? Porque não havia nada a assinalar de especial? Mas se chegou alguma coisa depois de se ter tornado público através do jornal Expresso é porque havia alguma coisa a assinalar. O quê? 
O que acha desses relatórios só terem chegado depois de se ter sabido pela comunicação social?
Considero isso preocupante e foi isso que aconteceu. Sabemos bem! O primeiro-ministro confirmou que só recebeu depois da notícia ter sido pública e isso é preocupante porque alguma coisa chegou, não sabemos é o que terá chegado.
É preciso ser escrutinado. Não podemos ter um sistema em que as informações vitais chegam só a uma ou duas pessoas. Desta forma, o escrutínio é quase impossível.
Encontro alguma falta de preocupação na urgência de ver este caso resolvido.
Encontra algum ‘culpado’ em toda esta situação?
Não encontro culpado nenhum. Encontro uma enorme falta de sensatez. Encontro alguma falta de preocupação na urgência de ver este caso resolvido. Para já, culpados ainda não encontrei nenhum. 
Acredita que o presidente da Câmara de Setúbal se vá manter no decorrer das investigações?
O presidente da Câmara Municipal de Setúbal já tem duas marcas que dificilmente se livrará delas. A primeira é não ter explicado aos cidadãos de Setúbal, na sua Câmara, a sua versão dos factos, ou o seu entendimento dos factos, e a segunda é a completa falta de sensatez em manter cidadãos russos a acolher refugiados ucranianos quando há uma guerra entre dois países, onde a Rússia invade a Ucrânia. 
Acredita que isto pode levar à demissão do autarca?
Acho que estamos a falar de assuntos de Estado muito sensíveis, estamos a falar de coisas ligadas à segurança interna e portanto devemos ser sensíveis também ao tempo. 
Considerava que André Martins se deveria demitir?
Eu nunca disse que o presidente da Câmara se deveria demitir. Eu disse que se deveria demitir ou por sua iniciativa ou no fim das investigações se, de facto, houvesse razões para isso. 
Mas tinha dito, em declarações anteriores, que, caso André Martins se demitisse, nunca se encontraria um ‘culpado’ e o caso ficaria encerrado.
Disse isso se, realmente, nós não formos suficientemente urgentes – e quando digo nós falo da Assembleia da República e também Governo – na investigação e se ficarmos bloqueados pela impossibilidade de acesso a informação do serviço de informações. 
O caso Setúbal é uma mancha no acolhimento de refugiados em Portugal no que diz respeito à imagem que temos no estrangeiro?
Não é bom, naturalmente que causará alguma preocupação no meio diplomático e no meio político, mas não queria transformar isto num caso dramático para a imagem de Portugal, que não é. Acho que não afetará tanto quanto algumas vozes, e foram poucas, assinalaram.
Moreira da Silva pode dar ao país um grande primeiro-ministro 
Mudando agora o foco para as eleições internas do PSD. Acredita que Moreira da Silva é um bom candidato para suceder a Rui Rio?
Em primeiro lugar, tenho de dizer que tanto Moreira da Silva quando Luís Montenegro são dois bons candidatos para o liderar o PSD. Têm feito uma campanha interna exemplar no sentido de expressar mais as opiniões onde estão de acordo do que aquelas em que estão, aparentemente, em desacordo. 
Mas considero que – tendo ambos grandes qualidades para serem líderes do PSD – Jorge Moreira da Silva tem uma formação nacional e internacional que no PSD é exemplar, no país é invulgar e pode dar ao país um grande primeiro-ministro. 
O que acha que trará de novo para o partido?
A sua formação trará, de facto, uma visão nova do PSD e trará ideias novas para o país. Mas não quero com isto dizer que Luís Montenegro não o possa fazer, mas a sua experiência é diferente, que ainda não está virada para soluções mais radicais do ponto de vista da modernidade. Ainda assim, eu li as moções de ambos e diria que as diferenças não são muito grandes. As diferenças não são assinaláveis, não são suficientes para afastar um do outro de forma irreversível e o que o PSD precisa mesmo é de união e tranquilidade, de voltar a falar com os portugueses e trazer ideias novas para Portugal.
Comparando ambos, apesar de considerar Moreira da Silva mais capaz de desempenhar o cargo, acha que o peso mediático de Montenegro poderá beneficiá-lo?
O mediático hoje em dia tem de ter em conta todos os candidatos e os candidatos têm de ter em conta o espaço mediático e, portanto, nessa medida também haverá disputa nestas diretas. Se me perguntar se Luís Montenegro é uma pessoa mais conhecida a nível nacional, eu diria que sim, foi um grande líder parlamentar e isso deu-lhe uma projeção mediática muito grande. Até que ponto é que isso o vai beneficiar ou não… enfim, depois das eleições saberemos. 
O que acha que falhou na campanha de Rio que o levou a perder contra Costa e ainda para mais com uma maioria absoluta?
Confesso que não estou propriamente preocupado com essa questão da derrota de Rui Rio. Com tudo o que sabemos, até os especialistas ficaram admirados com esta maioria absoluta e com a sua amplitude. Alguma coisa terá acontecido nos votantes e no momento da votação uma vez que antes tudo indicava que isso [maioria absoluta] não iria acontecer. Mas há um problema com o PSD e esse problema foi o afastamento dos portugueses. Foi uma falta de diálogo com os portugueses, com os agentes das diversas áreas profissionais, das diversas áreas mesmo políticas, das diversas áreas sejam elas científicas, sejam elas jurídicas, sejam no âmbito médico… o PSD afastou-se da sociedade e tem de recuperar esse diálogo com a sociedade, é fundamental porque o PSD sempre soube falar para a sociedade e, neste momento, não só não tem falado como não tem escuto. 
Rui Rio manifestou sempre uma posição de ‘nim’ relativamente ao Chega, com avanços e recuos. Já Moreira da Silva é perentório e disse, no seu discurso, “Nunca, jamais, em tempo algum” a um possível entendimento com o partido de André Ventura. Acha que essa posição mais firme pode ser mais positiva para o PSD?
Eu acho que se deve ser resolvido relativamente a alguns valores que o Chega defende como a divisão dos portugueses entre os ‘bons’ e os ‘maus’, como às vezes algumas medidas que propõe que têm traços nítidos de racismo e xenofobia. Agora, eu também acredito noutra coisa. Acredito que o Chega institucionalizando-se, ou seja, integrando a vida política normal de todos os dias, vai perceber que os portugueses querem uma sociedade justa sem racismo, sem xenofobia, e, principalmente, sem políticos que o queiram dividir.
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Renato Freitas: um vereador entre o racismo e o fundamentalismo religioso – Agência Pública

Um dos poucos parlamentares negros da Câmara de Vereadores de Curitiba pode ter seu mandato cassado por participação em ato antirracista
Um dos poucos parlamentares negros da Câmara de Vereadores de Curitiba pode ter seu mandato cassado por participação em ato antirracista
Renato Freitas (PT) é um dos apenas três vereadores negros entre os 38 parlamentares da Câmara de Vereadores de Curitiba (PR). Ameaças racistas não são novidade na trajetória do advogado de 38 anos, que cresceu em uma periferia da cidade sulista e já enfrentou vários episódios de violência policial. Contudo, desde fevereiro deste ano, os ataques se acirraram. “Volta para a senzala”, estava escrito em um e-mail direcionado a ele, que teria sido enviado pelo vereador Sidnei Toaldo (Patriota), relator do processo que pode levar à cassação do mandato de Renato. A Corregedoria da Câmara abriu sindicância para apurar a autoria do e-mail. 
O vereador petista sofre processo ético-disciplinar por sua participação em uma manifestação antirracista pela morte do imigrante congolês Moïse Kagambe, espancado até a morte no Rio de Janeiro em 24 de janeiro deste ano, em um quiosque na praia da Barra da Tijuca. Durante o protesto, em 5 de fevereiro, manifestantes entraram e ocuparam a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, no centro de Curitiba, erguida por escravos no centro da cidade e historicamente destinada a eles. O ato foi classificado como “profanação injuriosa” pela arquidiocese da cidade, mesmo tendo sido realizado após a missa, como ficou comprovado em vídeos e foi confirmado posteriormente pela própria cúpula local da Igreja Católica, em carta aos vereadores, com pedido pela não cassação do vereador. 
Mesmo após o pedido da Igreja, os ataques contra o vereador continuaram. Em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou os participantes do ato de “marginais” que “não respeitam a casa de Deus” e cobrou apuração dos fatos em sua conta no Twitter. Na Câmara de Vereadores, Renato foi acusado de “cristofobia” pelo vereador Marciano Ramos (Republicanos), integrante da bancada evangélica da Câmara de Curitiba e aliado do prefeito Rafael Greca (DEM), a quem o petista faz oposição declarada. Vereadores da bancada religiosa assinaram representações onde acusam o parlamentar de quebra de decoro, infração punida com perda de mandato. Um dos autores é Osias Morais (Republicanos), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e vice-líder do prefeito na Casa Legislativa. 
“O que é decoro, ou a quebra dele, senão a interpretação sobre minha forma de agir e falar? E que é um poder subjetivo que o Estado tem para condenar alguém.”, questiona Renato sobre seu processo de cassação. “É isso que a polícia faz, que a Câmara faz, que sofro ao longo de décadas. Então, de algum modo já estou acostumado.” À Agência Pública, o vereador disse que pretende recorrer na Justiça, caso a maioria dos parlamentares vote pela perda do seu mandato. Também adiantou que está articulando um movimento nacional com novas lideranças políticas negras do país, como Galo de Luta, representante dos entregadores de aplicativos de entrega, uma das figuras públicas que se posicionou contra a cassação do vereador. “Queremos negros e pobres como protagonistas”. 
Você acredita que pode perder o mandato? Se acontecer, pretende recorrer? 
O processo já se encontra em estado de exaurimento. Já passou pela Comissão de Ética e falta apenas a chancela do Plenário na Câmara. É claro que se fosse uma circunstância favorável isso representaria uma possibilidade de segunda discussão, mas não é o que ocorre. Inclusive, vazou que 13 vereadores, ligados ao prefeito, já assinaram o decreto de cassação. Precisa de 20 para formar maioria (entre 38 vereadores). Para mim o que resta é o recurso judicial. 
O prefeito é o maestro dessa conspiração. Sou oposição declarada a ele. Nossos princípios são absolutamente opostos. Ele é conhecido por declarações aporofóbicas (medo ou rejeição aos pobres). Chegou a dizer que não gostava dos pobres e que, quando botou um pobre dentro do carro dele, vomitou por não suportar o cheiro. Quando tomou posse, a primeira medida dele foi fechar os guarda-volumes da população em situação de rua daqui do centro. Depois ele autorizou a guarda municipal  a retirar à força esses pertences. 
Outro grande embate que tive com ele foi um projeto que tentou proibir as pessoas de fazerem doações. As pessoas que queriam doar uma marmita para uma pessoa em situação de rua foram proibidas, sob pena de multa de R$ 550. Conseguimos deter o projeto e isso gerou uma grande exposição dele. 
Você denunciou o recebimento de um e-mail com insultos racistas. Continua recebendo ataques? Sente medo? 
Recebi mensagens de gente dizendo que ia me dar tiro. Outros mandaram fotos de armas. Mas a verdade é que a gente tem Deus por nós. Não há o que temer, nem lamentar. Antes de nós, outras pessoas lutaram. Outros virão depois. Não desenvolvo nem ansiedade, medo ou frustração. Na Câmara, acho que o jogo contra mim já está marcado. Mas acredito que no Judiciário tenho possibilidade de recorrer. Foge absolutamente ao meu controle. 
Além de serem da base do prefeito, os vereadores que assinam as representações do seu processo de cassação são ligados a igrejas evangélicas. Como é sua relação com as lideranças religiosas na Câmara? 
A gente já teve uma briga muito grande com os religiosos. Os hipócritas que se utilizam de um verniz religioso para pregar o ódio mais visceral e destruidor. A bancada religiosa da Câmara dos Vereadores é encabeçada pelo pastor Osias de Moraes (Republicanos), que é da Igreja Universal e vice-líder do prefeito na Câmara. Ele teve a falta de escrúpulo de levar um médico, na tribuna virtual, que disse que com ivermectina tinha curado mais de 10 mil funcionários em uma empresa que trabalhava. Era mentira. Ele era médico do trabalho, fazia só admissional e demissional. As pessoas que ficavam doentes procuravam unidades de saúde básica.
Na época, falei que era uma picaretagem, charlatanismo, sobretudo quando você ainda tem motivação política para induzir pessoas a erro, em prol de fortalecer laços de Bolsonaro e sua base. Foi quando sofri meu primeiro pedido de cassação, ainda no primeiro semestre do meu mandato, mas que não prosperou. 
Então, desde o início, seu mandato tem enfrentado resistência dentro da própria Câmara? Você acredita que tem sido vítima de racismo e violência política? 
A Câmara foi o tempo todo hostil comigo. A ponto de, em momentos, eu fazer comentários mais contundentes contra eles, o líder do prefeito vir me perguntar se eu estava bêbado, se eu tinha costume de beber durante a sessão ou só antes. Em outro momento disse que eu tinha usado maconha, porque durante uma das minhas falas cantei uma música que chama Hipócritas de Ponto de Equilíbrio, que era para eles. 
Alguns vereadores tentaram descredibilizar meus posicionamentos durante as sessões dizendo que eu era só um menino. Inconsequente. Que eu não sabia o que fazia e falava. E o mais curioso é que teve vereadores mais novos do que eu me chamando de garoto. O líder do prefeito, por exemplo, não é mais novo, mas é do mesmo ano que eu, de 1983. São coisas que você percebe que são racismo mesmo. A pessoa te vê como menos: intelectualmente, emocionalmente. Te vê como menos por todos os ângulos. 
Você e os manifestantes que participaram do ato antirracista foram acusados de profanar um tempo. De não terem respeito com o espaço religioso e de culto das pessoas. Você pode explicar como tudo aconteceu? A ideia de entrar na igreja foi sua? Vocês invadiram a missa?
No dia 5 de fevereiro, num sábado, por conta da morte do imigrante Moïse Kagambe, atos antirracistas e contra a xenofobia foram realizados em todas as capitais, inclusive fora do país. A gente organizou nosso ato para cinco da tarde. Foram vários grupos ligados ao movimento negro e à associação dos imigrantes. A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito é onde teve o pelourinho, onde se deu a mercantilização dos seres humanos que eram escravizados, visto como coisas e objetos, em Curitiba. Fica no centro comercial da cidade. Só que tinha a missa às cinco horas e não sabíamos. 
Nossa manifestação terminou começando apenas às 17h30, quando a missa já tinha acabado. O padre estava falando só os informes. Ao invés dele ter um espírito pacificador, teve um espírito de conflito. Ficou perguntando o que a gente tava fazendo ali, no lugar de entender que a gente estava fazendo uma manifestação em prol da vida. Um dos manifestantes respondeu a ele: estamos aqui porque essa igreja é nossa. E outro já chamou o padre de racista. Ele respondeu fazendo um ‘joinha’ com a mão. Então a galera ficou ‘P da vida’ porque ele estava ironizando, como se fosse inquestionável. Como se visse no próprio umbigo a razão de ser da própria igreja. A igreja é muito mais que ele, tanto que é igreja do Rosário dos Homens Pretos. 
Pensei na hora: vão arrumar uma coisa com o padre, vai ficar ruim pra nós. Daí os manos já falaram: “na oração do padre não tem a nossa vida”. Alguém deu a ideia de entrar na igreja e isso se alastrou como rastilho de pólvora na hora. Então ocupamos. 
Você foi acusado de “cristofobia” (preconceito contra cristãos) por um vereador da Câmara. Li entrevistas onde você cita versículos bíblicos. Qual sua relação com o cristianismo? 
Não sou nem católico, nem evangélico. Eu sou cristão. Minha mãe é cristã. Paulo disse aos Coríntios: o templo sois vós. Jesus disse: onde estiverem dois ou três em meu nome, ali eu estarei. Essa tentativa de aprisionar Deus dentro de quatro paredes foi um fracasso histórico. A Idade Média demonstrou que não dar possibilidade de interpretação —  mas sobretudo de vivência dos dizeres bíblicos—, pode levar a verdadeiras heresias. Gente que, dentro da igreja acredita estar falando com Deus, mas quando sai não fala com o morador de rua, com quem mais precisa, que são acusados, torturados e assassinados pelo sistema, como Jesus Cristo. 
É pela história dos humildes, dos mais fracos, dos que servem, que sou cristão. Não pelos fariseus e doutores da lei que foram responsáveis pela morte de Jesus. Quem estava comprimido para ouvir os ensinamentos de Jesus? O povo. Quem gritava Hosana quando ele chegou em Jerusalém depois de ser batizado? O povo.  Quem acusou ele? Quem ofereceu armadilhas para Jesus, acusando de blasfemador, de fazer milagres aos sábados? Quem fez isso foram os religiosos da época, que se achavam donos da religião e de Deus. Essas pessoas são a grande representação do mal. 
Na sua opinião, estão querendo cassar seu mandato por racismo? Existem outras questões?
O racismo é um dos elementos, com toda certeza. Há uma hostilidade em relação à minha presença na Câmara dos Vereadores. Você vê nos olhos das pessoas, na forma como me tratam. Mas também o elemento de classe e o elemento político. 
A Câmara de Curitiba tem 38 vereadores —  35 brancos e 3 negros. Herivelto Oliveira (Cidadania) é uma pessoa que era um apresentador de afiliada da Rede Globo aqui. Ele faz parte da base do prefeito. Já a Carol Dartora é do PT e tem uma postura mais de enfrentamento em relação à realidade racista de Curitiba. 
Eu luto pelo direito à moradia. Quem são as pessoas que não têm direito à moradia? Que foram libertas da escravidão e não tiveram a possibilidade de, com uma reforma agrária, receber um pedacinho de terra. Os Estados Unidos deram 40, 50 alqueires e uma mula aos libertos. No Brasil, se produziu uma massa de vidas desperdiçadas e matáveis, que foram controladas pelo sistema penal. Lutar pelo direito à moradia é lutar pela causa negra. Via de regra é difícil fazer um corte de bisturi nessas questões raciais, políticas e de classe, porque elas se misturam muito. Então, tem o racismo, mas tem as minhas lutas também por moradia, por uma segurança pública que não seja tão preconceituosa e higienista —  não meramente eugenista, no sentido racista, mas higienista. Aqui a pobreza é vista como uma sujeira, uma mancha no cartão postal de Curitiba, que se vende como civilização de primeiro mundo e não convive com a miséria. E isso é uma mentira. 
E como é ser uma liderança política negra nessa cidade que, como você disse, vê a pobreza como uma mancha no cartão postal? 
Curitiba é uma cidade muito fascista. Foi o berço do integralismo, de células neonazistas no Brasil. Tem um conservadorismo, se considera um berço europeu dentro de um país miscigenado. Em Curitiba, a polícia é muito mais perversa. É bem remunerada, bem equipada, composta por uma classe média do funcionalismo público que é branca, mas não só branca, mas que reivindica essa ascendência europeia. Para nós negros, andar nas ruas, ocupar espaços públicos, é um grande desafio. A polícia aborda, constrange, dissuade as pessoas do propósito de acessar espaços públicos. Curitiba é uma cidade aberta com muros invisíveis. Está aberta, mas sei que não posso entrar. 
Você já contou em outras entrevistas que foi vítima de violência policial. Poderia falar um pouco sobre essas situações? 
Tenho mais de dez processos de desacato. Em 2004, eu tinha acabado de entrar na universidade. Morava no extremo da periferia e fui abordado dentro de um terminal, às 18h, por um PM que já estava fora do horário do trabalho. Ele me enquadrou na plataforma do ônibus. Eu estava sozinho. Deu a geral, jogou meus livros no chão. Mandou tirar o tênis, bateu a palmilha. Não contente, mandou tirar a meia. Tirei e cheirei a meia. Aí ele me deu um tapa no rosto, me derrubou no chão e me algemou. Na delegacia, a acusação de desacato foi fundamentada no fato de que cheirei a minha meia.
Em 2016, disse a um policial que era advogado e sabia meus direitos. O cara me prendeu porque achou que minha carteirinha era falsa. Outra vez, fui enquadrado numa praça. Não acharam nada e me mandaram sumir dali. Eu disse que não ia sair. Olha como o que estou passando hoje é uma continuidade do que sempre aconteceu. O que é o decoro, ou a quebra dele, senão a interpretação sobre minha forma de agir e falar? E que é um poder subjetivo que o Estado tem para condenar alguém? Não é exatamente o mesmo poder que um policial tem quando tá com a arma na tua cara e, qualquer coisa que você disser, ou não disser, ele pode dizer que você está desacatando a autoridade dele? É isso que a polícia faz, que a Câmara faz, que sofro ao longo de décadas. Então, de algum modo, já estou acostumado. 
Apesar dos ataques que você denunciou ter sofrido, há também o apoio de lideranças políticas, artistas que têm aderido à mobilização pela manutenção do seu mandato. Como tem sido receber esses apoios de personalidades nacionais? Isso te motiva a continuar na política? 
É muito da hora saber que a gente tem apoio de gente como Leci Brandão, Ice Blue, do Racionais, políticos, artistas, líderes de movimentos como Galo de Luta, liderança dos entregadores de aplicativos, e tantas outras. Tenho vários planos de continuar desenvolvendo meus projetos. Um deles é trabalhar com egressos do sistema carcerário. Oferecer integração no mundo do trabalho, assistência social, mas também uma conscientização sobre o sistema de segurança pública, sobre a lógica que permeia esse sistema para libertar pessoas da cadeia de criminalização que gera reincidência cada vez mais. E tenho outro projeto de narrativas marginais na literatura, cinema e música para jovens. 
Além dos projetos, quero construir um movimento de dimensão nacional, junto com essas grandes lideranças que você apontou —  e tantas outras. Quero que a gente construa uma forma alternativa de organização que nos respeite e que tenha nós mesmos. Queremos negros e pobres como protagonistas. Hoje não temos. A gente quer que aconteça isso um dia também no PT, mas se vermos o primeiro escalão dos assessores do presidente Lula, a cada 30 [brancos] vai ter um negro pra cumprir uma cota e colorir uma foto. Quem domina é a elite branca.
Essa proposta é de formação de um partido? 
Não, mas um movimento de caráter nacional, que abrigue vários outros movimentos, com suas bandeiras, mas num caráter talvez até suprapartidário. Onde a gente tenha um espaço para discutir nossas ideias, e que seja protagonizado por nós. Discutir, organizar e sermos nós. Coisa simples, mas que a gente ainda não tem oportunidade no Brasil. 
*Atualização às 12:10 de 19/05/2022: Depois da publicação desta entrevista, a Justiça suspendeu a sessão extraordinária que votaria o processo de cassação do vereador no dia 19 de maio. A suspensão vale até que seja concluída a sindicância que apura a mensagem racista que teria sido enviada por e-mail pelo vereador Sidnei Toaldo, relator do processo.
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Comissão interna do CNJ se engaja no combate à violência laboral no Judiciário – Portal CNJ – CNJ

Transparência e Prestação de Contas
Ouvidoria
Como parte da mobilização do Poder Judiciário para enfrentar o assédio e a discriminação em suas dependências, a especialista em sofrimento laboral e sofrimento no trabalho Karla Valle apontou, durante palestra no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na terça-feira (18/5), a importância de dar voz às pessoas para combaterem e evitarem situações de violência que podem chegar a práticas de assédio no trabalho. A iniciativa, promovida pela Comissão Interna de Combate ao Assédio e à Discriminação do CNJ, apresentou caminhos de resolver as situações, resguardando, ouvindo e oferecendo suporte às vítimas.
A Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação foi instituída em abril deste ano para ser realizada na primeira semana de maio. Com primeira edição em 2022, todo o mês de maio tem sido dedicado pelos órgãos de Justiça para debater ações preventivas e de conscientização, contemplando membros da magistratura, servidores, servidoras, estudantes e outras pessoas que atuam no trabalho da Justiça.
Para Karla Valle, que é assistente social da Coordenadoria de Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1), as ações institucionais têm trazido avanço para a mudança cultural e fortalecido as medidas preventivas, além de ter um caráter educativo. “Só de ser expostos e chamados para conversar, ser submetidos à reciclagem e à capacitação, provoca espaços em indivíduos que propiciam a mudança cultural.”
Segundo a especialista, é preciso sistematizar os indícios para verificar os caminhos e modos de enfrentamento dando ao trabalhador respostas antes que ele adoeça. No TRT1, por exemplo, a área de saúde ficou definida como porta de entrada dos casos de violência laboral. A partir da análise do caso, já podem ser produzidas provas qualificadas, sistematizando também a construção do processo. “Esse movimento validou o protagonismo do alvo, que é a pessoa que sofre a violência. E isso é estratégico para que ela não desista da denúncia e fortaleça as medidas preventivas e de correção.”
A instalação de uma “cultura do desempenho”, que não necessariamente respeita os limites entre o tempo de vida e o tempo de trabalho, também deve ser considerada quando passa a normalizar o cansaço laboral. Muitas vezes, os gestores justificam uma postura violenta com a obrigação de “cumprir ordens”, sem refletir sua relação com o trabalho e com o outro. “Vemos uma naturalização do comportamento violento em nome do aumento da produtividade. A violência laboral, assim, pode evoluir para situações de assédio e de discriminação. Para enfrentar essa situação, portanto, é preciso discutir a gestão”, ressaltou Karla Valle.
A servidora explicou que a ampliação desse debate nos tribunais é um reflexo das normas do CNJ e do Conselho Superior da Justiça do trabalho (CSJT), que venceu algumas resistências internas para avançar nessa transformação institucional. “Não há como enfrentar o assédio sozinho. Essa é uma questão multidisciplinar, interinstitucional e coletiva.”
Ambiente equilibrado
A coordenadora da Comissão Interna e juíza auxiliar da Presidência do CNJ, Ana Aguiar, avalia que o debate é um primeiro passo para a construção de um ambiente de trabalho equilibrado e tranquilo. “As pessoas precisam se sentir à vontade, livres e seguras no ambiente de trabalho. A Comissão existe para ajudar as pessoas que sofram algum tipo de assédio ou estejam em algum conflito no ambiente de trabalho.”
Condutas abusivas e repetidas que, a despeito da intenção, atentem contra a dignidade do trabalhador, afetando as relações profissionais e o clima de trabalho, configuram uma realidade de assédio que deve ser combatida. Para reforçar esse conceito e orientar seu corpo técnico e funcional, o CNJ dispõe de uma cartilha sobre o assunto e publicou diversos cards alertando sobre a questão. A Comissão do CNJ ainda pretende promover encontros com grupos para apresentar a atuação do colegiado como canal aberto para os servidores, servidoras, colaboradores, colaboradoras, estagiários e estagiárias.
Lenir Camimura
Agência CNJ de Notícias
Macrodesafio - Aprimoramento da gestão de pessoas
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BLACKFACE: Acusado de racismo no 'Mais Você', participante do 'Jogo de Panelas' toma remédios e ameaça … – Rádio Jornal

Ana Maria Braga alertou um dos participantes do programa sobre blackface
Na manhã da sexta-feira (20) Anderrupson Fernandes, participante do “Jogo de Panelas” no Mais Você, acabou sendo acusado de racismo pela própria apresentadora do programa. Ana Maria Braga se mostrou bastante surpresa quando viu o homem se pintando para mudar a cor, acabando por alertar que aquilo se tratava de “BlackFace.
Após a exibição do programa, Anderrupson mostrou que estava bastante revoltado com a situação e revelou ao portal de notícias “Observatório da TV” que precisou se medicar.
“Para mim, foi um pesadelo, porque eu estava vivendo um momento bacana da minha vida, é uma experiência legal, são pessoas por quem tenho pareço muito grande”, iniciou.
“Ana Maria Braga é uma das maiores comunicadoras do país e eu gosto do jeito dela ser, mas faltou um pouco de empatia dela de não me dar a resposta de pronto-atendimento”, continuou.
Durante a entrevista, Anderrupson comentou que tudo havia se tornando um momento difícil para ele, até mesmo sua família se viu afetada com a situação que ocorreu no programa.
“Ficou difícil, minha cabeça começou a doer, tive de tomar dois analgésicos. Minha mulher sofreu junto comigo. Com certeza meus pais estão muito preocupados. Acho que ninguém pensa na empatia do outro lado”, disse o participante.
“O pessoal só pensa no assunto, mas e a outra pessoa? E quem vai sofrer junto com ela? A gente vai dar uma oportunidade para ele se retratar no mesmo momento ou vai deixá-lo sofrer? Falou essa empatia, porque eu não sou uma má pessoa Acho que eu merecia um direito de resposta simultâneo à crítica”, finalizou.
O último jantar do quadro “Jogo de Panelas”, gravado em Brasília antes da pandemia, teve o tema inspirado na África. Por causa disso, muitos participantes foram vestidos de acordo com a cultura africana.
Apesar de parecer uma boa ideia, nem todos os participantes agradaram. Anderrupson decidiu pintar todo o corpo para parecer com uma pessoa preta, fazendo com que Ana Maria Braga lhe chamasse atenção.
A gente está tentando esclarecer aqui para que isso não ocorra nas festas, nos lugares em que você for. É um comportamento que não deve mais se repetir“, explicou a apresentadora.
Foi um recurso muito utilizado pela aristocracia escravista que fazia da técnica do blackface uma forma de estereotipar, de negar a humanidade das pessoas negras“, disse Roseane Borges.
Felipe, que era anfitrião da vez, também se pronunciou sobre o ocorrido. “O Anderrupson estava muito legal, mas mais uma vez ele traz a ingenuidade, né? Não precisa se pintar de negro. A gente não brinca de ser negro, a gente é de verdade. A gente tem toda uma história e isso é muito sofrido“, disse.
Uma publicação compartilhada por Anderrupson Fernandes Pontes (@anderrupson)

Sobre
Graduanda em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, escreve para o site da Rádio Jornal, onde acompanha diariamente o Big Brother Brasil 2022.
Localidade:Recife, Pernambuco
Idiomas:Port-https://www.wikidata.org/wiki/Q750553, eng-https://www.wikidata.org/wiki/Q1860
Telefone:(81) 34136159
Cargo:Estagiária
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige técnicas e recursos específicos.
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados. Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um fato ou notícia.
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do entrevistado reproduzida entre aspas.
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Jornal @ 2022 – Uma empresa do grupo JCPM
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Família brasileira queixa-se de xenofobia em restaurante de Braga – O MINHO

Restaurante lamenta episódio e repudia “veementemente” qualquer ato xenófobo
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Uma família brasileira queixa-se de ter sido alvo de xenofobia num restaurante de Braga. As imagens de um homem, intitulando-se o “dono” e gritando “vocês vêm para aqui fazer o que querem” viralizaram rapidamente nas redes sociais, sobretudo entre a comunidade imigrante do Brasil. Entretanto, o estabelecimento repudiou a situação e garante que a pessoa em causa “não é o dono do restaurante”, mas “o proprietário do espaço”. O caso poderá seguir para a justiça.
Tudo aconteceu na passada sexta-feira, quando a família – um casal, a mãe da mulher e duas crianças, de 4 e 11 anos – estava a almoçar n’O Gato do Rio, em Este S. Pedro, Braga. No final do almoço, um grupo de pessoas mais velhas, entre as quais o homem em causa, sentaram-se numa mesa no espaço exterior, onde estava a família brasileira.
“A garota (menina) de 4 anos estava no jardim e pegou numa florzinha. Aí esse senhor foi lá e falou com ela: ‘olhe, não pode pegar flor’. E a pequena voltou para a mãe, abalada”, conta a O MINHO o casal brasileiro, que pediu para não ser identificado, lamentando, para começar, o facto de o homem ter abordado diretamente a criança em vez de chamar a atenção aos adultos na mesa.
Entretanto, enquanto pedem a conta, o homem do casal foi “com as crianças até à beira do rio”, para acalmar a menina que estava a chorar, e estavam “jogando nem era pedra, era brita, pequenina, no rio”. Nessa altura, o senhor aborda-os dizendo que não podem atirar pedras ao rio.
“Peço desculpas, a gente não faz mais isso, estávamos voltando para a mesa, quando chegou a minha sogra e diz-lhe: o senhor, por favor, cuida dos seus netos, a gente cuida dos nossos”, conta o queixoso, referindo que é aí que o homem se “transforma” e começa a agir de forma ríspida. E, por isso, nesse momento, começa a gravar a cena com o telemóvel – vídeo que foi parar às redes sociais, mas entretanto eliminado.
“É o trecho da imagem que foi visto, com ele expulsando a gente e se apresentando como dono. [Nós respondemos] ok, a gente vai embora, inclusivamente não voltamos mais, apesar de ser um restaurante da nossa eleição. Ele estava discursando, começou a subir no palanque e a discursar: ‘Vocês vêm aqui e fazem o que querem’. Vocês quem? De quem está falando? Está falando comigo, com a criança que mandou a pedra, com quem?”, questiona o homem.
“Ali começou uma humilhação em público totalmente desproporcional a uma chamada de atenção de ‘por favor não jogue pedra no rio’”, lamenta.
“Entrámos no restaurante, os funcionários extremamente constrangidos e envergonhados, até porque eles me conhecem, sou cliente da casa, pedindo mil desculpas”, conta, acrescentando que pediu o livro de reclamações. “Disseram: ‘você vai prejudicar o restaurante, ele não é o dono, é o pai do dono’. Mas eu não posso ser humilhado em público e me calar”.
E aí o proprietário do espaço volta a entrar no restaurante intimando a família: “Quem é que vai fazer reclamação, isso é um absurdo, quem vocês pensam que são?”.
É então que o homem do casal ligou para a polícia e, quando foi atendido, “o senhor foi embora”.
Tanto o homem do casal, como a sogra, escreveram no livro de reclamações.
Para o casal, não subsistem dúvidas de que se tratou de um caso de xenofobia. “Acho que ele se estava a referir aos brasileiros. A gente ouve muito isso. E foi também por isso que viralizou nas redes”, salienta a mulher.
Entretanto, o casal entregou o caso aos advogados que estão a estudar a “estratégia” a ser seguida.
Após o caso ter sido tornado público, o restaurante fez um comunicado na sua conta de Instagram em que repudia “veementemente todo e qualquer ato de racismo, xenofobia ou que vise ofender ou ostracizar qualquer pessoa”.
O Gato do Rio salienta que “o lamentável episódio sucedido na passada sexta-feira, 13 de maio, na esplanada do nosso estabelecimento não foi protagonizado pelo dono do restaurante, mas sim pelo proprietário do espaço”.
 
 
Uma publicação partilhada por Restaurante O Gato do Rio (@ogatodorio)

“Esclarecemos que o proprietário não possui qualquer poder e autoridade nas atividades conduzidas pelo restaurante O Gato do Rio, quiçá para proibir ou criticar quaisquer atividades ou atos dos nossos clientes”, reforça o comunicado.
E desenvolve: “Recebemos diariamente pessoas de diversas nacionalidades e agimos sempre de forma atenciosa, amável e profissional, visto ser um dos lemas da nossa casa receber os clientes como se parte da nossa família fossem”.
“Temos como prioridade a satisfação e bem-estar dos nossos clientes, de modo a proporcionar momentos inesquecíveis na nossa companhia e espaço. Nos solidarizamos com a família envolvida, e toda a comunidade, nos colocando a disposição para o que for necessário. Um ato isolado não deve ser atribuído ao estabelecimento O Gato do Rio, nem aos seus colaboradores, que connosco compartilham dos mesmos princípios e valores de excelência”, refere a gerência d’O Gato do Rio, reafirmando que “não se revê em qualquer atitude de teor xenófobo ou desrespeitosa para com qualquer pessoa”.

Aguaceiros e trovoada aproximam-se do Minho. ‘Chuva de lama’ é pouco provável
Refugiados ucranianos que vieram para Braga estão a regressar
Hot Deals da Cardan Braga têm oportunidades em Usados e Seminovos
Calor, poeiras, aguaceiros, trovoada e granizo. Braga e Viana em aviso amarelo
Pizzaria evacuada em Braga após incêndio num forno
Jovem de Famalicão ferido após colisão em Braga
A super-exposição vai estar disponível até 29 de maio
Honda Days
Novo “Velocidade Furiosa” vai ser filmado em Portugal (e vai passar pelo Norte)
Pelo menos três mortos em acidente com autocarro que ia de Guimarães para Fátima
Juntos no amor e no crime. Cinco anos de prisão para casal que assaltava em Braga
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Comentários sobre os casos de varíola dos macacos deixa ILGA preocupada – NiT New in Town

Existem 14 casos ativos de varíola dos macacos em Portugal. Esta quinta-feira, 19 de maio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) adiantou que estão também a ser analisados mais dois de casos suspeitos. Ainda pouco se sabe sobre a origem e os métodos de infeção que deram origem a este surto que deixa as autoridades de saúde mundiais em alerta. Porém, até ao momento, uma coisa é certa: apenas os homens foram infetados. 
Segundo os dados partilhados pelas autoridades de saúde britânicas e portuguesas, a maior parte dos infetados são homens jovens, com idades compreendidas entre os 30 e os 40 anos, que mantiveram relações sexuais com outros homens. 
As informações veiculadas pelas várias entidades de saúde nacionais e estrangeiras já começaram a gerar alguns comentários negativos nas redes sociais, direcionados à comunidade homossexual. Ana Arestas presidente da Associação ILGA Portugal — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo confirma à NiT: “Ainda não recebemos até ao momento nenhuma denúncia, mas como temos um observatório de queixa que é analisado à posteriori, mais à frente podemos ter uma noção mais clara desses dados”. 
Para a presidente da associação: “A forma como a informação foi veiculada pelas autoridades de saúde e pelos meios de comunicação acaba por reforçar lógicas de estigma às quais a população LGBTI continua, infelizmente, a ser sujeita e que acabam por ser visíveis nos comentários das redes sociais e de fóruns”.
E acrescenta: “Não nos podemos esquecer de que até há poucos anos as vivências das pessoas desta comunidade foram associadas à doença e ao crime e esse registo continua instalado na nossa comunidade. É por isso que estas notícias resultam em muitos passos atrás nos avanços que temos dado ao longo dos últimos anos”. 
A representante da ILGA sublinha que “neste momento é importante esclarecer toda a população sobre esta doença da forma mais detalhada e de forma não estigmatizante”. E diz à NiT: “Já estamos em contactos com a Direção-Geral da Saúde e as restantes associações para garantir que isto seja revertido, porque infelizmente não é a primeira vez que acontece”. O objetivo é “criar caminhos para que todas as pessoas sejam esclarecidas e que não coloquem as pessoas LGBTI neste contexto de estigma”.
O médico Gustavo Tato Borges, presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), explica à NiT: “Ainda não se conseguiu encontrar uma justificação para o facto de serem só homens infetados com o vírus. Não há nada na doença que indique que só afeta homens, pode ser apenas uma coincidência. Enquanto não se encontrar a ligação entre os infetados é difícil tirar alguma conclusão”.  
Segundo o especialista em saúde pública, estes pacientes podem ter sido infetados “numa viagem ou através de contacto próximo com alguém que visitou um destino em que este vírus circula com mais facilidade e ativamente, como é o caso de alguns países africanos”.
Gustavo Tato Borges acrescenta que “podem ter contraído o vírus em algum desses países e depois terem regressado, já infetados, a Portugal”. Ainda assim, sublinha que as investigações ainda decorrem e não sabem se “este cinco casos viajaram juntos, se trabalham juntos, ou se têm efetivamente alguma relação, por isso, ainda se torna difícil enquadrar em que condições se deu o contágio”.
varíola dos macacos, como é conhecida, é uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar entre 5 e 21 dias.
Esta doença é em muitos aspetos semelhante à varíola, erradicada em 1979 — mas menos transmissível e menos mortífera. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves. Saiba como neste artigo da NiT.

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Carmo, Horta e mais novidades na lista :: zerozero.pt – zerozero.pt

Fernando Santos revelou a lista de jogadores para os quatro jogos de junho, todos a contar para a Liga das Nações. O primeiro é contra Espanha, em Sevilha, a 2 de junho.
O selecionador optou por promover algumas estreias, como o central David Carmo e o avançado Ricardo Horta, ambos do SC Braga, tendo também feito regressar José Sá, Domingos Duarte e João Palhinha.
De fora ficam os lesionados Rúben Dias, João Félix e Rafa Silva. Renato Sanches e José Fonte também não entram nas contas do selecionador para estes quatro desafios.

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Quando o tema é diversidade e inclusão, todos temos responsabilidades. No Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, a Pessoas conta-lhe as medidas que as empresas estão a adotar.
Quem já recebeu comunicações assinadas pelo presidente do conselho de administração da TAP deve ter reparado num “detalhe”. Manuel Beja, que desempenha funções na companhia aérea desde junho, assina como chairperson e não como chairman, o mais habitual no mundo corporativo. Um pormenor que encerra em si uma forte mensagem: “Procuramos ser uma empresa na qual todos têm as mesmas oportunidades e responsabilidades, indiferentemente do género, etnia ou orientação sexual, por exemplo”, diz fonte oficial da TAP, acrescentando que este “pequeno” (e ao mesmo tempo enorme) detalhe na designação do cargo do gestor contribui para “promover a igualdade de género” numa empresa que “celebra a diversidade em todas as suas dimensões”.
“É uma missão pessoal ter impacto na vida das pessoas”premium
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A designação chairperson tem sido bem recebida pelos colaboradores e restantes gestores de topo, tal como todas as outras iniciativas que a TAP tem vindo a adotar para a promoção dos direitos da comunidade LGBTQI+ (sigla para lesbian, gay, bisexual, transgender, queer e intersex). Criou “serviços sociais” – que contam com um serviço de informação, aconselhamento e mediação para questões relacionadas com a diversidade LGBTQI+ no contexto do trabalho – e está ainda a implementar um canal que vai permitir denunciar todas as situações associadas à discriminação, violações do código de ética, infrações relacionadas ou fraude, assegurando “o anonimato e o tratamento confidencial de todas as situações denunciadas”.
A companhia aérea não está sozinha nesta preocupação. Na Free Now, a Speak Up tem um objetivo semelhante. Esta ferramenta digital, já operacional, “dá a todos os colaboradores a oportunidade de, anonimamente, partilharem as suas opiniões com a equipa de compliance”, explica Bruno Borges, general manager da Free Now em Portugal. “A ideia é incentivar os nossos colaboradores a socorrerem-se desta ferramenta caso alguém testemunhe ou experiencie alguma situação menos própria e que deva ser corrigida. Reforço, a ferramenta é 100% segura e anónima.”
A par da Speak Up, a empresa de mobilidade tem investido noutras iniciativas que solidificam o seu compromisso com a diversidade e inclusão (D&I). É o caso das Shift Talks – realizadas a cada trimestre em formato webinar ou workshop com base nas sugestões dos colaboradores e com o objetivo de consciencializar e educar –; das comunidades internas lideradas por funcionários, que pretendem incentivar um discurso positivo e a partilha de informações, criando espaços seguros para todos; e do guia de inclusão, criado para facilitar a adaptação e integração de todos os colaboradores, recém-chegados ou há mais tempo na empresa.
“Na Free Now impulsionamos a diversidade e a inclusão a todos os níveis, porque temos uma visão clara: queremos ser um empregador onde os mais diversos talentos possam encontrar lugar, ficar e dar o seu melhor para criar, em conjunto, uma plataforma que torne a mobilidade acessível a todos”, desde os colaboradores aos motoristas e até aos clientes.
“Somos a única plataforma de mobilidade no mercado nacional a dar formação aos seus motoristas e, precisamente, um dos módulos que compõem esta formação, incluído recentemente, é dedicado às boas práticas a assumir em relação aos clientes. Os temas da discriminação e do assédio são dois dos tópicos primordiais deste módulo”, continua Bruno Borges. Estas formações são obrigatórias para todos os motoristas ativos na plataforma e são dadas antes da primeira viagem.
No setor tecnológico, a Microsoft tem também mostrado empenho na criação de um espaço de trabalho seguro. “É a primeira empresa onde sinto que o tema de diversidade e inclusão é levantado como um ponto de discussão. Como imigrante de um país com baixo crescimento económico e social, sonhar com um futuro de oportunidades e inclusão era uma tarefa impossível. Quando a vida me deu a oportunidade de viver fora das minhas fronteiras e trabalhar numa empresa onde o meu valor reside em capacitar muitas perspetivas, qualquer necessidade de ocultar a minha verdadeira essência ficou completamente esvaziada”, conta Moisés Sousa, partner technical advisor da Microsoft Portugal, natural da Venezuela.
Moisés Sousa faz parte do GLEAM, uma plataforma constituída por voluntários da Microsoft com o objetivo de impulsionar mudanças nas políticas da empresa e no ambiente de trabalho relacionadas com a comunidade LGBTQI+. “O GLEAM foi impulsionado inicialmente pela Rita Piçarra, atual CFO da Microsoft Portugal, depois de ter vivido 12 anos em países como os EUA, França, Brasil e Espanha, e de ter notado que a Microsoft em Portugal estava a crescer a um ritmo muito elevado, e que ainda não tínhamos o chapter GLEAM localmente. Desafiou-me para avançarmos com a criação deste projeto em Portugal e arrancámos o grupo com apenas cinco membros”, recorda Sergio Matos, sr finance manager & GLEAM lead na Microsoft Portugal.
Um aliado é uma pessoa que toma intencionalmente a decisão de perceber, criar empatia e atuar para apoiar o outro; é um compromisso e uma prática ao longo da vida, que deve ser adotado por todos nós.
Sr finance manager & GLEAM lead na Microsoft Portugal
No primeiro ano, já contava com 60 membros internos e, atualmente, são mais de 90. “Como membro da comunidade LGBTQI+, é muito importante para mim ser fiel à minha personalidade. Parte da luta que mantemos pelos direitos da nossa comunidade começa por garantir que este é um tema de discussão no ambiente de trabalho, e que podemos trabalhar pela diversidade e inclusão em todas as atividades das nossas equipas. O GLEAM, para mim, representa a oportunidade de usar a minha plataforma laboral para informar e educar outras pessoas sobre temas importantes na luta LGBTQI+. Esta foi, sem dúvida, a razão que me incentivou a integrar esta equipa, e deixa-me muito orgulhoso pertencer a uma organização que promove os valores de diversidade e inclusão entre os seus colaboradores”, diz Moisés Sousa.
Na quase uma centena de membros do GLEAM, há colaboradores da comunidade LGBTQI+, mas também “aliados”. “Uma pessoa que toma intencionalmente a decisão de perceber, criar empatia e atuar para apoiar o outro; é um compromisso e uma prática ao longo da vida, que deve ser adotado por todos nós”, esclarece Sergio Matos. Os “aliados” são fundamentais no grupo, “de forma a eliminarmos as formas de discriminação e melhorarmos a empatia entre as pessoas das organizações”.
Este é também o ambiente com que a Ikea se identifica. “Todas as pessoas devem poder assumir-se como são no local de trabalho e entendemos que a inclusão LGBTQI+ é da responsabilidade de todos. Valorizamos as diferenças de cada indivíduo e encorajamos os nossos colegas de trabalho a serem eles próprios, porque acreditamos que a singularidade de cada um torna a Ikea melhor”, afirma Cláudio Valente, head of people & culture da empresa em Portugal.
Trazer o tema para a ordem do dia é importante, mas é preciso muito mais. É necessário que sejam assumidos compromissos e que este seja um objetivo central dentro das organizações.
Head of people & culture da Ikea Portugal
À semelhança da Microsoft, a cadeia sueca criou um movimento de embaixadores interno que promove e celebra a diversidade. “Ter consciência dos nossos preconceitos inconscientes em relação a pessoas de diferentes orientações sexuais e identidades de género e tomar medidas para minimizá-los é um dos principais passos para sermos inclusivos. Por isso, é tão importante criar uma infraestrutura que permita tratar todas as pessoas com justiça, independentemente da sua orientação sexual ou identidade de género, promovendo ativamente na sociedade a igualdade de direitos e a não aceitação de comportamentos discriminatórios ou homofóbicos.”
A par deste grupo de embaixadores, a Ikea tem vindo a criar diferentes oportunidades de debate, consciencialização e compreensão, com iniciativas como a Semana da Diversidade; a celebração anual do Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia (IDAHOT); o apoio à Workplace Pride Foundation e Stonewall, duas organizações focadas na inclusão LGBTQI+ no local de trabalho; e o lançamento do podcast Igualmente, que dá voz a vários temas no âmbito da diversidade e inclusão. Num dos episódios, o podcast abordou a homofobia, transfobia e bifobia, com o objetivo de debater a discriminação da comunidade LGBTQI+ na sociedade e, especificamente, em contexto profissional.
Segundo um estudo da Ikea, realizado pela GlobeScan, apenas 58% dos inquiridos concorda que as pessoas devem ser livres de escolher o que vestir e como viver de acordo com o género com que se identificam, mesmo que tenham nascido com outro género.
“É preocupante saber que ainda é comum as pessoas serem discriminadas na rua, em casa e no trabalho, com base na sua orientação sexual e identidade de género. Na Ikea isso não é aceitável. Procuramos, cada vez mais, inspirar outras empresas para que as políticas de igualdade e inclusão sejam mais ativas, fortes e constantes e para que estes comportamentos não sejam comuns nem aceitáveis. Trazer o tema para a ordem do dia é importante, mas é preciso muito mais. É necessário que sejam assumidos compromissos e que este seja um objetivo central dentro das organizações”, considera Cláudio Valente.

Apesar de o tema começar a receber a atenção e preocupação no mundo empresarial, o caminho ainda é longo. O estudo “Diversity at Work”, do ManpowerGroup, em Portugal dá conta da sua dimensão: apenas 34% dos profissionais e 41% do universo da comunidade LGBTQI+ sente abertura para revelar a sua orientação sexual no emprego. Mais de metade (59,52%) já assistiu a comportamentos não inclusivos no emprego e 20,24% diz que partilhar a sua orientação sexual já limitou as oportunidades de carreira. Números que fazem o general manager da Free Now em Portugal acreditar que é necessária “mais educação e consciencialização sobre a importância da diversidade e da inclusão nas empresas e na sociedade em geral”.
“Não se trata apenas de valores, é necessário implementar-se políticas para proteger e promover a diversidade e a inclusão no ambiente de trabalho. É muito importante ter uma estratégia e princípios sólidos de diversidade e inclusão para todos os colaboradores, bem como ferramentas para se aprender boas práticas ou para se punir o assédio e a discriminação no local de trabalho”, salienta.
É muito importante ter uma estratégia e princípios sólidos de diversidade e inclusão para todos os colaboradores, bem como ferramentas para se aprender boas práticas ou para se punir o assédio e a discriminação no local de trabalho.
General manager da Free Now Portugal
Considerando que as empresas têm um papel fundamental nesta luta – não só para criar um espaço de trabalho inclusivo, como também para educar e provocar a mudança na sociedade – a TAP acredita que é fundamental combater o preconceito desde o início, a começar no processo de recrutamento. “Podemos destacar como boas práticas na área da diversidade, em geral, e às pessoas LGBTI+, em particular, as políticas de não-discriminação no recrutamento e seleção de profissionais”, refere fonte oficial da empresa, salientando que o tema tem de estar, obrigatoriamente, muito presente nos departamentos de RH.
Sergio Matos, da Microsoft, vai mais longe: “Quando falamos de LGBTQI+, falamos de 19 bandeiras e de vários conceitos que necessitam de ser desmistificados e compreendidos. As questões de D&I não são apenas de representatividade de género, orientação sexual, raça ou até antecedentes socioeconómicos, mas também de diversidade ao nível das competências e perspetivas; são complexas e têm diferentes velocidades, por isso devem ser sempre abordadas de forma holística”. Criar os grupos LGBTQI+ nas empresas é importante, mas, para o sr finance manager & GLEAM lead na Microsoft Portugal, o fundamental é “estimular a empatia por todas as dimensões de D&I nas organizações”, uma tarefa na qual “a gestão e lideranças têm um papel fulcral”.

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Entenda a diferença entre injúria racial e crime de racismo – Dinheiro Rural

A principal diferença entre o crime de injúria racial e racismo é a quem é dirigida a ofensa. Nessa sexta-feira (20), a corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo aprovou a abertura de processo disciplinar contra o vereador Camilo Cristófaro (Avante) por uma frase racista dita por ele em sessão da Casa. A Agência Brasil conversou com o presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil São Paulo (OAB-SP), Irapuã Santana do Nascimento da Silva, que explicou a diferença entre as tipificações penais.
“Se você tem uma ofensa dirigida para uma pessoa ou um grupo determinado de pessoas, que você consiga destacar essas pessoas, é injúria racial. Quando você tem um número grande de pessoas sem conseguir individualizar, se você pratica essa ofensa para toda uma coletividade, você tem o crime de racismo. No caso do vereador, como ele fala que é coisa de preto, isso acaba trazendo uma ofensa a toda a comunidade negra, que são mais de 100 milhões de pessoas”, explicou o presidente da comissão.
No último dia 3 de maio, Camilo Cristófaro participava de forma remota de uma sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Aplicativos, na Câmara Municipal de São Paulo. Como o microfone do vereador estava aberto, o áudio da fala dele com outra pessoa acabou vazando para a reunião: “Não lavaram a calçada, é coisa de preto, né?”, foi a frase ouvida durante a sessão.
Irapuã Santana do Nascimento da Silva acrescenta que a pena prevista para os dois crimes é igual, de um a três anos de detenção. A diferença está no tratamento da injúria racial como um crime que cabe fiança e pode prescrever, o que não se aplica aos casos de racismo. O advogado explica, no entanto, que essa confusão teve origem em 1997 quando o crime de injúria racial foi incluído no Código Penal, e não na lei dos crimes de racismo, Lei 7.716, de 1989.
“Como o crime de injúria está previsto no Código Penal, as pessoas falaram: olha, se tá fora da lei de crime de racismo, ela não pode ser colocada como um crime imprescritível e inafiançável. Veio daí essa diferenciação, mas, na verdade, se a gente for pegar tudo na origem, era tudo equiparado”, apontou. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em um caso específico, que o crime de injúria não é prescritível.
“O Supremo fez esse julgamento dentro de um processo que era de habeas corpus, então esse tipo de julgamento não irradia para outras matérias, só cria efeitos para aquele processo. Existe agora a ação, que é a Ação Direta de Inconstitucionalidade, que é justamente para colocar esse entendimento para todo o ordenamento jurídico. Por enquanto, continua da mesma forma: injúria racial é afiançável e prescritível; e o crime de racismo é imprescritível e inafiançável”, apontou o representante da OAB.
Outro caminho para equiparar o crime de injúria racial com o de racismo é a aprovação de uma lei no Congresso Nacional. Nesta semana, o Senado Federal aprovou um projeto de lei com esse entendimento. “Ele [projeto] precisa ir para Câmara para passar pelo processo legislativo, votação, deliberação e a partir daí segue para sanção ou veto presidencial. Basicamente, a gente teria essa interpretação correta, de que o crime de injúria é uma espécie de crime de racismo e, por esse motivo, seria inafiançável e imprescritível.”
O projeto de lei em votação no Congresso também estabelece o aumento da pena para dois a cinco anos e que os ofensores ficam proibidos por três anos de participarem de eventos esportivos, artísticos e culturais.
O advogado reforça que diversos tipos de prova podem compor um processo de injúria racial ou racismo. “Todas as formas possíveis de demonstrar que aquele fato ocorreu podem influenciar no julgamento do processo. Às vezes, não se tem uma prova cabal, mas tem indício. Testemunha, vídeo, áudio, foto, um post, qualquer coisa nesse sentido vai servir de um elemento para que o magistrado, na hora de julgar o caso, possa se convencer de que aquele fato criminoso ocorreu e a partir daí fazer a aplicação da pena.”
No caso do vereador de São Paulo, além do processo administrativo, ele pode responder criminalmente pela prática de racismo. “Inclusive, seria cabível até uma ação civil pública indenizatória para que ele reparasse a violação que aconteceu com ofensa em relação a toda coletividade”, avalia Silva. Cristófaro nega que tenha sido racista e se referiu ao episódio como uma “brincadeira” em resposta à Agência Brasil, na ocasião.

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