Futebol precisa ser reestruturado para diminuir casos de racismo, diz Observatório da Discriminação – Correio do Povo

Edenilson acusou lateral do Corinthians de proferir ofensas racistas na partida contra o Inter
Edenilson acusa jogador do Corinthians de ter sido racista. Lateral do time adversário nega atitude
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No último final de semana, o jogo entre Inter e Corinthians, que terminou em 2 a 2, foi marcado por um episódio onde o meia Edenilson acusou o lateral Rafael Ramos de proferir ofensas racistas. Após o final da partida, Ramos chegou a ser autuado por injúria racial e foi liberado com pagamento de fiança de R$ 10 mil. Segundo o diretor do Observatório da Discriminação Racial no Esporte, Marcelo Carvalho, o caso traz à tona a importância de se falar sobre racismo no esporte e a necessidade de uma reestruturação no futebol para que o problema ocorra cada vez menos. 
Conforme dados preliminares do Observatório, em 2021 foram registrados 53 casos de racismo e injúria racial no futebol brasileiro. De 2014 até o ano passado, o número chega a 330. No período, o Rio Grande do Sul é o estado com mais denúncias catalogadas, correspondendo a 29,4% do total. Em seguida, estão São Paulo (14,7%) e Minas Gerais (7,4%). 
Ainda conforme as estatísticas, dos 330 casos, apenas 49 chegaram a ser julgados pela Justiça Desportiva (TJD/STJD), e 30 deles geraram alguma sanção. A maioria das penas foi em forma de multa (entre R$ 400 e R$ 50 mil) e/ou suspensão. Apenas três episódios foram punidos com perda de mando de campo, e dois, com perda de pontos. 
De acordo com Carvalho, o cenário atual do esporte acaba possibilitando que atos racistas continuem acontecendo com tanta frequência. “Do jeito que está, o racista está vendo que não existe punição e ele está sendo estimulado a ir para o estádio e cometer ato de racismo”, destaca. 
O panorama para denúncia de casos de discriminação racial em campo não é favorável, segundo o diretor. Isto porque existe um ambiente onde a vítima não tem como provar direito o que outra pessoa falou. “O futebol envolve paixão. Os torcedores do clube que está sendo acusado vão sempre contestar. E aí a gente vai buscar câmeras e é difícil fazer essa leitura labial. É difícil chegar numa conclusão”, ressalta. A dificuldade faz com que os casos acabem sendo arquivados por falta de provas, enfatiza Carvalho. 
Para Carvalho, é preciso que um protocolo seja adotado para árbitros e jogadores sobre como os profissionais devem agir quando um caso de racismo é exposto dentro de campo. É necessário também que os clubes tenham uma equipe que procure elucidar para os esportistas o que é discriminação racial e como evitá-la. “O Edenilson faz todas as coisas corretas, ele vai até o árbitro. O árbitro escuta ele e coloca o caso em suma. O Edenilson registra o boletim de ocorrência. Esse caso deixou bem explicitado a necessidade de um protocolo para os jogadores saberem como agir quando isso acontece”, avalia. 
Carvalho cita um protocolo da Fifa sobre casos envolvendo racismo. A regulamentação diz que o árbitro, ao notar atitudes discriminatórias ao longo do jogo, tem a permissão de parar ou até mesmo encerrar a partida. Para o diretor, no entanto, a medida ainda corresponde somente aos torcedores, o que não é suficiente. “A gente precisa estabelecer um comportamento para quando o ato ocorre dentro de campo”, pontua. 

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Segundo expõe o integrante do Observatório, o futebol brasileiro apenas tolera jogadores e treinadores negros. Enquanto os profissionais estão trazendo bons resultados, as ofensas acontecem em menor escala. Mas quando o desempenho não sai como o esperado, aí os ataques acontecem com mais força. Além disso, embora o Brasil tenha vários jogadores negros, os espaços dos conselhos, confederações e administrações são mais restritos a homens brancos. “A partir do momento que o torcedor não enxerga no jogador aquele rendimento que ele espera, rapidamente ele vai desumanizar ou vai culpar esse jogador. A gente não vê esse comportamento quando é um jogador branco”, enfatiza. 
Um inquérito policial será aberto contra Rafael Ramos para investigar as acusações de supostas injúrias raciais cometidas contra Edenilson, autor da ação. Após o episódio, o jogador do Inter fez uma publicação nas redes sociais, falando sobre a dificuldade de ter tomado a atitude no momento em que se sentiu ofendido. “Não reagi provavelmente da forma que deveria, pois foi a primeira vez que isso aconteceu comigo e me incomoda o fato de ficar chamando atenção de outra forma que não seja jogando futebol”, disse. 
Para Carvalho, a atitude do jogador em se sentir parcialmente culpado de abordar o racismo tem a ver com o estigma atribuído aos esportistas quando eles expõem terem passado por uma situação de racismo. “Quando um jogar faz denúncia, a torcida começa analisar comportamento fora do campo, começa a pensar que ele usou aquilo como uma forma de promoção pessoal, começa a questionar a veracidade do caso”, salienta. 
O movimento de não procurar validar o que o jogador diz tem a ver com o objetivo de silenciar vozes negras e minimizar a importância de se procurar ter uma sociedade mais igualitária, diz Carvalho. Como outro exemplo, ele cita uma entrevista do treinador do Grêmio, Roger Machado, que ganhou grande repercussão. O treinador abordou a problemática no esporte e muitas pessoas disseram que ele não deveria falar sobre a questão, e sim, focar no trabalho em campo do Tricolor. “O futebol tem um silenciamento que não está escrito em lugar nenhum, mas toda vez que alguém levanta a voz para falar sobre racismo, surge uma parcela grande da sociedade que diz que ele não deve falar sobre isso e deve focar no futebol”, explicita. 
Carvalho ressalta que, embora o quadro seja difícil, os jogadores estão cada vez sentindo mais coragem de denunciar quando sentem que sofreram algum caso de racismo em campo. O apoio dos colegas ou adversários ao longo da partida também tem sido maior. “Os jogadores do Corinthians, quando se aproximam do Edenilson, não é com violência. Eles se aproximam para tentar entender o que está acontecendo. E todos eles, quando escutam o Edenilson, ficam em espanto. Ninguém dentro de campo contestou”, lembra. 
A CBF pretende promover no próximo mês um seminário de combate ao racismo. O evento terá a presença de instituições com a Fifa, Conmebol, além de dirigentes de federações e o Ministério Público. O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, já sinalizou a necessidade de trazer um endurecimento maior para casos de racismo no futebol. “A gente pode ter uma esperança de ter um ambiente melhor se ações contra o racismo realmente se concretizarem. Acho que isso vai nos levar a um trabalho de conscientização maior”, reflete.

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“THE LAST WALTZ”… MANDELA… e até já!!! | Site oficial do Sporting Clube de Portugal – Sporting Clube de Portugal

“THE LAST WALTZ”… MANDELA… e até já!!! | Site oficial do Sporting Clube de Portugal  Sporting Clube de Portugal
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Maioria das ocorrências de discriminação têm vítimas negras | Repórter Rio | TV Brasil | Notícias – TV Brasil |

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O Instituto de Segurança Pública divulgou dados de um levantamento do Painel Discriminação. De 1.365 ocorrências registradas ano passado, 1.036 são de vítimas negras.
 
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Criado em 19/05/2022 – 12:00
Reprodução autorizada mediante indicação da fonte.

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Rizek questiona omissão de entidades sobre racismo: 'Está virando uma espécie de troféu' – LANCE!

Jornalista da Rede Globo criticou a falta de medidas mais severas diante dos crimes de preconceito racial no futebol
Rizek comentou sobre a recorrência dos casos de racismo no futebol – Reprodução / Sportv
Em meio a mais um caso de racismo na Libertadores, o jornalista André Rizek criticou a omissão das autoridades do futebol diante dos atos de preconceito racial. Segundo ele, as organizações estão sendo coniventes com os crimes cometidos dentro dos estádios.

– As entidades que comandam o futebol são tão permissivas com manifestações racistas (ainda mais com as homofóbicas) que está virando uma espécie de troféu, para o racista, imitar macaco no estádio. Nem o risco de ser detido (real mesmo, só no Brasil) contém essa “gente” – escreveu o apresentador do ‘Seleção Sportv’, no Twitter.
As entidades que comandam o futebol são tão permissivas com manifestações racistas (ainda mais com as homofóbicas) que está virando uma espécie de troféu, para o racista, imitar macaco no estádio. Nem o risco de ser detido (real mesmo, só no Brasil) contém essa “gente”. 🧶
Antes de a bola rolar entre Boca Juniors e Corinthians, na Bombonera (ARG), pela fase de grupos da Libertadores, um torcedor do time argentino foi flagrado fazendo gestos racistas em direção à torcida corintiana.

+ VÍDEO: Torcedor do Boca é flagrado fazendo gestos racistas em direção à torcida do Corinthians

Este não é o primeiro caso de racismo na competição, e a Conmebol, há menos de um mês, oficializou mudanças no Código Disciplinar com punições mais severas para casos de injúria racial em seus torneios.
+ Conmebol oficializa punições mais severas para casos de racismo
Rizek continua sua explicação e afirma que medidas mais severas deveriam ser impostas aos criminosos e que os clubes sejam responsabilizados por seus torcedores. 

– Quero ver quando clubes começarem a perder pontos – é só isso o que pega com esses boçais. Ao que parece, só assim para causar indignação no estádio inteiro – e os próprios torcedores coibirem esse nojo. Futebol não vai consertar a sociedade. Mas pode fazer a sua parte – finalizou. 
Depois da repercussão pelos seguidos episódios de racismo em jogos da Libertadores, a Conmebol oficializou as mudanças no Código Disciplinar. Agora, estão previstas punições mais duras contra atletas e clubes “cujos torcedores insultem ou atentem contra a dignidade humana de outra pessoa ou grupo de pessoas por motivos de cor de pele, raça, sexo ou orientação sexual, etnia, idioma, credo ou origem”.

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Após acusação de racismo, o despertar de Edenilson – Correio do Povo

Jogador fez os dois gols da vitória contra o Independiente Medellín e afirmou intenção de ser mais ativo na luta antirracista no futebol daqui para frente
Em coletiva depois da vitória, Edenilson afirmou que pretende ser mais ativo na luta antirracista
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Após ter denunciado injúria racial durante partida contra o Corinthians no último final de semana, Edenilson marcou dois gols no jogo dessa terça contra o Independiente Medellín e disse que o caso marcou o seu despertar para essas questões. Ele afirmou em coletiva que pretende ser mais ativo na luta antirracista no futebol daqui para frente. Para tratar do assunto, o Direto ao Ponto conversou com o diretor do Observatório da Discriminação Racial no Esporte, Marcelo Carvalho, que destacou a necessidade de uma reestruturação no futebol para cobir essas ocorrências. 
Ouça:

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Grupos acusados de ameaçar a democracia formam alianças com bolsonaristas – Diário do Centro do Mundo

Bolsonaristas têm aprofundado laços com grupos acusados de ameaçar a democracia. Existe uma diplomacia paralela consolidada pelo governo Bolsonaro com um ator de destaque no movimento ultraconservador mundial, segundo a coluna de Jamil Chade no UOL. Representantes brasileiros foram convidados para debater ao lado de diversos partidos de extrema direita do mundo. Eles são acusados de xenofobia, de serem supremacistas e anti-imigração.
Um desses eventos é organizado pela Conservative Political Action Conference, entidade americana que defendeu a mentira de que a eleição no país foi fraudada. Há algumas semanas, em Orlando, na Flórida, o grupo promoveu um evento que vendia bandeiras com a frase “Trump venceu”.
A conferência organizada pela entidade ocorre na Hungria, do líder de extrema-direita Viktor Orbán. Entre os principais nomes do evento está o de Eduardo Bolsonaro. Além dele, estarão lá Marine Le Pen (líder de extrema-direita na França), partidos extremistas da Bélgica, Áustria e Espanha, e também influenciadores e jornalistas da Fox News ligados a Donald Trump. Outros nomes confirmados são o de Nigel Farage, que encabeçou a campanha pelo Brexit, e a cúpula do governo de Orbán.
Alguns assuntos do evento são “Deus, pátria e família”, um debate sobre “o homem é um pai, a mãe é uma mulher” e um encontro para discutir o tema “a civilização ocidental está sob ataque”.

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Racismo no Brasil: o que é o racismo estrutural, injúria racial e democracia racial – JOTA

Home » Jotinhas » Racismo no Brasil: o que é…
Privatização
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Saiba também o que já disseram os prováveis candidatos à Presidência em 2022 sobre o assunto
Chaga que atravessou os séculos no Brasil, o racismo é a discriminação contra indivíduos ou coletivos por sua etnia ou cor. Trata-se hoje de uma questão estrutural, com práticas excludentes que privilegiam um grupo em detrimento do outro. O racismo está presente nas relações sociais, políticas, econômicas, culturais e também interpessoais. Neste texto, você saberá o que é racismo estrutural, o que é racismo institucional, o que é o mito da democracia racial, o que é injúria racial, e o que alguns dos candidatos à Presidência da República em 2022 já disseram sobre o assunto.
É possível perceber o racismo em nossa sociedade, por exemplo, no acesso dos negros a posições de poder, na política e no mercado de trabalho. Apesar de 54% dos brasileiros serem negros, de acordo com o IBGE, apenas 24% dos parlamentares da Câmara dos Deputados eram pretos e pardos em 2019. Além disso, os negros possuem menos acesso à educação e são a maior parte da população pobre. De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2020, a cada três presos, dois são negros.
Apesar da criação de leis, do surgimento de mais oportunidades para a representatividade e da melhora na conscientização da população, a evolução na questão do racismo ainda se dá a passos lentos e há muito a ser feito no país.
O racismo estrutural consiste na organização de uma sociedade que privilegia um grupo de certa etnia ou cor em detrimento de outro, percebido como subalterno. A partir de um conjunto de práticas excludentes frequentes e por um longo período de tempo, criam-se discriminações de complexa resolução e nem sempre de percepção explícita.
Trata-se de um processo histórico no qual as classes subordinadas são submetidas à opressão e à exploração das classes dominantes. O racismo estrutural está enraizado na estrutura social e orienta as relações institucionais, econômicas, culturais e políticas.
No Brasil, em relação aos negros, o racismo estrutural se perpetua desde os tempos da escravidão, no início do século XVI. A imposição da cultura dos colonizadores portugueses, o massacre da população escravizada e a ausência de direitos aos negros após a abolição da escravatura deixou a herança de uma visão racista de inferioridade.
Com o tempo, as pessoas negras conquistaram mais espaço e direitos no país, mas ainda hoje se veem pouco representadas na política, são maioria no sistema carcerário, representam a fatia principal da população pobre e têm menos acesso à educação. Assim, conserva-se o sistema de hegemonia da classe branca, com restrição de oportunidades, inclusão e ascensão social dos negros.
O racismo institucional aparece em instituições públicas e privadas que promovem a exclusão e a desigualdade de certos grupos raciais. Trata-se de um reflexo do racismo estrutural, com práticas e normas discriminatórias nesses espaços.
A questão surge, por exemplo, em barreiras para a entrada de negros em vagas de empresas, principalmente em altos cargos (e também em relação a oportunidades e salários quando eles já estão dentro desses ambientes), acesso a serviços de educação e saúde, participação na política, entre outras situações.
O IBGE mostrou que trabalhadores brancos recebem por hora, em média, 68% mais que pretos e pardos. Além disso, um estudo do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUCRS, juntamente com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (Rede ODSAL), concluiu que um trabalhador negro ganha 17% menos do que um trabalhador branco da mesma origem social.
No Brasil, as ações policiais que atingem principalmente os negros, com maiores índices de mortes e abordagens, mostram o racismo estrutural dentro da instituição de segurança. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança, dos 6.416 brasileiros mortos por intervenção policial em 2020, 78,9% eram negros. A taxa de letalidade em operações se mostrou 2,8 vezes maior entre negros do que entre brancos.
A democracia racial é considerada por estudiosos como um mito por negar o racismo no Brasil e ignorar o racismo estrutural. Nessa visão utópica, existe uma democracia que inclui todas as raças e garante os mesmos direitos e oportunidades a todos.
De acordo com esse conceito, que ganhou corpo principalmente após a abolição da escravatura no país, com a ideia de uma nação miscigenada e harmônica, o insucesso de negros não tem a ver com o sistema, mas com suas escolhas individuais.
Em um país no qual o racismo por muitas vezes é velado, essa afirmação desconsidera as heranças da escravidão, o abismo de oportunidades entre as raças e outras barreiras de exclusão ainda vistas em larga escala.
A concepção de democracia racial evita a criação de políticas de inclusão pelo Estado, busca o status quo de hegemonia dos brancos e impede a conscientização e a mobilização de movimentos organizados. Essa negação e naturalização do racismo acabam contribuindo para sua perpetuação.
O crime de injúria racial, de acordo com o artigo 140, parágrafo 3°, do Código Penal, consiste na ofensa à dignidade ou ao decoro de alguém, baseado em sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência. A pena envolve reclusão de um a três anos e multa.
A injúria racial se diferencia do crime de racismo, previsto na Lei 7.716/1989, pois trata da honra de um indivíduo específico, majoritariamente por meio de palavras depreciativas.
Já o crime de racismo – inafiançável e imprescritível -, com contextos mais amplos passíveis de punição e pena de dois a cinco anos de reclusão, atinge o coletivo, ao discriminar uma etnia de forma geral. Nestes casos, apenas o Ministério Público pode apresentar denúncia contra o agressor.
A luta contra o racismo é uma tarefa complexa, que envolve atuação em diversos campos da sociedade. O combate ao preconceito passa pela inclusão. O Estado possui papel essencial na questão, pois políticas afirmativas e de valorização identitária ajudam a combater as disparidades entre raças, além de leis, programas educativos e oportunidades dentro da própria estrutura governamental.
O exemplo das cotas raciais, vistas em instituições públicas e privadas, reforça a integração e a diversidade, junto de programas de qualificação. A Lei de Cotas, de 2012, implementou a reserva de 50% das vagas nas universidades federais a alunos do ensino público, levando em conta também um percentual mínimo de pretos, pardos e indígenas.
A representatividade na mídia, na cultura, no mercado de trabalho e em outras áreas também faz diferença. A presença de diferentes raças em espaços de decisão, como a política, dá voz e oportunidade de criação de medidas concretas aos negros.
O racismo também deve ser combatido por meio de leis e punições a agressores. As denúncias precisam ser levadas a sério e atendidas a contento para servir de exemplo, incentivar novas queixas e coibir ataques.
Legislações, programas governamentais e educação são essenciais, porém o racismo diz respeito a formas nem sempre conscientes de desfavorecer certos grupos. Assim, a conscientização individual se faz mais do que necessária.
Atual presidente e provável candidato à reeleição pelo Partido Liberal (PL), Bolsonaro já enfrentou acusações de racismo. Ele chegou a ser denunciado criminalmente por uma declaração sobre quilombolas, em 2017: “Fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais.” O ministro Alexandre Moraes, hoje destestado por Bolsonaro, foi quem deu o voto decisivo para a rejeição de denúncia pelo crime de racismo.
“As declarações são totalmente desconectadas da realidade, mas no caso em questão, apesar da grosseria, da vulgaridade, não me parece ter extrapolado limites da sua liberdade de expressão qualificada”, afirmou o ministro na ocasião. Segundo o ministro, Bolsonaro fez críticas a políticas do governo e não discurso de ódio.
No ano passado, Bolsonaro disse ter visto “uma barata” no cabelo black power de um apoiador. Ainda falou sobre piolho e o chamou de cabeludo. Após o episódio, o mandatário comentou sobre o tema.
“O que mais pegou foi o racismo e a gente demonstra aí que não existe isso para mim. Até digo, né, somos todos iguais. Sempre questionei a questão de cotas. Acho que a cota eleva o homem pela cor da sua pele como subalterno ao outro de cor de pele diferente. Somos iguais. O meu sogro é o Paulo Negão”, alegou.
O presidente já havia criticado as cotas quando era deputado, em 2011, no programa CQC: “Todos nós somos iguais perante a lei. Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista, nem aceitaria ser operado por um médico cotista.”
Na mesma entrevista, foi questionado pela cantora Preta Gil o que faria se seu filho se apaixonasse por uma mulher negra. Rebateu que não iria discutir “promiscuidade” e que não corre esse risco pois seus filhos foram “muito bem educados”, declaração pela qual foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro.
Candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) para a disputa de 2022, Lula realizou ações afirmativas em seu governo e a medida que estabeleceu o ensino da história e cultura afro-brasileira nas instituições de ensino. “Tivemos avanços no combate ao racismo, mas estamos longe de vencer”, disse, em encontro em abril de 2022.
Em fala de 2020, no Dia da Consciência Negra, discutiu o tema: “O racismo se mantém, em grande parte, pelo esquecimento do processo que nos formou como país. (….)  Esse dia nos faz também lembrar que o fim da escravidão, longe de representar a libertação do povo negro, deu início a um longo processo de discriminação e exclusão, que está na raiz das desigualdades raciais e sociais do Brasil de hoje. (…) Mais da metade da população brasileira é negra. Mas, mesmo sendo maioria, negras e negros ainda se encontrem nos patamares mais cruéis de desigualdade, pobreza e de violência. No Brasil, a desigualdade e a pobreza têm cor.”
No último Dia da Consciência Negra, o candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) afirmou: “O racismo contra a raça negra, aquela que deu origem à humanidade, é a negação dos princípios mais elementares da vida. Mas não basta ter consciência crítica contra o racismo e desenvolver formas de luta para enfrentá-lo. Isso é muito importante, mas é insuficiente. Só teremos uma mente liberta do racismo, e uma sociedade livre deste mal, quando o desentranharmos do mais fundo da nossa alma.”
Ciro já foi condenado por uma declaração sobre o vereador negro Fernando Holiday, que abriu processo contra o político. “Esse Fernando Holiday é o capitãozinho do mato. A pior coisa que tem é um negro que é usado pelo preconceito para estigmatizar. Esse era o capitão do mato no passado”, disse Ciro, em junho de 2018.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Ciro se defendeu: “Capitão do mato é a pessoa que se presta ao serviço de perseguir os negros. Este jovem entrou na política dizendo que ia acabar com as cotas, com o Dia da Consciência Negra. Todas as entidades que defendem a questão dos negros chamam ele de capitão do mato”.
Pré-candidato à Presidência pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Doria tratou do racismo nas redes sociais no Dia da Consciência Negra, em 2021.
“O Dia da Consciência Negra marca a importância do combate ao racismo e a desigualdade. Lutar contra o preconceito racial é um dever de todos. Em SP, desenvolvemos políticas públicas de promoção da equidade racial e geramos oportunidades p/ a população negra. Igualdade e respeito”, afirmou João Doria.
Aposta do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para uma possível candidatura de terceira via à Presidência, Simone Tebet falou, em março, em encontro com líderes negras: “Foram 400 anos de escravidão, mas ainda temos um século de discriminação com a raça negra. Nós precisamos acabar com isso.”
Em publicidade, também neste ano, voltou ao assunto: “Ser negro aumenta três vezes a chance de ser assassinado no Brasil. Negar o racismo é negar a história. O momento exige de todos nós respeito e trabalho pela igualdade de oportunidades.”
Ao lançar um programa de educação antirracista, em março, o então governador do Rio Grande do Sul e o segundo nome do PSDB para uma possível candidatura à Presidência afirmou: “Temos um passivo muito grande e um reparo a ser feito com a população negra, e precisamos insistentemente lutar por isso. A escola é o maior braço do Estado junto à comunidade e o maior instrumento de transformação que temos. É por meio da educação das nossas crianças e jovens que podemos construir um futuro com mais respeito e igualdade.”
Redação JOTA – Brasília
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Cláudio Ramos fala em discriminação sobre o programa Em Família e Ruben Rua – Infocul.pt

Cláudio Ramos fala em discriminação sobre o programa Em Família e Ruben Rua, num artigo de opinião na TV Mais.
Já o disse muitas vezes, “Em Família” é o programa para se ver, como o próprio nome indica, em ambiente familiar. Digo isto porque foi o que senti nele desde o primeiro dia e mais agora que se afirmou nas tardes”, começou por escrever.
Criticou os ““senhores” que analisam números, dados, audiências e comportamento televisivo avaliam conforme está a maré ou a vontade com que acordam. Avaliam com pouca objetividade, sem se dar ao trabalho de ver com olhos de ver o que de facto é um bom produto televisivo”.
A verdade é que “Em Família” é um bom programa e a preferência dos espectadores, tendo vingado quase todos os sábados como líder em números e quando assim não é anda por lá muito perto. Não acho que seja falta de mérito da concorrência, até porque neste caso temos do lado mais direto a Fátima Lopes, por quem tenho uma gigante admiração profissional e uma bonita amizade, mas não podemos nem devemos tirar o mérito a um formato só porque existe outro”, continuou Cláudio Ramos.
Meto-me a pensar e pergunto porque é que não se diz à boca cheia que “Em Família” lidera? Que a Maria Cerqueira Gomes e o Ruben Rua são um bom par televisivo? Que as pessoas se sentem acompanhadas? Porque é que isto não se diz e não se escreve, ou pelo menos não com a mesma força com que muitas vezes e durante muito tempo se escreveu o contrário?”, questionou.
Eu digo com a boca toda que o Ruben e a Maria funcionam bem juntos. Ela tem a atitude certa e ele acompanha num registo que lhe assenta bem e a completa. O Ruben já provou que sabe fazer o que faz, que se dedica, que é empenhado, que luta por fazer mais e melhor – e o tempo tem mostrado que o esforço e a vontade de aprender valem a pena”, ressalvou.
O Ruben sofre do mesmo mal por que eu passei durante tempos quando todos achavam que só podia fazer crónica cor de rosa. Sabia que não. Tanto que, apesar de a fazer bem feita, queria saltar. E os resultados de tudo o que fiz depois de dar o salto e até hoje provam que encaixei bem nos projetos que abracei“, acrescentou.
Quem decide é o público e este decide escolher ver esta dupla nos sábados à tarde”, rematou Cláudio Ramos.

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Evento em escola de Resende pretende dialogar sobre racismo por… – Diario do Vale

Evento em escola de Resende pretende dialogar sobre racismo por…  Diario do Vale
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Uma época, três nomes – Jornal de Notícias

A inesperada derrota do Braga em Famalicão, mesmo depois de ter estado a vencer por 2-0, encerra de forma amarga uma época cujo balanço global acaba por ser positivo. Ainda assim, a época, tal como o último jogo, foi caracterizada pela irregularidade tanto nas exibições como nos resultados.
O crescimento sustentado do Braga ao longo das últimas décadas faz com que o quarto lugar seja um elemento de absoluta normalidade que já não desperta a alegria de outros tempos. Foi na Liga Europa que o Braga acabou por fazer melhor que a sua média, acabando afastado de forma injusta por um dos atuais finalistas da prova.
Mas esta época tem três nomes. Em primeiro, Carlos Carvalhal que, com um plantel jovem e curto, conseguiu organizar uma equipa que cumpriu na Liga nacional e surpreendeu na Liga Europa. Mais do que os resultados, a época valorizou os ativos do clube acabando por se traduzir numa extraordinária evolução para vários jovens provenientes da formação da Cidade Desportiva do Sporting Clube de Braga.
Em segundo, Ricardo Horta que entrou para o quadro de honra como melhor marcador da História do clube. Qualquer que seja o seu futuro, é inequívoco que foi em Braga que encontrou a glória da sua carreira.
Por fim, a nossa querida Melinha. Partiu numa época em que, a par do desenvolvimento desportivo, prosseguimos a rota do crescimento em número de adeptos e espectadores. A paixão que se sente nas bancadas, jogo após jogo, é a principal garantia de que este é um clube com presente e com futuro.
Positivo: O Vitória de Guimarães apresentou uma proposta para agravar as penas contra os comportamentos violentos no futebol. Precisamos de erradicar a violência do desporto e de tornar o futebol uma atividade segura para todos e, em particular, para os que são vítimas de racismo, xenofobia, homofobia, machismo ou qualquer outro tipo de discriminação.
Negativo: As cenas no final do jogo de Famalicão não dignificam o futebol.
*Adepto do Braga
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