'Faraó dos Bitcoins' diz que sofreu racismo e que se estivesse nos EUA seria 'capa da Forbes'; VÍDEO – G1

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Streamer é vítima de racismo em jogo online e faz denúncia: 'Preto horroroso' – Marie Claire Brasil

“Como o amigo ali se acha intocável, vou fazer esse post só para ver até onde vai”, declara Caique Benedito sobre a denúncia (Foto: Reprodução Instagram)
O blogueiro, designer gráfico e streamer Caique Benedito, 21, fez uma denúncia em seu Instagram com prints de insultos racistas que recebeu em uma live na plataforma twitch.tv. A transmissão ao vivo ocorreu após uma partida do jogo League of Legends.
Segundo Caique, uma pessoa que se identificou como Guilherme Lopes, de Uberlândia, Minas Gerais, fez as ofensas criminosas. Ele enviou mensagens na plataforma como ‘preto horroroso’, ‘e a favela?’
Em seguida, Guilherme divulgou as sua próprias redes sociais, sob o argumento de que a denúncia “não daria em nada.” Caique desabafa na publicação sobre a dificuldade de ser streamer negro.
“Eu realmente sei que isso não vai dar em nada porque situações como essa sempre passam batido, mas como o amigo ali se acha intocável vou fazer esse post só para ver até onde vai”, afirma o streamer.
“Além da barreira financeira para ter um computador bom, você não se sente representado de nenhuma forma, não tem um cara ali para você usar de espelho e quando você tenta sair da caixinha, acontecem umas coisas dessas”, publicou.
Você se acha tão superior a mim porque eu sou preto e não teve capacidade para ganhar de mim; você queria cinco minutos de fama e você vai ter, seu bosta.”
Confira a denúncia feita por Caique:

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Cerimónia de homenagem às vítimas do tiroteio de Buffalo torna-se grito contra o racismo – Público

De acordo com um manifesto do atirador, divulgada na Internet, o autor do ataque escolheu conscientemente aquele bairro da cidade porque é habitado maioritariamente por população negra.
A missa celebrada este domingo em Buffalo, estado de Nova Iorque, em homenagem aos dez mortos do tiroteio de sábado com motivações racistas, tornou-se num grito contra a supremacia branca e um apelo à justiça. Das 13 vítimas, dez mortos e três feridos, 11 eram negras.​
Perante os principais representantes políticos do estado norte-americano, o bispo Darius Pridgen pediu que fossem empenhados todos os recursos necessários para que se faça justiça contra o alegado agressor do massacre, um jovem branco de 18 anos que foi detido sem direito a fiança sob a acusação de homicídio em primeiro grau.
“O que aconteceu foi terrorismo doméstico, pura e simplesmente”, salientou a procuradora-geral do Estado de Nova Iorque, Letitia James, que juntamente com a governadora Kathy Hochul e outros representantes políticos, participaram na cerimónia religiosa presidida pelo bispo Pridgen.
Letitia James insistiu que se tratou de “um ato de ódio e que deve ser processado como tal”, alegando que o agressor, identificado como Payton S. Gendron, residente em Conklin, uma cidade a 320 quilómetros a sudeste de Buffalo, “se alimentava todos os dias” de um discurso de ódio através das redes sociais.
No sábado, após o tiroteio, o agente especial do FBI Steven Belanger informou que o seu gabinete estava a investigar o massacre “como um crime de ódio e um caso de extremismo violento” com motivações raciais.
A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, descreveu o que aconteceu num dos supermercados da Buffalo como “um ato de racismo e de supremacia branca” contra a comunidade e sublinhou que devem ser tomadas medidas para evitar mais massacres deste tipo.
De acordo com um manifesto divulgado na Internet, cuja autoria é atribuída a Gendron e ao qual vários oradores se referiram durante a cerimónia religiosa de hoje, o jovem escolheu conscientemente aquele bairro da cidade porque é habitado maioritariamente por população negra.
“Não foi um ato aleatório de violência. Já vimos o suficiente disto. Vemos o que acontece quando há demasiadas armas nas nossas ruas e as pessoas ficam zangadas”, lamentou a governadora.
No parque de estacionamento do supermercado onde ocorreu o tiroteio em que dez pessoas morreram e outras três ficaram feridas, uma multidão reuniu-se durante várias horas, prestando homenagem às vítimas e rezando.
Um “crime de ódio” nos Estados Unidos refere-se a um ato dirigido contra uma pessoa devido a elementos da sua identidade, tais como raça, religião, nacionalidade, orientação sexual ou deficiência, estando previstas penas mais duras para estes casos.
Os tiroteios e mortes em locais públicos são quase diários nos Estados Unidos e o crime com armas de fogo está a aumentar em grandes cidades como Nova Iorque, Chicago, Miami e São Francisco, especialmente desde a pandemia de 2020.
Paytin S. Gendron, que vai ser levado perante um juiz, na terça-feira de manhã, pode ser condenado a prisão perpétua, uma vez que não há pena de morte no estado de Nova Iorque.
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Polícia Civil investiga suspeita de publicações racistas nas redes sociais de aluna da UFSM – G1

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Jornalista lança livro infantil com a filha sobre racismo na escola – O Dia

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Os alunos estão realizando atividades de maneira remota. Além das escolas, duas unidades de saúde estão funcionando apenas com atividades internas, ou seja, sem atendimento ao público
Jornalista lança livro infantil com a filha sobre racismo na escola
Narrativa propõe uma reflexão sobre o tratamento dado às pessoas ‘diferentes’
Condomínios deverão manter cartazes com canais de divulgação contra violência infantil
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Ação pede reconhecimento e reparação do Estado por danos causados pelo racismo – Consultor Jurídico

Por Danilo Vital
Não importa se a atividade estatal é considerada legítima ou não: quando é lesiva ao particular, ensejará o dever de reparação. Com essa premissa, a Fundação Educafro ajuizou ação civil pública para cobrar do Estado brasileiro o reconhecimento dos danos causados à população negra e para cobrar reparação.
O processo foi protocolado na 5ª Vara Cível Federal de São Paulo na sexta-feira (13/5), aniversário da abolição da escravatura, de 1888. A peça é assinada pelos advogados Irapuã Santana, Caroline Ramos e Ana Paula Gatti.
O pedido é pela condenação da União para que reconheça formalmente os danos causados à população negra, em virtude do racismo, com pedido de desculpa. E pela criação de um fundo de combate ao racismo e emancipação da população negra.
Para a Educafro, a responsabilidade civil do Estado está comprovada pela conduta de, desde o Século 19, deliberadamente marginalizar a população negra.
Isso aconteceu ao resistir em reduzir o contrabando de pessoas negras e, após a abolição, pelo incentivo na imigração europeia de pessoas brancas, com oferta de benefícios que passou ao largo do tratamento dado aos recém-libertos.
A entidade aponta na ação que negar categoricamente o direito à liberdade e de propriedade sentenciou a população negra a gerações de miseráveis. E mesmo quando criou-se um sistema de proteção e emancipação da população negra, o Estado brasileiro deixou de cumprir devidamente as determinações constitucionais e legais.
A petição elenca dados atuais que indicam que o Brasil segue vulnerabilizando os negros de forma institucional, pela insegurança pública, no tratamento dado nas questões de saúde, na população carcerária e na política fiscal, o que implica na manutenção de privilégios à população branca e a perpetuação dos negros como subalternos.
"Resta inequívoca a existência da responsabilidade civil da União, visto que sua conduta positiva gerou uma série de danos perceptíveis concretamente até o presente momento. Além disso, está caracterizada também sua conduta omissiva, na medida em que, quando não produz o racismo na sociedade, fortalece os incentivos de sua ocorrência, por permanecer inerte enquanto tem o dever constitucional e legal de evitá-lo", diz a petição.
Reparação efetiva
Para obter a efetiva reparação pelos danos causados, a Educafro preparou proposta que visa operacionalizar as políticas de igualdade racial que o Estado brasileiro insiste em ignorar.
A ideia é que o Fundo Especial e Permanente de Combate ao Racismo e Emancipação da População Negra tenha âmbito nacional. E que os recursos sejam aplicados exclusivamente nas ações, programas, projetos e atividades voltados à promoção da igualdade racial.
A proposta aumenta em um 1% os diversos repasses da União, previstos no texto constitucional, do produto da arrecadação dos impostos sobre renda (IR) e sobre produtos industrializados (IPI). Esse um ponto percentual seria direcionado ao Fundo de Promoção da Igualdade Racial.
Também seriam destinados para a verba do fundo 3% da arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).
O fundo especial terá conselho consultivo e será acompanhado por representantes do poder público e da sociedade civil, a serem definido por lei reguladora, que definirá, ainda, a distribuição dos recursos, a fiscalização e o controle do patrimônio do fundo.
"Considerando que um arcabouço jurídico de promoção de igualdade racial é inerente ao Estado democrático de Direito e que qualquer política pública necessita de recursos para sua implementação, no momento em que se observa uma falha na prestação de serviço público, impõe-se a sua modificação, sendo relevante criar uma rede de custeio que propicie a produção dos efeitos pretendidos, no sentido de sanar uma das maiores mazelas da sociedade, que é o racismo", diz a petição.
Clique aqui para ler a petição
5011119-12.2022.4.03.6100

 é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2022, 11h35
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Partidos pedem implementação de plano contra racismo institucional
Novas equipes de seguranças do CNJ serão treinadas contra racismo
Mulher é condenada pelo TJ-SP por post preconceituoso em rede social

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Gilberto Gil fala de primeiro encontro com racismo e medo de morrer – BBC News Brasil

Crédito, Getty Images
Gilberto Gil está prestes a completar 80 anos. Se os números cheios geralmente motivam celebrações e balanços, para o cantor não há sentido em "marcos rígidos".
A seu modo, ele explica que "o anteontem e o ontem pesam tanto quanto o hoje e as expectativas do amanhã".
De qualquer forma, a data (26 de junho) não será passada na tranquilidade de casa: o cantor abre uma turnê europeia de 40 dias como atração principal de um festival no norte da Alemanha.
O giro, intitulado Nós, a Gente, reunirá quase 40 pessoas da família Gil, entre músicos da banda, técnicos e convidados.
As apresentações e a convivência com filhos e netos vão ser pano de fundo para uma série de streaming na Amazon.
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Recém-empossado como imortal na Academia Brasileira de Letras e homenageado com o título doutor honoris causa da Berklee College of Music — uma das mais prestigiadas universidades de música do mundo —, Gil diz à BBC News Brasil que a próxima turnê terá seus desafios.
"É inédito no sentido de ter a família toda. Portanto, as questões de administrar um grupo tão grande são novas."
O cantor também conta que, apesar dos quase 60 anos de carreira, foi desenvolvendo um "certo nervosismo" e uma "dimensão um pouco aflitiva" sobre se apresentar ao vivo.
"Acho que pelo envelhecimento mesmo." Ele explica que a falta de confiança "na dimensão da performance física, da qualidade atlética" traz "novas preocupações, que implicam um certo aumento do nervosismo".
Em meados da década passada, Gil enfrentou uma série de internações por problemas renais que geraram temores sobre sua saúde. Intercalou os períodos no hospital com outros em cima do palco para uma turnê em dupla com Caetano Veloso.
Nos shows dessa época, incluiu no repertório uma faixa bastante direta sobre a mortalidade: Não Tenho Medo da Morte.
"Ela medita sobre essa questão, sobre as reações mais íntimas possíveis, as mais individuais possíveis a respeito de um temor de toda a humanidade, de todos os indivíduos, que lidam em uma determinada medida com essa questão da finitude", explica.
Na letra, o compositor diz que não tem medo da morte em si, mas teme o momento e o contexto dela. "É… acho que uma das questões básicas das pessoas é o verbo morrer, mais do que o substantivo 'morte'. É o ato de morrer, ou como viver… a morte [risos]."
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Em uma fase em que enfrentou problemas de saúde, Gil intercalou os períodos no hospital com outros em cima do palco para uma turnê em dupla com Caetano Veloso
A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens
Episódios
Fim do Podcast
Segundo ele, "o frescor geral da condição existencial" é mantido através das relações pessoais.
"Isso ocorre com todos os processos naturais de cuidado com a sua existência. Vivendo os modos de viver, tudo que envolve o seu viver. A começar pelo círculo familiar e os vários outros círculos que vão lhe envolvendo em termos humanos", diz o cantor.
"É a obrigatoriedade mesmo da vida que faz com que eu continue atento a tudo que está acontecendo."
Isso aparece em sua análise da produção musical recente. Vê no k-pop "jovens coreanos que se tornaram realizadores extraordinários desse campo da pós-modernidade musical", um conceito que também aplica ao som de Anitta.
Na sua visão, o pop atual, em que novos países e línguas conquistam evidência e sucesso, tem característica "fragmentária, não-linear", de não se prender à rigidez de gêneros.
"Anitta utiliza elementos díspares. A dosagem de tudo que ela faz tem um pouquinho disso, um pouquinho daquilo: do samba, da bossa nova, do pop brasileiro, do rock and roll e do rap."
"É preciso não esquecer que eu sou do tropicalismo. Então toda essa complexidade, toda essa variedade de impulsos, sentidos e direções já era proposta e prevista pelo tropicalismo."
Gil também se mantém atento a mudanças tecnológicas que impactam o mundo, uma constante na sua obra.
No disco mais recente de inéditas, Ok Ok Ok (sem contar uma trilha para o Grupo Corpo de dança), o tema foi a ânsia de opinar sobre qualquer coisa nas redes sociais.
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Gil com Anitta e Caetano em show na cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio em 2016
Antes, ele já havia escrito letras de mais entusiasmo com as possibilidades da web (Pela Internet) e também de desconfiança com o que significava conquistar a Lua (Lunik 9) e a chegada da inteligência artificial (Cérebro Eletrônico).
Para o compositor, algumas esperanças de melhorar o mundo representadas pela tecnologia não se confirmaram.
"Está ficando complicado. Uma expectativa mais positiva que a gente teve anteriormente vai se derretendo um pouco. Você tem que enfrentar uma realidade que é muito mais complexa do que aquele sonho."
Existe preocupação em como o celular e a internet se entranharam no dia a dia de todos: "Tem a família, os filhos, como administrar o acesso a eles. Esse novo ingrediente que faz parte da educação, que você não tinha antes, de educar os filhos para esse mundo cibernetizado", diz.
"É difícil administrar como é sentar à mesa, qual é a hora de comer, qual é a hora de sair, a hora de brincar, a de dizer a verdade na internet… qual a hora de mentir [risos]."
Por sua vez, Gil se mostra mais otimista sobre a tensão política que domina o Brasil atual.
"Eu acho que a apreensão é um ingrediente entre outros tantos. A expectativa positiva é uma delas, de que tudo desemboque num fortalecimento da democracia, numa compreensão mais ampla da mudança, da transitoriedade."
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Gil em 2004 quando era ministro da Cultura
Ele justifica o raciocínio pelo que observou durante o século 20, quando "foram derrubadas várias barreiras sérias ao desenvolvimento humano" em que "derrubou-se o nazismo, derrubou-se o comunismo naquilo que tinha de mais nefasto, estabeleceu-se o desejo de uma sistematização democrática mais eficaz".
Ex-ministro da Cultura, cargo que ocupou durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o cantor vê no bolsonarismo um movimento "contra a inovação, contra a novidade, contra o surpreendente".
"É a busca dessa estabilidade conservadora que o bolsonarismo representa. Representa um contingente considerável de mentes e corações que trabalham com esse tipo de visão, de expectativa, de esperança em um mundo velho, numa regressão: 'Temos que regredir para nos salvarmos'."
Diz que não aceitaria voltar à política se fosse convidado. "Não, já não tenho mais energia para isso. Já sou um homem velho e tenho que respeitar a minha velhice."
Além de ministro da Cultura, Gil também foi vereador em Salvador por PMDB (atual MDB) e PV no final dos anos 1980. Com a carreira política encerrada, o que leva da experiência?
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Gilberto Gil durante apresentação na França em 1986
"Que é um campo de atuação complexo, como todos os outros, onde você tem que lidar com priorizações que muitas vezes são difíceis de se obter. Você tem que fazer escolhas, estabelecer critérios para a feitura de escolhas, e esses critérios são gelatinosos."
Outro campo de atuação complexo no Brasil enfrentado por Gil foi o da questão racial. Mas ele mantém otimismo ("em linha geral a coisa anda para frente"), mesmo que no dia da entrevista o noticiário destacasse a expulsão do vereador paulistano Camilo Cristófaro do PSB por uma fala racista.
"Antes, notícias como essa nem existiam. Os brancos exerciam sua hegemonia silenciosamente, tranquilamente, sem perturbação nenhuma. Até bem pouco tempo atrás escravizavam, massacravam, matavam, faziam o que queriam sem que ninguém dissesse nada. Agora não, agora as vozes estão divididas, estão compartilhadas."
Ele relata que teve um despertar relativamente tardio para a identidade negra, para o sentimento de negritude.
"A distinção de raça para mim só veio já a partir da adolescência. Até ali eu vivia numa família de classe média, pequeno burguesa, mãe professora, pai médico, figuras importantes nas microssociedades em que o racismo era nada, não existia."
Foi na adolescência em Salvador e como jovem adulto em São Paulo — onde trabalhou na companhia Gessy Lever após se graduar em administração — que Gil vivenciou episódios abertamente racistas.
"Sofri discriminação por parte de alguns colegas e de alguns professores. Manifestações negativas em relação a minha presença nas salas de aula e coisas desse tipo."
"Já depois de casado, no início da vida adulta aos 22, 23 anos, em São Paulo, tive que lidar com questões como alugar apartamentos, casas para morar. Aí você já tinha aqui e ali uma pequena ponta de discriminação racial."
Episódios que certamente mexeram com a raiva interna de Gil, alguém que já se definiu como dono de "uma aura de mansidão" e cuja imagem pública é associada à serenidade e ao esotérico.
O cantor em entrevista à BBC News Brasil, via Zoom
"Canalizar a raiva, o ódio e as sensações difíceis, negativas sempre se deu fazendo uso da condição oposta, buscando sempre a serenidade, calma, tranquilidade."
Ele diz que esses estados são "aquisições, coisas desejadas" e que se forçava a analisar os sentimentos: "Pensava 'ah isso aqui é raiva, não me interessa muito, não vai me ajudar muito'".
Segundo o cantor, alcançar serenidade é trabalho duro.
"Essa elevação, esse tirar do chão, essa superação da gravidade que coisas como a meditação proporcionam é um trabalho, é resultado desse trabalho, de você buscar 'subir aos céus sem cordas para segurar'" — como diz o verso de Se Eu Quiser Falar com Deus.
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Projeto europeu avaliou políticas de integração de migrantes e refugiados – diariOnline Regiao Sul

Deste estudo, no qual participou a Universidade de Coimbra (UC), resultou o primeiro Índice de Políticas de Integração de Migrantes (MIPEX) para Regiões, designado MIPEX-R.
Com coordenação geral da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa, em Portugal o estudo foi conduzido pelo investigador Paulo Espínola, do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da UC.
Das 25 regiões estudadas, 12 foram classificadas com um grau avançado em termos do modelo de integração regional, entre as quais as regiões de Lisboa e Açores, 4 encontravam-se numa fase intermédia e 9 com atraso.
Este projeto, intitulado REGIN – Regions for Migrants and Refugees Integration, foi realizado ao longo dos últimos dois anos e teve como grande objetivo incluir a integração de migrantes e refugiados nas políticas de coesão social ao nível regional.  O facto de Lisboa não possuir Governo Regional, a avaliação teve como referência a atuação da Câmara Municipal de Lisboa no seu concelho.     
As políticas de integração das duas regiões portuguesas foram classificadas como «ligeiramente desenvolvidas, fazendo parte do grupo mais avançado, registando Lisboa maior pontuação global (máximo = 100). Os pontos mais fortes da política de integração de Lisboa passam pela formulação e implementação das políticas de integração e no desenvolvimento de relações com os atores envolvidos. A política dirigida aos refugiados está mais desenvolvida do que a dos imigrantes não comunitários. Ao nível das áreas de intervenção, atingiu pontuação máxima (100) no âmbito da estratégia para a cultura e religião e necessita de melhorar o apoio à integração dos imigrantes nas escolas e, principalmente, promover campanhas preventivas sobre anti-discriminação», relata o investigador do CEGOT, que contou com a colaboração de Sandra Silva, investigadora do Centro de Estudos Geográficos (CEG) da Universidade de Lisboa (UL), no estudo referente à região de Lisboa.
Nos Açores, prossegue, pelo contrário, «a estratégia para os imigrantes encontra-se mais desenvolvida do que a dos refugiados. Os Açores apresentam um bom nível de produção de políticas e são fortes nas áreas de integração da cultura, religião e anti-discriminação. No entanto, o mesmo não se verifica no que se refere a implementação e avaliação das políticas, bem como no fraco nível de utilização de recursos comunitários e nacionais.  Será preciso tomar medidas ao nível do apoio prestado aos imigrantes em termos de habitação e das suas línguas maternas».   
Estas conclusões têm por base um questionário sobre políticas públicas de integração aplicado às entidades regionais ligadas direta e indiretamente aos imigrantes. Este questionário abrangeu 61 indicadores de áreas distintas, nomeadamente competências formais da região, coordenação e implementação da política de integração, utilização dos fundos nacionais e comunitários na política de integração e coordenação com as ONGs e os Stakeholders. Em simultâneo foi realizado outro questionário com 57 perguntas de cariz mais estatístico.    
Em resultado do projeto, o Governo Regional dos Açores implementou algumas medidas de melhoria, entre as quais «decidiu criar um website, uma aplicação móvel e um documento impresso como guia de boas-vindas para os imigrantes.  Este conjunto de ferramentas fornecerá, de forma direta e organizada, todas as informações sobre o processo de integração. Também vão permitir notificar os imigrantes sobre prazos de inscrição e possibilidade de preencher formulários e colocar questões sobre dúvidas que se levantem», exemplifica Paulo Espínola.
Este estudo foi financiado, no valor de 1,8 milhões de euros, pelo European Union’s Asylum, Migration and Integration Fund, e teve como parceria técnica e coordenação das regiões o Barcelona Centre for International Affairs (CIDOB), o Migration Policy Group (MPG) e a Instrategies, empresa especializada em assuntos europeus e internacionais, com foco em mobilidade e migração. Colaborou ainda no estudo o Governo Regional dos Açores.  
Com a ofensiva russa na Ucrânia, o investigador do CEGOT lembra que «foram já 6 milhões de ucranianos que, entretanto, deixaram o seu país em direção, sobretudo, à União Europeia. Esta corrente poderá mudar a relação de Portugal com os refugiados, isto porque o nosso país não tem sido muito procurado por este tipo de migrantes forçados».
Paulo Espínola observa que, «desde a crise migratória do Mediterrâneo de 2015, com a política de redistribuição de Beneficiários de Proteção Internacional da União Europeia, que Portugal aumentou o número de vagas, que não são 100% ocupadas anualmente. Isto acontece porque existe uma clara preferência dos refugiados pelos países da Europa Central e Ocidental. E até os que chegam a Portugal, porque as vagas nesses países esgotaram, quando surge uma oportunidade a maioria acaba por deixar o país».
«Considero que pode haver uma alteração a este nível, porque ainda há em Portugal uma comunidade ucraniana expressiva, aproximando-se dos 29 mil residentes em 2020. Ou seja, para o refugiado ucraniano há atualmente um suporte de apoio, que pode ser familiar, amizade ou então simplesmente recebido confortavelmente na sua própria língua. Desta forma, à partida, estão reunidas as condições para o alargamento do período de estada desses imigrantes», conclui.
Os estudantes da licenciatura de Fisioterapia do Instituto Piaget de Silves realizaram técnicas de mobilização dos tecidos moles em crianças.
O Agrupamento de Escolas Francisco Fernandes Lopes, de Olhão, marcou presença em mais uma mobilidade de alunos que decorreu em Espanha.
Os alunos integrados no projeto “Water Without Borders” (Água sem Fronteiras) foram recebidos no Salão Nobre dos Paços do Concelho…
As Jornadas Escolares de Odemira estão agendadas para amanhã, sexta-feira, dia 13 de maio, com a participação de 300 alunos…

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Ministério Público de Portugal abriu 49 inquéritos de discriminação e xenofobia em três meses – Globo

Quem escreve
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Portugal visto de dentro por um jornalista carioca: notícias e dicas de oportunidades no país cobiçado pelos brasileiros.
Gian Amato
Jornalista há mais de 20 anos, fez diversas coberturas internacionais por O Globo. Escreve de Portugal desde 2017 para o jornal e outros veículos brasileiros e portugueses. Sempre como repórter.
Investigação
Por Gian Amato

Bonde circula pelo centro de Lisboa

O Ministério Público de Portugal informou ao Portugal Giro que abriu 49 inquéritos apenas no primeiro trimestre deste ano para investigar crimes de discriminação e xenofobia.
Denúncias: Universidade de Portugal decide demitir professor que chamou brasileiras de mercadoria
São denúncias de “incitamento ao ódio e à violência que têm na sua base  motivações raciais ou xenófobas”, explicou o MP.
Em 2021, foram abertos 139 inquéritos, dois a mais que em 2020.
Ao longo dos anos, as denúncias têm aumentado e os resultados começam a aparecer, ainda que lentamente.
Brasileiras são alvo: Queixas de discriminação sobem 52% em Portugal na pandemia
Uma das denúncias que teriam sido remetidas diz respeito ao perfil Confissões da Feup no Instagram. É a sigla para Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. À época, a universidade informou que encaminharia o caso ao MP.
Entre as frases misóginas e xenófobas publicadas, estava a seguinte: “Antes, as brasileiras da Feup eram um regalo para os olhos. Agora, são uma cambada de feministas que querem pênis português e não admitem”.
Bullying: Agressão a brasileira de 11 anos choca, abre debate e expõe a violência nas escolas públicas de Portugal
Já o perfil Apanhei Covid na Feup trazia a imagem do coronavírus, a bandeira do Brasil e macacos representando brasileiros.
 
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