Vereadores fazem comentários homofóbicos e são indiciados por racismo em Goiânia – Diário do Nordeste

A Polícia Civil indiciou pelo crime de racismo quatro vereadores de Goiânia por falas homofóbicas durante uma sessão na Câmara da Capital. Os parlamentares foram investigados após declarações preconceituosas sobre uma propaganda comercial de uma rede de fast food sobre o Dia do Orgulho Gay, em junho de 2021.
Os indiciados são: Sargento Novandir (Republicanos), Gabriela Rodart (DC), Cabo Senna (Patriota) e Thialu Guiotti (Avante). Joaquim Adorno, delegado responsável pelo caso, concluiu na investigação que os discursos foram preconceituosos e discriminatórios.

O inquérito foi enviado ao Judiciário em fevereiro deste ano, mas somente nesta semana o conteúdo foi divulgado.
De acordo com informações do portal g1, a vereadora Gabriela Rodart reforçou que segue não concordando com a campanha, que tem a obrigação de se posicionar e que é preciso debater ideias e opiniões de forma respeitosa.
Já a assessoria de Thialu Guiotti disse, em nota, que “de maneira alguma ocorreu crime de discriminação racial ou de qualquer natureza. […] O vereador não fugirá do propósito de defender a família tradicional tendo a Bíblia como manual de fé e seguindo em defesa das crianças, sempre respeitando as diferenças e escolhas pessoais”, diz a nota.
Os outros vereadores não responderam ao g1.
Em junho de 2021, em uma sessão na Câmara de Vereadores de Goiânia, os parlamentares indiciados fizeram declarações de cunho discriminatório sobre uma propaganda sobre o Dia do Orgulho Gay. 
Foram alvo do inquérito as seguintes falas dos vereadores no plenário:
 
Em uma decisão de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu enquadrar os crimes de homofobia e transfobia como racismo, sendo esse o caso do indiciamento dos vereadores.
Os destaques das últimas 24h resumidos em até 8 minutos de leitura.
Conheça nossas ofertas e vantagens. Planos a partir de R$ 9,90
Os destaques das últimas 24h resumidos em até 8 minutos de leitura.

source

Criança, adolescente, casal, modelo e delegada: racismo em comércio atingiu negros de diferentes perfis em 2021 no Brasil – G1

source

Lei para financiamento de ações municipais para igualdade racial e combate ao racismo foi instituída no litoral de SP – G1

source

“O futebol tolera jogadores negros, não aceita as pessoas negras”: uma conversa com o fundador do Observatório da Discriminação Racial – Expresso

Siga-nos

Tribuna
12 maio 2022 13:45
Jornalista
nicolas | observatório da discriminação racial no futebol
12 maio 2022 13:45
Jornalista
Em 2018 disse que a democracia racial no desporto e no futebol era uma falácia. Em que ponto estamos?
Continuamos no mesmo ponto. A gente está vendo casos de racismo no Brasil, nos torneios sul-americanos e pelo mundo. O que a gente está percebendo é a reação das instituições, que continuam comandadas pelas mesmas pessoas, pelos mesmos homens brancos que não abrem essa porta para que outros façam parte desse mundo.
Artigo Exclusivo para assinantes
No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante? e continue a ler
Comprou o Expresso?
Insira o código presente na Revista E para continuar a ler
+ Exclusivos
+ Tribuna
Siga-nos

source

Covid-19: pandemia agravou bullying sobre a comunidade LGBTQIA+ – Expresso

Siga-nos

Sociedade
15 maio 2022 10:50
textos
Jornalista
Um novo estudo nacional sobre a comunidade LGBTQIA+ deu conta que, apesar dos avanços legislativos, a vida destas comunidades continua a ser difícil
getty images
15 maio 2022 10:50
textos
Jornalista
Nos últimos dois anos, com a pandemia, a situação de vulnerabilidade, de discriminação e mesmo de violência sobre as pessoas LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Queer, Intersexuais, Assexuais e Outros) agravou-se. Um dos contextos onde estas situações prevaleceram, e se intensificaram, foi entre as próprias famílias, refletindo-se em particular em pessoas mais jovens que chegaram a ser ignoradas, humilhadas ou expulsas de casa pelos próprios pais. As pessoas destas comunidades que vivem fora das grandes áreas metropolitanas continuam mais desprotegidas, invisíveis, com menor reconhecimento dos seus direitos por parte dos serviços públicos e maior distanciamento das respostas especializadas. E, entre estas comunidades, são as pessoas ‘trans’ — sobretudo as mulheres — as mais discriminadas, devido à conjugação de sexismo com transfobia. Estes são alguns dos resultados, a que o Expresso teve acesso em exclusivo, do novo estudo nacional sobre as necessidades e discriminação das pessoas LGBTQIA+, encomendado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e realizado em 2021 por uma equipa do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE, que ouviu 22 entidades representativas destas comunidades, assim como estruturas de apoio à vítima e forças policiais.
O que este documento revela é que, apesar dos avanços na lei em Portugal, isso não se traduz de modo efetivo nas vidas destas pessoas. Os contextos de discriminação mais assinalados foram os de saúde, escolares, laborais, de segurança e proteção social, incluindo as estruturas de acolhimento ou forças de segurança. Os centros de acolhimento temporário e estruturas residenciais, o acesso à habitação, a comunicação social e o espaço público foram também identificados como espaços discriminatórios. “Há sem dúvida um grande desfasamento entre os direitos adquiridos e a vida prática destas pessoas da comunidade LGBTQIA+”, diz a socióloga Sandra Saleiro, coordenadora do estudo.
Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.
Artigo Exclusivo para assinantes
No Expresso valorizamos o jornalismo livre e independente

Já é assinante? e continue a ler
Comprou o Expresso?
Insira o código presente na Revista E para continuar a ler
+ Exclusivos
+ Sociedade
Siga-nos

source

Canadiano é a língua do Canadá – Público

Ao contrário do que muitos pensam, é preciso afirmar que as diferenças não destroem a língua pátria, mas, pelo contrário, ampliam o repertório linguístico e fortalecem o vernáculo no cenário mundial.
Apaixonado pela língua portuguesa em todas as suas expressões e culturas. É defensor da lusofonia como política multicultural pós-colonial. Linguista aplicado e mestre em Educação, desenvolve actualmente investigação de doutoramento em Ciências da Educação pela Universidade do Porto.
Canadiano é a língua do Canadá e o americano é a dos Estados Unidos. E os leitores devem pensar que sou, no mínimo, burro. Afinal, todos sabem que a língua oficial daqueles países é o inglês. Um inglês muito diferente daquele falado em Inglaterra, mas, definitivamente, inglês. Como língua internacional, tão importante para as trocas económicas, culturais e científicas, pouco importa qual variedade falamos. É inglês e ponto final.
No entanto, se utilizarmos o caso da língua inglesa como metáfora para reflectirmos sobre o nosso idioma, o pensamento parece mudar um bocadinho. Ora, quem ainda não usou, ou pelo menos ouviu, o termo “brasileiro” em referência à língua do Brasil? Se é tão absurdo afirmar que o canadiano é a língua do Canadá, porque não o é com o idioma da antiga colónia? A resposta é simples: existe desconhecimento e preconceito linguístico.
Ao contrário do que muitos pensam, é preciso afirmar que as diferenças não destroem a língua pátria, mas, pelo contrário, ampliam o repertório linguístico e fortalecem o vernáculo no cenário mundial. As línguas mudam, transformam-se, mesclam-se, enamoram-se de outras, produzem filhos. Sempre foi assim, caso contrário estaríamos ainda a falar o latim. Imaginar que uma língua é homogénea, isenta de transformações advindas de aspectos geográficos, históricos e socioculturais é uma ilusão. Com este mito de unidade e constância da língua, e na busca vã de protegermo-nos das mudanças, construímos barreiras identitárias para demarcar aquilo que consideramos “nosso” daquilo que julgamos “do outro”. E esse outro é, geralmente, errado, esquisito, absurdo (e podem acrescentar todos os depreciativos que lhes convêm). A base do pensamento nazista é o mito de uma raça pura e superior. Pensar que apenas uma variedade da língua seja a mais genuína (razão pela qual se devem evitar os contágios desse vírus mortal chamado diversidade) não é muito diferente. Preparem as câmaras de gás, pois lá vêm os imigrantes sujar nosso idioma (como se a língua não lhes pertencesse também).
Estou a ser radical? De maneira alguma. Basta lembrarmos as discussões recentes sobre a incorporação de “brasileirismos” na fala dos nossos miúdos. Ora, pois. Devemos proibir que nossos filhos convivam com os estrangeiros falantes de versões impuras da nossa língua — um arremedo da sintaxe lusitana. Melhor mesmo será banir os vídeos do YouTube falados em “moçambicano” ou “brasileiro”! Outro exemplo pode ser lido na recente publicação da BBC, em que são relatados casos de xenofobia contra brasileiros. E a língua é um dos alvos deste ataque.
A comunidade anglófona há tempos percebeu que promover a língua inglesa, com sua diversidade, era importante para os mercados. Ainda que haja políticas neste sentido entre os países de língua oficial portuguesa, seguimos, na ordem dos dias, com a briga fútil sobre a nova ortografia, com a mesquinha competição para definir quem perdeu mais. O que se perde, na verdade, é a oportunidade de fortalecer a lusofonia como estratégia de política cultural. E o primeiro passo para isso é reconhecer, incluir e valorizar a diversidade nos modos de ser e estar na língua portuguesa.
Para finalizar esta crónica, compartilho mais alguns questionamentos: será que algum dia conseguiremos perceber que a língua portuguesa é de todos, e que a “deles” também é a nossa? Se não mudarmos nossa lógica de pensamento, perpetuaremos o preconceito linguístico, que é uma das faces violentas da discriminação social.
Leia os artigos que quiser, até ao fim, sem publicidade
Faça parte da comunidade mais bem informada do país
Seja o primeiro a comentar.
Escolha um dos seguintes tópicos para criar um grupo no Fórum Público.
Ao criar um novo grupo de discussão, tornar-se-à administrador e será responsável pela moderação desse grupo. Os jornalistas do PÚBLICO poderão sempre intervir.
Saiba mais sobre o Fórum Público.
Ao activar esta opção, receberá um email sempre que forem feitas novas publicações neste grupo de discussão.
Email marketing por
@ 2022 PÚBLICO Comunicação Social SA
Para permitir notificações, siga as instruções:
Estes são os autores e tópicos que escolheu seguir. Pode activar ou desactivar as notificações.
Receba notificações quando publicamos um texto deste autor ou sobre os temas deste artigo.
Estes são os autores e tópicos que escolheu seguir. Pode activar ou desactivar as notificações.
Para permitir notificações, siga as instruções:

source

Faculdade de Direito de Lisboa abriu inquéritos por assédio e discriminação – RTP

ÁREAS
SECÇÕES
ESPECIAIS
EM DIRETO
NEWSLETTERS
SIGA-NOS
A Faculdade de Direito de Lisboa abriu três inquéritos para investigar as denúncias de assédio e discriminação na universidade. Em causa estão as denúncias enviadas para o email institucional criado para o efeito.

source

Instituto para a Reabilitação contabiliza 1.023 queixas por discriminação por deficiência em 2020 – Observador

Ouvir Rádio
©2022 Observador
A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.
Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais
Adere à Fibra do MEO com a máxima velocidade desde 29.99/mês aqui.
Siga o tópico Discriminação e receba um alerta assim que um novo artigo é publicado.
Foram comunicadas oito decisões finais relativas a queixas por discriminação apresentadas em 2020, todas de arquivamento, sendo seis delas com o fundamento de falta de competência para julga a queixa.
Exclusivo assinantes: Ofereça artigos aos seus amigos.
Do total das 1.023 queixas, 75 correspondem a processos encaminhados, estando ainda a decorrer 837 processos
MIGUEL A.LOPES/LUSA
Do total das 1.023 queixas, 75 correspondem a processos encaminhados, estando ainda a decorrer 837 processos
MIGUEL A.LOPES/LUSA
O Instituto Nacional para a Reabilitação contabilizou 1.023 queixas por discriminação em razão da deficiência e risco agravado de saúde em 2020, entre os quais 14 casos de pessoas com dificuldade em comprar ou arrendar casa.
De acordo com os dados que constam no relatório, que está desde esta sexta-feira disponível na página online do INR, o instituto contabilizou 1.023 queixas, entre 1.006 recebidas entre as entidades públicas com competência para receber e tratar queixas por discriminação em razão da deficiência, e outras 17 feitas diretamente no INR.
No caso são 40 as entidades, entre direções-gerais, autoridades nacionais, inspeções-gerais, entidades reguladoras ou outras entidades, sendo que oito delas não responderam aos pedidos de informação do INR. Entre as 32 que responderam ao inquérito do INR, só 17 afirmaram ter recebido queixas.
Entre as 1.006 queixas recolhidas entre as 17 entidades, a maioria (865) foram feitas junto do Provedor de Justiça, seguindo-se a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, com 75 queixas e o Instituto dos Registos e Notariado, com 11.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
Entre as práticas discriminatórias mais referidas está a recusa ou a limitação de acesso aos cuidados de saúde prestados em estabelecimentos de saúde públicos ou privados, com 142 queixas, a recusa ou a limitação de acesso aos transportes públicos, quer sejam aéreos, terrestres ou marítimos, com 75 reclamações, ou a recusa ou limitação no acesso a locais abertos ao público, da qual 53 pessoas se queixaram.
Houve também 93 pessoas que se queixaram contra práticas levadas a cabo por parte de qualquer empresa, entidade, órgão, serviço, funcionário ou agente da administração direta ou indireta do Estado, das Regiões Autónomas ou das autarquias locais, que condicionaram ou limitaram a prática do exercício de qualquer direito.
Trinta e três pessoas reclamaram contra a recusa ou limitação de acesso a estabelecimentos de ensino, públicos ou privados, assim como a qualquer meio de compensação ou apoio adequado às necessidades específicas dos alunos com deficiência e outras 33 pelo facto de o empregador ter adotado práticas no âmbito da relação laboral que discriminou um trabalhador ao seu serviço.
Houve também 14 pessoas que se queixaram do facto de lhes ter sido recusado ou dificultado o arrendamento, subarrendamento ou venda de imóveis, bem como o acesso ao crédito bancário para a compra de habitação, a recusa em fazer um seguro de saúde ou a penalização na celebração de contratos de seguros.
No entanto, só foram comunicadas ao INR oito decisões finais referentes a queixas por discriminação apresentadas em 2020, todas de arquivamento, “sendo que seis das mesmas com fundamento na inexistência de prática discriminatória e duas por alegada falta de competência e falta de jurisdição para o tratamento da queixa”.
Relativamente às 17 queixas dirigidas ao INR, este número resulta da subtração entre o número inicial de 49 queixas recebidas e reencaminhadas para as entidades com competência instrutória e as 32 entidades que declararam ter recebido também queixas por o INR entender que poderia haver duplicação da mesma queixa.
“Do total das 1.023 queixas, 75 correspondem a processos encaminhados, estando ainda a decorrer 837 processos. No tocante aos 94 processos que se encontram finalizados verifica-se terem existido quatro processos da entidade ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho] que foram objeto de uma decisão de advertência e que, pelo seu cumprimento “por parte dos empregadores não foram levantados os respetivos autos de notícia”, refere o relatório.
Os militares
Olá Lenine
Estranha caça às bruxas
Será Centeno a última das pombas do BCE?
Síndrome de abstinência dos especialistas da Covid
“Caso Marega”. TCA do Sul nega recurso da FPF 
Processo para polícias que prenderam atleta luso
“Em depressão parece que nada faz sentido”
Tribunal. Chamar homem de careca é assédio sexual
G7 critica decisão da Índia de proibir exportações
Alemanha. Homem esfaquei várias pessoas em comboio
Eu, cronista, me confesso
As notícias das 13h
Cravinho prevê “derrota estratégica” da Rússia
Rio Ave campeão, Casa Pia sobe 83 anos depois
Mapa. O que se passa no 81.º dia da guerra
Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.
A enviar artigo…
Ainda tem para partilhar este mês.
O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.
Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.
Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.
Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.
Por favor tente mais tarde.
Obrigado por assinar o jornalismo que faz a diferença.
Rua João Saraiva, nº 7
1700-248 Lisboa
© 2022
Disponível gratuitamente para iPhone, iPad, Apple Watch e Android

source

Na Polónia, os refugiados ucranianos ciganos fogem da guerra e da discriminação – ZAP Notícias – ZAP

InícioNotíciasMundoNa Polónia, os refugiados ucranianos ciganos fogem da guerra e da discriminação
Vitaliy Hrabar / EPA
Refugiados ucranianos na fronteira com a Polónia.
Nos dias que se seguiram à invasão russa, a Polónia foi notícia pela elevada disponibilidade que demonstrou em receber refugiados ucranianos. No entanto, a postura não é comum a todas as etnias. 
Antes da invasão russa à Ucrânia, um edifício banal nas imediações do mercado medieval de Cracóvia funcionava como albergue que oferecia alojamento barato sobretudo a jovens europeus que atravessam o continente de mochila às costas. Agora, num contexto europeu totalmente diferente, é a casa de 80 refugiados ciganos ucranianos, quase todas mães com filhos. Como tal, é frequente o movimento de mulheres com alimentos, ao mesmo tempo que os elementos do exército norte-americano no país tentam encontrar os seus destinos nos mapas.
“Só queria que os proprietários se encontrassem connosco antes de nos rejeitarem”, disse ao The Guardian Nadia, de 42 anos, que fugiu da sua aldeia perto de Donetsk quando as bombas russas caíram sobre a casa da sua vizinha em março. Refugiou-se Polónia com a mulher do seu filho, Raiia, de 22 anos, a sua filha adulta, e com os sete netos.
Apesar de a mudança ter sido recente, as mulheres encontraram trabalho numa fábrica de processamento de carne, tal como outros refugiados ciganos, que atravessaram a fronteira para encontrar um lar.
Mariam Masudi, uma coordenadora no albergue, que trabalha para a a ONG Salam Lab, não tem problemas em apontar que eles indivíduos “enfrentam discriminação“. “Os ciganos não são admitidos nos outros pontos de acolhimento. Ninguém lhes quer alugar um espaço para ficar. Não conheço ninguém que tenha conseguido estabelecer-se na Polónia. Aqueles que conseguiram sair do albergue mudaram-se para o estrangeiro“.
Os números oficiais sugerem que a população cigana da Ucrânia se situa nos 400.000 indivíduos, embora os especialistas encarem tal valor como uma estimativa baixa. Na realidade, ninguém sabe quantos ciganos ucranianos chegaram à Polónia, aponta Hanna Machińska, ativista pelos dos direitos civis na Polónia.
“Estas são grandes famílias intergeracionais, algumas de 30 pessoas. A maioria não tem um plano preciso do que vai ser o seu futuro quando chegam à Polónia”, descreve. “Esta situação requer ajuda institucional. Os cidadãos não são capazes de mobilizar apoio para grupos tão grandes de pessoas”.
No entanto, a ajuda institucional não tem sido prestada. A maior parte do apoio tem sido coordenada por indivíduos independentes e ONG’s, diz Joanna Talewicz-Kwiatkowska, antropóloga da Universidade de Varsóvia, responsável pela criação do grupo de Facebook, Polónia-Roma-Ucrânia, no início da guerra. “Queríamos recolher informações sobre pessoas que necessitavam de ajuda, comunicar com órgãos centrais e encontrar pessoas prontas a acolher refugiados ciganos”, diz ela. “Não pensámos que toda a responsabilidade pela situação fosse transferida para nós”.
Até o próprio albergue da Nadia só foi possível graças a um doador privado nos EUA, que alugou o espaço até 15 de Maio. Essa data é muitas vezes repetida entre as mulheres sentadas no átrio do albergue. “E depois o quê, expulsam-nos?” pergunta uma delas. Esta é uma pergunta a que Karol Wilczyński, diretor do Laboratório Salam, não consegue responder. “Sem apoio governamental, não conseguiremos. Não há maneira”, diz ele.
Os refugiados ciganos enfrentam não só uma falta de apoio, mas também uma discriminação direta, tanto por parte dos prestadores de ajuda como dos outros refugiados ucranianos. O facto de grande parte da ajuda ser prestada por voluntários mobilizados de forma independente e não pelo governo significa que é difícil assegurar a igualdade de tratamento das minorias.
“Nos primeiros dias da guerra, vimos os polacos fazerem grandes gestos de solidariedade para com os refugiados da Ucrânia”, lembra Talewicz-Kwiatkowska, membro dos ciganos polacos. “Nessa altura, nunca teria imaginado que estaríamos aqui a falar de discriminação ou desumanização, mas é isso que estamos a ver“.
De acordo com Talewicz-Kwiatkowska, foi recusado aos ciganos o acesso ao transporte e aos recursos oferecidos pelos voluntários que acolhem refugiados na fronteira. “Os ciganos foram expulsos dos pontos de acolhimento, onde se disse que estavam a roubar roupa para depois a vender. Também recebemos informações de famílias e grupos de ciganos que foram afastados dos carros e autocarros que ofereciam transporte”, diz ela.
“Encontrar alojamento foi outro desafio, porque quando alguém não quer ter ciganos no seu carro, pode imaginar que não os vai querer convidar debaixo do seu próprio tecto“.
Masudi diz que os ciganos que fogem da Ucrânia enfrentam frequentemente discriminação também por parte de outros refugiados. “Quando vêem os ciganos no ponto de recepção, os outros refugiados dizem uns aos outros para esconderem os seus pertences, de forma audível. Os ciganos na Ucrânia já estavam habituados a enfrentar a discriminação e o que eles experimentam na Polónia é a continuação disto“, aponta.
Nadia recorda que chegou a Lviv, o pessoal da estação de comboios não permitia que ela e a sua família entrassem na área de embarque reservada às mulheres e crianças que esperavam viajar para a Polónia. “Às mulheres ucranianas foi permitido que entrassem com os seus animais de estimação“, diz. “Mas não me quiseram deixar entrar”. Não acreditavam que eu fosse uma refugiada de Donetsk”.
Só depois de ter mostrado os seus documentos, que provavam que tinha vindo do leste, foi autorizada a embarcar no comboio. “Mas mesmo assim, [os oficiais] não me davam nenhum dos alimentos que estavam a dar aos refugiados”, diz ela.
A melhor opção para os ciganos a residir no albergue seria ir para o oeste do continente europeu, diz Masudi, nomeadamente para países “mais diversificados, onde se misturariam”. Embora Talewicz-Kwiatkowska tenha sido capaz de coordenar com organizações ciganas na Suécia e na Alemanha para organizar alojamento, muitos indivíduos estão relutantes em aceitar as ofertas. “Eles não querem estar longe da Ucrânia – esperam poder voltar para casa em breve”, diz ela.
Outros também têm medo de confiar na ajuda estrangeira. “Após a guerra na Jugoslávia, muitos ciganos tornaram-se vítimas de traficantes de órgãos, pelo que alguns têm medo de que a situação se repita“.
Nadia está consciente dos estereótipos que a seguem, mas espera, ao instalar-se na Polónia, ser capaz de os provar como estes estão errados. “Quando uma pessoa cigana rouba algo, ou é vidente, então as pessoas pensam que somos todos assim”, diz . “Mas eu não sei ser cartomante, então o que posso fazer? Tudo o que sei é trabalhar”.
  ZAP //
Your email address will not be published.

©2021 Cool Beans | AEIOU Ad Networks
Estatuto Editorial | Ficha Técnica | Política de Privacidade | Publicidade

source

Universidade demite professor que chamou brasileiras de "mercadoria" – Eu, Estudante

A Universidade do Porto, em Portugal, decidiu demitir o professor da Faculdade de Economia Pedro Cosme Vieira depois que ele chamou as brasileiras de “mercadoria”. A decisão foi publicada no Diário da República em fevereiro.
A denúncia contra o professor foi feita por 129 alunos em 2021. No documento, eles relatam que o docente tem várias atitudes que incitam ao ódio e constituem crimes de assédio e discriminação. Entre as frases que teriam sido ditas pelo professor estão: “As mulheres brasileiras são uma mercadoria”; “Sabem o que é uma caçadeira? Aquela arma que os homens usam para matar as mulheres”; e “Qualquer dia a minha amiga Marta, do judo, que é ceguinha, vai chegar a casa grávida”. 
O professor já tinha ficado suspenso por 90 dias. O docente teve um prazo de 10 dias para recorrer da decisão, mas não recorreu. 
Este ano, a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa abriu um canal de denúncias para receber queixas dos alunos. Segundo o  jornal Diário de Notícias, pelo menos 50 queixas contra 31 docentes foram recebidas em apenas 11 dias. Entre as queixas, há denúncias de xenofobia e racismo.

Digite seu endereço de e-mail para acompnhar as notícias diárias do Correio Braziliense.

source