Zangam-se as comadres … descobrem-se as verdades – Diário de Notícias

A semana passada fica marcada pela zanga entre agentes dos SEF, da PSP e da GNR, todos a acusar-se mutuamente de racistas e xenófobos, todos apoiados em bastas provas irrefutáveis.
Não se tratou de peixeirada à moda antiga, antes um educado e elucidativo debate em que uma parte citava relatórios internacionais, a outra escudava-se em conhecidos estudos académicos e a terceira brandia como prova da sua razão condenações judiciais sofridas pelos outros intervenientes. Os argumentos, os relatórios, os estudos, as condenações que normalmente fingem desconhecer foram de repente recordadas, elencadas e exaustivamente atiradas à cara uns dos outros. Caso para dizer que em casa em que não há pão todos ralham e todos têm razão.
As chefias horrorizadas com os argumentos que lhes recordavam a sua própria responsabilidade gritaram: basta, e a todos ameaçaram com processos judiciais.
No ano em que a União Europeia, para combater a corrupção, o racismo e o assédio moral, fez aprovar em Portugal a Lei da proteção e incentivo aos Denunciantes (Whistleblowers) é o próprio chefe da Polícia que se insurge contra os denunciantes. Péssimo exemplo, prova que não está interessado em investigar as acusações de racismo contra a instituição que dirige mas sim em calar as denúncias. Ai se a União Europeia sabe … lá Portugal levará mais uma vez nas orelhas por comportamentos não civilizados.
Faz lembrar o comportamento de certos bispos quando confrontados com as denúncias de abusos sexuais por parte do clero. Naturalmente que alguns desses bispos acabaram na cadeia, outros foram destituídos
e substituídos. Centenas de padres foram presos um pouco por todo o mundo (menos por cá).
O que um comandante decente faria era investigar se todas estas acusações têm fundamento, e tendo-o, punir os culpados. Mandar calar os denunciantes, ameaçando-os com processos-crime, é um péssimo serviço às forças policiais e a Portugal.
É neste ponto que o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, devia intervir, destituindo o comandante da Polícia que ameaça os legítimos denunciantes com processos e nomeando uma comissão independente para investigar a fundo o racismo e a xenofobia nas várias forças policiais.
É a reputação internacional do nosso país que está em causa, quando os denunciantes em vez de protegidos são publicamente ameaçados pelas suas próprias hierarquias que, com a sua conduta, permitem a interpretação de que têm algo grave a esconder.
Apesar de periférico, pobre e ignorante o nosso país faz parte da União Europeia ela própria ciosa da sua imagem no mundo, ela própria decidindo regras de boa conduta que quer exportar para outras paragens. O que menos lhe interessa é que Portugal troce publicamente das diretivas e das leis.
Eu diria que num momento delicado internacionalmente como este que vivemos o que menos queremos é incidentes deste tipo. Demita-se o prevaricador e nomeie-se a comissão independente. Todos ficaremos a ganhar.

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