Indígenas, xenofobia e genocídio: professores comentam prova da Unicamp – UOL Educação

Colaboração para o UOL
09/01/2022 21h22Atualizada em 09/01/2022 21h22
A Unicamp realizou hoje a segunda fase do vestibular. Neste primeiro dia, os candidatos precisaram escrever uma redação e ainda responder questões de português, literatura e inglês. A prova trouxe questões sobre indígenas, xenofobia e genocídio.
Amanhã, no segundo dia de prova, os candidatos vão realizar questões de matemática, ciências humanas e da natureza — essas duas últimas interdisciplinares. Nesse mesmo dia, os participantes respondem as questões de conhecimentos específicos.

Na avaliação da coordenadora pedagógica do curso e Colégio Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes, o primeiro dia de prova exigiu “profundidade de conhecimento” e ainda trouxe temas atuais.
“[Foi] uma prova super atual, muito interessante, desde a redação, mostrando o digital influencer, a importância dos aplicativos, dos investimentos nas áreas científicas, questões que envolvem conhecimento em Ligia Fagundes Telles até a xenofobia, devido a expressão “paraíba”, olhar a memória do índio, a importância do negro, violência policial, até chegar nas questões de inglês, que tem interdisciplinaridade”, disse.
Os vestibulandos que fizeram as provas hoje puderam escolher entre dois temas para a redação: uma postagem nas redes sociais, ou abordar a falta de investimentos em pesquisas no país.
“Na primeira proposta o aluno deveria se posicionar como uma influencer mirim, que dos 13 aos 15 anos mantinha uma produção virtual, mas a partir dos 15 anos, por decisão da sua mãe, acaba saindo das redes sociais a fim de protegê-la do cyberbullying e dos impactos negativos que o excesso de exposição pode trazer para o jovem”, explica a professora de português curso e Colégio Objetivo Caroline Evangelista.
“Já no texto dois, o aluno deveria escrever um manifesto, se posicionando como pesquisadores contra os cortes nos investimentos da pesquisa científica na sociedade brasileira”, complementa a professora.
A prova de inglês contou com duas questões interdisciplinares.
A primeira abordava o Tratado Internacional para prevenção e repressão ao crime de genocídio, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, explica o professor de inglês do curso e Colégio Objetivo Wellington Pimentel. “(É) uma prova com texto em inglês, onde o aluno teria que responder uma questão interdisciplinar, com geografia e história e estudos sociais.”
A outra questão abordava a pesquisa de embriões em laboratórios.
Os candidatos precisaram responder oito questões de português e literatura.
“Para começo, definitivamente não era uma prova fácil, muito pelo contrário. A prova da Unicamp é bastante elaborada e exige dos alunos um repertório, uma articulação de conhecimentos variados. As questões giravam bastante em torno de direitos humanos, questões que tratavam a respeito dos indígenas, de periferia, da situação dos negros e comparações que a prova estabelecia com a circunstancia atual do país, do mundo, das identidades”, afirma o professor do curso e colégio Objetivo Serginho Henrique.
Quatro questões eram de literatura, todas elas ligadas a lista obrigatória de livros exigidos pela universidade. Uma delas abordava o livro Seminário dos Ratos, de Ligia Fagundes Telles, na qual os alunos eram levadas a abordar a ditadura militar, segundo o professor. “Havia uma questão de Camões, que era mais tipicamente literária, tratava dos temas camonianos como, por exemplo, o amor platônico, exigia conhecimento de argumentação, de figuras de linguagem.”
Outra questão falava do silenciamento dos indígenas a partir de um trecho de carta de Pero Vaz de Caminha. “Há um trecho da carta em que essas vozes indígenas foram ignoradas e questões exigiam que o aluno fizessem uma reflexão sobre a situação atual dos indígenas.”
Por fim, outras duas questões falavam sobre o uso pejorativo do termo “paraíba” e ainda sobre a violência policial.
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