Brasileiros denunciam xenofobia em universidade portuguesa – Nexo Jornal

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Estudantes são chamados pejorativamente de zucas, termo ligado à palavra ‘bazuca’. Em 11 dias, faculdade de direito em Lisboa recebeu dezenas de relatos que também incluem assédio e discriminação
Em um espaço de 11 dias após o Conselho Pedagógico da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa ter aberto um canal para denúncias, 31 pessoas do corpo docente da instituição foram alvo de denúncias. A informação foi publicada na segunda-feira (4) pelo jornal português Diário de Notícias, que teve acesso ao relatório que elenca os casos.
Segundo a reportagem, houve 70 denúncias de 14 a 25 de março, mas somente 50 foram “validadas como relevantes”. Ocorreram casos de assédio moral, assédio sexual, práticas discriminatórias de sexismo, xenofobia, racismo e homofobia. Os episódios aconteceram tanto dentro das dependências da universidade quanto em interações online.
Os alunos responsáveis pelas denúncias não tiveram suas identidades reveladas. Segundo o Diário de Notícias, porém, entre as vítimas de xenofobia e racismo há estudantes brasileiros, que são a maioria entre os estrangeiros que estudam em Portugal. Aqueles que vêm do Brasil são pejorativamente chamados de zucas, termo ligado à palavra “bazuca”.
Em entrevista publicada nesta quinta (17) pelo jornal Folha de S.Paulo, a mineira Bárbara Magalhães, que cursa arquitetura na Universidade de Lisboa, afirmou que já desistiu de prestar queixa contra um professor por não ter recebido suporte da instituição. A conversa sobre assédio e discriminação ainda precisa acontecer com mais seriedade, e é preciso haver mais conscientização dos professores. Conversando com colegas, notei que é algo muito enraizado, muitos nem devem se dar conta que estejam praticando assédio moral, disse.
Entre as atitudes descritas nas denúncias, estão “observações sugestivas, piadas ou comentários sobre a aparência ou condição sexual”, envio de “cartas, mensagens ou e-mails indesejados” e promoção de “contacto físico intencional e não solicitado, ou excessivo”. Uma manifestação em frente à reitoria foi marcada para esta quinta (7) pela Associação de Estudantes com apoio do Movimento Contra o Assédio Sexual no Meio Acadêmico.

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