Rússia acusa Ucrânia de "xenofobia e nazismo" por causa de receita de sopa – Jornal de Notícias

A ucraniana Inna Ilinskaya prepara um borscht num campo de refugiados na República Checa
Foto: Michal Cizek / AFP
A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, acusou a Ucrânia de “xenofobia, nazismo e extremismo”. Em causa uma sopa de beterraba, típica no Leste da Europa, e que há dois anos ferve em lume brando nas relações entre os dois países.
A polémica sobre a identidade do borscht, uma sopa à base de beterraba muito apreciada em países do Leste da Europa, não é de agora. Mas o caso sobe de tom quando a Rússia está em guerra com a Ucrânia e a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, acusa Kiev de “xenofobia, nazismo e extremismo”, alegando que os ucranianos não querem partilhar a receita.
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A autoria da famosa e típica sopa à base de beterraba foi acrescentada à ementa da tensão entre Rússia e Ucrânia em 2019. “Um clássico intemporal, #Borscht é um dos mais famosos e amados pratos da Rússia e um símbolo da cozinha tradicional”, escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, na conta oficial do Twitter, há três anos, conta a BBC.
Um ano depois, para abreviar tudo o que foi dito e escrito de permeio, um chef ucraniano, Levgen Klopotenko, anunciou que ira propor à UNESCO, com o apoio do Ministério da Cultura e do Parlamento da Ucrânia, a elevação do borscht ucraniano a Património Imaterial da Humanidade, noticiou o “New York Times”. Uma proposta que seria entregue em 2021, sem que haja, que se saiba, qualquer decisão tomada.
A sopa volta a ser notícia, agora, quando os dois países estão em guerra e há milhões de refugiados e milhares de mortos. Além de uma sibilina ameaça nuclear a pairar como a espada de Dâmocles sobre o Mundo. “Os ucranianos não querem partilhar borscht com ninguém”, disse Maria Zakharova, sublinhando que a famosa e disputada sopa “não deve pertencer a uma nação”.
Numa conferência de imprensa em que voltou a acusar os ucranianos de encenar as imagens de civis executados em Bucha ou mortos por mísseis em Kramatorsk, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Rússia deitou mais lenha para a fogueira. “Os ucranianos baniram tudo o que tem ligação com a etnicidade e com a cultura nacional. Até livros de culinária”, acusou.
“E que tal fazer o borscht algo global? Para que todas as cidades, regiões e donas de casa possam fazer à sua maneira?”. Zakharova respondeu à própria pergunta. “Os ucranianos não querem fazer compromissos”, disse a porta-voz do MNE russo, aumentando o lume. “É uma forma de xenofobia, nazismo e extremismo”, acrescentou.
Se o caso não fosse tão sério, se não houvesse milhões de ucranianos com as vidas destruídas, centenas, talvez milhares, de mortos, abusos, crimes de guerra, era capaz de se poder pensar que está encontrada a explicação de Putin para a chamada “operação especial” na Ucrânia: quando falava em “desnazificar”, queria era uma receita de sopa.
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